Mais ou menos com dez
ou onze anos de idade comecei a frequentar a biblioteca da minha
cidade em busca de respostas, queria entender certas coisas. Eu fui
uma criança bastante curiosa, meus pais notavam isso; notavam que eu
não era aquele típico garoto que gostava de trepar em árvores ou
viver na rua brincando o dia inteiro; tampouco meu negócio era
correr atrás de bola ou procurar fazer novas amizades pelo bairro.
Eu era muito inteligente para a minha idade. E bastante estranho
também. Era introvertido e solitário às vezes – e me sentia
ainda mais sozinho pelo fato de me interessar por assuntos que não
eram compartilhados pelos meus colegas. Sempre gostei de ciências,
mistérios, esoterismo, ocultismo. Desde de pequeno me interesso por
saber como o mundo funciona, quais forças regem a natureza, os
elementos dela. Tinha algumas ideias estranhas para uma criança e
gostos mais estranhos ainda.
Nessa época, quando
comecei a frequentar mais assiduamente a biblioteca, minha seção
preferida por exemplo era a esotérica. Aquela que ficava lá nos
fundos, quase no escuro, onde poucos iam e que todos me olhavam
curiosos quando me viam xeretando por lá. E lá eu ficava, se
deixasse tardes inteiras, lendo sobre espiritismo, mitologia grega e
romana, simbolismos, mistérios e magias do Homem – comecei por aí.
Com o passar do tempo fui me interessando pela astrologia, pelos
números, a numerologia – fiz meus mapas, e assim me encantando
cada vez mais com essas “pseudociências”. Mais tarde, já na
fase adulta, me interessei por quântica, neurociência, alquimia,
até os dias de hoje, que tenho estudado bastante sobre a maçonaria.
Eu não sou maçom, mas me interessa muito esse universo de auto
desenvolvimento através do conhecimento, sempre me fascinou adquirir
conhecimentos de culturas e civilizações antigas, buscar o
aprimoramento a partir daí. Sou atraído por isso. Algumas pessoas
me perguntam pelo que sou interessado e sempre respondo: por estudar!
Estudar pessoas; culturas; o legado deixado por civilizações
antigas. Eu gosto de viver a vida fora dos livros, mas sou apaixonado
por estudá-los, sem sombra de dúvida o poder está no conhecimento,
e é por isso que alguns povos são até os dias de hoje destinados à
ignorância por seus governos – é mais seguro assim! Povo sem
conhecimento, sem cultura, é povo fraco, passível de controle. Quem
consegue controlar facilmente o esperto, o inteligente, aquele que
conhece bem os seus direitos?
Através dos livros,
desses estudos antigos, pude perceber que o povo em geral, em
qualquer lugar do mundo ou época da História, sempre foi proibido
de obter certos conhecimentos, porque seriam taxados de hereges pela
Igreja ou perigosos pelos reis, e assim, através de um grande
boicote a intelectualidade, as massas foram facilmente controladas
pelas supremacias – sempre mancomunadas com a ala religiosa.
Percebi que as civilizações antigas bem sucedidas, foram bem
sucedidas porque permitiram a difusão livre do conhecimento entre a
população, somado a abertura da mente a novas ideias, a uma
religião sem dogmas e na forma como se relacionavam com a vida –
como movimento constante sem princípio nem fim. Nem porquês.
Sociedades antigas, principalmente as orientais, aprenderam
equilibrar feminino e masculino (yin e yang) dentro do Homem e
encontrar no Homem uma divindade. Com também encontrar na Divindade
sua parte humana.
É fácil também
perceber, através do estudo da História, como fomos manipulados
através de nossos medos e através de nossas crenças a julgar o que
é diferente. Hoje temos muito mais recursos e oportunidades que
outrora e ainda somos manipulados e estamos dispersos. O grande mal
do século na minha opinião é o excesso de tudo. Se no passado
sofríamos porque éramos privados de conhecimento essencial, hoje
temos tanto conhecimento que nos é difícil encontrar o que é
essencial. Diante de tantas possibilidades, alternativas, caminhos,
informações, não sabemos – e não queremos – escolher. A
impressão que eu tenho é que hoje o truque é colocar na cara do
Homem o que não se quer que ele veja. As sociedades secretas, como a
Maçonaria por exemplo, nunca estiveram tão acessíveis e mesmo
assim há diversas crendices. A própria ciência tem se rendido a
religiosidade e as pessoas ainda estão se automedicando. A internet
abriu um mar de infinitas informações e continuamos sem saber onde
estamos e para onde vamos quando nos sentamos em frente a um
computador. Esse é o Biopoder definido por Michel Foucault, apenas
mudaram o cenário e o filme, mas o gênero e as personas ainda são
os mesmos!
É preciso aprender a
ler o mundo, a trabalhar com as novas tecnologias, entender que a
ciência tem dando espaço à religiosidade, captar que governos
estão modificando suas estruturas de poder e suas políticas
públicas, mas a desigualdade e a exclusão social permanecem. Diante
deste cenário novo e complexo precisamos mais do que nunca entender
e trabalhar a complexidade. Desta vez o conhecimento é móvel e isso
exige um pensamento crítico, isso exige um conhecimento vivo!
