segunda-feira, 9 de setembro de 2013

oãçejorP


De manhã, uma mulher olhou pela janela e viu a nova vizinha estendendo a roupa no varal. Ela falou para o seu marido “A vizinha nova não sabe lavar roupa. Viu como a roupa que ela acabou de lavar está suja? Aposto que ela não usa nem sabão em pó!”. E dia após dia ela fazia os mesmos comentários para o marido “Não acredito que ela deixa os filhos usarem essas roupas sujas”. Muitas semanas depois, ela olhou pela janela e ficou surpresa ao ver as roupas da sua nova vizinha limpas e brilhantes, então ela chamou o marido e disse “Querido, olhe! A vizinha finalmente aprendeu a lavar a roupa”. O marido sorriu e disse “Querida, fui eu que acordei cedo hoje e limpei a nossa janela”. ” (estória popular)


Um dos mecanismos estudados na Psicologia que me chama muito a atenção é a Projeção. Escolhi essa imagem, de um homem olhando-se no espelho e vendo suas costas, porque retrata bem esse mecanismo de defesa: um homem que vê as próprias costas no espelho porém sem ter consciência disso!
A primeira vez que ouvi sobre esse assunto foi na faculdade. A partir daí passei a prestar mais atenção no comportamento das pessoas que eu criticava, na tentativa de aprender um pouco mais sobre mim mesmo. Percebi que é possível sim, projetarmos nossas falhas, aquilo que nos incomoda, no outro e depois atacá-lo. É um movimento inconsciente mesmo, mas nem por isso menos perverso. Ou nefasto. Podemos dizer também, com uma boa dose de hipocrisia.

Tudo o que nos desperta sentimentos muito intensos, como raiva, ódio, repúdio é parte de nós. Estamos simplesmente fazendo uma transferência, e achando assim – inconscientemente – que estamos atingindo o problema, resolvendo-o. E não estamos. Estamos apenas nos enganando.
Vira e mexe me pego julgando alguém. Criticando erros. Tentando me legitimar em cima das falhas de alguém. E isso é cruel. Tentar se sobressair as custas dos demais. E como a gente faz isso... E a gente sempre julga ter razão. Fora está errado. O outro é sempre o problema, carrega a culpa, cometeu o erro... enquanto nós só a razão. O engraçado é que, ou somos os perfeitos ou as vítimas, não existe parcerias ou co-autoria.

Acredito sinceramente no mal. Eu sou do bem e do mal. Eu carrego Deus e o diabo dentro de mim. E por essa razão eu escolho a quem dar ouvidos. Agora, achar que o diabo é um ser de chifres, que cospe fogo e vive no inferno – e que é para lá que eu vou se eu for culpado – é ilusão demais. O diabo é o meu ódio em excesso, a minha inveja, a crítica rasteira, a minhas próprias ações mal intencionadas. A minha intenção! Nessa análise o diabo somos nós mesmos. Só que é mais fácil conviver com a nossa consciência, quando jogamos a culpa em algo exterior. E as sociedades, desde de que existem, só focaram no externo. Movemos grandes quantidades de energia e conhecimento alterando apenas o exterior, olhando sempre para fora, modificando o nosso entorno, enquanto a nossa parte interna pagava o preço. Nos tornamos fracos emocionalmente, cheios de medos, cheios de culpas – que precisamos achar um bode expiatório para conviver com nossos demônios. Alguém para pagar a conta. O engraçado é que não existe meia culpa, alguém tem sempre que pagar o pato sozinho.

Nós criamos nossos próprios demônios porque idealizamos a vida. Perdemos muito tempo criando um mundo perfeito que justifique a dor que é viver o presente, que esquecemos de olhar para a vida como imperfeição. Processo. Movimento constante. Para nós tudo tem que ser bonito, puro, se encaixar e ter respostas. Não há espaço para o erro e então o nosso errado é condenável. Eu acho que a gente precisa começar a assumir as nossas falhas e nos aceitarmos como seres que estão em constante processo. Partes de um todo incompleto, que não tem como finalidade uma conclusão assertiva. Essa divisão que fazemos entre bem e mal, certo e errado, verdade e mentira é o que acaba com a nossa vida e mina as relações. Vamos passar a prestar mais atenção ao que se passa em nosso interior e veremos que muitas vezes tudo aquilo que julgamos estar no outro, na verdade estava em nós mesmos o tempo todo. Quem sabe aí a gente passe a conviver melhor com as diferenças, porque talvez percebamos que no fundo no fundo, nem somos tão diferentes assim!

domingo, 18 de agosto de 2013

Cisões


*Escolhi essa imagem, porque pra mim não há cisão mais natural e certa do que a aurora e o crepúsculo, que findam dia e noite, e isso não atrapalha em nada a simetria do que acontece nos intervalos.


Feche algumas portas. Não por orgulho ou arrogância, mas porque já não levam a lugar nenhum.” (Paulo Coelho)


Hoje resolvi dar uma limpa no meu guarda-roupa. Ou daqui a pouco não caberia mais nada lá dentro. Minha mãe passava no corredor, só assistindo. Quando se deu conta do que eu estava fazendo, perguntou segurando uma camisa nas mãos: “Vai dar embora? Você fica tão bem nela.” Eu sem dar muita atenção, soltei: “Mas não uso!”. E continuei a empreitada com ela revirando as peças que eu ia jogando sobre a cama. Fiquei pensando sobre esse diálogo... Fui obrigado a concordar que de fato a camisa era muito bonita. E nova! Quase nunca tinha sido usada. Pensava: "se é tão bonita ou especial assim pra mim, por que está aqui praticamente jogada?" A resposta veio prontamente. "Porque pra mim já não serve mais." Só por isso. As peças que eu tirei do guarda-roupa de fato não mudaram tanto – continuam quase em perfeito estado de quando as comprei –. Mas eu mudei! Pelo menos por dentro...

Olhei mentalmente para trás pensando sobre o passado e vi outras coisas que também deixei. E por “n” motivos. Foram costumes, lugares, manias, erros, pessoas, relacionamentos que já não me serviam mais. Profissionais, pessoais, familiares até. Cisões necessárias para que eu continuasse meu caminho melhor, mais leve, sem também pesar sobre outros. Posso imaginar que você que está lendo essas linhas está pensando que sou insensível pra considerar pessoas descartáveis como roupas. Tenho certeza de que os mais apressados nos julgamentos pensariam assim. Mas não! Não acho pessoas descartáveis. De maneira nenhuma. Aliás, nada é. Acho super interessante a ideia de reciclar e reaproveitar as coisas. Doar se necessário. Eu doarei as minhas roupas. Mas acredito muito mais no fluir da vida que naturalmente cisa. Não digo que as relações tenham prazo de validade, pois tenho amigos de muitos anos que ficamos tempos sem nos falarmos, mas quando nos vemos nem notamos diferença. Mas o inverso também acontece. Há pessoas bem próximas que vejo praticamente sempre e no entanto estamos milhas distantes. Ambos notamos isso. Não há troca nenhuma de contato relevante. Essas pessoas pra mim são como as roupas retiradas do guarda-roupa; via todo santo dia nele, mas nunca tirava uma do cabine. Vale a pena assim? Será que mantenho contato com essas pessoas porque gosto delas de verdade, as quero perto de mim pessoalmente falando, ou só porque me acostumei com a presença delas – que neste momento só ocupam espaço? Às vezes continuamos com certos laços apenas por comodismo, medo ou uma vontade de controle. Como às vezes continuamos sem saber bem porquê.

Se não desse essa limpa no meu guarda-roupa no mínimo chegaria um momento que não caberia mais nada e o saldo seria um monte de coisas que não uso ocupando espaço daquilo que eu poderia usar. A nossa vida se parece a um guarda-roupa. O espaço também é limitado. Primeiro porque ela em si é limitada; não somos eternos, vamos morrer um dia. Está aí a primeira cisão de que temos conhecimento. Segundo porque os anos são fracionados em meses, semanas e dias, que por sua vez em horas, minutos e segundos; como as leis, os valores, essas divisões são cisões também. Terceiro porque somos animais racionais que cisam o desejo impulsivo e desmedido para a nossa própria sobrevivência. A vida é composta por esses cortes. Vamos caminhando nos fazendo eles, podando a nós mesmos. Mas são cisões necessárias para o bom fluir. É isso o que garante a qualidade das relações. É isso o que nos ordena, nos organiza, nos potencializa. Por mais cruel que pareça. Não é insensibilidade, não sou um robô. Sou honesto. Honesto de não querer vestir aquilo que não gosto, que não cabe em mim ou no meu bolso. Honesto de não ficar forçando a barra numa relação que não dá certo e gastar a vida com momentos que no fundo não valerão a pena. Não me refiro a intolerância com personalidades distintas. Falo num nível mais profundo, mais íntimo. Falo de liberdade, de honestidade, de transparência. De podas necessárias como as que fazemos nas plantas. Para um crescimento sadio. Falo de manter laços que concordam de fato com nossos desejos e capacidade, porque muitas vezes nós nos acorrentamos a determinadas coisas por ganhos mínimos. E a vida vai embora!

Acredito sinceramente que não precisamos fazer nada, apenas deixar que a vida se encarregue de fazer o trabalho dela. Essa poda. Só precisamos emitir pensamentos de acordo com os nossos desejos, para assim atrair o que será necessário. E para isso precisamos nos conhecer direito e emitir as vibrações certas. Autoconhecimento e magnetismo. A vida faz o resto! Ela traz o que é necessário e afasta aquilo que está numa vibração diferente. Para o bem estar de todos. Repare ao seu redor que, quando você permite que o fluxo aconteça livremente, aparecem as pessoas certas, você não se encontra mais com algumas outras. Certas circunstâncias nos obrigam a rescindir com determinadas coisas para o nosso bem então, só que muitas vezes nós fazemos o inverso, segurando o fluxo. Aí sofremos. Sofremos por não aceitação do fato. O sofrimento não vem do corte em si, vem de não aceitarmos a contradição. Somos muitas vezes mesquinhos, imaturos e materialistas. E agimos com possessividade (nos) agarrando as coisas, seja a um relacionamento desgastado, seja uma peça de roupa sem uso, porque são essas coisas que nos dão a ideia de alguma “segurança”. Só que é falso.

Para finalizar, hoje à tarde, acessei uma rede social e coincidentemente percebi que um amigo publicou que curtiu o livro do Paulo Coelho, Onze Minutos. Também gostei. Ele tem uma passagem perfeita para esse post que diz: “Não se pode dizer para a primavera: 'tomara que chegue logo e dure bastante'. Pode-se apenas dizer: 'venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder'.”

Nós não temos domínio sobre a Vida, mas nós nos controlamos em algum nível. Tudo o que precisamos então é sermos honestos e tentarmos dançar no mesmo compasso.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O que vê você?


Já passei bastante tempo da minha vida brigando com aqueles que não conseguiam enxergar aquilo que eu via. Com aqueles que tinham ideias diferentes das minhas sobre as mesmas coisas. Eu não conseguia entender que o mundo aos olhos do outro é de fato um outro mundo. É um outro universo. É estranho pra mim admitir que as pessoas olham para o mesmo objeto e captam características diferentes dele. Se fixam em coisas diferentes, e muitas vezes intuem e concluem o contrário uma da outra. Acho que hoje, aos vinte e cinco anos de idade, muita coisa mudou. Ainda tenho dificuldade quando me deparo com alguém que tem uma personalidade oposta à minha. Mas já melhorei muito também. Acredito que a diferença é o que propicia a evolução das relações. No fundo confesso que precisamos agradecer por isso. Pelo mundo ser composto de pessoas com ideias diferentes, personalidades distintas. Primeiro porque se todos fôssemos iguais seria tudo muito previsível e sem graça. Segundo porque não haveria evolução nem crescimento.

Hoje quando me deparo com alguém muito diferente de mim – no sentido de ver a vida, de ter ideias opostas as minhas –, tento ver o que essa pessoa vê. Tento me colocar no mundo dela. No seu contexto de vida, e, principalmente, no seu momento atual de vida. Aí acontece algo bacana. Mesmo sem entender passo a respeitá-la. Legitimo a sua visão. É um exercício muito bom para regular e manter as relações pessoais. Embora assumo que exige bastante maleabilidade. Doses e doses de humildade e condescendência. Pois no fundo o que todos queremos é estarmos sempre certos. Descer desse pódio custa caro. Ceder às vezes dá uma raiva... E assumir uma derrota tem um sabor amargo. Porém continuo convicto que é melhor perder com dignidade e ganhar uma boa lição, que sair por cima pisando em todos. Fazendo inimigos a troco de nada. O ditado é velho mas é sábio: dessa vida nada levamos. Será que vale a pena batermos de frente sempre? Eu tenho certeza de que não. Quase sempre dá pra relevar. E na maioria das vezes buscar aprender com a outra parte. Dar o braço a torcer é difícil só no começo, e no fim acaba sempre valendo mais a pena.

Faço esse post pra levantar a questão da intolerância com as diferenças. Sejam elas quais forem! Vejo o quanto é difícil a gente entender que o outro vê o mundo diferente de nós. O nosso mundo não é compartilhado na íntegra. Não psicologicamente. Quanticamente. Ou emocionalmente falando. O outro ouve, pressente, intui, enxerga e avalia diferente. E ele tem o direito de ser assim. De se exercer assim.
Acredito que às vezes nutrimos certos preconceitos porque olhamos para fora julgando ações com a nossa cabeça. Nada mais óbvio, sei. Mas assim não dá! Não é justo. Se o julgamento deve ser justo, então é necessário pôr-se na pele do outro. Tentar saber a fundo a história dessa pessoa. Procurar trilhar o mesmo caminho que a trouxe até o ponto em questão. Existe um ditado que diz mais ou menos assim: antes de julgar alguém vista os seus sapatos e faça o seu caminho. Como é impossível essa façanha, porque cada experiência é pessoal e intransferível, acredito que todo e qualquer julgamento irrefletido já de início está errado. É desumano. É leviano. Presunçoso. 


Hoje em dia, na era que estamos vivendo conhecida como sociedade do conhecimento, as pessoas estão mais conscientes dos seus direitos. Mais informadas das suas possibilidades. O que as torna livres para escolher, ser, viver e se exercer como querem. Isso é muito rico para nós como sociedade, que enseja ser democrática, que deseja aprender, crescer, evoluir. Mas também é uma passagem dificílima, porque gera conflito de interesses políticos, religiosos, morais, éticos... Vejo muitas possibilidades na diversidade, porém muitas dificuldades acompanhadas também. E tenho certeza de que qualquer ganho virá sempre de muita luta. Mas uma coisa pra mim é fato: não se pode barrar a vida, isso é impossível! E pra mim a vida de nada tem de uniforme, de constante e de certa.

domingo, 4 de agosto de 2013

Cabisbaixo, e sem choro...



Um olhar sem brilho,
um rugido sem som.
Um andar desatino,
um caminho sem tom...


Chateado. Magoado. Ferido. Contrariado. Irritado... São essas algumas palavras que utilizo para iniciar esse post, pois é exatamente assim como me sinto agora. Então só preciso escrever. Ou eu escrevo, ou eu não me aguento...

Hoje mais do que nunca, após chatos acontecimentos, olho para trás, para o que vivi, e percebo que já passei por muitos momentos difíceis. Momentos que me ensinaram a ter mais coragem. Algumas vezes domando meu ego. Noutras lapidando meu orgulho. Mas certamente momentos que me deixaram mais forte. Resistente. Mais confiante! Mas, uma coisa eu também tenho que confessar. Após cada superação, a pancada seguinte foi sempre mais forte! Mais certeira e mais dolorida também. E como dói... Uma separação inesperada. Uma amizade desfeita. Um contrato rescindido. Um vidro quebrado... Rupturas, términos, mudanças que mexem muito com a gente...

Estou num momento da vida que tem exigido muito de mim e estou tentando ser forte. Novamente fui pego pelo turbilhão. Daqui de dentro, sinto-me no olho do furacão. O engraçado é que olhando ao meu redor, por mais que eu reconheça que já passei por fases igualmente difíceis e houve saída, dá um gelo na barriga que ninguém faz ideia. A respiração ofegante pode até ser ouvida. Os pensamentos vão a mil! O coração tem hora que mais parece uma escola de sampa na avenida, e ao sentir o vento gelado soprar no rosto quente – de sangue fervendo –, arrepia a espinha. A coisa toda é tão louca, é como se o tempo parasse neste minuto e, paradoxalmente, tudo continuasse girando, girando, alterando-se... Modificando tudo. Transformando todos! Sem o meu consentimento...
Sei que não adianta retrucar, uma coisa eu já aprendi bem nessa vida. Que ela muda! Que ela nos muda! Que nada permanece do mesmo jeito para sempre, intacto, invicto. Porque a Vida é movimento. Necessariamente continuidade e descontrole. E ninguém tem garantia. Não dá para barrar isso. Pressinto também que tudo não passam de ciclos, que obrigatoriamente terminam e involuntariamente outros são iniciados. Pelo menos a nossa percepção capta assim dessa forma. Limitada. Aos pedacinhos. E é justamente aí, nesses “términos-inícios” de ciclos que dói mais a nossa vida. São as transições. Aí que a coisa toda verdadeiramente importa.

Quando eu era pequeno, lembro de algumas vezes meu pai esbravejar depois de brigar comigo: “sem choro hein!”. Hoje ao lembrar acho até graça disso. Lembro dele esbravejando e eu ir firmando bem os pés no chão, soluçando. Sem rumo. Bicudo e orgulhoso com sempre. Cabisbaixo... Mas eu ia! Eu sempre segui adiante. A vida é mais ou menos assim dessa forma. A única diferença é que não temos a opção de não seguir adiante. Se estamos tristes ou felizes, saudáveis ou doentes, com coragem ou inseguros, a vida vai nos empurrar para frente quer a gente queira ou não. É movimento, lembra? Não adianta ficarmos bicudos, fazer manha, birra, charminho, tentar ignorar a história. Precisamos arregaçar as mangas, catar os restos do que sobra no chão, “jogar a malinha nas costas” como diz minha vó e reconstruir o caminho. Reconstruindo-se nele. É um processo meio “Fênix” mesmo, sempre comparei ele a essa ave que renasce das suas cinzas. É uma boa analogia.

Então, se quer um conselho, caso esteja passando por um momento igualmente difícil quanto o meu: não desista dos seus objetivos. A melhor escolha a ser tomada é o movimento e não importa a direção que ele te leve. Tenha sim respeito pelas suas dores, pelo seu corpo, pelas suas decepções; pelas lágrimas indesejáveis e as perdas que sofremos na vida; alguns problemas parecem mesmo intransponíveis, e somos frágeis e pequenos. Mas a nossa grandeza também provém dessa fraqueza e isso é o que nos motivar a continuar. Busque enxergar coisas positivas e converter toda raiva, mágoa e dor em algo produtivo, que te motive a caminhar. Como se fosse um combustível. Tijolinhos para um castelo. Pedras para a sua estrada. Permita que ao invés de um problema te desmotivar, te desesperar, ou te destruir, que ele faça exatamente o contrário: reconstruir ainda mais forte. Te torne mais guerreiro. Mais perseverante. E mais sábio. A vida prega peças na gente, o dia de amanhã ninguém sabe. Nem o próprio, nem o do outro. Mas de uma coisa eu sei: você está vivo agora e isso significa que o fim ainda não chegou...


“Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções.”
(Antoine de Saint-Exupéry)


domingo, 23 de junho de 2013

UM TIPO DE PODER

Quando criança me chamava a atenção o poder que algumas pessoas parecia ter sobre outras. Achava mágico isso! Mas eu sabia que não era um poder natural, ou legítimo como o de uma autoridade por exemplo - um pai, um professor, um policial -, também não era nenhum dos poderes que mais tarde eu estudaria no curso de administração, na faculdade. Era um tipo de poder diferente, sorrateiro. Bem disfarçado. Quase uma influência tênue que não se podia originar, medir, estimar; muitas vezes difícil até mesmo de constatar, pois geralmente era operado por pessoas tão inteligentes, espertas, sorridentes, pareciam queridas por todos e longe de qualquer suspeita. Então eu cresci observando de perto pessoas com esse comportamento, que operavam esse tipo de poder quase sedutor que eu aprendia a cultuar, queria desenvolver...
Na adolescência admirava pessoas com esse poder e acreditava que talvez o mundo realmente funcionasse desta forma: algumas pessoas precisavam mesmo conduzir outras. Ouvi, e gostei: "o mundo é uma selva e é dos espertos!".

Comecei a estudar como funcionava esse tipo de poder, qual o perfil dos que o operavam e como o resultado era sempre certeiro, garantido, e as ações quase imperceptíveis vistas de fora. Era como uma sessão clandestina de hipnose, do qual os participantes passivos não tinham conhecimento (nem antes, nem depois); envolvia palavras bem colocadas, "com as vírgulas nos lugares certos" - então entendi como uma vírgula colocada noutro lugar da frase mudaria completamente a ideia do texto... Numa conversa, se aplicar isso numa linguagem corporal previamente estudada, numa fala mansa e objetiva, com um toque de insinuações subliminares, em tons de voz modelados, poderá ver perfeitamente como o raiar do dia o que eu comecei a compreender nessa época, do que se tratava esse tipo de poder. A arte da manipulação...

Depois disso prestei mais atenção e não gostei dos resultados. Não dessa maneira duvidosa. Vi sempre alguém saindo ferido, magoado, prejudicado, endividado, enquanto a outra parte saía ilesa. Vi perversidade nesse movimento. Maldade. Daí então, não quis mais entender como funcionava esse mecanismo de influências ou quem o usava e sim, como se defender disso...
Sempre tive fascínio pela retórica. Na faculdade estudei muito sobre Poder e Liderança; fontes de poder; tipos de lideranças; ouvi palavras e conceitos como "admiração" e "persuasão", mas tenho certeza de que não é bem disso o que se trata a arte da manipulação. Embora pareçam coisas intimamente ligadas, acredito que diferem nas intenções do orador por exemplo. Descobri também que na história grandes universidades sempre ensinaram seus alunos como dominarem bem técnicas assim.

Hoje penso em como o dom da palavra, numa mente doentia sem escrúpulos, pode ter resultados devastadores. Não é difícil associar o sucesso dessas operações ao pouco esclarecimento das "vítimas"; mentes menos iluminadas sempre foram dominadas por outras brilhantes. As pessoas mais carentes, as com menos informações, as mais emotivas, as desesperadas, desesperançosas, as inseguras, ou às vezes aquelas mais fanáticas - que ficam cegas - são os alvos perfeitos. Pessoas essas que compram o que não cabe no orçamento por exemplo, aquilo que não precisam, parcelado com juros abusivos, e encontram garantias certas de endividamento; certamente que nesse caso o vendedor foi "bom" com as palavras...
Percebi que existem pessoas "boas" com as palavras em todos os setores; médicos, advogados, pastores, padres, professores, líderes, políticos, todos podem manipular, porque via de regra somos humanos e nos comunicamos. E a linguagem é o canal por onde essas cordas navegam. Onde houver qualquer tipo de linguagem haverá sempre a possibilidade de manipulação e a única coisa que pode nos proteger contra isso é a iluminação da mente. Precisamos pensar por nós mesmos, com os pés firmes no chão, analisando uma situação de longe, com calma, e ter sempre um pouco de desconfiança.

Se nesse jogo de poder nós somos marionetes que não enxergam as cordas, tudo o que precisamos então é ter equilíbrio entre razão e emoção, ter informação e conhecimento, serenidade e paz, e sempre, deixar o manipulador pensar que está no controle!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Essa tal humildade


Outro dia ouvindo rádio ouvi uma frase interessante: "a vida, diferente da escola, primeiro dá a prova e depois a lição". Achei sábio isso. Mais verdade impossível. Muitas vezes na minha vida me peguei me comportando diferente do que de fato eu gostaria. E noto como é comum fazermos isso. Como é comum esquecermos facilmente dessa tal humildade. Eu não sei bem porque fazemos isso, mas acredito que tem muito a ver com uma vontade de sermos aceitos, de sermos bem recebidos, porque ninguém gosta de ser rejeitado. Só que entendo que a rejeição faz parte. Aliás, é um direito nosso. Todo ser humano tem o direito de gostar ou desgostar daquilo que bem entender. Inclusive uns dos outros até. Cabe apenas o respeito. O difícil é na prática! Porém, é justamente aí que precisamos ter maturidade suficiente para erguer a nossa cabeça e continuar o nosso caminho, seguindo aquilo que acreditamos, ao lado de pessoas que verdadeiramente nos apoiam. Mesmo que desagrademos uns e outros. Mesmo tendo que transpôr aqueles que desaprovam. O que a gente não precisa é enganar ninguém. Usar de truques, de bajulações, de encenações.

Como por exemplo. Quantas vezes numa conversa que deveria ser banal não usamos, para as palavras simples que seriam de fácil entendimento, os sinônimos sofisticados? Dá à conversa um “ar bonito”, “melhor”. Em outras ocasiões pensamos duas vezes antes de sair de casa com a mesma roupa, por acharmos que não fica bem repeti-la. Ostentamos uma expressão de poder sempre. Selecionamos de quem podemos ou não ser amigos. Quem nunca fez isso? E por que fazemos isso? Ou melhor: para quem fazemos isso? Eu juro que não consigo entender. Quando me pego agindo dessa maneira tenho vergonha de mim mesmo. Porém é quase inconsciente, a gente faz sem perceber. Talvez seja culpa do capitalismo. Talvez seja culturalmente imposto e aprendemos então desde muito pequenos que precisamos ostentar uma imagem de sucesso e estarmos próximos de pessoas que nos transmitam essa ideia. O que é sucesso, de verdade, é complicado de responder. Para algumas pessoas estar dentro roupas de marcas famosas e caras, num carro do ano e indo para grandes festas com amigos populares é estar na lista dos bem sucedidos. Para outros sucesso é ter saúde, estar com a família e apenas viver uma vida simples. Eu não estou aqui para responder isso, nem sou alguém para julgar o que é certo ou errado, e não quero parecer moralista demais, cada um vive a própria vida como bem entender. Mas apenas acredito que sucesso, seja lá como for, precisa vir espontaneamente. Consequência natural. E mais, precisa ser de forma saudável. Saudável para a mente, para o corpo, e para o bolso! Sucesso precisa casar-se com humildade. Todos nós mesmo fazendo muito sucesso sempre seremos pequenos em algum aspecto. Por isso querer ser o que não somos, falar sobre o que não dominamos, fazer o que não gostamos apenas para impressionar pessoas que mal conhecemos, não sei se é algo muito bom. Hoje quando olho para trás e lembro quanto dinheiro, tempo e energia eu já gastei para impressionar pessoas, que hoje nem lembram que eu existo, não me faz sentir mais tão bem. Então o conselho que dou é o mesmo que sempre me dou: pensa lá na frente, olha de longe. Acho que o prejuízo maior nem é o dinheiro, porque ele vai e vem. O maior prejuízo é o tempo, pois esse somente vai.

Hoje quando começo qualquer relação me policio ao máximo para não transmitir nada além do que de fato eu sou, do que de fato eu tenho, do que de fato eu penso, do que de fato eu quero. As relações que se sucedem a partir disso – embora sejam em menor número – são honestas, mais interessantes pra mim, mais a ver comigo, e essas sim me ensinam muito. Aquelas que não vingam, eu não forço, já trato de me conscientizar que não eram pra mim, vieram no meu caminho mas não exatamente pra ficar nele, vieram apenas com o propósito de me lembrar de ser humilde. É um exercício constante...


"Abriga-te na humildade,
Não busque mundana estima.
O ouro afunda no mar,
A palha fica por cima."

(Chico Xavier)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

5 ANOS DE BLOG


Este mês de abril, o blog faz cinco anos. Eu não imaginava, quando o comecei, que fosse chegar tão longe. Não imaginava mesmo. Com esta, são cento e sessenta e cinco postagens. Algumas são somente de vídeos do Youtube; as outras, que são a grande maioria, são de textos assinados por mim – salvo citações de outros autores que coloco para enriquecer e enfatizar a proposta dos posts.
Nunca me censurei por escrever errado aqui no blog. Como assumo sem vergonha nenhuma que ainda escrevo. Aprendo muitas coisas, inclusive sobre a gramática da língua portuguesa, escrevendo e errando aqui. Acho importante nos atentarmos às normas do padrão culto da língua portuguesa, mas não menos importante é nos expressarmos, é importante conhecermos e respeitarmos a língua formal, mas a finalidade suprema de toda e qualquer língua é a informação, a aproximação, o comunicar-se, o fazer-se entender. Nesse pensamento, não invalido a importância da língua padrão, mas me atento a não exagerar mais na preocupação da forma, que da ideia, da transmissão.

Parece que esses anos todos de blog passaram rápido. Mas sei que não foi bem assim. Ao ler algumas postagens antigas, marcantes, lembro-me de alguns momentos difíceis que perduraram quase uma eternidade, pelo menos a sensação foi essa, e como foi sofrido atravessá-los. Certamente que escrever aqui amenizou muita coisa.
Quando criei este espaço, eu imaginava o mundo de um jeito bem diferente. Eu tinha uma outra cabeça, com outras ideias, outros valores e outros conceitos. Soma-se isso a uma personalidade rebelde, e bastante impulsiva, e poderá entender a razão de determinados posts. Hoje me sinto feliz por ter continuado com este projeto. Para mim esse blog foi um projeto; e começar qualquer projeto é mais fácil do que dar continuidade nele, porque é somente na continuidade que nos deparamos com os percalços do caminho. Mas também, é somente na continuidade que se faz valer a pena qualquer coisa na vida. Tudo na vida ganhará outro sentido, um maior valor, ao persistirmos. Ao enfrentarmos. Ao resistirmos. E eu tive que persistir muito para escrever aqui no blog... Vencer a vergonha de falar de problemas próprios e o medo de às vezes correr o risco de ficar exposto demais às críticas dos outros. Assumir o que pensamos e bancar isso não é fácil. É mais bonito, e confortável, ficarmos quietos. Causa menos atritos. Só que eu já aprendi que pagamos um preço muito alto com isso, parceladamente. Então prefiro ser honesto comigo, e pagar minhas dívidas à vista. Assim não tem juros!

Nesses cinco anos escrevendo aqui no blog aprendi muitas coisas. Desenvolvi disciplina e organização para tornar esse espaço entendível. Meu vocabulário enriqueceu bastante, conheci palavras novas e aprendi escrever muitas outras corretamente; tenho certeza que isso me ajudou a tirar uma boa nota na redação do ENEM e obter uma bolsa integral do PROUNI – foi isso que pagou meus estudos –. Aprendi mais sobre mim mesmo; escrever é uma forma legítima de autoconhecimento, porque é uma espécie de materialização do que se passa dentro de nós mesmos, e ao fazer isso trabalhamos melhor com várias questões. Registrar os momentos ao longo desses anos todos me deu a constatação da efemeridade da vida, hoje encaro as fases difíceis com maior paciência, pois sei que, como tudo, elas são transitórias. Perdi alguns medos tolos e ganhei mais coragem para assumir o que penso. Me permiti ver e viver a minha vida com outros olhares. Diferentes. Acredito que é extremamente rico para qualquer pessoa se abrir para novas perspectivas de vida, através de novas leituras de mundo. Outro grande ganho com este espaço virtual foi a oportunidade de pesquisar sobre assuntos que fogem da minha realidade financeira, social ou política e publicar aqui através de documentários, filmes, vídeos, textos ou imagens de diversos autores. Acho que se eu não tivesse o blog talvez nunca me sentisse motivado ou interessado por assuntos tão distintos, que hoje acho tão interessantes.
Mas o maior ganho de todos, que digo de se ter este espaço, é poder afirmar categoricamente que todo ser humano é capaz de oferecer algo de bom quando ele quer. Por muito tempo me julguei incapaz de muitas coisas. Dar continuidade no blog foi uma delas. Que bom que eu estava enganado...
Hoje quando sei de alguém que acompanha o blog que, em algum momento da sua vida, seja lá de que forma, por um instante que seja, o que eu escrevi marcou essa pessoa, isso me revigora.


Da mesma forma que pequenos textos escritos em folhas de papel deram início a este blog, quem sabe um dia este blog não dê espaço a um livro... Até lá, vamos comemorar mais um ano!

terça-feira, 12 de março de 2013

Seja mais tolerante



Uma brasa, longe do fogo, é simplesmente um pedaço frio de carvão.

Eu me surpreendo sempre que me deparo com alguém tomando uma atitude extrema, sem avaliar a consequência disso a si mesmo e àqueles que o cerca. Sem se dar conta da importância de parar, pensar um pouco e tolerar. Observo que, na grande maioria das vezes, falta de tolerância tem resultado inesperado e consequências desagradáveis. Às vezes, parando um minuto para pensar já não agimos do mesmo jeito. O resolver as coisas de cabeça quente, crente que somos os únicos com a razão, termina não resolvendo nada. Pois é numa bobeada que nós determinamos coisas que podem mudar nossas vidas de maneira séria e importante. E a vida toma outro rumo mesmo. O resultado é pra valer! Ninguém faz o que quer na vida. Pelo menos não uma pessoa saudável, sociável, respeitadora. Vivemos em conjunto, onde os limites se fazem necessários. Limites esses estabelecidos para nos ordenar, nos organizar, nos potencializar, nunca com o intuito de nos oprimir, nos barrar ou nos separar, porque ninguém pode ser uma ilha isolada do todo, nós precisamos, obrigatoriamente, nos relacionarmos. O ser humano não consegue viver uma vida toda solitariamente, isso é impossível. Nos dias atuais, o que me parece muito fácil de acontecer nas redes sociais, sempre foi impossível de se concretizar na vida real: a desconexão. Não há desconexão na vida real.

Há alguns dias notei que um amigo desativou sua conta do facebook, eu não o encontrava online em lugar nenhum mais. Até recentemente... Aí, conversando com ele – numa das raras vezes em que deu às caras -, ele comentou estar cansado das suas relações e por conta disso excluiu sua conta e decidiu afastar-se dos amigos, dos familiares e dos colegas de trabalho. Passou a anular e ignorar todo mundo. Essa história até parece brincadeira, mas me chamou a atenção o fato de ele decidir isso por se decepcionar com as pessoas que se relaciona e acreditar que simplesmente anulando todo mundo, as decepções se encerram. Tal atitude é tola. Falei isso para ele. Aquele que acredita ser superior, que não precisa de ninguém, que faz o que quer, como quer e vai onde quer, não tem valor nenhum para a vida. Isso me lembra aquelas pessoas moralistas demais, religiosas demais, que precisam crucificar qualquer coisa que vá contra seus princípios, ou aquelas pessoas donas da razão, que não abrem espaço para um argumento.

A vida é um jogo de forças conflitantes e contraditórias, e estamos nesse jogo quer queremos, gostemos, optemos, ou não. Nós somos esse jogo. As relações humanas são difíceis; relação entre pai e filho, relação entre chefe e funcionário, relação entre irmãos, relação entre vizinhos, todas as relações entre os seres humanos são conflitantes, passam por ajustes constantes, são verdadeiros desafios, porque via de regra somos diferentes. E somos humanos! Isso exige paciência com o outro, tolerância com as diferenças, respeito com os direitos e limitações; compreensão com as opiniões e as ideologias opostas as nossas.

Eu entendo em partes esse meu amigo, eu evito até hoje algumas pessoas difíceis. Acredito que todos nós temos algumas pessoas que queremos bem longe da nossa rota. Até acho saudável um afastamento de tudo aquilo que nos adoece, que nos causa mal. E algumas pessoas nos fazem mal realmente. Alguns hábitos, alguns lugares, algumas circunstâncias não nos trazem nada de bom e, em casos assim, acho o distanciamento necessário mesmo. Agora, achar que eu estou sempre certo e o restante do mundo está errado, que eu quem manda e os demais são obrigados a acatar tudo é estar sendo ditador, arrogante, preconceituoso e julgador. Quem pensa e age dessa forma não vive a vida, porque está morto por dentro. Se fazemos parte de tudo e não há a capacidade de desconexão, isso significa que vida é sinônimo de coletivo, de união, de equipe, de conexão e o que desconecta disso está morto.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

AUTOCONHECIMENTO


Você é capaz de se responder qual é a sua melhor qualidade? Ou talvez qual é o seu pior defeito? Quais são as suas aptidões e habilidades natas, ou aquilo que você acredita que pode melhorar? E os momentos de crise, aqueles dilemas complicados, os períodos de reflexão, tem enfrentado?


Se as respostas a essas perguntas for não, então é melhor pensar mais a respeito de um autoconhecimento. Ainda mais se você já passou de uma certa idade, pois isso significaria que teve bastante tempo para ser capaz de se avaliar. Acredito, é claro, que nós sempre mudamos, e que isso torna difícil nos analisarmos, porém, quando não somos capazes de dizer quem somos hoje ou pelo menos o que queremos agora, nós ficamos a mercê do que a vida tem a nos oferecer. E a vida pode oferecer qualquer coisa...
Ao violinista desafinado por exemplo, a vida pode oferecer um talento para o piano. Ou talvez à bailarina, uma bela voz e um desajeitado equilíbrio. São coisas assim que acontecem o tempo todo. E em ambos os casos há talentos desconhecidos e por isso não explorados. E frustrações. Eu ainda não ficaria nenhum pouco surpreso se me dissessem que um analfabeto poderia ser um grande escritor um dia, pois logo eu imaginaria que isso significaria ele nunca ter tido a felicidade de pegar num lápis e num papel, e conseguir traduzir em linguagem compreensível a sua arte. Porque se assim fosse, quem sabe! Como também acredito que a vida pode ser bastante dura àqueles que não vão atrás do que os move. Ou seja, aquelas pessoas que não se conheceram bem, ou que às vezes até se conheceram mas por alguma razão se recalcaram, e com isso perderam o brilho da existência. Vivendo assim uma vida opaca, pouco nítida, quase um rascunho apagado daquilo que deveria ter sido a original. E isso assombra, não!?

Por essas e outras razões acredito que existem pessoas que no fim da vida se encontrem frustadas ou chateadas com suas próprias vidas. Às vezes consigo mesmas. E não raro acho engraçado quando ouço dizer que alguém “abandonou tudo e foi viver de verdade a própria vida”. Se assim fosse, de quem seria a vida que esse alguém arrastou por tantos anos hein?! Seria dos pais? Dos amigos? Talvez da sociedade?
Imagine-se vivendo por tanto tempo uma vida que não é a sua, uma vida que os outros idealizaram pra você, ou que talvez você achou que seria boa, legal, lucrativa... se você não tivesse que ter pagar um preço tão alto, né...

Agora falando sério. Acredito que a sociedade tem passado por mudanças realmente significativas e isso afeta também significativamente a forma como nos relacionamos, compramos, trabalhamos, como convivemos em sociedade. Tenho a impressão de que as sociedades no geral, historicamente, sempre buscaram os mesmos objetivos: construir e acumular. E isso significou modificar e desenvolver velozmente as estruturas externas. O nosso entorno. As sociedades. O nosso próprio físico, nós acumulamos peso. Desenvolvemos a tecnologia. As custas de um agressivo desgaste ambiental também. No entanto, esse olhar excessivamente para fora "da caverna", ao ambiente externo, juntamente a um acúmulo de energia quase unicamente num único alvo, fez-nos esquecer da parte interna. O nosso interior. Desenvolvido desproporcionalmente. Nesse sentido, acredito que quem mais se prejudicou é justamente quem revolucionou o externo. O homem. Arrisco dizer que esse comportamento – “tipicamente masculino” – é o que possibilita que as mulheres hoje tomem naturalmente a frente na sociedade.

Historicamente, enquanto os homens saíam de suas cavernas para caçar e mais tarde de suas casas para trabalhar, as mulheres ficavam no lar costurando seus sentimentos, cozinhando seus pensamentos, arrumando seus demônios e suas crises. Isso fez com que o autodesenvolvimento feminino, historicamente, tivesse muito mais condições (des)favoráveis de crescimento. Ainda por essa razão, não é raro acompanharmos notícias de que as mulheres estão mais bem preparadas do que os homens para lidar com os desafios contemporâneos. Dilemas atuais que exigem um olhar mais amplo, uma inteligência intuitiva e uma capacidade mais humana e empática nos relacionamentos – características “tipicamente femininas”, uma vez que o homem sempre pendeu para um olhar mais objetivo, uma inteligência instintiva e uma maior frieza nas relações.

O objetivo deste post não é dizer que os homens devem se tornar as “novas mulheres”. De maneira nenhuma! Há benefícios em ambos os gêneros. O fato é que o mundo contemporâneo está passando por radicais transformações e todas as estruturas de poder, de sociedade, de padrões de comportamentos etc, sentem os abalos. Não existem características masculinas e femininas de fato, essas classificações são reducionistas e estereotipadas. E, nesse contexto, o que inadvertidamente se encaixa é o olhar centralizado para o todo, é a mente fechada para o novo, é o raciocínio linear, sucessivo. E, nesse contexto, as mulheres estão mais bem garimpadas do que os homens. Eu só espero que elas não se tornem, também, “os novos homens”, pois já está havendo por aí uma leva de homens demasiadamente amedrontados e mulheres demasiadamente tiranas!
Vale lembrar que, isso, não é uma competição. E que, separados, nós nunca sobrevivemos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Nem quantidade nem qualidade, mas sim intensidade!


O ano de 2012 está chegando ao fim e já posso sentir a energia de uma nova fase iniciando...

O ser humano só atingirá toda a capacidade da melhor finalidade da sua criação quando ele equilibrar instinto e racionalidade. Agindo somente por instinto ele é animal cruel e violento, agindo somente pela razão ele é máquina fria e sem vida, agindo com os dois ele é Homem!


Agradeço a Vida pelas experiências que tive neste ano. Agradeço o que aprendi e o que ainda não fui capaz; agradeço o quanto amadureci com os erros, com os meus vacilos e a força que encontrei em mim mesmo e em poucas pessoas queridas para seguir em frente; agradeço as minhas derrotas – e a elas digo provocativamente “ainda estou de pé!” –. Eu agradeço também por algumas vitórias, medos e dores superados, alegrias, como também a todos a quem compartilhei esses momentos. Eu agradeço poder ter tido a oportunidade de viver tudo isso. Por ter sido parte disto. Ter crescido com isso! Descobri neste ano que a intensidade é o que mais importa na vida. A capacidade de gozar profundamente de uma boa existência está em sentirmos os instantes, incorporando a vida. Um dia achei que quantidade e qualidade fossem as coisas mais importantes na vida, mas hoje acredito que o importante é sentir. Posso ver obras de arte de extrema qualidade e ainda assim não sentir absolutamente nada se isso não me toca; como posso ser fisgado por uma paisagem árida ou pantanosa. A capacidade de ver a vida com bons olhos está em nós mesmos. 

A grande questão não está na qualidade das coisas nem na quantidade do que possuo, mas sim no desenvolvimento desta capacidade de sentir com intensidade. Característica essa que eu particularmente sempre abominei por medo das emoções, do descontrole que elas me causam. Sempre evitei emoções muito intensas, buscando estar com um pé firme e seguro na racionalidade excessiva. Mas eu, na categoria de ser humano errôneo e em contínuo processo de aprendizado, hoje afirmo: viver sem intensidade a vida é como um pássaro que se recusa a voar ou um peixe a nadar. Simplesmente não é natural. E talvez nem seja possível. As emoções não nos trazem um descontrole, elas apenas nos lembram que nunca o tivemos de verdade! Talvez esse seja o nosso maior incômodo para sentir livremente, as emoções nos destronam do pódio que nós mesmos nos pusemos e isso evidencia o quanto somos regidos e pequenos frente a força da Vida. Acredito sinceramente – quânticamente falando – que somos instintivamente movidos ao altruísmo, a um bem maior, mas a racionalidade excessiva nos impossibilitou esse sonho. Precisamos aprender a ouvir os nossos instintos, porque instintivamente somos movidos a amar, a sonhar, a criar! Somos os únicos animais racionais por algum motivo, não seria a toa. A divindade e o altruísmo do Homem está nesse equilíbrio.


O que levaremos desta vida então é tudo o que fomos capazes de tocar e sentimos que nos tocaram também; aquilo que verdadeiramente nos doamos de coração, aquilo que nos embriagou a alma, que nos tirou o chão, que nos permitiu sonhar e criar, que nos enlouqueceu por instantes, sem o qual uma vida não valeria a pena. Vou para 2013 – se assim me for permitido – com a promessa de praticar o exercício constante de saber viver. Quero ter talento para viver melhor fora das páginas frias da internet, das estórias dos personagens dos livros, das imagens panorâmicas das revistas, dos vídeos em HD, das ilusões... A vida até pode ser rascunhada em palavras, mas ela só é perfeitamente descrita em silêncio. Através de oração, comunhão, contemplação. Não se aprende a viver numa tese de doutorado, a vida não pode ser significada num artigo científico, por essa razão nem terei a pretensão de me fazer entender neste humilde post, mas terei esperança de conseguir o que uma boa leitura faz: despertar a sua curiosidade! A curiosidade é o que te move. E movimento é vida.

O que aprendi este ano e gostaria de dividir neste post é que controlar demais a vida, por medo dos instintos e de emoções como dores e decepções, é impossível. Então curve-se diante da intensidade da vida. Mas aceite o jogo. Joga. Topa essa. Paga pra ver. Encara. Enfrenta! Cresça com isso. Entra de peito aberto em 2013 e se prometa algo melhor dele em diante. Ainda que nada se cumpra do jeito que você esperou, seja capaz de sentir com toda força os instantes de sonhos, de promessas, de desejos, porque a gente nunca sabe quais deles se realizarão!!! 



FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO!

QUE 2013 RENOVE SUAS ENERGIAS E REALIZE SEUS SONHOS! 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Liberte-se deste excesso de um falso controle


"Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der" (Carl Gustav Jung)

Recentemente fiz espontaneamente uma avaliação mental com fins científicos, que se objetiva a caracterizar temperamento, comportamentos e aspectos pessoais, assim como também avalia sintomas e transtornos psiquiátricos possíveis. Fiz online. Gratuitamente. Utilizei este site. Vou dividir este post em dois temas centrais. No primeiro falarei da importância de nos expressarmos. No segundo, foco desse post, utilizarei o resultado do meu teste para argumentar sobre o excesso de um falso controle.


Achei interessante e gostei da elaboração e sistemática do teste, principalmente do resultado dele, que acredito que chegou muito próximo de como estou – neste momento. Alguns já devem ter notado aqui no blog que gosto de assuntos com um teor psicológico. Psiquiátrico. Filosófico. Sociológico. Gosto de ler artigos e matérias sobre eles sempre que posso. Sobre neurociência, quântica e medicinas alternativas também. Sou curioso e pesquiso sobre qualquer coisa que me interesse. Leio sobre um assunto, observo as teses contrárias sobre ele, avalio tudo e tiro minhas próprias conclusões - que jamais foram verdades absolutas, uma vez que nunca cursei essas especialidades numa faculdade por exemplo. Aqui neste blog então nunca existiu nem existirá alguma verdade absoluta. Se bem que nem mesmo um especialista será algum dia dono de verdades universais. Mesmo assim, continuo convicto da importância de todos nós termos opiniões pessoais sobre as coisas. É importante que nos posicionemos no mundo. Isso é ter atitude como pessoa!

Sei que utilizo um método dedutivo para escrever aqui, que pode sim ser a argumentação de um leigo em muitos assuntos, mas baseio-me sempre em referências e considero importante o ato da expressão. Não tenho dúvida que a humanidade só evolui na tentativa e erro, através da troca de experiências e opiniões contrárias e pessoais. É uma grande pena o fato de uma pessoa se intimidar pela opinião pública e deixar de expôr suas ideias em razão disso. Por medo talvez de ser taxada de arrogante, cala-se. Num silêncio que nunca emite o que pensa. Nunca fala do que gosta. Estando sempre a margem de si mesma. E isso é muito triste. Há pessoas de uma indiferença total a cerca de qualquer assunto, nunca têm opinião formada sobre nada. Vivem num relativismo pouco ou nada produtivo, que acho muito castrador, não traz criatividade nenhuma e no fim empobrece e enfraquece a existência. Expressar-se é viver! Expressar-se não é sinal de arrogância, sim de potência, de coragem. Arrogância consiste na forma de se expressar, não na expressão em si. Apesar de jamais existir um único caminho, isso não invalida o direito da argumentação. Da dedução. Daquele famoso chute! E se no fim se provar que estávamos errados o tempo todo, pelo menos alguém foi forte o bastante para erguer a mão e emitir sua opinião contrária!

Termino então essa parte do post lembrando que nascemos dotados de racionalidade. Se cada um tem o seu próprio cérebro, significa que não vamos pensar a mesma coisa que todos nunca. Então a gente não precisa fingir que pensa!

Quanto ao teste, uma coisa chamou muito minha atenção no resultado, que foi o aspecto "controle", um dos aspectos avaliados neste teste. Fiquei pasmo ao deparar com um altíssimo grau de controle no meu comportamento. Sei que sou bastante disciplinado e gosto de regras, mas fiquei realmente impressionado com a escala de avaliação para o quesito controle, que deu quase 100%! Noto isso agora mesmo, neste momento que escrevo. Eu escrevo uma palavra e já apago. Escrevo outra e reescrevo a frase inteira. Numa tentativa incansável de encontrar as palavras certas que darão o exato sentido ao que quero expressar aqui. E sabe o que é isso? Isso é uma pura besteira!
Não há palavras exatas. Há apenas uma ideia na minha cabeça. Mas essa neura quase infernal que me trava. Isso explica porque não postei nada nos últimos dias, mesmo querendo muito. Tive inúmeras boas ideias que, no instante que sentei para escreve-las, já não me pareceram mais tão boas assim. Então saí em busca de melhores ideias... Nem preciso dizer o resultado né, o que isso significa... O tempo passa e a vida vai embora...

Quando tentamos controlar demais a vida deixamos de vive-la então, porque Vida necessariamente é descontrole. Absolutamente. É improvável, intangível, indomável. A vida, as paixões, a alegria, os prazeres todos são impossíveis de serem totalmente controláveis e por natureza tendem a nos destruir. Ao vivermos demasiadamente uma paixão sentimos que ela nos adoece. Um prazer levado ao extremo pode ser a causa da nossa morte. A vida em si leva a morte. Porém é através de controle que existimos, e no entanto não significa que o excesso de controle garante domínio sobre a vida. Porque não controlamos nada em absoluto. Nem a nós mesmos!
Neste momento sinto como se estivesse em frente a um enorme outdoor, com letras garrafais, escrito: VOCÊ É DOMINADO!

Finalizo essa última parte dizendo que devemos ter um mínimo de controle em nossas vidas para vivermos plena e responsavelmente bem em família, em sociedade, com nós mesmos. Porém sem jamais buscar um controle absoluto sobre algo, porque no fim o que encontraremos não passarão de ilusões!


 

sábado, 3 de novembro de 2012

SOLIDÃO, ANGÚSTIA E INOVAÇÃO



É engraçado como ainda não percebemos quanto podem ser essenciais momentos de solidão. Há pessoas que temem tanto eles, que no menor pressentimento que enfrentarão a vida sozinhas, desesperadamente já procuram uma base fixa para se apoiar. Um ombro para segurar, uma mão para guiar a algum lugar, que ninguém melhor que elas mesmas para saber a direção. Mas se sujeitam a serem levadas ao sabor do vento, ao fluxo da maré, por medo dessa solidão que seria erguer as velas da própria nau e trilhar um caminho sozinhas. É um medo tolo esse, porque é impossível enfrentar a vida ao lado de alguém sempre. A única certeza é que viemos e partiremos dessa sozinhos. Não digo para ninguém viver só a vida toda, ser sozinho por opção, mas aprender a tirar o devido aprendizado de momentos solitários. São eles que moldam nossa existência. Apuram nossa capacidade de viver.

Acredito que a habilidade do homem afiar a si mesmo e recriar o mundo ao seu redor passa por momentos de solidão. Onde é apenas ele com ele mesmo. Não há a onde fugir. Nem a quem recorrer. A grande maioria desses momentos é terrivelmente angustiante; águas difíceis de navegar sem alguém ao lado como suporte. Nesses instantes que o homem entra em contato com a criatividade. São instantes de vida realmente sendo vivenciados. Somente a partir desse confronto com nós mesmos, com essas energias, que nos conheceremos um pouco mais; a partir daí surgirão novas ideias, novos olhares e o mundo renascerá! Todo ser humano passa por momentos como esses e eles fazem parte da sua trajetória. A vida não é apenas glórias e vitórias. Ela é um conjunto de forças conflitantes e contraditórias e enfrenta-las é inevitável. Viver é um exercício de luta constante contra nós mesmos. Sem drama! Evitar a dor é impossível, mas é necessário trabalhar com a dor inteligentemente. Se não podemos com a vida, convertemos a dor que ela nos causa em contenção ao nosso favor, impulsionando essa energia gerada a onde queremos. Não controlamos a vida, mas nós decidimos seu curso em nossa existência.

Da dor natural que é viver surgem dúvidas em relação a própria vida. Essas dúvidas geram um incômodo, que é angustiante porque é desconhecido; assusta, tira o sono, não deixa pensar direito. E esse desconforto traduzido em linguagem que a uns virá em forma de pintura, a outros em forma de dança, a outros através da escrita. Como veio esse post. Vem através da arte. A questão é que todo esse processo carrega em si um amadurecimento e só após atravessarmos surge o que chama-se Inovação. A inovação é o resultado desse processo que não deve ser negligenciado.
Muitos escritores e pintores passam anos de suas vidas sem publicar um único livro e pintar um único quadro. Lêem, observam, viajam, experienciam a vida. Mas, de arte, nada surge. E por que isso acontece? Não há inspiração. Nem necessidade. Sem ambas não há arte. No entanto, ao atravessarem um momento sombrio em suas vidas, rapidamente a alegria surge em suas obras. Como se fosse magica! Quando estamos com fome qualquer coisa parece saborosa. Sem tempo a perder, conseguimos fazer o dobro de coisas que faríamos com mais tempo. O que altera então? Inspiração e necessidade. Da mesma forma que a solidão gera um processo de inovação, a necessidade e a pressão potencializam a energia. Somos melhor motivados inspirados e necessitados.

Já me deparei com matérias de diversos “especialistas” tentando apontar os métodos para inovação. Congressos debatendo fórmulas para empresas alcançarem criatividade de colaboradores. Acredito sinceramente que isso até seja válido, porque de alguma forma estão discutindo, mas não apostaria em métodos ou receitas mecânicas e protocoladas. Até porque não há como tornar-se o que já se é. Nem aprender o que já se sabe. Parto de um princípio de que todo ser humano é naturalmente criativo e por natureza já sabe inovar. Quando somos criança, somos inovadores por excelência, dotados de uma capacidade de recriar e imaginar o mundo constantemente. Durante nosso crescimento, a cultura castra essa nossa capacidade natural, limitando nosso potencial. Criança é potencial puro! Assim sendo, o problema não é saber ou não saber ser criativo, é uma questão de cultura castradora que impõe severamente padrões absolutos e até cruéis. Um modo de pensar, de sentir, de falar, de Ser. Um único modo! Sem espaço ao novo.

Se queremos tratar de inovação, aprendamos primeiramente a viver sozinhos, a perder, a não sofrer com a contradição, a não temer o desconhecido, a enfrentar a nós mesmos e a pensar por si próprios. O desafio para a sociedade contemporânea e às empresas não é a criação de um método para as pessoas inovarem e sim uma mudança de cultura existente. Precisamos de uma cultura diferente da que vivemos até hoje para dar espaço à inovação. Que seja capaz de unir corpo e pensamento, que desenvolva nas pessoas uma visão crítica e holística sobre a vida, utilizando um pensamento complexo e sem o tradicional medo da mudança, do erro e da solidão.

sábado, 20 de outubro de 2012

Uma caminhada chegando ao fim...


Quase quatro anos atrás, minha caminhada universitária começava...
Na época, com 20 anos, ainda sem saber direito se cursava Administração ou Direito, tive que escolher rapidamente. Felizmente optei por Administração. Precisava, antes mesmo de conhecer sobre o universo jurídico, aprender a administrar melhor minha vida. Acredito que a primeira empresa que um administrador gerencia é sua própria vida. Aprendi que a vida se assemelha muito a uma empresa. Há setores. Família. Amigos. Trabalho. Estudos. Sociedade. Setor pessoal. Há horários, tarefas, desafios, estratégias. Decisões importantes, que devem ser tomadas quase diariamente. Tudo é muito parecido com uma empresa. E particularmente acredito também, que aquele que não sabe se administrar bem, também não consegue administrar uma empresa.

Apesar da dúvida de qual curso prestar, a faculdade eu já tinha certeza qual seria. Eu escolhi a UniPinhal. Por vários motivos. Primeiro, porque, mais do que ser um administrador, queria cursar Comércio Exterior, e na minha região era a melhor faculdade (*leia-se mais barato). Segundo, pelo fato de a faculdade ser longe da minha cidade natal, o que tornaria todo esse processo custoso, trabalhoso, cansativo, muito mais difícil. Mas eu queria isso! Sempre desconfiei de caminhos fáceis – um conselho: sempre desconfie também! Nunca vi com bons olhos caminhos tidos como "mais práticos". Então, em novembro de 2008, prestei o vestibular para Administração na UniPinhal, e sei que essa foi uma ótima escolha da qual nunca me arrependi. Durante todos esses semestres – oito para ser mais exato –, no qual hoje curso o último, aprendi tantas coisas sobre a vida. A principal delas foi a me tornar mais resistente frente às adversidades. Aprendi a persistir quando o cenário se torna difícil e a única saída é resistir. A vida exige, isso se chama bravura. Por experiência própria garanto, que os desafios que um estudante universitário, de família pobre, encontra pelo caminho para terminar seus estudos, não só são muitos como são imensos. Começar um curso superior é simples, difícil é conseguir conclui-lo. De maneira satisfatória ainda. Eu me lembro, no começo do meu curso, que as maiores dificuldades que eu tinha eram conseguir pagar as mensalidades da faculdade em dia e me manter acordado nas aulas depois de um dia exaustivo de trabalho. Até o corpo acostumar ao ritmo foi penoso. Um sonho que me custa três horas diárias, entre ida e volta, ora de ônibus, ora de microônibus, ora de van. Horas que eu sempre preenchi lendo, estudando inglês ou me preparando para as semanas de provas. Muitas vezes só queria dormir, para repor as poucas horas de sono à noite. Tudo isso valeu muito a pena, porque sabia que esse percurso até a cidade de Espírito Santo do Pinhal já era parte do meu curso de Administração – sempre pensei assim. O percurso me ensinou a ter paciência, a ser persistente, me garantiu um trabalho duro – e como disse antes e podem ver no post anterior, gosto do trabalho duro, porque nele eu confio. Olho para trás e tenho orgulho dessa caminhada...

Hoje faço esse post para recomendar a minha faculdade. A UniPinhal. Faço esse post de livre e espontânea vontade e digo “minha faculdade” de boca cheia, com muito orgulho. Aprendi a amar essa faculdade. Piso naquele lugar com alegria por estudar ali e com orgulho carrego essa instituição no meu currículo. Serei um administrador com ênfase em Comércio Exterior, formado pela UniPinhal, com um conhecimento amplo da vida! Com bolsa do PROUNI ainda – a partir do segundo ano. Na UniPinhal, obtive muito mais do que um conhecimento sobre o universo da Administração, aprendi sobre a vida em geral. Sempre tive aulas com professores que trabalhavam nas áreas de suas aulas. Mestres que me ensinaram muito. A missão foi cumprida, escolhi a UniPinhal porque queria também um ensino de boa qualidade e a faculdade fez a sua parte. Não tenho o que reclamar. Muito pelo contrário. Mais do que conhecimentos teóricos de administração, comércio exterior, recursos humanos, marketing, logística, finanças, contabilidade, processos de produção, aprendi a ser responsável pelo meu curso. Responsável pelas minhas faltas, responsável pelas minhas notas, responsável pelo meu aprendizado. A faculdade me deu todo o suporte que precisei e ainda me ensinou a desenvolver metódos de pesquisa. Esses anos moldaram meu perfil profissional.

Hoje estou prestes a me formar no curso de Administração e a UniPinhal está com inscrições abertas para o vestibular, que neste ano será realizado no dia 10 de Novembro. Divulgar é a forma que encontro para agradecer a essa instituição, aos professores e aos demais funcionários tudo o que vivenciei e aprendi nesses anos. Quero através desse post recomendar aos leitores que conheçam mais sobre o Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal, a UniPinhal, curtam a página no Facebook, e para quem for trilhar o caminho acadêmico faça o vestibular. Conheça os demais cursos oferecidos pela faculdade. Para mim valeu muito a pena, se eu pudesse voltar atrás, faria tudo novamente!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

P R E S S Ã O !


*Antes de tudo: referirei-me no post a seguir a uma depressão não-psiquiátrica, a um estado depressivo.

Gostei muito dessa semana que passou, porque ela me rendeu boas análises a respeito de algo que eu tinha ouvido uma vez, sobre ausência de energia ser depressão. Cheguei a conclusão que excesso de energia mal administrada também gera uma depressão. Essa semana passada foi um verdadeiro desafio (esclarecedor) para eu aprender a lidar com a pressão natural da vida. Sim, natural! Para fazer esse post, vou partir do princípio que pressão é algo natural da vida. Vou defender esse ponto de vista...


Quase fiquei louco com a tensão e a pressão das últimas demandas: trabalho, estudos para a semana de provas na faculdade – que foram mais difíceis que de costume –, projeto para as crianças, TCC... E ainda ansiedade, insegurança, expectativas. Dar conta de tudo isso correndo contra o tempo! Nada fácil – bem como a vida é –. Foi preciso fazer o tempo render e no fim terminou dando certo, improvisei quando possível, dormi pouco infelizmente e driblei o cansaço. A coisa toda fluiu – com muito custo –. Contava os minutos para chegar o fim de semana e descansar. Estou comentando isso, porque escreverei sobre como pressão e tensão são aspectos da própria vida e que podem – e devem – ser usados ao nosso favor. Passei a última semana tenso, cansado, mal. Quis dar conta de uma porção de coisas e não me sai tão bem quanto gostaria. Agora, vejo onde errei – por isso gosto de reflexão, ela nos permite avaliar onde a gente se engana e corrigir numa próxima –. A tensão é algo que infelizmente estamos aprendendo a lidar ainda a fórceps e na grande maioria das vezes não tiramos proveito dela como se deveria. Tirar proveito de pressão, estresse e tensão? Sim e pode ser algo necessário. Canalizarmos energias ao nosso favor, do que nos prejudicarmos.

No meu caso, semana passada, estava realmente cansado e piorou porque não administrei a ansiedade e a tensão, e ao invés de buscar mecanismos de vazão para a energia, eu a contive. Esse foi o erro. Conter! Eu podia ter feito exercícios físicos, dormido e me alimentado melhor, estabelecido um cronograma, tudo para administrar o excesso de demanda, mas no entanto fiz o que todo ser humano faz em momentos de pressão: reclamar! “Tudo eu”. “Não sou dois.”. “Vou ficar louco”. “Estou cansado”. “É muita coisa”. Agora que passou o tumulto e a poeira baixou, analiso as coisas com calma e enxergo diferente: a pressão nada mais é do que um excesso de energia sem vazão. E esse excesso pode ser positivo se for bem gerido e canalizado num alvo. Todas as vezes que estamos sobrecarregados de tarefas, uma pressão se instalou. Pressão é apenas um alerta para canalizarmos melhor nossas forças, administrando as demandas. Não é fácil, eu sei, ninguém aqui está dizendo que seja. Se assim fosse não existiria curso de administração nem livros sobre isso, nem yoga e meditação. Aprender nos organizar é simples, o difícil é a manutenção da organização. Arrumar um quarto é muito mais fácil do que mante-lo arrumado. Eu passei um bocado mal por conter um excesso de energia consequente de um momento naturalmente estressante. E a coisa toda beirou o pânico. Fiquei mal mesmo.

Bom, e a depressão? Vamos lá... O deprimido é aquele sem energia e vontade de viver, então ele vive quase como se estive “parado”, sem vontade de agir e se movimentar. A depressão então se traduz nesse caso, como quase a ausência do movimento (= vida). Quando passamos por pressão, acredito eu, há um excesso de energia sendo retesada e mal administrada e isso gera uma paralisação, também! Quem nunca ouviu a seguinte frase: “fulano quer fazer tudo e acaba não fazendo nada”. Nesses casos há um excesso de energia pedindo escoamento, que muitas vezes não há gerenciamento eficiente para ele. Assim terminamos não realizando tarefa alguma – mesmo querendo e precisando faze-las –. Quadro disso: engarrafados. Se ausência de movimento é igual depressão, eu acredito que a pressão é um resultado de coisas que não fluem, se engarrafam, estão presas, e da mesma forma se caracteriza o quadro de depressão anterior. E digo mais. Faço parte da linha de pensamento que crê que energia não é positiva nem negativa e acumulada por muito tempo nos adoece. Energia retesada por muito tempo ao invés de nos fortalecer, nos adoece e causa câncer, transtorno de pânico. Enfraquecendo o sistema imunológico. É uma sobrecarga! Sou sim a favor de um acumulo de forças para investimento num objetivo específico, porém não se pode passar do limite. A energia deve fluir, o seu sentido é esse. Ela pode ser investida e canalizada num alvo, porém deve correr definitivamente. Sentimos pressão como um sinal de que a energia não está fluindo devidamente, está acumulando demais. Numa represa quando isso ocorre ou se abrem comportas ou a água destrói a barragem. Assim é a vida, somos represas, podemos reter e potencializar o fluxo da energia, mas se não soubermos lidar com isso somos destruídos.

Estresse, pressão, tensão são excessos de energia que devem ser canalizados para um objetivo. E quando isso acontece o homem é capaz de fazer maravilhas! Essas sensações ao contrário do que dizem, são naturais da vida. São potencializadoras! Às vezes, a tensão e a pressão já podem ser consequências de uma ansiedade mal administrada, por situações mal resolvidas – não enfrentadas –. O que é a raíz do problema. Momentos tensos exigem mais de nós, pedem que cresçamos em algum aspecto. O importante é a gente entender isso. É a própria natureza pedindo mais coragem e mais potência e não se deve fugir. Não se evita a vida. Toda pressão gerará em si mesma uma contenção natural de forças, que pode ser contida ou canalizada. O acúmulo poderá ser combustível ou uma dinamite, depende de cada um. O mundo está rápido, nossa percepção é essa. Isso é uma consequência da evolução humana, não se barra, se potencializa inteligente e sustentavelmente. Se não há como barrar a vida, precisamos aprender a potencializa-la. A resposta sempre será de dentro para fora. Um caminho individual e pessoal. Aprenda a lidar com a pressão do seu dia a dia e potencializa sua energia canalizando num alvo. Ao fazer isso de forma eficiente você propulsionará sua vida com maior intensidade.

E aí, a sua energia está engarrafando ou fluindo bem? Está sentindo alguma pressão?? O que está fazendo a respeito??



domingo, 30 de setembro de 2012

A MODA É BRASIL!


Faz algumas semanas que não posto aqui no blog, a vida anda meio corrida. Meu curso na faculdade está chegando ao fim e já observo em muitos aquela expectativa natural para entrar no mercado de trabalho na área que estudou. A gente fica meio ansioso, e inseguro, o mundo está mudando muito rápido, é impossível saber o que esperar. Para o que se preparar! O que funcionava não serve mais e talvez o que hoje funcione amanhã também não sirva. A necessidade de adaptação, reinvenção e inovação é essencial.

Em últimas andanças pesquisando na internet e lendo artigos em revistas, fiquei muito feliz de ver que o nosso país é a bola da vez. O brasileiro é naturalmente talentoso, mas ando me surpreendendo com as coisas que acompanho. Acesso alguns blogs, sites, perfis, e noto como tem gente jovem se despontando, escrevendo tão bem (muito bem mesmo!) e sendo elogiados por isso. Assisto no Youtube músicas de cantores brasileiros que infelizmente não são tão reconhecidos pela mídia geral e vejo que fazem sucesso. Fico feliz por isso. Tenho a ligeira impressão que os olhos da mídia nacional (e internacional) estão se voltando para o Brasil e não mais para criticar negativamente apenas. Demonstrando nossas mazelas para o mundo. Porque já estamos cheios disso. Cresci ouvindo falar que brasileiro era sacana, sem vergonha, que burrice, comodidade e “noção de esperteza” eram características naturais da nossa gente. Parecia estigma. Ficava revoltado ao assistir filmes brasileiros que só retratavam favelas, assaltos e mortes, como se o Brasil se resumisse a isso. Gringos iam mesmo ter essa impressão sobre nós, lutávamos para passar essa imagem. Sensacionalismo a parte, só faltava dizer que aqui tinha canibal!

Agora vejo uma linha lutando de forma contrária, se esforçando para mostrar o nosso lado bom, e ainda existem muitos talentos escondidos nesse país. Escritores. Compositores. Músicos. Professores. Políticos. Donas de casa. Pessoas ilustres que ainda não receberam seu devido reconhecimento. Temos coisas boas como referência. Belas praias. Belas obras. Música e culinária invejáveis. A lista é generosa também. A diferença estava nos holofotes, todo o tempo miramos lá fora. Nas rádios brasileiras as músicas de sucesso eram estrangeiras. Os filmes considerados bons eram só os americanos. Livros, técnicas, tecnologias...tudo lá de fora, aqui, cultuávamos. Endeusávamos até! Enquanto o nosso povo era esquecido, as nossas músicas pouco conhecidas e tocadas, a nossa comida taxada de comum, o nosso gingado interpretado como vulgar e o nosso jeito de pensar apelidado maldosamente de “jeitinho brasileiro”, de povo que só pensa em tirar vantagem de tudo e de todos.

Sem preconceito e sem desmerecer outras nações, apenas defendo o momento do Brasil ser elogiado por algumas coisas, também temos o lado bom. Acho que durante todo o tempo nós mesmos esquecemos disso. Hoje quando ouço que está na moda ser brasileiro ou falar do Brasil dou é graças a Deus por isso. Que bom! Já era a hora mesmo de entrarmos em moda. Mais do que tempo. No Brasil tem violência, drogas, corrupção, tudo e mais um pouco? Tem! Todo mundo sabe! E não falo com orgulho. Mas lá fora tem também. Todos os países atualmente sofrem praticamente os mesmos problemas sociais e ambientais, se igualamos nas análises. Não cabe mais esteriótipos negativos. Tem político ético, tem pai de família trabalhador, tem policial justo, que são brasileiros. Tem um pouco de tudo aqui, da mesma forma que tem um pouco de tudo em qualquer outro país.
Estou muito feliz com esse cenário que está aos poucos mudando. Parece o famoso dito “o jogo virou”. Situações provam isso. Hoje leio revistas que escrevem positivamente sobre o Brasil, dedicando capas e longas matérias falando bem da nossa gente. Programas e filmes privilegiando algo positivo do país. Ou pelo menos saindo daquele esteriótipo “terra sem lei”. Sem falar que pela primeira vez se observa na cena internacional o Brasil sendo colocado com respeito nas discussões. Estamos conquistando o nosso espaço. Se antes éramos os bandidos ou os sem vergonhas dignos de correção, apenas os coitadinhos da roda, quando não os vilões, já se observa a mudança. Uma mudança vagarosa e capengante, mas que pegou gosto pelo avanço e aprendeu o caminho. O mundo parou (mesmo que a contragosto) para nos ouvir, para aprender conosco! Porque o brasileiro pode ter sido menosprezado e subjugado, mas ninguém tira o mérito da nossa gente de ter sobrevivido com desigualdade social e aprendido a matar um leão por dia para sobreviver, e mesmo assim ter conseguido o privilégio de progredir. Parafraseando o Zagallo: acho que daqui para frente vão ter que nos engolir!