domingo, 30 de setembro de 2012

A MODA É BRASIL!


Faz algumas semanas que não posto aqui no blog, a vida anda meio corrida. Meu curso na faculdade está chegando ao fim e já observo em muitos aquela expectativa natural para entrar no mercado de trabalho na área que estudou. A gente fica meio ansioso, e inseguro, o mundo está mudando muito rápido, é impossível saber o que esperar. Para o que se preparar! O que funcionava não serve mais e talvez o que hoje funcione amanhã também não sirva. A necessidade de adaptação, reinvenção e inovação é essencial.

Em últimas andanças pesquisando na internet e lendo artigos em revistas, fiquei muito feliz de ver que o nosso país é a bola da vez. O brasileiro é naturalmente talentoso, mas ando me surpreendendo com as coisas que acompanho. Acesso alguns blogs, sites, perfis, e noto como tem gente jovem se despontando, escrevendo tão bem (muito bem mesmo!) e sendo elogiados por isso. Assisto no Youtube músicas de cantores brasileiros que infelizmente não são tão reconhecidos pela mídia geral e vejo que fazem sucesso. Fico feliz por isso. Tenho a ligeira impressão que os olhos da mídia nacional (e internacional) estão se voltando para o Brasil e não mais para criticar negativamente apenas. Demonstrando nossas mazelas para o mundo. Porque já estamos cheios disso. Cresci ouvindo falar que brasileiro era sacana, sem vergonha, que burrice, comodidade e “noção de esperteza” eram características naturais da nossa gente. Parecia estigma. Ficava revoltado ao assistir filmes brasileiros que só retratavam favelas, assaltos e mortes, como se o Brasil se resumisse a isso. Gringos iam mesmo ter essa impressão sobre nós, lutávamos para passar essa imagem. Sensacionalismo a parte, só faltava dizer que aqui tinha canibal!

Agora vejo uma linha lutando de forma contrária, se esforçando para mostrar o nosso lado bom, e ainda existem muitos talentos escondidos nesse país. Escritores. Compositores. Músicos. Professores. Políticos. Donas de casa. Pessoas ilustres que ainda não receberam seu devido reconhecimento. Temos coisas boas como referência. Belas praias. Belas obras. Música e culinária invejáveis. A lista é generosa também. A diferença estava nos holofotes, todo o tempo miramos lá fora. Nas rádios brasileiras as músicas de sucesso eram estrangeiras. Os filmes considerados bons eram só os americanos. Livros, técnicas, tecnologias...tudo lá de fora, aqui, cultuávamos. Endeusávamos até! Enquanto o nosso povo era esquecido, as nossas músicas pouco conhecidas e tocadas, a nossa comida taxada de comum, o nosso gingado interpretado como vulgar e o nosso jeito de pensar apelidado maldosamente de “jeitinho brasileiro”, de povo que só pensa em tirar vantagem de tudo e de todos.

Sem preconceito e sem desmerecer outras nações, apenas defendo o momento do Brasil ser elogiado por algumas coisas, também temos o lado bom. Acho que durante todo o tempo nós mesmos esquecemos disso. Hoje quando ouço que está na moda ser brasileiro ou falar do Brasil dou é graças a Deus por isso. Que bom! Já era a hora mesmo de entrarmos em moda. Mais do que tempo. No Brasil tem violência, drogas, corrupção, tudo e mais um pouco? Tem! Todo mundo sabe! E não falo com orgulho. Mas lá fora tem também. Todos os países atualmente sofrem praticamente os mesmos problemas sociais e ambientais, se igualamos nas análises. Não cabe mais esteriótipos negativos. Tem político ético, tem pai de família trabalhador, tem policial justo, que são brasileiros. Tem um pouco de tudo aqui, da mesma forma que tem um pouco de tudo em qualquer outro país.
Estou muito feliz com esse cenário que está aos poucos mudando. Parece o famoso dito “o jogo virou”. Situações provam isso. Hoje leio revistas que escrevem positivamente sobre o Brasil, dedicando capas e longas matérias falando bem da nossa gente. Programas e filmes privilegiando algo positivo do país. Ou pelo menos saindo daquele esteriótipo “terra sem lei”. Sem falar que pela primeira vez se observa na cena internacional o Brasil sendo colocado com respeito nas discussões. Estamos conquistando o nosso espaço. Se antes éramos os bandidos ou os sem vergonhas dignos de correção, apenas os coitadinhos da roda, quando não os vilões, já se observa a mudança. Uma mudança vagarosa e capengante, mas que pegou gosto pelo avanço e aprendeu o caminho. O mundo parou (mesmo que a contragosto) para nos ouvir, para aprender conosco! Porque o brasileiro pode ter sido menosprezado e subjugado, mas ninguém tira o mérito da nossa gente de ter sobrevivido com desigualdade social e aprendido a matar um leão por dia para sobreviver, e mesmo assim ter conseguido o privilégio de progredir. Parafraseando o Zagallo: acho que daqui para frente vão ter que nos engolir!

domingo, 9 de setembro de 2012

"Desfronteirar" o Ser


No post anterior, falei sobre o pensamento linear e sobre a necessidade de desenvolvermos um pensamento complexo nos dias atuais; um pensamento mais elaborado, que leve em consideração a globalização.


O pensamento - unicamente - cartesiano (aquele linear), que desconsidera o todo, a contradição e a imprevisibilidade, é o fundamento de uma atitude nossa nociva nos dias atuais, que é dar respostas rápidas aos problemas de forma quase mecânica. “Sim ou não”. “Dois e dois são quatro”. “Logicamente isso levará naquilo”. Ao seguir essa fórmula engessada de raciocinar, cometemos dois equívocos principais: primeiro, não raciocinamos efetivamente sobre o problema e segundo, nós acreditamos ter domínio absoluto sobre a questão. Isso é o que tem levado a sociedade moderna aos graves problemas socioambientais que vivemos. Problemas que não admitimos que fracassamos em solucionar. A globalização mudou a realidade. Hoje nós vivemos, nos relacionamos, nos comunicamos, criamos, aprendemos e devemos educar de maneira diferente de quando o modelo linear foi criado. Na época, não existia internet, terrorismo, aquecimento global, nem sete bilhões de pessoas no mundo. A realidade mudou, mas o modelo permaneceu. A gente ainda aprende nas escolas o raciocínio linear e o reproduzimos repetidamente. “Primeiro uma coisa, depois outra, em seguida outra...e o veredito absoluto”. Num ritmo sucessivo, que desconsidera variáveis e imprevisibilidade. Hoje já se sabe que esse tipo de pensamento não garantirá a sobrevivência humana; o modelo linear, unicamente, não serve mais.

Qual o objetivo desse post?
Quero nos fazer pensar sobre o pensamento complexo de forma empírica. Prática. Não sei se é porque a discussão ainda é recente, acho que estamos de mais teóricos! Falamos da necessidade de desenvolvimento do “pensamento em rede”, mas não se fala sobre o assunto com praticidade. Como desenvolver esse “tal” pensamento complexo é o que deve nos interessar. Por onde começamos? Será que o caminho é apenas através da Educação (básica!)? E quem não estiver estudando (resolva-se sozinho!)?
Sinceramente, acredito que fórmulas concretas e exatas nunca existirão mesmo. Eu sei. O que precisaremos é constantemente analisar o que funciona e o que não funciona mais, rever e recriar o modo de olharmos e pensarmos sobre tudo - sempre -. No entanto, quero abrir um parênteses: não quis dizer no post anterior que o pensamento linear não sirva. O ser humano usa a linearidade para ordenar os pensamentos, raciocinar e dar uma síntese. De outra forma a gente enlouqueceria. O pensamento linear então é necessário, sim, sempre será. Porém, diferente de uma máquina como um computador por exemplo, o cérebro humano suporta complexidade. Não só suporta, como trabalha bem com a complexidade. O que isso significa? Na prática, mais do que criar um modelo de pensamento novo, precisamos de um estilo de vida complexo, onde continuaremos utilizando o pensamento linear para ordenar as tarefas diárias, porém, misturando tudo simultaneamente! Entendendo que não controlamos tudo, mas entendendo de tudo um pouco!

O que acontece nos dias de hoje é que, por exemplo, num curso superior, quem estuda uma determinada área acaba só estudando sobre aquela área. Os aprendizados de outras áreas não se misturam. Quem faz determinada atividade, termina se limitando apenas aquele universo. Como se o conhecimento não fosse integrado. Por quê? Porque acredita-se que a simultaneidade e a diferença confundiriam o aprendizado, o cérebro. Eu não acredito nisso! Se a realidade presente nos prova, que futuro será da diferença, da pluralidade e da multiplicidade, o estilo de vida que devemos ter daqui em diante não pode seguir moldes isolados. Não vai funcionar. Não sobreviveremos assim. No futuro, acredito que os profissionais mais completos para trabalhar não serão aqueles experts numa única área, mas sim aqueles que saberão de tudo um pouco, tendo ampla visão do todo.
Nós precisamos desautorizar o mito, que diz que o nosso cérebro enlouquece com a complexidade. Que ele não suporta ou não trabalha bem com a simultaneidade. O cérebro humano é superior ao mais avançado computador existente (na minha opinião), porque ele é capaz de gerir um estilo de vida não linear, sem fundir, sem queimar, sem entrar em pane. Somos os únicos animais que suportam isso. Sabemos que vivemos, que um dia vamos morrer e que, em algum nível, somos controlados. O homem utiliza o “fio” da racionalidade apenas para gerar uma síntese de conhecimento, porém ele não é refém desse “fio” no processo! A máquina não calcula o imprevisto e a contradição, por isso não suporta o erro, mas o ser humano suporta! A gente cai, levanta e continua. A gente aprende errando e se supera.

Devemos sim nos dedicar em tudo até chegar a uma conclusão. Porém, não podemos acreditar que um conhecimento esteja desconectado do outro ou que vamos aprende-lo isoladamente. Temos que aplicar esse modelo complexo nas nossas atividades diárias. Ler de bula de remédio a Shakespeare. Assistir de desenho animado a documentários sobre a fauna e a flora. Ouvir de "eguinha pocotó" a Frank Sinatra. Praticar de exercícios para o corpo a exercícios para a mente. Refletir o nosso ponto de vista e todos os outros pontos de vista sobre a mesma questão. Contar piadas e filosofar. Dançar samba, forró e valsa. Precisamos é adquirir um estilo de vida múltiplo. Diferente. Pluralizado. Sem preconceitos. Parar com esse negócio bobo de "isso não é da minha área". "Isso não é minha praia". Tudo nos interessa! Tudo pode ser interessante! Enquanto estou sentado na carteira, em sala de aula, assistindo meu professor, o MEC está discutindo sobre mudanças na Educação, existem projetos para aumentar a malha ferroviária brasileira, estamos em ano de eleição, tudo o que está acontecendo fora da sala de aula em que estou me atinge (ou atingirá) sensível ou insensivelmente, quer eu queira ou não. Como na frase, que desconheço o autor: "O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque.". Assim sendo, nós não podemos achar que o saber se fará isolado, não integrado. Mais do que um novo modelo de pensamento, precisamos “desfronteirar” o Ser!


Um último conselho: misture sim, mas nem por isso perca o foco!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NÃO LINEARIDADE E COMPLEXIDADE

Já imagino que tem gente torcendo o nariz depois de ler o título. Vamos fazer um esforço...


Nas últimas semanas, passei um tempo pesquisando na internet sobre como será o cenário futuro e também estive lendo matérias em revistas e artigos online sobre o mesmo assunto. As perspectivas e tendências desse “futuro em rede”. Com base em uma opinião pessoal minha, sobre o que venho lendo e também tenho observado atualmente, acredito que o futuro não será fácil, por causa de “n” fatores que praticamente vão nos obrigar a mudarmos o olhar sobre a vida e adquirirmos uma atitude diferente de pensar sobre os problemas. Com um olhar mais amplo, que alcance o todo e um pensamento não linear, complexo, seremos mais aptos a encarar e conviver com os desafios que virão. Mas isso resulta também num ensino educacional com modelo(s) diferente(s) (que já estão sendo estudados pelo MEC), num “corpo empresarial” mais preocupado com sustentabilidade – de outra forma não sobreviverá por “n” razões –, num “corpo governamental” mais engajado em crescimento e desenvolvimento também – ou o bem estar não acompanhará o aumento do PIB –, e numa sociedade mais ambientalmente consciente e politicamente ativa – para que exista um estilo de vida sustentável e equânime –; tudo baseado em princípios éticos, morais, legislativos mais claros, mais humanos, mais firmes e mais justos!

Alguns assuntos estão em alta na boca do povo, sendo discutidos por muitos veículos de comunicação e algumas palavras têm ganhado muita força também. “Os caminhos de uma educação mais reflexiva”. “O perfil de um novo profissional mais humano”. “As profissões que ascenderão ou terão de se adequar”. “Quais as promessas e ameaças desse 'futuro em rede' ”. Justiça, honestidade, liberdade, singularidade, são palavras entrando fortemente no nosso vocabulário cotidiano. Isso tem significado que a população em geral está mudando o seu modo de pensar e está começando a questionar o que é bem estar, e o governo e as empresas notam que se faz necessário reformular suas práticas por causa exatamente disso. Vivemos em sociedade, mas cada um de nós quer ser visto, ouvido e lembrado como um indivíduo único, diferente, com necessidades desiguais. A tecnologia tem permitido ao cidadão consumidor conhecer mais a fundo sobre as atividades socioambientais das empresas e dos governantes. A maior característica do mundo atual, que será ainda mais acentuada no futuro na minha opinião, é essa potencialidade de desenvolvimento do ser humano e ao mesmo tempo a imprevisibilidade do cenário. Uma capacidade de forte desenvolvimento da população, paralelo a uma capacidade do próprio sistema se reformular e se transformar tão rapidamente contrariando espectativas. Isso explica o porquê o pensamento linear é reducionista; o futuro será (o que já é, ainda mais acentuado) complexo. Onde o foco será a multiplicidade, a pluralidade e a diferença. Onde quem domina é o homem, não a máquina! O burro da estória é o computador, porque ele utiliza apenas pensamento cartesiano para funcionar. Nós trabalhamos com a complexidade. A potencia máxima será o Capital Humano e ao mesmo tempo não poderemos (como já não podemos!) prever com precisão, nem controlar o cenário completamente sem admitir que também somos controlados pelo sistema. E como disse a filósofa Viviane Mosé inspirada por Edgar Morin, através do "princípio de instabilidade", cairão-se as barreiras e a internet acabará com o gueto do conhecimento! Assim o papa do conhecimento será o curioso, o criativo, o inovador, o que estará sempre disposto a se reinventar.

Percebi que esse meu interesse em tentar prever o cenário futuro tem sido uma vontade de muitos, o que diferencia é o enfoque do estudo. As empresas querem saber para produzir e vender melhor, serem mais competitivas e terem uma gestão mais humana. O governo quer responder às necessidades da população da melhor forma e vai apostar em investimentos na educação daqui em diante. Só um parênteses nisso: um dos principais medos dos nossos investidores em Educação é se isso garantirá uma melhor educação de fato! Na minha opinião, sim e não! O que vai depender é a administração ser bem feita. Já obtivemos provas de outros países que investiram em educação, mas não conseguiram aumentar os índices de ensino, porque não tiveram uma boa administração. A fórmula, mais do que maior investimento, é uma boa administração como sempre. Um pai de família pode ganhar um salário mínimo ou dois, ele vai se endividar do mesmo jeito se não souber administrar bem suas economias. O país precisará seguir esse mesmo princípio: uso inteligente dos investimentos, com boa administração e expectativas a longo prazo - desde o ensino básico!

Tenho absoluta certeza de que nunca saberemos, comprovadamente, o que dará certo. Mas nós já sabemos o que não tem dado! Estamos naquela fase que vou apelidar de “Pós Divórcio”. Nunca me casei e criei esse apelido agora, mas acredito que ele exemplifica muito bem isso o que quero explicar. Depois que alguém se separa, para mim é natural que essa pessoa sinta vontade de se relacionar de novo, mas ela não tem a menor ideia do que encontrará no caminho, ela apenas sabe o que ela não quer mais encontrar! Por experiência do que já vivenciou e terminou não dando certo. Nós estamos num momento muito próximo dessa analogia, a humanidade sabe que o futuro será incerto de qualquer forma, mas estão despencando nossos paradigmas, colocando em xeque a nossa sobrevivência. E nós temos isso como trunfo nas mãos. Os erros! As experiências que trouxeram lições. Sabemos o que não deu certo até aqui. Consumismo desenfreado. Idealismos. Verdades e não verdades cristalizadas. Preconceitos. Niilismo. A sociedade não pode, por medo de um futuro diferente e desconhecido se intimidar e não avançar. Acumulando pessoas depressivas. Quando caí de bicicleta a primeira vez aos 6 anos de idade, confesso que me deu vontade de nunca mais subir numa, porém se eu não tivesse tentado novamente e não tivesse continuado a cair até aprender, hoje ainda não saberia. Nunca ninguém aprende coisa alguma na vida sem deixar o medo de lado e se arriscar. O que precisamos nesse momento do nosso país é apostar mesmo em educação, planejamento e desenvolvimento, mais inovação, valorizar o capital humano e apostar sem medo. A coragem para avançar em investimentos, mãos firmes para controlar e uma boa administração são o que minimizarão os riscos desse futuro!


Miguel Nicolelis explica como a interface cérebro-máquina altera a maneira como nos comunicamos e de que forma a neurociência deve transformar o que conhecemos como formas de trabalho e as relações no ambiente profissional, em entrevista especial para a HSM.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

IDENTIDADE BRASILEIRA


Estive em uma instituição que realiza atividades socioeducativas com crianças que os pais trabalham fora o dia todo. Essa instituição acolhe essas crianças em tempo integral e durante esse período realiza ótimas atividades com elas. Mas o que eu gostei mais de ver foi como respondem bem a tudo, como elas são organizadas e espertas. Elas sabem que têm talento para qualquer coisa, mas sabe o que lhes falta? Quem acredite nisso além delas. Conversando com o pessoal da instituição, descobri que elas passam pelo mesmo dilema que o típico brasileiro sofre muito: falta de crédito e ausência de portas abertas. Apesar delas serem carentes, não é de dinheiro que elas mais precisam, é de atenção e confiança. São crianças carentes de amor e carinho e precisam de cuidado e espaço na sociedade, para crescerem e se desenvolverem com grande potencialidade; elas precisam que confiem nessa capacidade delas fazerem isso. Sem menosprezo nem descaso. É um trabalho complexo, um esforço conjunto entre sociedade, governo e empresas, e uma questão de dar mais crédito e oferecer mais perspectivas. Por que eu estou escrevendo sobre isso?

Porque essas crianças que conheci refletem claramente o povo brasileiro em geral. Há um imenso potencial latente na população e acredito que nós ainda não notamos isso. O que mais falta para o nosso país crescer economicamente e desenvolver todas as camadas sociais é darmos atenção para a nossa própria raça. É preciso recriar coisas e cavar canaletas. Somos um povo incrível e não deveríamos mais duvidar disso. Sem desmerecer outras nações, acredito que o brasileiro tem algo de muito especial na forma peculiar de fazer cultura; tem um talento na gente que é diferente do restante do mundo e o restante do mundo já notou isso faz tempo. (E temem isso!). Só nós que ainda não percebemos direito essas coisas. A grande maioria do povo não é mais criativa não por falta de saber ser, mas por falta de encontrar espaço para ser. Não há cuidado com o ensino, não há políticas públicas privilegiando a cultura e não há caminhos para demonstrar o que em nós sobra: um jeito específico de fazer música, de canta-las, de dança-las; um jeito específico de viver, de criar, num gingado que dribla a dificuldade diária e equilibra em braços fortes contas a pagar e salário mínimo. Muitas vezes é por esse descaso e esse desinteresse que nos entregamos e ganhamos fama de povo acomodado. Mas há grandes exceções...

O nosso problema não é tanto pensar e ser criativos, porque pensar a gente até sabe bem quando quer e criatividade também temos (é preciso para sobreviver). A discussão central está em não haver espaço e não existir o devido cuidado com o planejamento desde as crianças. Por isso devemos mexer no nosso país desde as bases! Somos um povo briguento, mas ainda hoje não sabemos brigar e nos entregamos fácil. Não sei porquê desse jeito de caminhar de cabeça baixa pelo mundo. Ainda há um resquício de “sim, sinhô” no nosso sangue. Uma passividade sanguínea. Por um débito já pago! Precisamos perder esse medo de nos assumirmos como brasileiros definitivamente, que não mais devem nada a ninguém e recriar caminhos para a nossa própria gente inovar e se reinventar. Temos um incrível potencial para isso, que se justifica na nossa própria cultura, nessa forma difícil que fomos criados desde sempre. Sabemos muito bem lidar com as adversidades. Agora é necessário criar outros modelos, seja através de políticas públicas, de oficinas de teatro, dentro de escolas em salas de aulas, através de projetos socioeducativos, seja através de tudo isso e muito mais, o mais importante é que trabalhar no que é nosso. E cavar canaletas para que essas crianças continuem abrindo caminhos no futuro. Precisamos urgentemente de uma nação que seja capaz de criar e sustentar a realidade que o país quer alcançar.

Acredito sinceramente que uma das grandes coisas que o governo anterior fez ao nosso país foi abrir caminhos. Política a parte, ele nos colocou (como país) no mapa! Defendo que essa é a receita. Abrir caminhos. Mas também ensinar esse povo a pensar e privilegiar o capital humano nacional, porque talento há! O país está crescendo, há inúmeros projetos para ampliar a nossa malha ferroviária, aumentar o transporte aquaviário, portos secos etc. Muitos países estão investindo maciçamente em inovação, P&D (Planejamento e Desenvolvimento), e estão conseguindo desenvolver a economia enquanto o Brasil está importando mão de obra!!? Nós estamos importando mão de obra porque não temos planejamento, atenção e coragem de educar o nosso próprio povo para trabalhar no que é nosso, e isso é uma vergonha nacional! O trem está caminhando a todo vapor e lá na frente vamos precisar de pessoas competentes para dirigi-lo e dar continuidade nesse caminhar. Ou o país quer ficar nas mãos de estrangeiros, de novo!? As políticas públicas, nesse momento importante do nosso país, devem contemplar mais do que nunca a cultura, a educação, a inovação, através de modelos de ensino reflexivos e globalizados, para que as nossas crianças (se) enxerguem (n)o mundo. Consigam lidar politica e sabiamente com os problemas trazidos pela modernidade. Problemas que vão muito além dos exercícios escolares. Problemas complexos e integrados.

É hora de apostar no nosso povo desde as bases! Pegar os nossos educadores e trabalha-los com amor e respeito, buscar formas de pagar a eles salários dignos, para que eles coloquem essa moçada para fazer o que nós fazemos de melhor: criar! Como diz minha avó: "essa molecada só faz arte". Realmente, o povo brasileiro faz e das boas ainda! Vamos parar com esse negócio de “sim, sinhô” e erguer a cabeça de uma vez por todas, vamos colocar essa criançada para pensar de verdade nas escolas e apostar nelas, mas acima de tudo vamos assumir a nossa identidade brasileira. Uma grande característica de nação madura é saber se colocar e se posicionar como tal. Nós somos brasileiros!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O que você está fazendo aqui?


“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.” (Millôr Fernandes)


Já reparou como todos nós fazemos tamanha força para aparentarmos apenas a nossa melhor parte na internet? A imortal. Aquela fake... Viemos à internet no passado para melhorar nossa vida cotidiana, aprender mais, nos entreter, nos informar, em busca de qualidade. Viemos com o objetivo de tornar a comunicação mais rápida, menos falha, com o propósito de maior socialização também. A proposta inicial me parecia essa, organizar e facilitar a vida contemporânea. No entanto, anos depois, nós entramos diariamente nesse espaço virtual na construção de um lugar ideal, um mundo irreal, que parece muito possível ser obtido com essa tecnologia. E nele transparecemos que somos inteligentes – não, inteligentes não mais, agora a moda é parecer culto. Eloquente. Grandioso! Todo mundo sabe sobre tudo, sobre todos, a qualquer momento, e no fundo ninguém conhece ninguém e entende das coisas apenas na superficialidade dos dados. Mesmo com tantas informações continuamos estranhos desconectados. Mas a vida nunca pareceu tão agradável! Com a pasteurização da internet tudo é bonito. O desempregado, desarrumado, introvertido, chato, nas redes sociais fica bonito, bem vestido, popular e chique – pois a moda agora é ser bem vestido também. Eu sei, sou um desses e isso me envergonha muito. Entendo bem desse universo, porque estou nele nesse momento e sou um dos seus usuários. Ele nos encanta com as possibilidades! É tão fácil constatar o que estou falando, é só dar uma passadinha rápida por alguns perfis em qualquer uma dessas diversas redes sociais existentes. Aliás nem precisa ir muito longe não, olha aqui mesmo no perfil do meu blog. Pareço muito bem, não é? Tentei parecer... Mas isso não significa que sou outra pessoa, mas também não significa que sou desse jeito, todo dia. Barba feita, cabelo com gel e no melhor ângulo – que consegui depois de tirar umas dez fotos. “Editei” o que quis transmitir. Escolhi a melhor foto que eu tinha no meu notebook. E a descrição sobre mim? Claro que eu colocaria só a melhor, é a meu respeito né, jamais descreveria algo negativo sobre mim. Quero parecer legal. Bem visto e bem quisto. Preciso muito disso. Marketing pessoal é realmente tudo!

É claro que estou ironizando essa situação séria e sendo bastante sarcástico com isso. Marketing pessoal não é nada disso, você não precisa ser falso nem se descrever mentindo para agradar alguém. Deve ser quem você verdadeiramente é, nos dois mundos. Transparecer o que sente. Mas na realidade não é o que está acontecendo. Fugimos da vida cotidiana real para a virtualidade, porque ela garante um controle de coisas que não temos fora desse espaço. Na internet podemos ser quem quisermos, ter muitos amigos – e sem precisar conviver com a chatice de algumas pessoas, o mau humor de outras, sem TPM... Relacionamento interpessoal é zero. Fora da net tornou-se chato, cinza, sofrível. Mas se querem saber a verdade, a vida não “tornou-se” coisa alguma, ela sempre foi assim: altos e baixos, pessoas de todas as personalidades, adversidades que temos que lidar e conviver porque somos sociedade. Mas o que aconteceu foi que a internet nos mostrou as maravilhosas oportunidades de sermos quem quisermos, até o que não somos e é essa a grande isca, pois nunca estivemos satisfeitos com o que somos. Adoramos é idealizar a vida. Podemos mudar, ser diferente, não tolerar quem não queremos; para que vamos ser reles mortais então? Aguentar outro ser humano cara a cara, assumir nossos fracassos, nossas falhas e andar de cabeça erguida numa sociedade onde todos parecem vitoriosos e onipotentes em seus castelos construídos virtualmente? Querem saber, acho que temos dado importância de mais para a estética das coisas. Para a reação das pessoas. Para o julgamento alheio. Nos importando de mais em criar um mundo bonito, divertido e alegre virtualmente e nos esquecendo de tentar isso na vida real. Com isso, passamos cada vez mais tempo presos nesse lugar tentando achar alguma coisa que fora dele não encontramos. Precisamos tirar vantagem da internet e não o contrário! Porque quando os recursos do planeta não forem capazes de suprir a nossa enorme demanda, além de ainda não estarmos satisfeitos, vamos viver aonde? Ou alguém aí já comprou seu terreninho em outro planeta? Ouvi dizer que tem umas praias ótimas em Marte...

Esse espaço está se resumindo em nossa vida ao ponto de se torna-la. A internet está nos dando esse poder. Mas o objetivo dela era esse? Afinal, qual é o objetivo da internet? Organizarmos nossa vida, trocarmos ideias e soluções uns com os outros, aprendermos, batermos um bom papo ou criar uma vida virtual paralela? O que você tem feito na internet??

Hoje não tem como saber se a pessoa que vemos no avatar é realmente a que está por trás dele. Será que ela é tão bonita quando a da foto? Será a da foto!? Será tão legal quanto a descrição do perfil? Não dá para saber se aquelas palavras utilizadas para descreve-la é o que realmente ela é ou o que gostaria de ser ou se a sua imagem não passou por um desses “programinhas manipuladores”, porque há um abismo que nos separa. Estamos conectados por abismos de distância! Somos perfeitos e grandiosos, aí clicamos em “sign out” e a ficha cai. A realidade é bem diferente... Sabe quem eu sou?
Um jovem universitário pobre, que não sabe de nada, dependendo do ângulo bonito, dependendo do gosto bem vestido, dependendo da análise verdadeiro, maduro para algumas coisas, mas totalmente inexperiente para outras, que quer te dizer o seguinte: “ – Use a internet mas não seja usado por ela, tire proveito! Pois enquanto você está aqui lendo minhas palavras, a vida está acontecendo aí a sua volta – afasta o seu olhar dessa tela pra você ver. Aproveita o que você leu aqui e saia respirar ar puro olhando para o céu, para o Sol, reflita, pisa um pouco no chão, abraça o seu filho, conversa com ele!, brinca com seu animal de estimação, porque enquanto está aqui a sua vida está acontecendo... Nem mesmo eu – o autor – estou aqui neste momento, porque enquanto está lendo essas palavras (que eu já escrevi), fui viver de verdade...” .

Mas volto! rs rs rs


Trailer OS SUBSTITUTOS (The Surrogates) - Legendado
No filme, “em 2054, humanos vivem isolados interagindo através de andróides chamados Surrogates. Quando assassinatos começam a ocorrer, um policial sai de casa pela primeira vez em anos para descobrir uma conspiração”.



É isso o que queremos!?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pensamento é músculo


“- Simples. Eu tenho que falar de uma maneira simples...”.
É esse o conselho que me dou para tentar explicar o que quero. Por quê? Porque o que quero explicar é um pensamento muito complexo e receio que ninguém entenda o que quero passar.



Tenho feito reflexões muito profundas sobre a vida (sobre a mim mesmo). Este blog tem como objetivo fazer o leitor repensar, refletir, questionar sobre a si mesmo, sobre a sua própria vida. Eu mesmo repenso, reflito e questiono o que escrevo aqui sempre. Mas percebi que algumas coisas que posto podem ser difíceis de acompanhar para alguns e isso me fez lembrar de uma época da minha vida – e por essa razão escrevo esse post, que já dou nome: “Pensamento é músculo”. Vou contar uma breve história minha...

Uns anos atrás, acredito que uns quatro ou cinco talvez, era noite e fui assistir a um programa de televisão, onde uma apresentadora (não me lembro quem exatamente) argumentava sobre um tema. Acredito que era sobre Felicidade – não me lembro ao certo –. Porém me lembro muito bem que não consegui entender nada do que ela falou; minha capacidade de entender não acompanhava o raciocínio dela; não consegui assimilar a complexidade da sua linha de raciocínio. Minha visão de mundo era bem fechada e limitada, e até então eu não tinha o hábito de refletir sobre nada. Então achei o programa chato, a apresentadora estranha e em dois minutos (no máximo!) troquei de canal. Juro que até me esforcei para acompanhar o que ela dizia sobre Felicidade, mas a complexidade do seu discurso era tamanha que eu tive dor de cabeça. Foi mais prático julgar aquele programa como chato, desinteressante e sem utilidade para a minha vida.
Só que não me dei por vencido! Como acho que deveríamos fazer com tudo na vida que nos confronta e nos desafia. Não desistir. Você até pode deixar quieto por um tempo, enquanto adquire mais forças, mas numa hora ou outra retorne e tente novamente. Seja o que for.
Naquela época – vai parecer estranho –, eu queria entender aquele programa. Mais que isso, eu queria entender sobre o que ela falava, especificamente. Por que era tão difícil? Nesse momento percebi algo. Quando um entendimento é grandioso ou complexo demais, a gente se afasta e o declara como chato, porque é conflitante. Mas isso só significa que a nossa mente está menor do que o entendimento. Precisamos expandir. Expandir a visão e a nossa existência.

Quando você quer tonificar um músculo, o que você faz? Exercita-o, não é? Seja lá qual for o movimento que você fizer com esse músculo estará trabalhando-o. Você só precisará respeitar os limites do seu corpo. É da mesma forma o pensamento! Pensamento é músculo! Reflexão é músculo! E da mesma forma atrofia e atravanca o movimento (= a vida).
Corpo sedentário é ruim para a saúde? Mente sedentária também! Ao constatar isso passei a praticar reflexão com maior frequência. Mas como se pratica reflexão!? Pensando! Tendo vontade de pensar! Na minha opinião (de leigo), a filosofia dá ferramentas para elaborar melhor as ideias, para estruturar a construção de um pensamento. Como se você fosse um arquiteto. Quanto mais você pensa sobre si mesmo, mais você está refletindo sobre a vida, porque você é a vida! Então refletir sobre si é refletir sobre a vida.

Imagine-se frente a frente com uma parede. Aí, nessa parede você desenha um ponto. Com o seu nariz colado nesse ponto desenhado na parede, você apenas tem a visão do que os seus olhos alcançam. Que é muito pouco. Agora, ao dar um passo para trás, a abrangência da sua visão aumenta. E quanto mais passos para trás você der, mais amplitude a sua visão ganha. Refletir é “dar passos para trás”. Irá chegar um momento (que é o ponto que eu espero que a humanidade chegue) que de tantos passos dados para trás, a sua visão de mundo se tornará você. A parede é você e você é a parede. Não será mais você quem vê, a vida é quem vê através de você.
Mas é lógico que até você chegar nesse ponto e você entender isso tudo, você precisará refletir para “trincar” o seu pensamento. Pensamento sarado! De que forma você faz isso? Pensando, primeiramente, sobre si mesmo nas pequenas coisas do cotidiano. Pensando sobre a sua própria vida no dia a dia. É o que eu faço de uns cinco anos pra cá. Ao deitar a noite (pode ser durante o dia, ao acordar, durante o banho, no quarto ou onde quiser, isso não é “receita de bolo”) pense em algumas atitudes suas. Pense no que você fala. Pense em você mesmo; tente se ver nos seus pensamentos. Esse é o primeiro passo, quando você começar a se ver em terceira pessoa, enxergar a si próprio e se analisar. Essa é a nossa maior capacidade: existir e enxergar a existência.
Então, da mesma maneira quando estamos fazendo abdominais e o nosso condicionamento físico vai melhorando e suportando mais séries gradativamente, é a forma de pensar. Quanto mais você pensar sobre suas próprias ações, mais o seu pensamento se tornará complexo. Caberá mais mundo dentro de você. Mais vida. A partir daí você começará a viver de verdade esse sistema complexo que se chama Vida. Passará a pensar melhor. Falar melhor. Viver melhor. Entendendo o todo.

Eu não sou o “cara” da reflexão, não! Nunca serei. Nunca ninguém foi também. Sou apenas um dos que gostam de pensar e tem curiosidade sobre todas as coisas. Que acredita que o pensamento é um músculo e por isso precisamos malha-lo para criar arte. Refletir para não atrofiar (= alienar). Sabe qual foi o meu maior ganho nisso tudo? Capacidade de aceitar as minhas contradições naturais, capacidade de saber viver com as perguntas sem respostas, capacidade de suportar o sofrimento dos momentos de transição e capacidade de sentir e viver a vida com gozo, vontade, potência e coragem!
Treine o seu pensamento. Questiona. Questione-se. Questionar é viver. A vida é um eterno perguntar sem responder. Não sabemos nem onde nem quando a vida começa; o que ela é ou para onde ela vai. Nós apenas temos a existência. Então, construa a sua de maneira criativa!

Viviane Mosé em Anamnese falando sobre existência, sofrimento, auto-medicação, idealismo, violência, entre outros temas.



Nota: Criei esse post baseado, também, em entrevistas que assisti, na internet, da poeta, psicanalista e filósofa Viviane Mosé. Até fiz uma coisa que não faço a muitos anos, um poema:

Saber (Não) Ser

...Eu
sou.
Sou?
Sei, sou!
Sei? Sei explicar...
Nasci. Respiro. Sinto
calor. Pensamentos. Dor!
Medo... Angústia... Amor... Alegria!
Eu sou... Sabia.
Sou ideal. Sou verdade . Sou certo? Mentira!
Serei morte então, isso sei!
Se serei morte, sou Vida.
Mas há Vida!? Não sei se sou, como sei?
Não sei explicar...
Não há vida! Nem morte!
Há o não
sei se sou,
nunca serei,
sempre fui
eu...

(Jonas Souza)

terça-feira, 24 de julho de 2012

D E S - C O N S - T R U - I R

Às vezes precisamos desconstruir para construir novamente melhor. Desconstruir nosso modelo de ensino. Desconstruir nossas leis. Desconstruir nossos valores. Desconstruir nossos medos. Desconstruir nós mesmos! E construir uma nação de cidadãos capazes de enfrentar a si mesmos. Deixar de unicamente "pensar em si", para privilegiar o "pensar por si"!


Eu já recebi muitos conselhos bons na minha vida. Conselhos de gente bacana. O “bacana” que eu me refiro são pessoas que pensam por si. Que nos provocam. Considero um dos melhores – conselhos –, o de um professor de História, quando eu estava no Ensino Fundamental. Sexta, sétima série talvez. O conselho era: aprender a pensar sozinho, desenvolver um pensamento crítico para as coisas, um olhar amplo para vida e se prevenir da alienação. Assim ele provocava toda a sala de aula e nós alunos ficávamos meio sem entender. Mas aquilo nos despertava de algum modo! Com este conselho – filosofava ele – nós aprenderíamos que nem tudo na vida é simples, às vezes as coisas podem ir muito além do que está sendo mostrado e serem mais amplas, complexas; por isso é importante “traduzir os fatos”. Pela primeira vez, eu assistia um professor nos provocar a pensar por si próprios, onde ele saia do palco – agora como um ator coadjuvante, não mais como o “dono da verdade” –. Suas aulas de História – que eu particularmente não gostava da disciplina – eram impressionantemente reflexivas. Tinha redação com temas políticos, história em quadrinhos sobre guerras, filmes interessantes e debates sobre tudo isso. Ele nos ouvia, sem nos subestimar nem impor nada. A sala gostava dele! Eu, não muito. Não que eu o odiasse, eu apenas não o entendia. Ele nos provocava e eu, um rebelde sem causa, encarava aquilo como afronta. Mas guardei os seus conselhos, ainda meio sem entendê-los muito bem e achando um pouco sensacionalista demais. Não acreditava que deixar de refletir a própria vida ou deixar de pensar por si fosse algo tão importante assim para a minha vida. Achava besteira tudo aquilo às vezes. “Alienação” era uma palavra forte demais para ser usada. Como se fosse fácil assim alhear alguém...
Bem, o tempo passou. Concluí o Ensino Médio. Adentrei a faculdade. Curso de Administração. (Já nessa época eu começava discretamente a enxergar o que antes não queria ver). Primeiros dias de aula, vêem os professores com o mesmo conselho de antes: “ 'abram suas mentes' para as coisas”, “vocês precisam 'aumentar a visão' de mundo”. Aquilo me soava um déjà vu. Me perguntava se os professores achavam que a gente fosse algum tipo de X-Men por acaso. “Abrir a mente”. “Aumentar a visão de mundo”. Como isso!? Que papo mais idiota! Assim era a minha ignorância. Nessa tamanha mentalidade. E vira e mexe, vinham eles com o mesmo conselho...

Viviane Mosé no Provocações - Parte 2/3:


Hoje, se me perguntassem qual o melhor conselho que eu poderia oferecer a alguém, não saberia escolher imediatamente. Ficaria receoso de responder de pronto. Porque o que é importante para uns não necessariamente valerá para outros na mesma medida. Mas após alguns minutos refletindo, eu diria que os meus professores estavam certos o tempo todo. “Abrir a mente” e “aumentar a visão de mundo” é um dos melhores conselhos que eu já recebi na minha vida e qualquer pessoa poderia aplicar na sua. O mundo é muito maior do que o nosso umbigo e nós fazemos parte dele como um todo. As respostas para os fatos vão muito além das aparências. Aliás, a Vida vai muito mais além! Muito mais além de modelos de aprendizagem prontos. Muito mais além de respostas desconectadas. Precisamos abrir a nossa mente e colocá-la para funcionar sozinha, entendendo o todo. Mente fechada não é bom para ninguém, nem aqui nem na China! E por esse exato motivo não podemos acreditar absolutamente em tudo o que ouvimos, lemos ou assistimos, sem passar por um crivo crítico. Se “distanciar” do fato e refletir sobre ele, com ética e sabedoria, é o caminho para crescermos como ser humano. O contrário disso é fanatismo. Alienação. Ligar a TV, ler um jornal, entrar numa conversa e "desligar-se" é alienação, sim senhor! Acreditar num pensamento único também. Não existem super-heróis. Todo mundo erra. Pais erram. Professores erram. Mestres religiosos erram. Jornalistas erram. Apresentadores erram. Até blogueiros erram! Sim, eu também erro. O tempo todo. Aqui no Blog não tem “receitinha de bolo”, não. Sou alguém que, como diz minha avó, “coloca a cachola pra funcionar”, só isso. Não dói, sabia?
Se é óbvio que todos cometem erros, por qual razão considerar religiosamente qualquer coisa sem refletir? Cada um tem seu próprio cérebro e ele não está aí na cabeça a toa.

Outro dia, enquanto eu caminhava antes de uma corrida, observada uma conversa entre dois amigos a minha frente. Uma conversa que parecia simples, banal. Notava que um “provocava” o outro, obrigando o outro a refletir as coisas que o mesmo estava contando. Um deles fazia umas boas perguntas. Em determinado momento o que respondia pareceu se zangar. Zombou do amigo que estava fazendo perguntas demais, dizendo que ele era chato e essa conversa cansativa. E mudaram de assunto...
Pergunto: será que “refletir” era o que ele se referia? Será que é melhor aceitarmos tudo pronto e mastigado? Então não refletimos a nossa vida porque é chato e cansa!? Então, presumo que devemos estar agindo sem pensar? E agir sem pensar é sinônimo de quê, hein!? Políticos corruptos eleitos com “votos inconscientes”? Acidentes no trânsito com motoristas alcoolizados? Gravidez indesejada pelo não uso de preservativos? Ou doenças sexualmente transmissíveis?
Se a gente admitir que pensar por si é chato e cansa, estaremos admitindo tudo isso e muito mais, não acha? Ao deixarmos de refletir a nossa própria vida estaremos colocando em risco a vida de todos os demais então. Porque se eu não penso por mim, nem sequer penso em mim. E se não penso em mim, como eu vou pensar nos outros!?

Mario Sergio Cortella no Programa do Jô - Parte 2/2:


Eu já fui desses que acha filosofia chato. Reflexão coisa de “bicho grilo”. Achava a maior perda de tempo, não via utilidade nenhuma. E sabe como era a minha vida? Eu nunca me entendia, me vitimava por tudo, repetia os mesmos erros, acreditava em tudo que me diziam, só enxergava a ponta do meu nariz e só pensava no meu próprio umbigo. E era um perfeito alienado! Era tudo aquilo que eu não acreditava ser possível... Hoje sei que deixar de pensar por si é se admitir oco. Estar vazio. É redimir-se a marionete. Reduzir-se. É acreditar que existe um deus que te quer ignorante, passivo – e quietinho! –. Que deus criaria um ser humano com esse propósito? Com a finalidade dele ser o mínimo do que ele é capaz de ser? Hoje acredito que nós somos mais, porque podemos ser muito mais. Somos seres pensantes. Nós nos superamos. Somos criativos. Criadores. Podemos criar a realidade, com ética e sabedoria, a partir de pensamentos e ações. A arte da criação. Tudo na vida começa com um pensamento. A menor partícula do Universo é um pensamento! Pense e crie. Aprenda a aprender.

sábado, 14 de julho de 2012

DESCUBRA. FOCA. CANALIZA. "FAÇA BOA ARTE"!


Nem todas as crianças aprendem a andar no mesmo tempo, mas certamente todas aprendem!


“Fala: mamãe”. “MA-MÃE!”. “Vai: pa-pai. FALA!”. “Vem comigo... Isso, de pé!”. “Não não não, de pé. VAI!” “Olha pra mim!” “Não não, aqui!!”. “Isso, em frente...” Imagine-se ouvindo esses pedidos o tempo todo na sua cabeça e ter apenas alguns meses de vida. Vai se sentir um pouco confuso e bastante pressionado, não é? Pois é... Isso certamente lhe causará estresse e com isso terá dificuldade para se equilibrar.

Uma criança pequena deve se sentir exatamente dessa forma em meio às cobranças dos pais e coisas ao redor que ela ainda não assimila. Com a maior dificuldade para atender e entender o que estão gritando e querem dela, chamando insistentemente a sua atenção. Enquanto ela está aprendendo a andar com os seus próprios pés, ela apenas tem que se equilibrar e ir numa única direção. Dessa mesma forma é quando nos tornamos adultos e precisamos suprir todas as demandas sem perder o foco no nosso objetivo de caminhar. Demandas como família, trabalho, amigos, sociedade girando em torno de nós. E também as nossas próprias demandas, aquelas internas. Sonhos, expectativas, possibilidades, plenitude. Isso tudo martelando em nossa mente, enquanto tentamos manter bem firmes os pés no chão para caminhar com segurança. O equilíbrio agora significará aprendermos a fazer isso de maneira que julgamos mais correto, digno e que consigamos assim atingir nossas metas. Imagino que a confusão que povoa a cabeça de uma criança nos primeiros meses de sua vida é a mesma que nos deixa estressados nos dias atuais. Quando não somos capazes de atender, entender, administrar as necessidades externas e internas, caminhamos com dificuldade, é como se desaprendêssemos a andar novamente. Você tem suprido todas as suas demandas e caminhado sem perder o foco nos seus objetivos?

Ao meu redor vejo uma porção de gente que não têm conseguido fazer isso, tem cambaleado à beça. Eu admito também que nem sempre consigo. Não é fácil mesmo, reconheço. Não é por falta de tempo, apesar de sempre o tempo ser o primeiro culpado. Tempo na verdade todos nós temos o suficiente quando queremos encontrar tempo. Mas então o que podemos fazer para atingir objetivos, suprir demandas e domar o estresse? Administrar melhor o tempo? Listar prioridades? Canalizar a energia? Ouvir a demanda interna? Ter paciência? Acredito que seja um pouco disso tudo e ainda um pouco mais. Precisamos primeiramente de duas coisas: admitir quando algo não está dando certo e nos permitir mudar. Admitir algo e não querer mudar é tão útil quanto provocar uma mudança sem admitir a melhoria. Nós damos passos desnecessários e com isso dispersamos energia e perdemos tempo. Quantas vezes você já se esforçou, gastou energia e perdeu tempo em coisas que, se fosse ver bem, não tinha nada a ver com o que você realmente queria? Você vai se surpreender com a resposta...

Acredito que duas verdades são mesmo universais: tempo é um recurso limitado e tudo na vida tem seu tempo. Significa que precisamos ter calma e paciência para persistir nos objetivos, mas não perder tempo perseguindo objetivos que não são nossos, porque esse tempo não irá voltar. Com isso devemos administra-lo bem e saber que todas as demandas são sim importantes – na sua ordem –, há necessidades mais imprescindíveis que outras. Aí a razão de listar prioridades, para focarmos no que realmente buscamos e canalizarmos toda a nossa energia e tempo nos alvos certos. Isso não significa esquecer do restante enquanto caminhamos, certamente que todas as demandas têm a sua importância. A própria criança observa que tem adultos ali do seu lado gritando, porém nesse momento da sua vida o seu foco é aprender a andar. A natureza instintivamente a impulsiona a isso.

Muitas vezes – para não dizer sempre – o que é certo para um não é para outro na mesma ordem. As prioridades das pessoas são diferentes e com isso a grande importância de seguirmos à risca as nossas. Não se engane ou se iluda com o que está reluzindo. Tudo ao nosso redor sempre parece mais interessante, mais maravilhoso e repleto de felicidade, quando não estamos centrados no que queremos. Parece que a felicidade nunca está aqui e agora, conosco, está sempre ali na próxima esquina. “O produto perfeito, os usuários felizes e toda a paisagem ótima.” A grama do vizinho parece mais verde. O carro dele parece melhor. O amigo parece mais feliz. Fulano parece que foi no caminho certo. “Isso” parece, “aquilo” parece... Perceba que tudo só “parece”. Sabe por quê? Fora do que você quer, tudo é mesmo interessante, mas não passam de possibilidades. O mundo é cheio dessas miragens. Possibilidade de riqueza; possibilidade de felicidade; possibilidade de sucesso; de amor, de realizações... Fora do que você quer, tudo são apenas possibilidades. O que você verdadeiramente quiser será uma meta real, porque vai caminhar com os seus próprios pés. Você não vai andar com os pés de outra pessoa, serão os seus a tocar o chão! Os sapatos maravilhosos nos pés de outra pessoa, o novo carro do seu vizinho, as coisas imperdíveis reluzindo ali fora da cerca, tudo só será imperdível se for o que você realmente busca. Se não for, não passará de distração! Ouro de tolo. E você quer isso para sua vida: perseguir ouro de tolo? Ou buscar o que realmente faz você sentir o sangue correndo nas veias?

Quando a gente sabe o que quer realmente, a gente foca! Quando a gente foca no que quer realmente, a gente não perde tempo e canaliza energia. E sabe o que acontece quando não perdemos tempo e canalizamos energia no que realmente queremos? A gente acerta!


Discurso que o autor de livros e roteirista de quadrinhos Neil Gaiman deu aos formandos da University of Arts, na Filadélfia, Estados Unidos. O vídeo está em inglês, porém tem o recurso “CC” para ativar a legenda em português:

MAKE GOOD ART!




Um dos vídeos mais brilhantes que eu já assisti por causa da sua simplicidade e ao mesmo tempo grande motivação. Acredito que todos, não só formandos, podem assistir e refletir.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

"Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades"


Estamos acompanhando um crescente declínio na quantidade de produtos de boa qualidade na mídia. Estava assistindo a um programa de televisão de uma emissora pequena e a apresentadora era muito simpática. Pela primeira vez depois de muito tempo assisti a um programa completo. Em todos os sentidos. A apresentadora não disputava com o propósito de um programa. Começo a achar que algumas emissoras grandes estão errando muito em suas grades de programação por causa de alguns apresentadores. Enquanto isso, algumas emissoras pequenas me parecem mais comprometidas com o público. O programa que assisti era simples e talvez sem muita audiência, porém o propósito de informar, ensinar e entreter o telespectador é cumprido. Quase não assisto mais televisão. Simplesmente não vejo utilidade numa porção de programas que tem sido transmitidos com o objetivo de causar escândalos. Falar negativamente sobre outras pessoas. Quando não massacram a dor alheia, tudo em nome de uma falsa prestação de serviço. Pensei que isso significasse ensinar. Trazer algo de boa qualidade ao público. A impressão que tenho é que alguns apresentadores querem brilhar mais que o programa. Beleza, elegância e falar eloquentemente sobre o que não acreditam. Dá a impressão que o objetivo é promover o apresentador. O show! Às vezes parece até teatro. O objetivo é esse? É esse o foco? Será que é isso que quero assistir?! Acho que não... Arrisco dizer que muitos também não. Aliás, acredito que seja meio a meio. Uma metade assiste por causa exatamente da “estrela” à frente do programa. A outra faz como eu: pouco liga a TV. Vai à internet, livros, revistas ou simplesmente qualquer coisa mais útil do que ver notícias sensacionalistas, tragédias ou algum “palhaço” fazendo graças pesadas demais. Rindo das pessoas, ao invés de rir com elas. Não sei se tudo isso é necessário, sinceramente. Mas tenho o controle remoto! Penso que um programa de TV é uma prestação de serviço e alguém aqui escolhe o médico pelo corpo sarado? Uma empregada pela beleza? Um taxista 'extraordinariamente' humorado? Se for assim, para onde estamos conduzindo nossa sociedade, hein? “Fique bonito, em forma, foque na vida dos outros, esqueça a própria e compre esses produtos”. Acho que merecemos mais que isso...

Acredito sinceramente que as mídias são importantes em nossas vidas. Nunca vou negar. Eu adoro todos os veículos de comunicação virtual. Apesar de não usar todos ainda. Acho que facilitaram nossas vidas. É fácil e rápido enviar uma mensagem. Estudar. Aprender. Fazer amigos. Conhecer pessoas e lugares do mundo todo. Isso é fantástico! Meu pai nunca viu isso em vida. Nem o pai dele. E certamente eles teriam se divertido à beça, como eu. A gente se informa, conversa, aprende, se emociona. Fazemos negócios, compramos, vendemos. Inúmeras outras coisas. Realmente as possibilidades são infinitas. Boas e péssimas! Mas, assistindo a um filme uma vez (Homem Aranha), ouvi que com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. E isso é um fato! O poder das mídias é enorme, mas trouxe também grandes responsabilidades a sociedade. Fenômenos sociais que não esperávamos (ou talvez sim?). Precisamos ver os dois lados dessa corda. Debater isso com nossas crianças. Se muito poder se paga com muita responsabilidade, certamente que muita responsabilidade se combate com maturidade. Aí que precisamos prestar atenção.


WE ARE THE FUTURE:




Não estou sendo sensacionalista. Nem dramático. Nem crítico nem pessimista demais. Adoro internet. Esse universo virtual. Não trocaria meu notebook por uma televisão “branco e preto”. Crianças hoje não são como as da década de 50. Conheço algumas que dominam a tecnologia de coisas que eu nunca sequer imaginei que existisse. São mais espertas, mais eficientes e acredito que é necessário reformular o sistema e quebrar paradigmas de educação para ensina-las. É importante analisarmos o preço do grande avanço tecnológico e trabalharmos paralelamente contra possíveis “efeitos colaterais”. Prestar atenção nessa geração. Dar espaço para desenvolverem seu potencial e amparo para serem crianças e “não se machucarem”.
Temos acompanhado a decadência de emissoras de televisão, baixa audiência de programas. Nós próprios estamos sem foco. Tem sido difícil saber o que querer para o futuro, porque o mundo tem mudado muito e tão rapidamente que oportunidades são muitas. Mais perdemos foco do que focamos. O que será que nós queremos de nossas mídias então? De que forma elas podem nos satisfazer completa e saudavelmente tem sido o grande desafio dos tempos.


DE ONDE VÊM AS BOAS IDEIAS:




Primeiro, quero algo que me informe de verdade. Tenha um pacto com a informação verídica e que transmita sem sensacionalismo, pois tenho um cérebro e acho que posso tirar conclusões sozinho. Segundo, que programas de TV contem com presentadores mais comprometidos com o princípio de ajudar – e que se entenda também diretores, câmeras e todo o restante de profissionais da área –. Acredito que queremos começar e terminar o nosso dia a dia nos informando, aprendendo, rindo de coisas interessantes (não de pessoas!) e até saber sobre famosos (não apenas as tragédias de suas vidas). Queremos aprender. Nos comover. Ter a sensação que a mídia nos agregou algo positivo e não nos vêem apenas como “audiência”, “público-alvo”, “compradores”, como números apenas.


"o mundo pós-moderno: a condição do indivíduo", um dos temas da entrevista com o filósofo polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento, apresentada na ocasião do encontro com o pensador francês Edgar Morin:




Para escrever aqui no Blog aprendi a tomar cuidado com as palavras, elas têm poder. Crianças podem estar lendo meus posts. Adolescentes. Me importo com a repercussão desse espaço. Aprendi isso depois de errar em muitas postagens também, confesso. Mas não apaguei posts antigos. Se a vida não nos dá a chance de apagar os nossos erros não negarei os meus, aprendi com o que julguei errado. Mas reflito antes de vir aqui. O Blog Tibet não é para me promover, é para promover ideias e prestar um serviço, na maior das boas intenções. Desejo que os leitores tenham acesso às últimas notícias, se informem através de links úteis, assistam a vídeos motivacionais e acima de tudo, sou leal ao propósito inicial: causar “debates internos”. Nos fazer pensar! E sempre aceitei todo tipo de comentário também. E crítica! Tudo o que espero do leitor é que ele reflita e sempre imagino que estou falando com alguém como eu. Um jovem crítico. Ousado. Cheio de sonhos. Que é inseguro pra caramba – embora nunca vá admitir isso. Curioso com qualquer coisa. Orgulhoso demais para pedir água e persistente demais para jogar a toalha. Que escreve relativamente bem porque já errou muito. Que conhece muitos autores, porque leu muito pouco sobre cada um! Que não domina extraordinariamente nada, mas é um insatisfeito. Inconformado. E acredita que é esse tipo de louco que muda o mundo. Um eterno inconformado com uma porção de coisas e corajoso demais para admitir isso. Afinal, se tem algo que eu sei bem é lutar pelo o que eu acredito.


“...É nessa fase que um homem define aquilo que ele vai acabar sendo pelo resto de sua vida. Cuidado com o que você vai ser... Lembre-se: 'com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades' ” (Tio Ben, em O Homem Aranha)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ORDEM, PROGRESSO E FELICIDADE!


“O progresso não é mais do que o desenvolvimento da ordem.” (Auguste Comte)


Muito tem se falado sobre um conceito criado para medir a felicidade do povo brasileiro. Um conceito que já existia, mas que tem ganhado cada vez mais espaço nas últimas discussões. O FIB – Felicidade Interna Bruta. Ele se propõe a avaliar o nível educacional, as diferenças salariais, a distribuição de renda e as divergências entre classes sociais, longevidade, PIB, IDH, segurança e saúde. Acho muito bom analisar também, juntamente com esses fatores, o bem estar efetivamente sentido pela população. Sempre acreditei que o sucesso de um país não podia ser mensurado apenas pelo índice do PIB (Produto Interno Bruto). O PIB representa a somatória de lucratividade produtiva de uma região num determinado período, mas não abrange outros fatores, igualmente importantes na minha opinião, para se chegar a conclusão do que denomina-se sucesso. Mas afinal, para você, o que é Sucesso?

Acerca disso, estive refletindo em como assuntos com teor psicológico, social e espiritual até, além de estarem diretamente conectados à produtividade das empresas, estão sendo debatidos em relação a felicidade agora. Eu falo da sensação de preenchimento das pessoa. Parece que assuntos como esses nunca foram tão debatidos quanto agora. O que gera uma porção de perguntas. O crescimento financeiro por si só não é capaz de gerantir felicidade? Estamos levando uma vida com crescente evolução profissional, tecnológica e científica sem nos sentirmos felizes? Por que será que questões como essas estão sendo amplamente debatidas?

Estamos vendo muitos movimentos sociais – das até então consideradas minorias – buscando equidade, bem estar, sustentabilidade. Acho que a palavra para o que quero expressar é “Preenchimento”. Satisfação pessoal. Aumentou consideravelmente a procura por terapias. Técnicas motivacionais. Dicas sobre bem estar. Equilíbrio social/produtivo/ambiental na gestão empresarial. Equilíbrio familiar/pessoal na gestão de carreiras. São “n” caminhos, “n” fórmulas, livros de auto ajuda tentando nos ensinar a sermos mais felizes. Não estou me referindo aos caminhos, se eles funcionam ou não, mas sim a razão dessa busca. Afinal, para um país como o Brasil, com uma economia relativamente estável, com ascensão da classe média, que tem crescido e demonstrado um horizonte de novas perspectivas promissoras aos investidores, pode parecer antagônico esse cenário. De acordo com “a hierarquia de Maslow”, a última necessidade do homem é a auto realização. Acredito que a realização pessoal seja tudo o que qualquer pessoa quer; no fim é o que nos dá a sensação de “Preenchimento”. Completude.

Se felicidade é resultado de auto realização, pergunto-me se temos encontrado. O que nos faz sentir verdadeiramente felizes? Desde criança eu já escrevia, sempre foi uma fuga e uma forma de dar espaço à criatividade. Isso me faz feliz. Se é um talento natural ou não, não sei, mas manifesto essa habilidade até hoje. Neste exato momento. Acho que carregamos sonhos e talentos conosco por toda a vida. Entre uma fase e outra eles se fazem lembrados de forma prazerosa ou angustiante, através de pensamentos ou lembranças. Até nos apercebermos no presente e sem espaço para encaixar na nossa vida de crescente sucesso, cada vez com menos tempo. Sonhos esquecidos então. Metas pessoais deixadas para trás. Talentos nunca explorados.
Fazer o que gostamos nos traz sensação de completude e certamente promove realização pessoal. Nos desviamos disso que, “tecnicamente”, levaria ao topo da “pirâmide”. Os pais tem papel fundamental nisso, porque descobrimos no que somos bons ainda na infância e às vezes não há espaço para manifestarmos. Ou quando muitas vezes num “conselho”, numa crítica ou num simples olhar os pais matam sonhos. Castrando toda e qualquer manifestação natural. Essa atenção para descobrir qual a razão ou missão da criança é o espaço necessário para florescer nela o que talvez fosse um talento natural em potencial – o que chamaríamos de dom. E me atrevo a dizer que se ele for bem trabalhado pode levar a uma realização pessoal. Quem sabe. Esse processo acontece tão lentamente, de forma sutil e até inconsciente; e é óbvio que há exceções também.

Não sou cem por cento a favor nem contra o capitalismo. Não quero ser absolutamente contra nem radicalmente a favor a nada. Todos nós somos sujeitos a mudar as nossas opiniões, porque vivemos num mundo que muda, assim sendo, toda generalização e radicalismo pode ser precipitada. Prejudicial até. Mas, ao analisarmos as mudanças rápidas do mundo e o nosso estilo de vida, podemos ao menos imaginar que estamos num ponto crítico. Tudo está mais fácil e acessível e nem por isso estamos mais satisfeitos. A verdade: nós nunca estamos satisfeitos. O "muito" não tem significado tanto quanto achávamos que iria significar e o caminho agora não consiste em remar contra esse fluxo natural, largar tudo e ir pescar à beira de um lago por exemplo. Certamente que o mundo não continuaria girando se todos fizéssemos isso. Vejo a nossa dependência do sistema ao qual vivemos. Mas isso não significa que precisamos nos consumir junto com as nossas necessidades, certo? Vivemos num sistema finito para termos necessidades infinitas. Precisamos pensar sobre isso. Principalmente porque não estamos nos auto realizando. Ou seja, duas vezes esse sistema não tem valido a pena: estamos nos auto destruindo a longo prazo e saciando nossas necessidades a curto. Num rítimo crescente.

Há aqueles que foram para os dois extremos dessa discussão e nenhum encontrou as respostas que buscava. Crescimento financeiro é importante, mas certamente não nos preenche a partir de determinado ponto. Uma hora faltará algo. Viver de sonhos e buscar um falso socialismo também não garantirá segurança e obviamente não sustentará uma família. Quero então acreditar que talvez – vamos lá, só talvez... – o caminho seja a consciência e a responsabilidade com as gerações futuras. Pensarmos antes de fazermos as coisas e lembrarmos da nossa felicidade. Precisamos trabalhar duro e de preferência com o que nos motiva e entender que todo Progresso chama outro “p”. Preço. E Sucesso é bem diferente de Realização Pessoal. Podemos ter sucesso e não estarmos felizes. E qual seria a razão de progresso sem felicidade!? A bandeira do meu país diz majestosamente: “Ordem e Progresso", para lembrar que a nação precisa progredir, batalhar honestamente, mas sem se esquecer que a ordem vem primeiro.

ENTÃO, QUAL TEM SIDO O PREÇO DA SUA FELICIDADE??



Mais notícias sobre o FIB, aqui.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Error


“ – Por que você chora? – perguntaram as Oréiades.
– Choro por Narciso – disse o lago
– Ah, não nos espanta que você chore por Narciso – continuaram elas.
– Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
– Mas Narciso era belo? – perguntou o lago.
– Quem mais do que você poderia saber disso? – responderam, surpresas, as Oréiades.
– Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
– Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
“Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida”.
“Que bela história”, disse o Alquimista.”
(Paulo Coelho)


Hoje parei para rever alguns posts antigos e fiquei refletindo momentos vividos, pensando em como eu enxergava a vida, o que procurava no mundo e o que eu já conclui. Constatei que terminei voltando ao mesmo ponto de partida após uma longa jornada, ironicamente...

Talvez o desejo mais egoísta desse Blog fosse tentar através de análises filosóficas – um tanto críticas demais às vezes, confesso – conhecer o ser humano em sua plenitude, porque, sabe-se lá de que forma, isso me traria algumas respostas valiosas. No entanto, constato que voltei a estaca zero, porque me parece claro que o que observei talvez tem mais a ver comigo mesmo do que com qualquer outra coisa. Talvez buscando entender a vida seja possível apenas entender a si mesmo. Percebi que ao abrirmos uma janela para analisar o que há lá fora, vemos mais sobre o que está do lado de cá do que o que há lá de fato. E isso é muito irônico.
Achei que analisando cada momento da vida, pessoas, decisões, movimentos, sei lá... cada coisa que me viesse a mente, eu fosse capaz de trazer à luz algum ensinamento valioso; talvez isso me ajudasse a responder algumas perguntas pessoais para Isso Tudo fazer sentido. Quem somos nós. Para quê estamos aqui. Hoje noto que avaliar o que está fora do nosso alcance sem nos misturamos no próprio julgamento é tarefa tola. Isso sim talvez seja sem lógica. O que vemos somos nós. O que presenciamos o tempo todo somos nós. O que nos toca e é tocado, somos nós. Há sempre em tudo um pouco de nós todos. E isso é muito irônico.

Quando criança, me lembro das pinturas, que pra mim eram incrivelmente diferentes, do estilo surrealista. Como as obras de Salvador Dalí. Lembro-me de que as obras me chamavam a atenção e eu gostava muito de analisa-las seriamente atentando a cada detalhe. Hoje vejo que não era por causa da beleza das obras, nem por causa da escolha das cores, ou das tonalidades e dos desenhos. Era pela ausência de lógica. Eu buscava insistentemente encontrar algum ponto onde o pintor foi lúcido. Elas eram estranhas demais! (e que me perdoem os críticos de arte). Imagino que seja impossível interpretar sem nos despirmos das ideias preconcebidas ou não nos desapegarmos da razão.
Ainda quando criança, lembro-me de que ao contrário de muitos, me causava mais pânico a imensidão e o que era amplo demais do que um ambiente fechado; olhar para o céu causava-me um grande incomodo justamente pelo fato dele não ter fim. Números não tem fim. O mar dá a ideia de sem fim. As emoções me dão essa ideia também. E sabe o que é mais irônico nisso tudo?

Pra mim é um completo estranhamento e há uma certa admiração em coisas sem limites estabelecidos. Achava as obras de Salvador Dalí malucas e assustadoras, porque eu não as entendia, mas paradoxalmente toda vez fazia pinturas iguais a elas nas aulas de desenho livre, nas disciplinas de Artes. Sempre achei o céu assustador, porque ele é imenso e parece que vai engolir tudo, e no entanto quando queria me acalmar e objetivar minhas ideias era só olha-lo. O mar é imenso e me parece misterioso, e mesmo assim cheguei a pensar em servir à Marinha. Mesmo odiando números sempre fui um dos melhores da escola em matemática. Acho certos estágios emocionais difíceis de lidar, no entanto dez entre dez pessoas que me conhecem bem apostariam tudo que nasci pra ser psicólogo. Recentemente, fiz uma uma bateria de testes vocacionais que apontaram ao Comércio Exterior, logo após eu ter dito para o meu professor (de Comércio Exterior!) que não sabia se tinha me encontrado no curso; ele riu sabiamente, dizendo-me que está aí a grande lição da vida! Que lição é essa!!?? Isso é tudo muito irônico!

Eu tinha dito a mim mesmo (até ontem) que não ficaria mais acordado até tarde, fosse lendo, na internet ou vendo TV, porque eu iria dormir cedo; fiz pacto de oito horas de sono com meu corpo. É madrugada e estou aqui no Blog, escrevendo; porque o momento da criação resolveu chegar só agora. É ironia demais...

Pra mim a vida tem sido uma busca interior por respostas lógicas e explicáveis através do que eu julgava ver no mundo, mas se tornou um constante reforçar da vida em me dizer que não tenho controle sobre ela. Não será domável. Explicável! Por mais que eu insista...
Minhas teorias estão sendo postas à prova e colocando em xeque meus paradigmas; as respostas não têm mais vindo lógicas. Algo Maior tem me mostrado coisas por ângulos realmente “180graus” diferente. Atando-me a esse estado de completa impotência. De repente, tudo o que eu achei que fosse a grande verdade mostrou-se uma opinião pessoal e tudo o que pensei sobre a humanidade diz respeito mais sobre a mim mesmo, unicamente. Sinto-me tolo agora. Como se eu recebesse um “xeque-mate”. Numa partida comigo mesmo. Ou isso tudo é muito genial ou isso tudo é muito irônico...


[/ “ – Existem três tipos de alquimistas – disse meu Mestre. – Aqueles que são vagos porque não sabem o que estão falando; aqueles que são vagos porque sabem o que estão falando, mas sabem também que a linguagem da Alquimia é uma linguagem dirigida ao coração, e não à razão.
– E qual o terceiro tipo? – perguntei.
– Aqueles que jamais ouviram falar em Alquimia, mas que conseguiram, através de suas vidas, descobrir a Pedra Filosofal.”
(Paulo Coelho)]


domingo, 17 de junho de 2012

O DEPENDURADO


Todo mundo tem um grande medo na vida. O meu é ficar louco. É engraçado, mas é verdade. Me lembro de muito pequeno dizer isso as pessoas e notar como elas tentavam entender o funcionamento desse medo. Até hoje não sei entender exatamente como ele funciona. Sabe quando você tem a sensação que o mesmo caminho que leva à loucura, leva à cura? rs Pois é, acho que já expliquei isso aqui rs rs


Desde de sempre, em algum momento da minha vida, me percebo vasculhando o meu inconsciente, revirando a parte mais profunda. Nem sempre é intencional, às vezes sou puxado e quando dou por mim já estou lá. Preso. Aí começa a tortura: ser capaz distinguir o que é real do que é fantasia, o que é inconsciente do que é consciente, o que é de agora do que já aconteceu ou ainda está por vir... Bagunça mesmo. Tenho a certeza então de que se não entender fico louco. Entendendo, fico sábio mais um pouco. Complexo...

Sempre fui atraído por assuntos sobre a mente humana. Um dia ainda farei uma faculdade de psicologia por causa exatamente dessa atração. Acho fantástica a mente humana. Acho o ser humano muito rico por causa dessa capacidade. Raciocinar. Mentalizar as coisas. Não desmereço os sentimentos e as emoções, até porque eles são originados no cérebro também. Através do sistema límbico. As manias, os TOCs, a dependência, a psicose, a psicopatia sempre me atraíram; a capacidade de criar mundos mentais que são tão reais apenas na mente de uma pessoa me parece interessante; “demônios”, somatizações e tudo o mais sempre foram objeto de estudo pra mim. Sempre fui atraído pela funcionalidade cerebral exatamente pelo mistério e perigo no qual o cérebro nos envolve: a gente nunca descobriu qual a exata capacidade da nossa mente e o que ela é capaz de abrigar – inconscientemente falando.

Passei os últimos anos da minha vida em bibliotecas, livrarias, na internet, em conversas procurando assuntos e lendo livros, desde astrologia, numerologia, parapsicologia, neurologia até antropologia, mitologia, geopolítica, quântica e lei da atração... Descobri coisas fantásticas a respeito da vida e acredito que isso me ajudou a não enlouquecer em algumas épocas e também a quase enlouquecer, exatamente pelo fato de compreender as coisas. Falando assim: é como ir abrindo os olhos e não podendo mais fechá-los, onde você é obrigado então a assistir tudo.
Acredito sinceramente que o conhecimento colocado em prática no dia a dia, se transforma em sabedoria ao longo da vida e essa sabedoria traz ao homem consciência dos seus atos (ou a ausência deles) e com isso responsabilidades. Não dá para voltar e deixar de ter consciência uma vez que algo se tornou consciente, porque não somos como os computadores que é só jogar na “Lixeira” e depois deletar de lá – “pronto, eliminado o arquivo” -. Penso que um trauma pode até "deletar" algo, mas isso não significa que não exista. Ficou latente. Acredito que o ser humano convive com o que aprende e com o que se recusa a aprender, a vida toda, e isso pra mim é uma benção e uma maldição. Pode soar estranho essa linha de raciocínio, mas realmente penso dessa forma.

As pessoas têm vícios, manias e hobbies. O meu é ler, estudar e pesquisar. Acumulando conhecimento. Seja lá o que eu me interessar num determinado momento da vida, pego esse assunto e começo a “disseca-lo”, estudo até chegar ao meu ponto de vista – que sei que poderá ser apenas um ponto de vista, uma verdade dentre as muitas outras. Mas ainda assim é o meu ponto de vista, é a minha mente – não vivo a mente de outra pessoa –, preciso valorizar o que eu concluo então. Sendo certo ou errado, é o que eu fui capaz de concluir, naquele momento da vida. E para uma pessoa entender-me teria que ser capaz de ver a vida, viver as experiências e sentir o mundo exatamente como eu. Como isso não é possível respeito as opiniões dos outros e faço a minha valer também.

Passei muitos estudando sobre a mente humana - e não sou nenhum especialista no assunto! - e quis tentar entender porque para alguns refletir é tão difícil. Porque algumas pessoas sofrem tanto com os próprios pensamentos: sejam de cobrança, culpa, medo, ansiedade... Mecanismos internos que podem prendê-la dentro dela mesma e causar sofrimento. Tenho uma teoria...
Acredito que tem gente que teme tanto mergulhar no próprio (in)consciente, primeiro porque no fundo há aquele medo do que vai existir e segundo porque o desconhecido é quase sinônimo de errado. Mas penso que não conseguimos mentir (conscientemente) a nós mesmos por muito tempo. Não dá. Conhecer a si mesmo significa se fazer perguntas desconfortáveis e obter respostas muitas vezes inesperadas. Se enfrentar mesmo. Pode ser difícil e chato esse processo, só que fazendo isso nós descobrimos uma coisa que se chama: a verdade! Acendendo a luz do quarto, de repente nada de mostro. Enfrentando determinado medo, vemos que foi mais fácil do que parecia. O que eu observo é que ao jogar "luz" [esclarecimento] sobre o que dizemos ser sombras, descobrimos que o mal estava na nossa mente, não existia nada de errado no "escuro"[desconhecido]. O mal fomos nós que criamos, é tão parte de nós quanto o bem.

Outro dia fui estudar umas referências da palavra “diabo”. Você sabia que em algumas culturas ela significa “inimigo”? E que muitas vezes nós somos nosso próprio inimigo? Se Deus vive dentro de nós, acredito que o diabo também viva. Antes que comecem o preconceito e as acusações contra mim, leiam com atenção: não sou anti-cristo, acredito em Deus e tenho muita fé! Ao meu modo. Apenas parto do princípio que julgamos como ruim e maléfico tudo o que desconhecemos ou nos é estranho e acredito que quando praticamos autoconhecimento percebemos que nós mesmos podemos ser maus também. Pessoas do mal. Não são as energias negativas que nos definem assim, são as nossas ações. Energia é energia em qualquer lugar do mundo, em qualquer religião, em qualquer época, o que a define como boa ou má é a nossa intenção – de que forma e com qual propósito ela é utilizada -. Constato que para alguns é mais fácil dizer que foi o diabo ou que a culpada foi a sociedade ou qualquer outra coisa, para no fundo livrar nossa pele da responsabilidade pelos nossos atos. Aí jogamos a resposta das nossas ações e decisões pra debaixo do tapete e tentamos acreditar que não somos responsáveis por nada.

O que eu pretendo dizer e gostaria que enxergasse nesse post?

Antes de mais nada, o que você quiser entender ou enxergar! Aqui é livre para interpretações. Agora, só não me responsabilize pelas suas análises. Pode estar vendo mais sobre você mesmo através do que julga estar nesse post. Eu aprendi e sinceramente acredito que julgamos os outros por nós mesmos.
Acho que somos energia pura e ela só será boa ou ruim conforme como agimos ou pensamos e atraímos o mesmo como resultado. Acho que existe Deus e o diabo dentro de todo ser humano (Um Amigo e um inimigo) e como na estória dos lobos, sobrevive aquele que você alimenta.
Eu descobri que antes de ter medo do que o mundo tem a nos oferecer, comecemos a nos preocupar com o que nós identificamos como perigoso, feio ou mal no mundo, porque através desses julgamentos podemos descobrir mais sobre nós mesmos e talvez toda essa maldade enxergada esteja apenas em nós.
Ao praticar autoconhecimento, eu percebi que posso ser tão cruel quanto aquele que eu julgo como mau e julga-lo nunca me colocará numa posição superior a ele, tampouco vai garantir que um dia os papéis não se invertam, porque nós dois temos uma coisa em comum: somos humanos. Dotados de falhas. Apenas fizemos escolhas e tomamos caminhos diferentes, e é claro que o resultado também mudou. Se eu não puder entender isso, me igualo a ele no erro.

Comece então a se responsabilizar pelas coisas que te acontecem, sempre prestando atenção na forma como você vê o mundo a sua volta e as pessoas ao seu redor, porque mais importante do que ver, é como enxergamos.


Nem todos aqueles que nós julgamos serem pessoas do mal são realmente pessoas do mal, mas em todas as vezes que julgamos um pouco de maldade tivemos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O MÉDICO E O MONSTRO


“Muita luz é como muita sombra: não deixa ver” (Carlos Castaneda)

Você sabia que um momento sombrio faz parte e te ajuda a compreender uma porção de coisas?

Nós temos dentro de nós mesmos todos os sentimentos e pensamentos humanos, são parte de nossa própria natureza. Coisas positivas e coisas negativas. Porém, sinceramente falando, eu não acredito que uma pessoa seja cem por cento certa, nem cem por cento errada. Nem cem por cento boa, nem cem por cento má. Somos um conjunto de misturas e contrastes. Características humanas. Coisas que se completam, se misturam e assim nós temos dentro de nós mesmos um pouco de sagrado e um pouco de profano também. Viver acreditando apenas num único caminho puro não dá, porque em algum momento as coisas vão se pigmentar. E faz parte da vida essa pigmentação...
A beleza do povo brasileiro é devido a isso, essa rica miscigenação, um conjunto de cores, sabores, raças, dons. A paisagem mais linda de um por do Sol nas montanhas refletido no mar, de repente se torna cinza e negra e nos apresenta uma tempestade ameaçadora cheia de ventos. E logo após, tudo como antes. Imperfeições? Não. Não necessariamente...
Em algum momento a natureza desequilibra buscando o seu próprio equilíbrio. Vemos isso numa cadeia alimentar. Em fenômenos naturais. Vemos isso o tempo todo dentro dos nossos próprios corpos. Você sabia que para dessalgar a carne seca se utiliza sal? Pois é, eu também me surpreendi quando ouvi isso pela primeira vez. Mas acreditem, é verdade. Na água que ferventa-se a carne seca é colocado sal e o próprio sal acrescido tira o sal da carne. É engraçado e surpreendente, como é a vida. O veneno da cobra é um ingrediente do remédio que cura o mal do seu próprio veneno. Na homeopatia chama-se coisas assim de similia similibus curantur (algo como “semelhante pelo semelhante se cura”), teoria de Samuel Hahnemann. Para os orientais, o símbolo Yin Yang significa quaisquer forças opostas e complementares onde uma sempre terá um pouco da outra e assim encontra-se o equilíbrio.

Durante muito tempo procurei esse equilíbrio constante, mas hoje sei que o equilíbrio só existirá havendo desequilíbrios. Nós só podemos saber por exemplo o que é um dia feliz em nossas vidas, depois de já termos enfrentado um dia difícil antes. E quanto mais difícil for uma fase ou determinada dor, mais ela nos ensina a viver com total intensidade e entrega os momentos felizes da vida. Apesar de ser muito contraditório, é assim. Para existir o que vence, alguém precisará perder. Se não haverá luz sem sombra, como dizer que as sombras não têm um papel fundamental?? Precisamos das luzes e das sombras, porque o equilíbrio é o meio termo. A fusão. O ser humano só evolui sendo desafiado, contrariado, quado ele é testado, e só cresce e se supera caindo e errando. Bem aventurados são os problemas, pois através deles é o caminho da evolução. Não evoluímos sem falhar, sem diferenças, sem dificuldades.

Eu acredito que em alguns momentos da vida todos nós passaremos por dificuldades sérias. Algumas delas poderão doer pra valer e sei que dará uma sensação de solidão, de fim do poço, de isolamento...só sensações ruins. Eu sei. Dói a beça passar por elas - já passei - ainda mais quando achamos que estamos sozinhos. Mas aprendi que tudo na vida são fases mesmo, como o nome diz elas passam. Mas precisam ser aproveitadas. Aproveitar a dor então?! Por que não!? Lavoisier dizia: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, porque tudo é realmente aproveitável. Só não se aproveita o nosso “não querer”, porque é o “querer” que tem poder. Sempre acreditamos que tudo tem que ser perfeito, redondo e que se encaixe facilmente, mas na verdade não é assim. Na vida real, no dia a dia, na prática os planos não são como projetamos nos papéis da teoria. Mas é aí que cabe a nós usarmos a nossa melhor e mais bela capacidade humana: se superar! Improvisar, saber lidar com o que veio contra os nossos planos e nos obrigou a sair da zona confortável, saber ser forte com as pancadas da vida e fazer a tal limonada. Não é fácil eu sei, mas esse é o caminho para crescer, não existe caminho retinho e perfeito, isso é ilusão. Após atravessarmos um período sofrido que nos encontramos mais fortes lá frente. Superados, revigorados e renascidos!

Por mais doloroso que seja o momento que você esteja vivendo agora ou por mais complicado que seja me entender, te aconselho: seja forte, paciente e que aprenda com ele. A dor que dilacera é a mesma que cria. A mão que vela é a mesma que bate e a mesma que ora. A luz é criada a partir da escuridão e esse caminho vai te levar ao fim do túnel. Aproveita o material produzido nesse momento. Seus pensamentos, suas emoções, suas percepções, porque elas te nutrirão mais a frente. Medite. Reze. Não tenha medo. Ninguém jamais imaginaria que de fezes se adubaria alguma coisa. E de um casulo a lagarta se transformaria na borboleta. Símbolo da evolução! Seja forte!


[Certa vez, perguntado qual a definição de luz]
“A luz... é a sombra de Deus...” (Albert Einstein)