segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
TODO MUNDO TEM O SEU
“E o homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua
imagem e semelhança.” (Friedrich
Nietzsche)
Todo mundo tem um lado
negro. Aquela parte perversa que as vezes deixamos oculta até de
nós mesmos e em raras ocasiões alcança a superfície. Uns admitem.
Aprendem a controlar. Adocicam. Outros negam até a morte! São
perfeitos demais para isso. Mentirosos até. Muitas vezes me
perguntei como seria se as pessoas vissem umas às outras claramente,
o que rolava no interior. Meu Deus! E se deixássemos transparecer e
disséssemos abertamente uns aos outros o que pensamos e sentimos de
forma direta? Eu só fico imaginando...
Quando estou com muita raiva
de uma situação – ou de uma pessoa – que está me estressando,
fico me perguntando como seria se todos ao meu redor lessem a minha
mente naquele exato momento. No mínimo ficariam chocados! Eu fico a
maquinar mil formas de fazer mil coisas. Mas pior seria se eu as
colocassem em prática! Ia dar muito mais trabalho limpar a bagunça
depois... rsrsrs'
Acho muito interessante
isso, essa espécie de limite entre o que pode transparecer e o que
não deve, o controle dessas nuances, e observo como essas “facetas
ocultas” de forma indireta regulam as relações humanas. Não estou
falando de politicagem. Muito menos de falsidade, ou omissão. É
outra coisa. Porque ninguém precisa e nem deve ouvir os nossos
pensamentos no trânsito. Ou numa fila de banco. Ninguém precisa
saber francamente o que estamos pensando e sentindo no calor de uma discussão.
Certamente que isso é o que evita uma Terceira Guerra Mundial! É
esse tipo de controle que falo, que possibilita uma convivência pacífica
entre as pessoas. Diplomacia. Algo que tenho aprendido e estou
feliz por ver progresso. Existem muitas faces dessa parte obscura. Raiva. Ciúme. Ódio. Inveja. Ganância. Todos temos esse
lado sombrio que fala só aos nossos ouvidos. Mas precisamos
aceitá-lo. Saber quando e por que ele age. O que dispara o gatilho.
Por exemplo, no meu caso, o gatilho é o orgulho. Eu tenho um orgulho
filho da mãe! E você nem imagina como me envergonha admitir
isso. Posso estar na pior, mas dependendo da pessoa e da situação não cedo por
nada! Cutucou aí, me revelo. Aí falo besteira. Faço besteira. E
depois bate uma vergonha tamanha. Dói na consciência uma sensação
de culpa quando dou campo a esse sentimento. Sei que quando ele age no fim me sinto pequeno. Ao invés de me sentir vitorioso saindo por
cima numa discussão, me sinto na pior. Como um viciado que jurou nunca
mais utilizar uma determinada droga e cedeu a tentação. Herdei esse
bendito orgulho do meu pai, e ninguém conseguiria imaginar o duelo
que era ter dois reis e um só trono em casa. Ninguém cedia. Éramos
pior que crianças.
A medida que fui me
conhecendo descobri que posso não ser assim “tão legal” quanto
gostaria. Sou orgulhoso, tenho pensamentos baixos, tenho inveja dos
outros, e até ódio de algumas pessoas. Me desculpe. Admitir isso
não me faz melhor, nem pior do que ninguém, mas aceitar esse lado
negro como algo natural da minha personalidade e preferir não fingir que não está
acontecendo nada faz toda a diferença. Se eu aceito a minha inveja
eu trabalho ela. Se eu aceito o meu ódio eu transformo ele. Hoje sei
quando estou a um passo de ser cruel e tenho consciência de que a
decisão de prosseguir é minha. Aprendi que mergulhar fundo na parte
mais sombria da nossa personalidade nos ajuda a descobrir quem somos.
E nem sempre essa passagem é fácil; muitas vezes traz grandes
surpresas, e dolorosas mudanças. Mas vale a pena! Só conhecendo
nossas limitações conhecemos nosso potencial. Quando somos capazes
de identificar essas sombras, nós jogamos luz sobre elas, e ao fazermos
isso alcançamos um caminho de autoconhecimento e amadurecimento, e com isso a chave para uma consciência mais tranquila. E certamente
isso pode fazer uma grande diferença na vida de uma pessoa.
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que
você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice
Lispector)
domingo, 22 de dezembro de 2013
L'Ermite
Diogenes, Jean-Léon Gérôme.
“Sobe a montanha e
contempla a terra prometida, mas não digo que entrarás nela...”
Este foi um ano e
tanto!
Se eu fosse resumir numa única palavra o que ele significou
para mim, tenho certeza que usaria a palavra “Trabalho”. Foi um
ano que trabalhei duro; diria que a tarefa interna foi ainda maior
que a externa...
O autocontrole e a
automotivação pautaram o ano. Ética, imparcialidade, arbitragem, e
a resistência também! Gerenciar interesses é uma tarefa difícil e
as vezes é preciso ser paciente; determinados acordos simplesmente
acontecem no tempo deles. Não tem jeito.
Em muitos momentos do
ano contei até dez. Onze! Cheguei no meu limite mesmo; mas estou
feliz por ter conseguido me controlar e não ter metido os pés pelas
mãos; não dar vazão ao impulso de outras épocas já foi um grande
avanço. Em suma, me safei de várias. O saldo acabou não terminando negativo como estimado. Sorte.
Como todo ano conheci
muitas pessoas e fiz algumas boas amizades. Me desfiz de antigas
também – aprendi que tem laços que se esfacelam sozinhos... Vi
pedras que reluziam e não eram ouro, e isso me ensinou a tomar
mais cuidado com minhas próprias expectativas. Ouvi palavras suaves
cortando como faca em manteiga! Máscaras caindo mesmo, e não é
fácil pôr no lugar novamente. Entre o certo, o errado e a
verdade, existe uma lacuna imensa. Com isso aprendi a observar de longe
e deixar a cabo do tempo a missão de trazer a luz à certas questões.
Daí entra o título e a tela escolhida deste post. O ermitão, do
tarot e Diogenes, do pintor francês Jean-Léon Gérôme. Reza a
lenda que, igualmente ao nono arcano maior, Diogenes perambulava
pelas ruas como mendigo utilizando uma lamparina, à procura de um
homem honrado.
Como um iniciado,
seguirei ao futuro guiando-me pelo conhecimento e apoiado nessas
experiências passadas. Seguir a 2014 tendo aprendido com este ano a
observar de longe, atenta e pacientemente, os detalhes, e a guardar o
silêncio comigo. Sinto que é um momento para me autodesenvolver. Me
trabalhar mais. E intuo também que o próximo ano será complicado
para todos bem por isso – de um ponto de vista existencial mesmo.
Como observo esse movimento em mim, observo também em outras
pessoas: uma vontade de autoconhecimento; um desejo de se
autodesenvolverem. Já falei disso aqui; gastamos tempo demais
investindo em descobertas externas e levantando estruturas, sem
trabalhar conteúdos. Sem criar novos valores. Deixando de descobrir
novas visões de mundo. E agora é o momento que precisamos mais
dessa capacidade.
Por todos os cantos observo grandes transformações.
As pessoas querem mudar. As empresas estão mudando. O mundo mudou.
Diante desse cenário volátil acho que a única certeza que temos é
a necessidade de experimentar o novo. De desbravar o desconhecido e
reinventar antigos caminhos. Aceitando o diferente.
Aconselho a todos para
investirem mais nessa parte interna em 2014. O pessoal. Busque ler mais, fazer
cursos, terapias... Converse mais, viaje mais, reflita mais. Olhe com
mais atenção para a um autoconhecimento voltado ao
autodesenvolvimento. Pense fora da caixa. Descubra quais são os seus
talentos, aquilo em você é muito bom, conheça-se melhor e
experimente compartilhar isso. Talvez o mundo só esteja esperando
isso de você! O mundo precisa de novas ideias, de novos valores, de
novas perspectivas. E serão mãos coletivas nessa criação.
Como este ano estive
muito focado no trabalho, postarei um vídeo que tem uma mensagem bem
bacana – principalmente neste aspecto. E não só para 2014! Acho
que o discurso do palestrante não só é muito interessante – e
motivacional também – como é bastante importante. Apesar de ele
não falar nada de muito inédito, são coisas que deixamos de
pensar, mas precisamos muito; as questões tratadas por ele e a forma
como elas são colocadas valem muito a pena uma reflexão. Convido
então a assistirem ao vídeo e refletirem não apenas no contexto
profissional, mas de uma maneira ampla. Porque nós, como sociedade,
precisamos prestar atenção a essa transição de sociedade industrial
para sociedade do conhecimento e no impacto disso em nossas relações uns com os outros e com nós
mesmos.
Fonte: AQUI.
Desejo de coração a todos um
Feliz Natal e um Feliz Ano Novo!
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
EQUILÍBRIO ESTÁTICO
De todas as formas de agir, uma que estou aprendendo bastante é o não-movimento. Optar por ele. Ouvir mais. Falar menos. Esperar. Procurar saber o momento certo de agir. É difícil... Demanda mais energia do que pensava.
Acreditamos que o silêncio é para os fracos; mas não é! Muitas vezes se calar e não fazer absolutamente nada dá um trabalho impressionante. Trabalho digno de muito preparo - físico e psicológico principalmente. E denota na minha opinião maturidade.
É comum acharmos que os corajosos são os que saem ao combate; aqueles que dizem sempre o que pensam; aqueles que não negam fogo pra ninguém. Mas de um tempo pra cá tenho aprendido bastante, e evitado muita dor de cabeça, só pelo fato de não fazer nada em certas circunstâncias. Deixar rolar. Não por medo! Nem por covardia. Simplesmente porque o não-movimento me pareceu mais sensato. Ou talvez fosse "o menos pior".
Estou aprendendo que algumas vezes não é vergonha nenhuma deixar a última palavra ao outro; sair de cena e não brigar com ele. Tenho visto que há brigas que não valem a pena: desgastam, machucam, atrasam mais, e o pior, nada resolvem. Em alguns momentos então deve ser preciso mesmo engolir sapos; baixar a guarda; tirar o time de campo. Numa boa.
Dependendo da profundidade de um corte, o próprio sangue estanca. Há estudos que dizem que um rio, como o Tietê por exemplo, se limparia sozinho se ninguém mais jogasse nada nele. Para certas ocasiões, o silêncio responde mais que uma palavra. O nosso próprio corpo é capaz de se curar sozinho de muitos males.
E se a gente for analisar de uma forma macro, tomando a nossa sociedade como exemplo, poderemos constatar como estamos apressados e porque a gente não consegue pensar antes de agir. Há uma gigantesca diferença entre um movimento consciente, onde sabemos o que estamos fazendo e as possíveis consequências, de um movimento qualquer. Tem gente que fala, fala, fala, e não se aproveita nada! Faz uma porção de coisas que atrapalham mais do que se não tivesse feito nada. A nossa sociedade hoje é bastante ignorante por conta disso. Queremos falar, mas não queremos ouvir. Queremos agir, mas não sabemos esperar. Queremos para ontem! Temos pressa, temos uma raiva incontrolável, temos grandes ambições, e vontades inadiáveis. Ninguém quer menos, nem pouco; queremos o melhor, e o mais rápido possível. Então quando o corpo responde com alguma dor, nos medicamos. Quando o nosso psicológico responde com alguma dor, nos entorpecemos. E quando alguém nos questiona, não gostamos. A gente quer falar, fazer e ouvir só o que quer!
Isso não lembra muito o comportamento típico de uma criança? Eu acho que sim. A nossa falta de autocontrole, falta de maturidade, falta de tolerância tem nos feito agir impulsivamente; muitas vezes metendo os pés pelas mãos. Falando demais; muitas vezes para quem não devia. Fazendo o que não faríamos em outras circunstâncias. Atropelando etapas! E colhendo frutos amargos com isso. Isso tem muito a ver também com esse "cenário crise" que criamos pra tudo. Crise no mundo dos negócios; crise ambiental; crise social; crise existencial... Hoje a palavra da moda é "Crise". E é óbvio, criamos os "solucionadores de crises": pessoas dinâmicas, que dão respostas rápidas aos problemas, são espertas, inovadoras e rápidas! E muitas vezes, comendo cru! Apressadas demais. Tão bom quanto agir no momento correto, é não agir no momento inadequado. Saber discernir. Estamos enfrentando dilemas sociais, ambientais, econômicos sérios, que precisam ser urgentemente solucionados sim, mas, urgência não significa também despreparo. Falta de planejamento e ações maduras. Acho importante um "fechamento pra balanço". Em outros momentos uma boa pausa, para deixar que as coisas sigam sem a nossa influência. Por que precisamos mediar todos os acontecimentos? Quem disse que a gente tinha esse poder??
Deixe rolar em algumas ocasiões. Faça o que for necessário ser feito, enquanto a situação permitir, e seja paciente com o que foge o seu controle. Tudo o que precisa é adquirir mais tolerância; nem só de impulso se conquistam as coisas, às vezes é preciso se conter.
O bom jogador não é aquele que sempre parte para o ataque, mas aquele que observa campo e oponente, e espera, para descobrir quando e onde atacar.
Acreditamos que o silêncio é para os fracos; mas não é! Muitas vezes se calar e não fazer absolutamente nada dá um trabalho impressionante. Trabalho digno de muito preparo - físico e psicológico principalmente. E denota na minha opinião maturidade.
É comum acharmos que os corajosos são os que saem ao combate; aqueles que dizem sempre o que pensam; aqueles que não negam fogo pra ninguém. Mas de um tempo pra cá tenho aprendido bastante, e evitado muita dor de cabeça, só pelo fato de não fazer nada em certas circunstâncias. Deixar rolar. Não por medo! Nem por covardia. Simplesmente porque o não-movimento me pareceu mais sensato. Ou talvez fosse "o menos pior".
Estou aprendendo que algumas vezes não é vergonha nenhuma deixar a última palavra ao outro; sair de cena e não brigar com ele. Tenho visto que há brigas que não valem a pena: desgastam, machucam, atrasam mais, e o pior, nada resolvem. Em alguns momentos então deve ser preciso mesmo engolir sapos; baixar a guarda; tirar o time de campo. Numa boa.
Dependendo da profundidade de um corte, o próprio sangue estanca. Há estudos que dizem que um rio, como o Tietê por exemplo, se limparia sozinho se ninguém mais jogasse nada nele. Para certas ocasiões, o silêncio responde mais que uma palavra. O nosso próprio corpo é capaz de se curar sozinho de muitos males.
E se a gente for analisar de uma forma macro, tomando a nossa sociedade como exemplo, poderemos constatar como estamos apressados e porque a gente não consegue pensar antes de agir. Há uma gigantesca diferença entre um movimento consciente, onde sabemos o que estamos fazendo e as possíveis consequências, de um movimento qualquer. Tem gente que fala, fala, fala, e não se aproveita nada! Faz uma porção de coisas que atrapalham mais do que se não tivesse feito nada. A nossa sociedade hoje é bastante ignorante por conta disso. Queremos falar, mas não queremos ouvir. Queremos agir, mas não sabemos esperar. Queremos para ontem! Temos pressa, temos uma raiva incontrolável, temos grandes ambições, e vontades inadiáveis. Ninguém quer menos, nem pouco; queremos o melhor, e o mais rápido possível. Então quando o corpo responde com alguma dor, nos medicamos. Quando o nosso psicológico responde com alguma dor, nos entorpecemos. E quando alguém nos questiona, não gostamos. A gente quer falar, fazer e ouvir só o que quer!
Isso não lembra muito o comportamento típico de uma criança? Eu acho que sim. A nossa falta de autocontrole, falta de maturidade, falta de tolerância tem nos feito agir impulsivamente; muitas vezes metendo os pés pelas mãos. Falando demais; muitas vezes para quem não devia. Fazendo o que não faríamos em outras circunstâncias. Atropelando etapas! E colhendo frutos amargos com isso. Isso tem muito a ver também com esse "cenário crise" que criamos pra tudo. Crise no mundo dos negócios; crise ambiental; crise social; crise existencial... Hoje a palavra da moda é "Crise". E é óbvio, criamos os "solucionadores de crises": pessoas dinâmicas, que dão respostas rápidas aos problemas, são espertas, inovadoras e rápidas! E muitas vezes, comendo cru! Apressadas demais. Tão bom quanto agir no momento correto, é não agir no momento inadequado. Saber discernir. Estamos enfrentando dilemas sociais, ambientais, econômicos sérios, que precisam ser urgentemente solucionados sim, mas, urgência não significa também despreparo. Falta de planejamento e ações maduras. Acho importante um "fechamento pra balanço". Em outros momentos uma boa pausa, para deixar que as coisas sigam sem a nossa influência. Por que precisamos mediar todos os acontecimentos? Quem disse que a gente tinha esse poder??
Deixe rolar em algumas ocasiões. Faça o que for necessário ser feito, enquanto a situação permitir, e seja paciente com o que foge o seu controle. Tudo o que precisa é adquirir mais tolerância; nem só de impulso se conquistam as coisas, às vezes é preciso se conter.
O bom jogador não é aquele que sempre parte para o ataque, mas aquele que observa campo e oponente, e espera, para descobrir quando e onde atacar.
sábado, 23 de novembro de 2013
A PAPISA JOANA
"Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor." (Stéphane Mallarmé)
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Somos Iguais
"Igualdade racial é pra valer", Petrobras:
"Professores, pesquisadores e outros especialistas destacam a importância da igualdade racial e discutem as origens da discriminação no país, além de reconhecer a contribuição da população afrodescendente na construção da sociedade brasileira."
"Ela renega a própria raça":
Jornalista Regina Volpato
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem
ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e
se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)
Saiba mais: Dia Nacional da Consciência Negra.
sábado, 16 de novembro de 2013
Pensar, pensar e (re)pensar a Educação!
"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. " (John Dewey)
Desde de muito pequeno
sempre fui fascinado pelo tema Educação; sempre gostei de
escola, e sempre estudei em escolas públicas também. Mas o
engraçado, quando me lembro dessa época, é que vejo nitidamente um
divisor de águas no meu próprio interesse, quando passei da
infância à adolescência por exemplo. Durante o ensino infantil e o
fundamental, lembro-me de gostar de fazer os trabalhos e as
atividades e de discutir com os meus professores sobre diversos
temas; eu sentia prazer em aprender naquele universo sempre móvel e
instigador: ora era sala de aula; ora em sala de vídeo; ora íamos
ao pátio, à grama, à biblioteca etc. Gostava muito pois não
sentia desvinculação entre aquilo que aprendia no quadro negro e a
minha vida fora da escola. O que ocorreu após esse período –
durante o Ensino Médio – para ser mais exato ainda um pouco
antes, a partir da oitava série – foi um certo desinteresse pela
escola. Sempre fui inteligente e sempre gostei de estudar, mas não
gostava "daquilo" (a forma como os conteúdos eram
ministrados). Naquela época, mesmo de maneira muito superficial,
pensando em termos de Educação, achava a escola distante. Não
tinha conexão entre as disciplinas – pelo menos eu não sentia –.
E o pior de tudo eram as cobranças; provas rigorosamente avaliadas
(que nada avaliavam de fato) e aulas rigidamente monitoradas (que
mesmo assim não nos seguravam); isso a jovens na puberdade, com
absoluta certeza, é a forma mais incorreta para se trabalhar.
Simplesmente não compreendem nessa linguagem.
E por que estou falando
disso? Porque se hoje já concluí o Ensino Superior é porque em
algum momento tive uma "iluminação de consciência" –
vou chamar assim – e retomei um caminho abandonado – após ser
reprovado no Ensino Médio! Quem lê essas linhas e observa o meu
blog talvez deva supor que sou um alguém muito letrado, culto, até
como se por alguma espécie de dom tivesse nascido assim ou que foi por
toda vida um aluno "nota 10". Em primeiro lugar nem sou tão
inteligente assim; sou curioso – o que para mim é diferente e até
melhor. Em segundo, sempre gostei de estudar sim, mas isso não mudou
em nada o fato de eu ser reprovado no Ensino Médio e de por alguns
anos pensar que jamais pisaria numa instituição de ensino
novamente. Por sorte (mesmo!) resolvi, num belo dia, matricular-me no
EJA e concluir os estudos “básicos”. A que atribuo a reprova?
Existiram “n” motivos na época, mas o principal deles,
certamente, foi o incômodo que eu sentia em ter que ir à escola - então eu não ia;
não via produtividade naquilo, tampouco sentia que seria útil para
a minha vida. Então por que resolvi voltar? Existiram, também, “n”
motivos na época, mas o principal deles, sinceramente, foi porque
queria fazer uma faculdade e melhorar minha situação de vida.
Busquei, basicamente, ascensão social e estabilidade financeira. Acho que
ainda não as encontrei, mas... vamos adiante com o raciocínio... rs
rs rs
Estou brincando um
pouco, porém, infelizmente, essa é ainda hoje a realidade que
observo em muitos adolescentes que conheço: eles não gostam de ir à
escola, não veem muito sentido nela e estão considerando mais
produtivo ir trabalhar do que ir estudar. Falo como profissional de
recursos humanos, pois trabalho todo dia com essa realidade. E falando como
cidadão: acho uma grande pena e uma vergonha para o nosso país.
Estamos falhando com esses jovens! Jovens que não conseguem enxergar
utilidade na escola, perdendo assim o interesse no aprendizado, no
conhecimento.
Hoje, após todo o
percurso que trilhei, afirmo categoricamente que estudar, adquirir
conhecimentos variados, abrir a mente para novos olhares, aprender
sobre outros costumes e outras culturas diferentes é extremante rico para o ser
humano. Isso traz a ele noções de responsabilidade com a sociedade,
respeito e tolerância com o outro e abertura para ideias diferentes;
para a troca efetiva de cultura e vivências. Esse foi, e ainda
é, o meu maior ganho com a Educação. E só pude constatar isso da
pior maneira infelizmente: abandonando os estudos após ter sido
reprovado e, depois de muito tempo, retomando apenas por questões
financeiras. Não me culpo, porque graças a Deus voltei. Mas este
não é o caminho; não precisamos chegar ao final de uma rua para
descobrir que ela não tinha saída, se todos os sinais já não
mostravam isso. Nós precisamos despertar nos nossos jovens
(principalmente neles eu acho, porque o desinteresse maior parte
deles) o entendimento da importância de frequentar a escola, de
absorver conhecimento vivo e de colocar em prática no seu dia a dia
esses conteúdos. Muito mais do que para ser um profissional
requisitado no mercado. Muito mais do que para adquirir bens
materiais. Muito mais do que para se obter um diploma universitário.
Tudo isso para eles se transformarem em homens e mulheres melhores.
Cidadãos conscientes, éticos, justos, humanos e solidários, que
vão liderar a sociedade futura. Não é utopia, porque é possível!
Utopia é algo praticamente improvável de acontecer, uma fantasia;
mas isso não é um sonho impossível. Não devemos desacreditar
nesses jovens, porque falhar com eles é falhar com toda a sociedade,
onde igualmente todos pagaremos o preço por isso – preço que já
estamos pagando! O negro, o branco, o índio, o rico, o pobre, na cidade ou no campo...
Todos, sem exceção, têm o dever de colaborar com essa questão. Os
pais em não permitir que seus filhos abandonem a escola e possibilitar que eles cheguem até ela; os governos
em criarem políticas públicas melhores, mais condizentes com as
realidades diversificadas desses jovens, e as empresas colaborarem
com projetos que permitam que esses jovens não necessitem ter que
abandonar seus estudos para frequentar o trabalho. E basta, de uma
vez por todas, do discurso da “tarefa difícil”! Difícil todos
sabemos que é. Sabemos que é um desafio, uma verdadeira
transformação complicada, complexa, que demanda tempo e trabalho
conjunto (PúblicoxPrivadoxSociedade). Mas sabemos também que é
necessário abraçar essa causa, entendendo os impactos da
falta de Educação e a relação com a violência, o trabalho
infantil, as drogas, a marginalidade, no prejuízo que é para a
sociedade como um todo; transformar a Educação é uma tarefa
INESCAPÁVEL! - palavra muito bem dita por Celso João Ferretti, do
Centro de Estudos em Educação e Sociedade. Adorei essa palavra.
Admito que as
autoridades estão despertando para essa importância. Está se
enxergando com olhos mais atentos e está havendo o conflito. O
conflito é ótimo! A discussão, por mais que desencontrada, é
ótima! Pelo menos enxergou-se o desafio! Se estamos chegando a algum
lugar ou não, ou se chegaremos, ainda é cedo para nos respondermos.
Mas já é um grande passo à frente existir um movimento para
mudanças que vai ganhando forças. Estamos quebrando paradigmas, e é necessário quebrá-los.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Vai com calma...
A atividade vence o frio; a inatividade vence o calor; assim, com a sua calma, vai o sábio corrigindo tudo no mundo. (Textos taoístas)
Nos momentos em que a vida parece não responder às minhas preces, sei que ela exige um pouco mais de mim. O que sinto nesses momentos é medo do que virá pela frente e uma grande insegurança: não ser capaz de dar conta do recado – porque a gente quer sempre corresponder às expectativas –. Aprendi que quando a vida fica assim, meio pacata, meio morosa, ela está observando atenta cada movimento, que precisa ser feito. Como se fosse uma mãe pássaro que empurra o filhote do ninho e espera que ele bata as asas.
Estou arriscando
algumas posturas diferentes na minha vida e enfrentando firme algumas
opiniões contrárias por conta disso. Tenho apostado todas as minhas
fichas em onde isso vai dar. Acho que isso tem me tornado um pouco
duro demais e tem horas que nem me reconheço, mas fiz as minhas opostas
e espero a roleta girar e ver onde vai dar. Será que vai terminar
a meu favor? Ninguém saberia responder ao certo e não ter respostas é o que
aflige tanto.
Acordo todos os dias e saio para o quintal olhar para o
céu pensando sobre como será o dia de amanhã e nunca encontro
certeza alguma. É claro que tenho planos. Todo mundo tem os seus. E é óbvio
que eu, um alguém todo racional e pé no chão incorrigível, teria uma
meta a ser trilhada com protocolos rígidos, mas o fato é não
sentir a vida conspirando ao meu favor – ou talvez testando-me até
onde sou forte. Sinto os caminhos todos amarrados; sinto algumas
pessoas atrapalhando ao invés de ajudar; as vezes sinto medo e muita raiva, como se de alguma forma eu estivesse
enfrentando o mundo para atingir o que quero. E essa é uma sensação
péssima! Então como sou orgulhoso e um tanto teimoso, ergo a
cabeça e digo a mim mesmo que conseguirei superar os obstáculos
custe o que custar (e fico tentando acreditar nisso) – sem deixar
transparecer dúvidas e medo de tudo dar errado –.
Acho que o que me assusta tanto é
ter que começar do zero se preciso; não sou muito bom para lidar com altos
e baixos, as vezes me conforta a ideia de rotina e estabilidade –
e sei que preciso aprender a me arriscar mais; mas
arriscar significa admitir não se ter controle absoluto, e vivo imaginando que tenho...
Esse post deve estar
com um ar enigmático ou talvez melancólico, mas a ideia central nem
é essa; é apenas para refletirmos essa questão de que
algumas vezes na vida temos raiva por não conseguirmos realizar as
coisas do exato jeito que queremos e dá a impressão de que tudo
ao nosso redor corrobora para desistirmos. A gente quer avançar e
não consegue; a gente quer falar algumas coisas mas parece que
ninguém da ouvidos; toda ação parece estar reprendida; e isso
exige uma dose de paciência; de persistência; de calma...
Neste
momento da vida quero dar início a novos projetos e
tenho me arriscado, mas vejo a vida pedindo calma. Me segurando.
Diante disso tenho exercitado a capacidade de compreender e respeitar esse sinal vermelho; no fundo eu sei que tudo tem o seu tempo de acontecer, que a
vida tem mesmo uma ordem natural das coisas, mas na prática é muito difícil.
É preciso entender que a vida não dá garantia aos nossos sonhos, mas mesmo assim é
necessário continuar a sonhá-los. Assumir que apesar de não termos o controle
de todas as circunstâncias, precisamos mesmo assim persistir nelas. Quando as coisas ficarem difíceis demais, suportar.
Quando parecerem não ter mais saída, ter calma. Mas olhando sempre
para a vida com uma admiração constante; contemplando a beleza que se esconde em
todos os cantos. Reverenciando a natureza e agradecendo-a, porque seja como for, estamos vivos. Aos momentos complicados, ouvir uma boa música nessas horas acalma. Observar
com atenção uma paisagem nos ensina muito. E quando estivermos
muito pessimistas, procurarmos acima de tudo ter fé na vida e
descobrirmos assim dentro de nós a faísca de sabedoria criadora, de
poder transformador. Em contato com essa nossa parte sagrada mudamos
a vibração da nossa mente. E tudo, exatamente tudo, acredite,
começa por aí.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
CONHECIMENTO VIVO!
Mais ou menos com dez
ou onze anos de idade comecei a frequentar a biblioteca da minha
cidade em busca de respostas, queria entender certas coisas. Eu fui
uma criança bastante curiosa, meus pais notavam isso; notavam que eu
não era aquele típico garoto que gostava de trepar em árvores ou
viver na rua brincando o dia inteiro; tampouco meu negócio era
correr atrás de bola ou procurar fazer novas amizades pelo bairro.
Eu era muito inteligente para a minha idade. E bastante estranho
também. Era introvertido e solitário às vezes – e me sentia
ainda mais sozinho pelo fato de me interessar por assuntos que não
eram compartilhados pelos meus colegas. Sempre gostei de ciências,
mistérios, esoterismo, ocultismo. Desde de pequeno me interesso por
saber como o mundo funciona, quais forças regem a natureza, os
elementos dela. Tinha algumas ideias estranhas para uma criança e
gostos mais estranhos ainda.
Nessa época, quando
comecei a frequentar mais assiduamente a biblioteca, minha seção
preferida por exemplo era a esotérica. Aquela que ficava lá nos
fundos, quase no escuro, onde poucos iam e que todos me olhavam
curiosos quando me viam xeretando por lá. E lá eu ficava, se
deixasse tardes inteiras, lendo sobre espiritismo, mitologia grega e
romana, simbolismos, mistérios e magias do Homem – comecei por aí.
Com o passar do tempo fui me interessando pela astrologia, pelos
números, a numerologia – fiz meus mapas, e assim me encantando
cada vez mais com essas “pseudociências”. Mais tarde, já na
fase adulta, me interessei por quântica, neurociência, alquimia,
até os dias de hoje, que tenho estudado bastante sobre a maçonaria.
Eu não sou maçom, mas me interessa muito esse universo de auto
desenvolvimento através do conhecimento, sempre me fascinou adquirir
conhecimentos de culturas e civilizações antigas, buscar o
aprimoramento a partir daí. Sou atraído por isso. Algumas pessoas
me perguntam pelo que sou interessado e sempre respondo: por estudar!
Estudar pessoas; culturas; o legado deixado por civilizações
antigas. Eu gosto de viver a vida fora dos livros, mas sou apaixonado
por estudá-los, sem sombra de dúvida o poder está no conhecimento,
e é por isso que alguns povos são até os dias de hoje destinados à
ignorância por seus governos – é mais seguro assim! Povo sem
conhecimento, sem cultura, é povo fraco, passível de controle. Quem
consegue controlar facilmente o esperto, o inteligente, aquele que
conhece bem os seus direitos?
Através dos livros,
desses estudos antigos, pude perceber que o povo em geral, em
qualquer lugar do mundo ou época da História, sempre foi proibido
de obter certos conhecimentos, porque seriam taxados de hereges pela
Igreja ou perigosos pelos reis, e assim, através de um grande
boicote a intelectualidade, as massas foram facilmente controladas
pelas supremacias – sempre mancomunadas com a ala religiosa.
Percebi que as civilizações antigas bem sucedidas, foram bem
sucedidas porque permitiram a difusão livre do conhecimento entre a
população, somado a abertura da mente a novas ideias, a uma
religião sem dogmas e na forma como se relacionavam com a vida –
como movimento constante sem princípio nem fim. Nem porquês.
Sociedades antigas, principalmente as orientais, aprenderam
equilibrar feminino e masculino (yin e yang) dentro do Homem e
encontrar no Homem uma divindade. Com também encontrar na Divindade
sua parte humana.
É fácil também
perceber, através do estudo da História, como fomos manipulados
através de nossos medos e através de nossas crenças a julgar o que
é diferente. Hoje temos muito mais recursos e oportunidades que
outrora e ainda somos manipulados e estamos dispersos. O grande mal
do século na minha opinião é o excesso de tudo. Se no passado
sofríamos porque éramos privados de conhecimento essencial, hoje
temos tanto conhecimento que nos é difícil encontrar o que é
essencial. Diante de tantas possibilidades, alternativas, caminhos,
informações, não sabemos – e não queremos – escolher. A
impressão que eu tenho é que hoje o truque é colocar na cara do
Homem o que não se quer que ele veja. As sociedades secretas, como a
Maçonaria por exemplo, nunca estiveram tão acessíveis e mesmo
assim há diversas crendices. A própria ciência tem se rendido a
religiosidade e as pessoas ainda estão se automedicando. A internet
abriu um mar de infinitas informações e continuamos sem saber onde
estamos e para onde vamos quando nos sentamos em frente a um
computador. Esse é o Biopoder definido por Michel Foucault, apenas
mudaram o cenário e o filme, mas o gênero e as personas ainda são
os mesmos!
É preciso aprender a
ler o mundo, a trabalhar com as novas tecnologias, entender que a
ciência tem dando espaço à religiosidade, captar que governos
estão modificando suas estruturas de poder e suas políticas
públicas, mas a desigualdade e a exclusão social permanecem. Diante
deste cenário novo e complexo precisamos mais do que nunca entender
e trabalhar a complexidade. Desta vez o conhecimento é móvel e isso
exige um pensamento crítico, isso exige um conhecimento vivo!
sábado, 5 de outubro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
oãçejorP
“ De manhã, uma
mulher olhou pela janela e viu a nova vizinha estendendo a roupa no
varal. Ela falou para o seu marido “A vizinha nova não sabe lavar
roupa. Viu como a roupa que ela acabou de lavar está suja? Aposto
que ela não usa nem sabão em pó!”. E dia após dia ela fazia os
mesmos comentários para o marido “Não acredito que ela deixa os
filhos usarem essas roupas sujas”. Muitas semanas depois, ela olhou
pela janela e ficou surpresa ao ver as roupas da sua nova vizinha
limpas e brilhantes, então ela chamou o marido e disse “Querido,
olhe! A vizinha finalmente aprendeu a lavar a roupa”. O marido
sorriu e disse “Querida, fui eu que acordei cedo hoje e limpei a
nossa janela”. ” (estória popular)
Um dos mecanismos
estudados na Psicologia que me chama muito a atenção é a Projeção.
Escolhi essa imagem, de um homem olhando-se no espelho e vendo suas
costas, porque retrata bem esse mecanismo de defesa: um homem que vê
as próprias costas no espelho porém sem ter consciência disso!
A primeira vez que ouvi
sobre esse assunto foi na faculdade. A partir daí passei a prestar
mais atenção no comportamento das pessoas que eu criticava, na
tentativa de aprender um pouco mais sobre mim mesmo. Percebi que é
possível sim, projetarmos nossas falhas, aquilo que nos incomoda, no
outro e depois atacá-lo. É um movimento inconsciente mesmo, mas nem
por isso menos perverso. Ou nefasto. Podemos dizer também, com uma
boa dose de hipocrisia.
Tudo o que nos desperta
sentimentos muito intensos, como raiva, ódio, repúdio é parte de
nós. Estamos simplesmente fazendo uma transferência, e achando
assim – inconscientemente – que estamos atingindo o problema,
resolvendo-o. E não estamos. Estamos apenas nos enganando.
Vira e mexe me pego
julgando alguém. Criticando erros. Tentando me legitimar em cima das
falhas de alguém. E isso é cruel. Tentar se sobressair as custas
dos demais. E como a gente faz isso... E a gente sempre julga ter
razão. Fora está errado. O outro é sempre o problema, carrega a
culpa, cometeu o erro... enquanto nós só a razão. O engraçado é
que, ou somos os perfeitos ou as vítimas, não existe parcerias ou
co-autoria.
Acredito sinceramente
no mal. Eu sou do bem e do mal. Eu carrego Deus e o diabo dentro de
mim. E por essa razão eu escolho a quem dar ouvidos. Agora, achar
que o diabo é um ser de chifres, que cospe fogo e vive no inferno –
e que é para lá que eu vou se eu for culpado – é ilusão demais.
O diabo é o meu ódio em excesso, a minha inveja, a crítica
rasteira, a minhas próprias ações mal intencionadas. A minha
intenção! Nessa análise o diabo somos nós mesmos. Só que é mais
fácil conviver com a nossa consciência, quando jogamos a culpa em
algo exterior. E as sociedades, desde de que existem, só focaram no
externo. Movemos grandes quantidades de energia e conhecimento
alterando apenas o exterior, olhando sempre para fora, modificando o
nosso entorno, enquanto a nossa parte interna pagava o preço. Nos
tornamos fracos emocionalmente, cheios de medos, cheios de culpas –
que precisamos achar um bode expiatório para conviver com nossos
demônios. Alguém para pagar a conta. O engraçado é que não
existe meia culpa, alguém tem sempre que pagar o pato sozinho.
Nós criamos nossos
próprios demônios porque idealizamos a vida. Perdemos muito tempo
criando um mundo perfeito que justifique a dor que é viver o
presente, que esquecemos de olhar para a vida como imperfeição.
Processo. Movimento constante. Para nós tudo tem que ser bonito,
puro, se encaixar e ter respostas. Não há espaço para o erro e
então o nosso errado é condenável. Eu acho que a gente precisa
começar a assumir as nossas falhas e nos aceitarmos como seres que
estão em constante processo. Partes de um todo incompleto, que não
tem como finalidade uma conclusão assertiva. Essa divisão que
fazemos entre bem e mal, certo e errado, verdade e mentira é o que
acaba com a nossa vida e mina as relações. Vamos passar a prestar
mais atenção ao que se passa em nosso interior e veremos que muitas
vezes tudo aquilo que julgamos estar no outro, na verdade estava em
nós mesmos o tempo todo. Quem sabe aí a gente passe a conviver
melhor com as diferenças, porque talvez percebamos que no fundo no
fundo, nem somos tão diferentes assim!
domingo, 18 de agosto de 2013
Cisões
*Escolhi essa imagem, porque pra mim não há
cisão mais natural e certa do que a aurora e o crepúsculo, que
findam dia e noite, e isso não atrapalha em nada a simetria do que acontece nos
intervalos.
“Feche algumas
portas. Não por orgulho ou arrogância, mas porque já não levam a
lugar nenhum.” (Paulo Coelho)
Hoje resolvi dar uma
limpa no meu guarda-roupa. Ou daqui a pouco não caberia mais nada lá
dentro. Minha mãe passava no corredor, só assistindo. Quando se deu
conta do que eu estava fazendo, perguntou segurando uma camisa nas
mãos: “Vai dar embora? Você fica tão bem nela.” Eu sem
dar muita atenção, soltei: “Mas não uso!”. E continuei a empreitada com ela revirando as peças que eu ia jogando sobre a
cama. Fiquei pensando sobre esse diálogo... Fui obrigado a concordar
que de fato a camisa era muito bonita. E nova! Quase nunca tinha sido
usada. Pensava: "se é tão bonita ou especial assim pra mim, por que
está aqui praticamente jogada?" A resposta veio prontamente. "Porque
pra mim já não serve mais." Só por isso. As peças que eu tirei do
guarda-roupa de fato não mudaram tanto – continuam quase em
perfeito estado de quando as comprei –. Mas eu mudei! Pelo menos
por dentro...
Olhei mentalmente para
trás pensando sobre o passado e vi outras coisas que também deixei.
E por “n” motivos. Foram costumes, lugares, manias, erros,
pessoas, relacionamentos que já não me serviam mais. Profissionais,
pessoais, familiares até. Cisões necessárias para que eu
continuasse meu caminho melhor, mais leve, sem também pesar sobre
outros. Posso imaginar que você que está lendo essas linhas está
pensando que sou insensível pra considerar pessoas descartáveis
como roupas. Tenho certeza de que os mais apressados nos julgamentos
pensariam assim. Mas não! Não acho pessoas descartáveis. De maneira nenhuma. Aliás, nada é. Acho super interessante a ideia de reciclar
e reaproveitar as coisas. Doar se necessário. Eu doarei as minhas
roupas. Mas acredito muito mais no fluir da vida que naturalmente
cisa. Não digo que as relações tenham prazo de validade, pois
tenho amigos de muitos anos que ficamos tempos sem nos falarmos, mas
quando nos vemos nem notamos diferença. Mas o inverso também
acontece. Há pessoas bem próximas que vejo praticamente sempre e no
entanto estamos milhas distantes. Ambos notamos isso. Não há troca
nenhuma de contato relevante. Essas pessoas pra mim são como as
roupas retiradas do guarda-roupa; via todo santo dia nele, mas nunca
tirava uma do cabine. Vale a pena assim? Será que mantenho
contato com essas pessoas porque gosto delas de verdade, as quero perto de mim pessoalmente falando,
ou só porque me acostumei com a presença delas – que neste
momento só ocupam espaço? Às vezes continuamos com certos laços
apenas por comodismo, medo ou uma vontade de controle. Como às vezes continuamos sem saber bem porquê.
Se não desse essa
limpa no meu guarda-roupa no mínimo chegaria um momento que não
caberia mais nada e o saldo seria um monte de coisas que não uso
ocupando espaço daquilo que eu poderia usar. A nossa vida se parece
a um guarda-roupa. O espaço também é limitado. Primeiro porque ela
em si é limitada; não somos eternos, vamos morrer um dia. Está aí
a primeira cisão de que temos conhecimento. Segundo porque os anos são
fracionados em meses, semanas e dias, que por sua vez em horas,
minutos e segundos; como as leis, os valores, essas divisões são cisões também. Terceiro porque somos
animais racionais que cisam o desejo impulsivo e desmedido para a
nossa própria sobrevivência. A vida é composta por esses cortes. Vamos caminhando nos fazendo eles, podando a nós
mesmos. Mas são cisões necessárias para o bom fluir.
É isso o que garante a qualidade das relações. É isso o que nos
ordena, nos organiza, nos potencializa. Por mais cruel que pareça. Não é
insensibilidade, não sou um robô. Sou honesto. Honesto de não querer vestir
aquilo que não gosto, que não cabe em mim ou no meu bolso. Honesto
de não ficar forçando a barra numa relação que não dá certo e
gastar a vida com momentos que no fundo não valerão a pena.
Não me refiro a intolerância com personalidades distintas. Falo num
nível mais profundo, mais íntimo. Falo de liberdade, de
honestidade, de transparência. De podas necessárias como as que
fazemos nas plantas. Para um crescimento sadio. Falo de manter laços
que concordam de fato com nossos desejos e capacidade, porque muitas vezes nós
nos acorrentamos a determinadas coisas por ganhos mínimos. E a vida
vai embora!
Acredito sinceramente
que não precisamos fazer nada, apenas deixar que a vida se
encarregue de fazer o trabalho dela. Essa poda. Só precisamos emitir pensamentos de acordo com os nossos desejos, para
assim atrair o que será necessário. E para isso precisamos nos conhecer
direito e emitir as vibrações certas. Autoconhecimento e
magnetismo. A vida faz o resto! Ela traz o que é necessário e
afasta aquilo que está numa vibração diferente. Para o bem estar
de todos. Repare ao seu redor que, quando você permite que o fluxo
aconteça livremente, aparecem as pessoas certas, você não se
encontra mais com algumas outras.
Certas circunstâncias nos obrigam a rescindir com determinadas
coisas para o nosso bem então, só que muitas vezes nós fazemos o inverso,
segurando o fluxo. Aí sofremos. Sofremos por não aceitação do fato. O
sofrimento não vem do corte em si, vem de não aceitarmos a
contradição. Somos muitas vezes mesquinhos, imaturos e
materialistas. E agimos com possessividade (nos) agarrando as coisas, seja a um relacionamento
desgastado, seja uma peça de roupa sem uso, porque são essas coisas que
nos dão a ideia de alguma “segurança”. Só que é falso.
Para finalizar, hoje à
tarde, acessei uma rede social e coincidentemente percebi que um
amigo publicou que curtiu o livro do Paulo Coelho, Onze Minutos.
Também gostei. Ele tem uma passagem perfeita para esse post que diz: “Não se pode dizer
para a primavera: 'tomara que chegue logo e dure bastante'. Pode-se
apenas dizer: 'venha, me abençoe com sua esperança, e fique o
máximo de tempo que puder'.”
Nós não temos domínio sobre a Vida, mas nós nos controlamos em algum nível. Tudo o
que precisamos então é sermos honestos e tentarmos dançar no mesmo compasso.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
O que vê você?
Já passei bastante tempo
da minha vida brigando com aqueles que não conseguiam enxergar aquilo que
eu via. Com aqueles que tinham ideias diferentes das minhas sobre as
mesmas coisas. Eu não conseguia entender que o mundo aos olhos do
outro é de fato um outro mundo. É um outro universo. É estranho
pra mim admitir que as pessoas olham para o mesmo objeto e captam
características diferentes dele. Se fixam em coisas diferentes, e
muitas vezes intuem e concluem o contrário uma da outra. Acho que hoje, aos vinte
e cinco anos de idade, muita coisa mudou. Ainda tenho dificuldade
quando me deparo com alguém que tem uma personalidade oposta à
minha. Mas já melhorei muito também. Acredito que a diferença é o que
propicia a evolução das relações. No fundo confesso que
precisamos agradecer por isso. Pelo mundo ser composto de pessoas com
ideias diferentes, personalidades distintas. Primeiro porque se todos
fôssemos iguais seria tudo muito previsível e sem graça. Segundo
porque não haveria evolução nem crescimento.
Hoje quando me deparo
com alguém muito diferente de mim – no sentido de ver a vida, de
ter ideias opostas as minhas –, tento ver o que essa pessoa vê.
Tento me colocar no mundo dela. No seu contexto de vida, e,
principalmente, no seu momento atual de vida. Aí acontece algo
bacana. Mesmo sem entender passo a respeitá-la. Legitimo a sua visão.
É um exercício muito bom para regular e manter as relações
pessoais. Embora assumo que exige bastante maleabilidade. Doses e doses de
humildade e condescendência. Pois no fundo o que todos
queremos é estarmos sempre certos. Descer desse pódio custa caro. Ceder às
vezes dá uma raiva... E assumir uma derrota tem um sabor amargo. Porém
continuo convicto que é melhor perder com dignidade e ganhar uma boa
lição, que sair por cima pisando em todos. Fazendo inimigos a troco
de nada. O ditado é velho mas é sábio: dessa vida nada levamos.
Será que vale a pena batermos de frente sempre? Eu tenho certeza de que não. Quase sempre dá pra relevar. E na maioria das vezes
buscar aprender com a outra parte. Dar o braço a torcer é difícil só no
começo, e no fim acaba sempre valendo mais a pena.
Faço esse post pra
levantar a questão da intolerância com as diferenças. Sejam elas quais forem! Vejo o
quanto é difícil a gente entender que o outro vê o mundo diferente
de nós. O nosso mundo não é compartilhado na íntegra. Não
psicologicamente. Quanticamente. Ou emocionalmente falando. O outro ouve, pressente,
intui, enxerga e avalia diferente. E ele tem o direito de ser assim. De se
exercer assim.
Acredito que às vezes nutrimos certos preconceitos porque olhamos para fora julgando ações com a nossa cabeça. Nada mais óbvio, sei. Mas assim não dá! Não é justo. Se o julgamento deve ser justo, então é necessário pôr-se na pele do outro. Tentar saber a fundo a história dessa pessoa. Procurar trilhar o mesmo caminho que a trouxe até o ponto em questão. Existe um ditado que diz mais ou menos assim: antes de julgar alguém vista os seus sapatos e faça o seu caminho. Como é impossível essa façanha, porque cada experiência é pessoal e intransferível, acredito que todo e qualquer julgamento irrefletido já de início está errado. É desumano. É leviano. Presunçoso.
Acredito que às vezes nutrimos certos preconceitos porque olhamos para fora julgando ações com a nossa cabeça. Nada mais óbvio, sei. Mas assim não dá! Não é justo. Se o julgamento deve ser justo, então é necessário pôr-se na pele do outro. Tentar saber a fundo a história dessa pessoa. Procurar trilhar o mesmo caminho que a trouxe até o ponto em questão. Existe um ditado que diz mais ou menos assim: antes de julgar alguém vista os seus sapatos e faça o seu caminho. Como é impossível essa façanha, porque cada experiência é pessoal e intransferível, acredito que todo e qualquer julgamento irrefletido já de início está errado. É desumano. É leviano. Presunçoso.
Hoje em dia, na era que estamos
vivendo conhecida como sociedade do conhecimento, as pessoas estão
mais conscientes dos seus direitos. Mais informadas das suas
possibilidades. O que as torna livres para escolher, ser, viver e se
exercer como querem. Isso é muito rico para nós como sociedade, que enseja ser
democrática, que deseja aprender, crescer, evoluir. Mas também é
uma passagem dificílima, porque gera conflito de interesses
políticos, religiosos, morais, éticos... Vejo muitas possibilidades
na diversidade, porém muitas dificuldades acompanhadas também. E tenho
certeza de que qualquer ganho virá sempre de muita luta. Mas uma coisa
pra mim é fato: não se pode barrar a vida, isso é impossível! E pra mim a vida de nada tem de uniforme, de constante e de certa.
domingo, 4 de agosto de 2013
Cabisbaixo, e sem choro...
Um olhar sem brilho,
um rugido sem som.
Um andar desatino,
um caminho sem tom...
Chateado. Magoado. Ferido. Contrariado.
Irritado... São essas algumas palavras que utilizo para iniciar esse
post, pois é exatamente assim como me sinto agora. Então só preciso escrever. Ou eu escrevo, ou eu não me
aguento...
Hoje mais do que nunca, após chatos
acontecimentos, olho para trás, para o que vivi, e percebo que já passei por muitos momentos difíceis. Momentos
que me ensinaram a ter mais coragem. Algumas vezes domando meu ego. Noutras lapidando meu
orgulho. Mas certamente momentos que me deixaram mais forte. Resistente. Mais confiante!
Mas, uma coisa eu também tenho que confessar. Após cada superação,
a pancada seguinte foi sempre mais forte! Mais certeira e mais
dolorida também. E como dói... Uma separação inesperada. Uma
amizade desfeita. Um contrato rescindido. Um vidro
quebrado... Rupturas, términos, mudanças que mexem muito com a gente...
Estou num momento da vida que tem exigido muito de mim e estou tentando ser forte. Novamente fui pego pelo turbilhão. Daqui de dentro, sinto-me no olho do furacão. O engraçado é que olhando ao meu redor, por mais que eu reconheça que já passei por fases igualmente difíceis e houve saída, dá um gelo na barriga que ninguém faz ideia. A respiração ofegante pode até ser ouvida. Os pensamentos vão a mil! O coração tem hora que mais parece uma escola de sampa na avenida, e ao sentir o vento gelado soprar no rosto quente – de sangue fervendo –, arrepia a espinha. A coisa toda é tão louca, é como se o tempo parasse neste minuto e, paradoxalmente, tudo continuasse girando, girando, alterando-se... Modificando tudo. Transformando todos! Sem o meu consentimento...
Sei que não adianta retrucar, uma coisa eu já aprendi
bem nessa vida. Que ela muda! Que ela nos muda! Que nada permanece do
mesmo jeito para sempre, intacto, invicto. Porque a Vida é
movimento. Necessariamente continuidade e descontrole. E ninguém tem garantia. Não
dá para barrar isso. Pressinto também que tudo não passam de ciclos, que obrigatoriamente terminam e involuntariamente outros são iniciados. Pelo menos a nossa percepção capta assim dessa
forma. Limitada. Aos pedacinhos. E é justamente aí, nesses “términos-inícios”
de ciclos que dói mais a nossa vida. São as transições. Aí que a coisa toda verdadeiramente importa.
Quando eu era pequeno, lembro de algumas vezes meu
pai esbravejar depois de brigar comigo: “sem choro hein!”. Hoje
ao lembrar acho até graça disso. Lembro dele esbravejando e eu ir
firmando bem os pés no chão, soluçando. Sem rumo.
Bicudo e orgulhoso com sempre. Cabisbaixo... Mas eu ia! Eu sempre segui
adiante. A vida é mais ou menos assim dessa forma. A única
diferença é que não temos a opção de não seguir adiante. Se
estamos tristes ou felizes, saudáveis ou doentes, com coragem ou
inseguros, a vida vai nos empurrar para frente quer a gente queira ou
não. É movimento, lembra? Não adianta ficarmos bicudos, fazer
manha, birra, charminho, tentar ignorar a história. Precisamos arregaçar
as mangas, catar os restos do que sobra no chão, “jogar a malinha
nas costas” como diz minha vó e reconstruir o caminho.
Reconstruindo-se nele. É um processo meio “Fênix” mesmo, sempre comparei ele a essa ave que renasce das suas cinzas. É uma boa analogia.
Então, se quer um conselho, caso esteja passando
por um momento igualmente difícil quanto o meu: não desista dos seus objetivos. A
melhor escolha a ser tomada é o movimento e não importa a direção que ele te leve. Tenha sim respeito pelas suas dores, pelo seu corpo, pelas suas decepções; pelas lágrimas indesejáveis e as
perdas que sofremos na vida; alguns problemas parecem mesmo intransponíveis, e somos frágeis e pequenos. Mas a nossa grandeza também provém dessa fraqueza e isso é o que nos motivar a continuar. Busque enxergar coisas positivas e converter toda
raiva, mágoa e dor em algo produtivo, que te motive a caminhar.
Como se fosse um combustível. Tijolinhos para um castelo. Pedras para a sua estrada. Permita que ao
invés de um problema te desmotivar, te desesperar, ou te destruir, que ele faça exatamente o
contrário: reconstruir ainda mais forte. Te torne mais guerreiro.
Mais perseverante. E mais sábio. A vida prega peças na gente,
o dia de amanhã ninguém sabe. Nem o próprio, nem o do outro. Mas de
uma coisa eu sei: você está vivo agora e isso significa que o fim ainda não chegou...
“Na vida, não existem soluções. Existem
forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se
as soluções.”
(Antoine de Saint-Exupéry)
(Antoine de Saint-Exupéry)
domingo, 23 de junho de 2013
UM TIPO DE PODER
Quando criança me chamava a atenção o poder que algumas pessoas parecia ter sobre outras. Achava mágico isso! Mas eu sabia que não era um poder natural, ou legítimo como o de uma autoridade por exemplo - um pai, um professor, um policial -, também não era nenhum dos poderes que mais tarde eu estudaria no curso de administração, na faculdade. Era um tipo de poder diferente, sorrateiro. Bem disfarçado. Quase uma influência tênue que não se podia originar, medir, estimar; muitas vezes difícil até mesmo de constatar, pois geralmente era operado por pessoas tão inteligentes, espertas, sorridentes, pareciam queridas por todos e longe de qualquer suspeita. Então eu cresci observando de perto pessoas com esse comportamento, que operavam esse tipo de poder quase sedutor que eu aprendia a cultuar, queria desenvolver...
Na adolescência admirava pessoas com esse poder e acreditava que talvez o mundo realmente funcionasse desta forma: algumas pessoas precisavam mesmo conduzir outras. Ouvi, e gostei: "o mundo é uma selva e é dos espertos!".
Comecei a estudar como funcionava esse tipo de poder, qual o perfil dos que o operavam e como o resultado era sempre certeiro, garantido, e as ações quase imperceptíveis vistas de fora. Era como uma sessão clandestina de hipnose, do qual os participantes passivos não tinham conhecimento (nem antes, nem depois); envolvia palavras bem colocadas, "com as vírgulas nos lugares certos" - então entendi como uma vírgula colocada noutro lugar da frase mudaria completamente a ideia do texto... Numa conversa, se aplicar isso numa linguagem corporal previamente estudada, numa fala mansa e objetiva, com um toque de insinuações subliminares, em tons de voz modelados, poderá ver perfeitamente como o raiar do dia o que eu comecei a compreender nessa época, do que se tratava esse tipo de poder. A arte da manipulação...
Depois disso prestei mais atenção e não gostei dos resultados. Não dessa maneira duvidosa. Vi sempre alguém saindo ferido, magoado, prejudicado, endividado, enquanto a outra parte saía ilesa. Vi perversidade nesse movimento. Maldade. Daí então, não quis mais entender como funcionava esse mecanismo de influências ou quem o usava e sim, como se defender disso...
Sempre tive fascínio pela retórica. Na faculdade estudei muito sobre Poder e Liderança; fontes de poder; tipos de lideranças; ouvi palavras e conceitos como "admiração" e "persuasão", mas tenho certeza de que não é bem disso o que se trata a arte da manipulação. Embora pareçam coisas intimamente ligadas, acredito que diferem nas intenções do orador por exemplo. Descobri também que na história grandes universidades sempre ensinaram seus alunos como dominarem bem técnicas assim.
Hoje penso em como o dom da palavra, numa mente doentia sem escrúpulos, pode ter resultados devastadores. Não é difícil associar o sucesso dessas operações ao pouco esclarecimento das "vítimas"; mentes menos iluminadas sempre foram dominadas por outras brilhantes. As pessoas mais carentes, as com menos informações, as mais emotivas, as desesperadas, desesperançosas, as inseguras, ou às vezes aquelas mais fanáticas - que ficam cegas - são os alvos perfeitos. Pessoas essas que compram o que não cabe no orçamento por exemplo, aquilo que não precisam, parcelado com juros abusivos, e encontram garantias certas de endividamento; certamente que nesse caso o vendedor foi "bom" com as palavras...
Percebi que existem pessoas "boas" com as palavras em todos os setores; médicos, advogados, pastores, padres, professores, líderes, políticos, todos podem manipular, porque via de regra somos humanos e nos comunicamos. E a linguagem é o canal por onde essas cordas navegam. Onde houver qualquer tipo de linguagem haverá sempre a possibilidade de manipulação e a única coisa que pode nos proteger contra isso é a iluminação da mente. Precisamos pensar por nós mesmos, com os pés firmes no chão, analisando uma situação de longe, com calma, e ter sempre um pouco de desconfiança.
Se nesse jogo de poder nós somos marionetes que não enxergam as cordas, tudo o que precisamos então é ter equilíbrio entre razão e emoção, ter informação e conhecimento, serenidade e paz, e sempre, deixar o manipulador pensar que está no controle!
Na adolescência admirava pessoas com esse poder e acreditava que talvez o mundo realmente funcionasse desta forma: algumas pessoas precisavam mesmo conduzir outras. Ouvi, e gostei: "o mundo é uma selva e é dos espertos!".
Comecei a estudar como funcionava esse tipo de poder, qual o perfil dos que o operavam e como o resultado era sempre certeiro, garantido, e as ações quase imperceptíveis vistas de fora. Era como uma sessão clandestina de hipnose, do qual os participantes passivos não tinham conhecimento (nem antes, nem depois); envolvia palavras bem colocadas, "com as vírgulas nos lugares certos" - então entendi como uma vírgula colocada noutro lugar da frase mudaria completamente a ideia do texto... Numa conversa, se aplicar isso numa linguagem corporal previamente estudada, numa fala mansa e objetiva, com um toque de insinuações subliminares, em tons de voz modelados, poderá ver perfeitamente como o raiar do dia o que eu comecei a compreender nessa época, do que se tratava esse tipo de poder. A arte da manipulação...
Depois disso prestei mais atenção e não gostei dos resultados. Não dessa maneira duvidosa. Vi sempre alguém saindo ferido, magoado, prejudicado, endividado, enquanto a outra parte saía ilesa. Vi perversidade nesse movimento. Maldade. Daí então, não quis mais entender como funcionava esse mecanismo de influências ou quem o usava e sim, como se defender disso...
Sempre tive fascínio pela retórica. Na faculdade estudei muito sobre Poder e Liderança; fontes de poder; tipos de lideranças; ouvi palavras e conceitos como "admiração" e "persuasão", mas tenho certeza de que não é bem disso o que se trata a arte da manipulação. Embora pareçam coisas intimamente ligadas, acredito que diferem nas intenções do orador por exemplo. Descobri também que na história grandes universidades sempre ensinaram seus alunos como dominarem bem técnicas assim.
Hoje penso em como o dom da palavra, numa mente doentia sem escrúpulos, pode ter resultados devastadores. Não é difícil associar o sucesso dessas operações ao pouco esclarecimento das "vítimas"; mentes menos iluminadas sempre foram dominadas por outras brilhantes. As pessoas mais carentes, as com menos informações, as mais emotivas, as desesperadas, desesperançosas, as inseguras, ou às vezes aquelas mais fanáticas - que ficam cegas - são os alvos perfeitos. Pessoas essas que compram o que não cabe no orçamento por exemplo, aquilo que não precisam, parcelado com juros abusivos, e encontram garantias certas de endividamento; certamente que nesse caso o vendedor foi "bom" com as palavras...
Percebi que existem pessoas "boas" com as palavras em todos os setores; médicos, advogados, pastores, padres, professores, líderes, políticos, todos podem manipular, porque via de regra somos humanos e nos comunicamos. E a linguagem é o canal por onde essas cordas navegam. Onde houver qualquer tipo de linguagem haverá sempre a possibilidade de manipulação e a única coisa que pode nos proteger contra isso é a iluminação da mente. Precisamos pensar por nós mesmos, com os pés firmes no chão, analisando uma situação de longe, com calma, e ter sempre um pouco de desconfiança.
Se nesse jogo de poder nós somos marionetes que não enxergam as cordas, tudo o que precisamos então é ter equilíbrio entre razão e emoção, ter informação e conhecimento, serenidade e paz, e sempre, deixar o manipulador pensar que está no controle!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Essa tal humildade
Outro dia ouvindo rádio
ouvi uma frase interessante: "a vida, diferente da escola, primeiro dá
a prova e depois a lição". Achei sábio isso. Mais verdade
impossível. Muitas vezes na minha vida me peguei me comportando
diferente do que de fato eu gostaria. E noto como é comum fazermos
isso. Como é comum esquecermos facilmente dessa tal humildade. Eu
não sei bem porque fazemos isso, mas acredito que tem muito a ver
com uma vontade de sermos aceitos, de sermos bem recebidos, porque
ninguém gosta de ser rejeitado. Só que entendo que a rejeição faz
parte. Aliás, é um direito nosso. Todo ser humano tem o direito de
gostar ou desgostar daquilo que bem entender. Inclusive uns dos
outros até. Cabe apenas o respeito. O difícil é na prática!
Porém, é justamente aí que precisamos ter maturidade suficiente
para erguer a nossa cabeça e continuar o nosso caminho, seguindo
aquilo que acreditamos, ao lado de pessoas que verdadeiramente nos
apoiam. Mesmo que desagrademos uns e outros. Mesmo tendo que transpôr
aqueles que desaprovam. O que a gente não
precisa é enganar ninguém. Usar de truques, de bajulações, de
encenações.
Como por exemplo.
Quantas vezes numa conversa que deveria ser banal não usamos, para
as palavras simples que seriam de fácil entendimento, os sinônimos
sofisticados? Dá à conversa um “ar bonito”, “melhor”. Em
outras ocasiões pensamos duas vezes antes de sair de casa com a
mesma roupa, por acharmos que não fica bem repeti-la. Ostentamos uma
expressão de poder sempre. Selecionamos de quem podemos ou não ser
amigos. Quem nunca fez isso? E por que fazemos isso? Ou melhor: para
quem fazemos isso? Eu juro que não consigo entender. Quando me pego
agindo dessa maneira tenho vergonha de mim mesmo. Porém é quase
inconsciente, a gente faz sem perceber. Talvez seja culpa do
capitalismo. Talvez seja culturalmente imposto e aprendemos então
desde muito pequenos que precisamos ostentar uma imagem de sucesso e
estarmos próximos de pessoas que nos transmitam essa ideia. O que é
sucesso, de verdade, é complicado de responder. Para algumas
pessoas estar dentro roupas de marcas famosas e caras, num carro do
ano e indo para grandes festas com amigos populares é estar na lista
dos bem sucedidos. Para outros sucesso é ter saúde, estar com a
família e apenas viver uma vida simples. Eu não estou aqui para
responder isso, nem sou alguém para julgar o que é certo ou errado,
e não quero parecer moralista demais, cada um vive a própria vida
como bem entender. Mas apenas acredito que sucesso, seja lá como
for, precisa vir espontaneamente. Consequência natural. E mais,
precisa ser de forma saudável. Saudável para a mente, para o corpo,
e para o bolso! Sucesso precisa casar-se com humildade. Todos
nós mesmo fazendo muito sucesso sempre seremos pequenos em algum aspecto. Por isso querer ser o que
não somos, falar sobre o que não dominamos, fazer o que não
gostamos apenas para impressionar pessoas que mal conhecemos, não sei se é algo muito bom. Hoje quando olho para
trás e lembro quanto dinheiro, tempo e energia eu já gastei para
impressionar pessoas, que hoje nem lembram que eu existo, não me faz
sentir mais tão bem. Então o conselho que dou é o mesmo que sempre
me dou: pensa lá na frente, olha de longe. Acho que o prejuízo
maior nem é o dinheiro, porque ele vai e vem. O maior prejuízo é o
tempo, pois esse somente vai.
Hoje quando começo qualquer relação me policio ao máximo para não transmitir nada além do que de
fato eu sou, do que de fato eu tenho, do que de fato eu penso, do que
de fato eu quero. As relações que se sucedem a partir disso –
embora sejam em menor número – são honestas, mais interessantes pra mim, mais a ver comigo, e essas sim
me ensinam muito. Aquelas que não vingam, eu não forço, já trato de me
conscientizar que não eram pra mim, vieram no meu caminho mas não
exatamente pra ficar nele, vieram apenas com o propósito de me
lembrar de ser humilde. É um exercício constante...
"Abriga-te na
humildade,
Não busque mundana
estima.
O ouro afunda no
mar,
A palha fica por
cima."
(Chico Xavier)
segunda-feira, 1 de abril de 2013
5 ANOS DE BLOG
Este
mês de abril, o blog faz cinco anos. Eu não imaginava, quando o
comecei, que fosse chegar tão longe. Não imaginava mesmo. Com esta,
são cento e sessenta e cinco postagens. Algumas são somente de
vídeos do Youtube; as outras, que são a grande maioria, são de
textos assinados por mim – salvo citações de outros autores
que coloco para enriquecer e enfatizar a proposta dos posts.
Nunca
me censurei por escrever errado aqui no blog. Como assumo sem
vergonha nenhuma que ainda escrevo. Aprendo muitas coisas, inclusive
sobre a gramática da língua portuguesa, escrevendo e errando aqui.
Acho importante nos atentarmos às normas do padrão culto da língua portuguesa, mas não
menos importante é nos expressarmos, é importante conhecermos e respeitarmos a língua
formal, mas a finalidade suprema de toda e qualquer língua é a informação, a aproximação, o comunicar-se, o fazer-se
entender. Nesse pensamento, não invalido a importância da língua padrão, mas me atento a não exagerar mais na preocupação da forma, que da ideia, da transmissão.
Parece
que esses anos todos de blog passaram rápido. Mas sei que não foi
bem assim. Ao ler algumas postagens antigas, marcantes, lembro-me de
alguns momentos difíceis que perduraram quase uma eternidade, pelo
menos a sensação foi essa, e como foi sofrido atravessá-los.
Certamente que escrever aqui amenizou muita coisa.
Quando
criei este espaço, eu imaginava o mundo de um jeito bem diferente.
Eu tinha uma outra cabeça, com outras ideias, outros valores e
outros conceitos. Soma-se isso a uma personalidade rebelde, e
bastante impulsiva, e poderá entender a razão de determinados
posts. Hoje me sinto feliz por ter continuado com este projeto. Para
mim esse blog foi um projeto; e começar qualquer projeto é mais
fácil do que dar continuidade nele, porque é somente na
continuidade que nos deparamos com os percalços do caminho. Mas
também, é somente na continuidade que se faz valer a pena qualquer
coisa na vida. Tudo na vida ganhará outro sentido, um maior valor,
ao persistirmos. Ao enfrentarmos. Ao resistirmos. E eu tive que
persistir muito para escrever aqui no blog... Vencer a vergonha de
falar de problemas próprios e o medo de às vezes correr o risco de
ficar exposto demais às críticas dos outros. Assumir o que pensamos
e bancar isso não é fácil. É mais bonito, e confortável,
ficarmos quietos. Causa menos atritos. Só que eu já aprendi que
pagamos um preço muito alto com isso, parceladamente. Então prefiro
ser honesto comigo, e pagar minhas dívidas à vista. Assim não tem
juros!
Nesses
cinco anos escrevendo aqui no blog aprendi muitas coisas. Desenvolvi
disciplina e organização para tornar esse espaço entendível. Meu
vocabulário enriqueceu bastante, conheci palavras novas e aprendi
escrever muitas outras corretamente; tenho certeza que isso me ajudou
a tirar uma boa nota na redação do ENEM e obter uma bolsa integral
do PROUNI – foi isso que pagou meus estudos –. Aprendi mais sobre
mim mesmo; escrever é uma forma legítima de autoconhecimento,
porque é uma espécie de materialização do que se passa dentro de
nós mesmos, e ao fazer isso trabalhamos melhor com várias questões.
Registrar os momentos ao longo desses anos todos me deu a constatação
da efemeridade da vida, hoje encaro as fases difíceis com maior
paciência, pois sei que, como tudo, elas são transitórias. Perdi
alguns medos tolos e ganhei mais coragem para assumir o que penso.
Me permiti ver e viver a minha vida com outros olhares. Diferentes. Acredito
que é extremamente rico para qualquer pessoa se abrir para novas
perspectivas de vida, através de novas leituras de mundo. Outro
grande ganho com este espaço virtual foi a oportunidade de pesquisar
sobre assuntos que fogem da minha realidade financeira, social ou
política e publicar aqui através de documentários, filmes, vídeos,
textos ou imagens de diversos autores. Acho que se eu não tivesse o
blog talvez nunca me sentisse motivado ou interessado por assuntos
tão distintos, que hoje acho tão interessantes.
Mas o maior ganho
de todos, que digo de se ter este espaço, é poder afirmar
categoricamente que todo ser humano é capaz de oferecer algo de bom
quando ele quer. Por muito tempo me julguei incapaz de muitas coisas.
Dar continuidade no blog foi uma delas. Que bom que eu estava
enganado...
Hoje quando sei de alguém que acompanha o blog que, em
algum momento da sua vida, seja lá de que forma, por um instante que
seja, o que eu escrevi marcou essa pessoa, isso me revigora.
terça-feira, 12 de março de 2013
Seja mais tolerante
Uma
brasa, longe do fogo, é simplesmente um pedaço frio de carvão.
Eu
me surpreendo sempre que me deparo com alguém tomando uma atitude
extrema, sem avaliar a consequência disso a si mesmo e àqueles que o
cerca. Sem se dar conta da importância de parar, pensar um pouco e tolerar. Observo que, na grande maioria das vezes, falta de tolerância tem resultado inesperado e consequências desagradáveis. Às
vezes, parando um minuto para pensar já não agimos do mesmo jeito.
O resolver as coisas de cabeça quente, crente que somos os únicos com a razão, termina não resolvendo nada. Pois
é numa bobeada que nós determinamos coisas que podem
mudar nossas vidas de maneira séria e importante. E a vida toma
outro rumo mesmo. O resultado é pra valer! Ninguém faz o que quer na vida. Pelo menos não uma
pessoa saudável, sociável, respeitadora. Vivemos em conjunto, onde
os limites se fazem necessários. Limites esses estabelecidos para
nos ordenar, nos organizar, nos potencializar, nunca com o intuito de
nos oprimir, nos barrar ou nos separar, porque ninguém pode ser uma ilha isolada do todo,
nós precisamos, obrigatoriamente, nos relacionarmos. O ser humano
não consegue viver uma vida toda solitariamente, isso é impossível. Nos dias atuais, o
que me parece muito fácil de acontecer nas redes sociais, sempre foi
impossível de se concretizar na vida real: a desconexão. Não há
desconexão na vida real.
Há
alguns dias notei que um amigo desativou sua conta do facebook,
eu não o encontrava online em lugar nenhum mais. Até
recentemente... Aí, conversando com ele – numa das raras vezes em
que deu às caras -, ele comentou estar cansado das suas relações e
por conta disso excluiu sua conta e decidiu afastar-se dos
amigos, dos familiares e dos colegas de trabalho. Passou a anular e ignorar
todo mundo. Essa história até parece brincadeira, mas me chamou a
atenção o fato de ele decidir isso por se decepcionar com as
pessoas que se relaciona e acreditar que simplesmente anulando todo
mundo, as decepções se encerram. Tal atitude é tola. Falei isso para ele. Aquele que
acredita ser superior, que não precisa de ninguém, que faz o que
quer, como quer e vai onde quer, não tem valor nenhum para a vida.
Isso me lembra aquelas pessoas moralistas demais, religiosas demais,
que precisam crucificar qualquer coisa que vá contra seus
princípios, ou aquelas pessoas donas da razão, que não abrem espaço para um argumento.
A
vida é um jogo de forças conflitantes e contraditórias, e estamos
nesse jogo quer queremos, gostemos, optemos, ou não. Nós somos esse
jogo. As relações humanas são difíceis; relação entre pai e
filho, relação entre chefe e funcionário, relação entre irmãos,
relação entre vizinhos, todas as relações entre os seres humanos
são conflitantes, passam por ajustes constantes, são verdadeiros desafios, porque via de regra
somos diferentes. E somos humanos! Isso exige paciência com o outro,
tolerância com as diferenças, respeito com os direitos e limitações;
compreensão com as opiniões e as ideologias opostas as nossas.
Eu
entendo em partes esse meu amigo, eu evito até
hoje algumas pessoas difíceis. Acredito que todos nós temos algumas pessoas que queremos bem longe da nossa rota. Até acho saudável um
afastamento de tudo aquilo que nos adoece, que nos causa mal. E algumas
pessoas nos fazem mal realmente. Alguns hábitos, alguns lugares,
algumas circunstâncias não nos trazem nada de bom e, em
casos assim, acho o distanciamento necessário mesmo. Agora, achar que eu
estou sempre certo e o restante do mundo está errado, que eu quem
manda e os demais são obrigados a acatar tudo é estar sendo
ditador, arrogante, preconceituoso e julgador. Quem pensa e age dessa forma
não vive a vida, porque está morto por dentro. Se fazemos parte de tudo e não
há a capacidade de desconexão, isso significa que vida é sinônimo
de coletivo, de união, de equipe, de conexão e o que desconecta
disso está morto.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
AUTOCONHECIMENTO
Você
é capaz de se responder qual é a sua melhor qualidade? Ou talvez
qual é o seu pior defeito? Quais são as suas aptidões e
habilidades natas, ou aquilo que você acredita que pode melhorar? E
os momentos de crise, aqueles dilemas complicados, os períodos de
reflexão, tem enfrentado?
Se as respostas a essas perguntas for não,
então é melhor pensar mais a respeito de um autoconhecimento. Ainda
mais se você já passou de uma certa idade, pois isso significaria
que teve bastante tempo para ser capaz de se avaliar. Acredito, é
claro, que nós sempre mudamos, e que isso torna difícil nos
analisarmos, porém, quando não somos capazes de dizer quem somos
hoje ou pelo menos o que queremos agora, nós ficamos a mercê do que
a vida tem a nos oferecer. E a vida pode oferecer qualquer coisa...
Ao
violinista desafinado por exemplo, a vida pode oferecer um talento
para o piano. Ou talvez à bailarina, uma bela voz e um desajeitado
equilíbrio. São coisas assim que acontecem o tempo todo. E em ambos
os casos há talentos desconhecidos e por isso não explorados. E frustrações. Eu ainda não ficaria nenhum pouco surpreso
se me dissessem que um analfabeto poderia ser um grande escritor um
dia, pois logo eu imaginaria que isso significaria ele nunca ter tido
a felicidade de pegar num lápis e num papel, e conseguir traduzir em
linguagem compreensível a sua arte. Porque se assim fosse, quem
sabe! Como também acredito que a vida pode ser bastante dura àqueles
que não vão atrás do que os move. Ou seja, aquelas pessoas que não
se conheceram bem, ou que às vezes até se conheceram mas por alguma
razão se recalcaram, e com isso perderam o brilho da existência.
Vivendo assim uma vida opaca, pouco nítida, quase um rascunho
apagado daquilo que deveria ter sido a original. E isso assombra,
não!?
Por
essas e outras razões acredito que existem pessoas que no fim da
vida se encontrem frustadas ou chateadas com suas próprias vidas. Às
vezes consigo mesmas. E não raro acho engraçado quando ouço dizer
que alguém “abandonou tudo e foi viver de verdade a própria
vida”. Se assim fosse, de quem seria a vida que esse alguém
arrastou por tantos anos hein?! Seria dos pais? Dos amigos? Talvez da
sociedade?
Imagine-se
vivendo por tanto tempo uma vida que não é a sua, uma vida que os outros idealizaram pra você, ou que talvez você achou que seria
boa, legal, lucrativa... se você não tivesse que ter pagar um preço
tão alto, né...
Agora
falando sério. Acredito que a sociedade tem passado por mudanças
realmente significativas e isso afeta também significativamente a
forma como nos relacionamos, compramos, trabalhamos, como convivemos
em sociedade. Tenho a impressão de que as sociedades no geral,
historicamente, sempre buscaram os mesmos objetivos: construir e
acumular. E isso significou modificar e desenvolver velozmente as
estruturas externas. O nosso entorno. As sociedades. O nosso próprio
físico, nós acumulamos peso. Desenvolvemos a tecnologia. As custas
de um agressivo desgaste ambiental também. No entanto, esse olhar
excessivamente para fora "da caverna", ao ambiente externo, juntamente a um acúmulo de energia quase unicamente num único alvo, fez-nos
esquecer da parte interna. O nosso interior. Desenvolvido
desproporcionalmente. Nesse sentido, acredito que quem mais se prejudicou é justamente quem revolucionou o externo. O homem.
Arrisco dizer que esse comportamento – “tipicamente masculino”
– é o que possibilita que as mulheres hoje tomem naturalmente a frente na
sociedade.
Historicamente,
enquanto os homens saíam de suas cavernas para caçar e mais tarde de
suas casas para trabalhar, as mulheres ficavam no lar costurando seus
sentimentos, cozinhando seus pensamentos, arrumando seus demônios
e suas crises. Isso fez com que o autodesenvolvimento feminino,
historicamente, tivesse muito mais condições (des)favoráveis de
crescimento. Ainda por essa razão, não é raro acompanharmos notícias
de que as mulheres estão mais bem preparadas do que os homens para
lidar com os desafios contemporâneos. Dilemas atuais que exigem um
olhar mais amplo, uma inteligência intuitiva e uma capacidade mais
humana e empática nos relacionamentos – características
“tipicamente femininas”, uma vez que o homem sempre pendeu
para um olhar mais objetivo, uma inteligência instintiva e uma maior frieza
nas relações.
O
objetivo deste post não é dizer que os homens devem se tornar as
“novas mulheres”. De maneira nenhuma! Há benefícios em ambos os
gêneros. O fato é que o mundo contemporâneo está passando por
radicais transformações e todas as estruturas de poder, de
sociedade, de padrões de comportamentos etc, sentem os abalos. Não
existem características masculinas e femininas de fato, essas
classificações são reducionistas e estereotipadas. E, nesse
contexto, o que inadvertidamente se encaixa é o olhar centralizado
para o todo, é a mente fechada para o novo, é o raciocínio linear,
sucessivo. E, nesse contexto, as mulheres estão mais bem garimpadas
do que os homens. Eu só espero que elas não se tornem, também, “os
novos homens”, pois já está havendo por aí uma leva de homens
demasiadamente amedrontados e mulheres demasiadamente tiranas!
Vale
lembrar que, isso, não é uma competição. E que, separados, nós
nunca sobrevivemos.
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