quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O que vê você?


Já passei bastante tempo da minha vida brigando com aqueles que não conseguiam enxergar aquilo que eu via. Com aqueles que tinham ideias diferentes das minhas sobre as mesmas coisas. Eu não conseguia entender que o mundo aos olhos do outro é de fato um outro mundo. É um outro universo. É estranho pra mim admitir que as pessoas olham para o mesmo objeto e captam características diferentes dele. Se fixam em coisas diferentes, e muitas vezes intuem e concluem o contrário uma da outra. Acho que hoje, aos vinte e cinco anos de idade, muita coisa mudou. Ainda tenho dificuldade quando me deparo com alguém que tem uma personalidade oposta à minha. Mas já melhorei muito também. Acredito que a diferença é o que propicia a evolução das relações. No fundo confesso que precisamos agradecer por isso. Pelo mundo ser composto de pessoas com ideias diferentes, personalidades distintas. Primeiro porque se todos fôssemos iguais seria tudo muito previsível e sem graça. Segundo porque não haveria evolução nem crescimento.

Hoje quando me deparo com alguém muito diferente de mim – no sentido de ver a vida, de ter ideias opostas as minhas –, tento ver o que essa pessoa vê. Tento me colocar no mundo dela. No seu contexto de vida, e, principalmente, no seu momento atual de vida. Aí acontece algo bacana. Mesmo sem entender passo a respeitá-la. Legitimo a sua visão. É um exercício muito bom para regular e manter as relações pessoais. Embora assumo que exige bastante maleabilidade. Doses e doses de humildade e condescendência. Pois no fundo o que todos queremos é estarmos sempre certos. Descer desse pódio custa caro. Ceder às vezes dá uma raiva... E assumir uma derrota tem um sabor amargo. Porém continuo convicto que é melhor perder com dignidade e ganhar uma boa lição, que sair por cima pisando em todos. Fazendo inimigos a troco de nada. O ditado é velho mas é sábio: dessa vida nada levamos. Será que vale a pena batermos de frente sempre? Eu tenho certeza de que não. Quase sempre dá pra relevar. E na maioria das vezes buscar aprender com a outra parte. Dar o braço a torcer é difícil só no começo, e no fim acaba sempre valendo mais a pena.

Faço esse post pra levantar a questão da intolerância com as diferenças. Sejam elas quais forem! Vejo o quanto é difícil a gente entender que o outro vê o mundo diferente de nós. O nosso mundo não é compartilhado na íntegra. Não psicologicamente. Quanticamente. Ou emocionalmente falando. O outro ouve, pressente, intui, enxerga e avalia diferente. E ele tem o direito de ser assim. De se exercer assim.
Acredito que às vezes nutrimos certos preconceitos porque olhamos para fora julgando ações com a nossa cabeça. Nada mais óbvio, sei. Mas assim não dá! Não é justo. Se o julgamento deve ser justo, então é necessário pôr-se na pele do outro. Tentar saber a fundo a história dessa pessoa. Procurar trilhar o mesmo caminho que a trouxe até o ponto em questão. Existe um ditado que diz mais ou menos assim: antes de julgar alguém vista os seus sapatos e faça o seu caminho. Como é impossível essa façanha, porque cada experiência é pessoal e intransferível, acredito que todo e qualquer julgamento irrefletido já de início está errado. É desumano. É leviano. Presunçoso. 


Hoje em dia, na era que estamos vivendo conhecida como sociedade do conhecimento, as pessoas estão mais conscientes dos seus direitos. Mais informadas das suas possibilidades. O que as torna livres para escolher, ser, viver e se exercer como querem. Isso é muito rico para nós como sociedade, que enseja ser democrática, que deseja aprender, crescer, evoluir. Mas também é uma passagem dificílima, porque gera conflito de interesses políticos, religiosos, morais, éticos... Vejo muitas possibilidades na diversidade, porém muitas dificuldades acompanhadas também. E tenho certeza de que qualquer ganho virá sempre de muita luta. Mas uma coisa pra mim é fato: não se pode barrar a vida, isso é impossível! E pra mim a vida de nada tem de uniforme, de constante e de certa.

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