sábado, 2 de outubro de 2010

ASSISTO EM SILÊNCIO...


[/...até o que eu não quero enxergar]


Parado aqui dentro do ônibus a caminho da minha casa estão me passando tantas coisas pela cabeça. O passado é o primeiro. O passado é algo que, por mais que tentemos não pensar demais nele, de um jeito ou de outro se faz presente.
É de repente aquele "flash back", a música que marcou, um perfume... aí, é impossível não sentir aquele aperto no peito.

Nesse momento olho a minha volta, pensando nas decisões que tenho tomado para chegar até aqui. Algumas foram fáceis, outras nem tanto, mas certamente todas foram importantes. Decisões que me tornaram a pessoa que sou.
Fico me perguntando se estou contente com os frutos colhidos e infelizmente devo admitir que não é fácil assumir para mim mesmo que, para prosseguir é necessário esquecer; para viver às vezes temos que nos desapegar de algumas coisas e deixar pessoas pra trás.
Parece-me cruel viver sem me apegar às pessoas, porém é injusto prendê-las a mim e é perda de tempo tentar evitar que a vida mude. Simplesmente muda, não tem jeito!
Questiono-me se tudo o que fiz valeu a pena mesmo e dói viver com a dúvida se o saldo é positivo ou negativo...
Quantas vezes na vida não passamos por momentos assim como este, e agente tenta encontrar saídas; quando essas talvez a gente nunca encontre, porque um dia descobriremos que não estávamos presos.

Eu sempre achei que tinha as respostas pra tudo. Ou ao menos que já sabia por quais eu caminhos eu trilharia pra encontrá-las. No entanto, hoje eu não sei. E não sei mesmo...
Não significa que estou vivendo por viver ou apenas deixando os dias correrem por mim, mas simplesmente aprendi a questionar-me. Aprendi que nem sempre o que eu faço é o melhor... Pode ser o melhor pra mim! Mas não é necessariamente para os meus amigos, meu irmão ou para o mundo.
Noto que, para mim coisas que são TÃO importantes para outros não são. Sempre achei que terminar meus estudos, fazer uma faculdade, batalhar por um bom emprego e ser politicamente correto, bastaria. Bastaria para o mundo. Bastaria pra mim. Essas eram as minhas prioridades.

Mas hoje, não são! Hoje não bastam.
Porque hoje eu tenho ânsia demais de aprender. Viver mais. E sempre estou com a sensação que o tempo me sabota.
Hoje sei que o caminho que eu tenho escolhido é só mais um caminho. Não há nada de especial, ou mágico, ou sobrenatural nele. É só mais um dos caminhos a se trilhar. Envolveram opiniões próprias e escolhas conscientes. Decisões!
Sem tirar méritos próprios por direito pelas coisas que conquistei, mas tenho completa noção de que tudo o que importa pra mim, às vezes terminará importando... só pra mim! Às vezes, por mais que você fale, algumas pessoas simplesmente não ouvem, e nem farão questão de que você está falando. Muitas vezes o que pra mim é um absurdo de tolerar, talvez não seja tão surpreendente assim. O fato é ver que por mais que você tente ser correto, ir por um caminho reto, não se deixar intimidar, algumas pessoas não estão nem aí... se você ama, sofre ou chora. Paciência.

Não é pessimismo. Nem baixo autoestima. É introspecção.
É compreender que no decorrer da vida, em alguns momentos a nossa vida perde o sentido. Desfoca. Têm momentos que a gente se estranha, parece que algo não encaixa. Nesse descompasso tentamos nos encontrar. Andar nessa estrada na qual nos perdemos e ficar olhando em volta para ver algum rosto familiar ou um lugar conhecido.
Não há jeito de descobrir sem viver, não há como evitar a vida e não há aprendizado sem esses momentos de introspecção. É preciso mergulhar com coragem e ir o mais fundo que puder.
Em momentos de dor aprendemos muito, acho muito valioso o "conteúdo interno" produzido nesses instantes. Instantes que a gente sabe que tudo pode acontecer, na certeza de que tudo vai mudar, que nada será como antes, que não se terá como fugir e que qualquer passo a ser dado não volta.


[/ É como descer um morro e se descobre sem freios, não dá pra voltar, não dá pra parar, só é preciso atenção para se equilibrar e rezar para não bater em nada]