Quando criança me chamava a atenção o poder que algumas pessoas parecia ter sobre outras. Achava mágico isso! Mas eu sabia que não era um poder natural, ou legítimo como o de uma autoridade por exemplo - um pai, um professor, um policial -, também não era nenhum dos poderes que mais tarde eu estudaria no curso de administração, na faculdade. Era um tipo de poder diferente, sorrateiro. Bem disfarçado. Quase uma influência tênue que não se podia originar, medir, estimar; muitas vezes difícil até mesmo de constatar, pois geralmente era operado por pessoas tão inteligentes, espertas, sorridentes, pareciam queridas por todos e longe de qualquer suspeita. Então eu cresci observando de perto pessoas com esse comportamento, que operavam esse tipo de poder quase sedutor que eu aprendia a cultuar, queria desenvolver...
Na adolescência admirava pessoas com esse poder e acreditava que talvez o mundo realmente funcionasse desta forma: algumas pessoas precisavam mesmo conduzir outras. Ouvi, e gostei: "o mundo é uma selva e é dos espertos!".
Comecei a estudar como funcionava esse tipo de poder, qual o perfil dos que o operavam e como o resultado era sempre certeiro, garantido, e as ações quase imperceptíveis vistas de fora. Era como uma sessão clandestina de hipnose, do qual os participantes passivos não tinham conhecimento (nem antes, nem depois); envolvia palavras bem colocadas, "com as vírgulas nos lugares certos" - então entendi como uma vírgula colocada noutro lugar da frase mudaria completamente a ideia do texto... Numa conversa, se aplicar isso numa linguagem corporal previamente estudada, numa fala mansa e objetiva, com um toque de insinuações subliminares, em tons de voz modelados, poderá ver perfeitamente como o raiar do dia o que eu comecei a compreender nessa época, do que se tratava esse tipo de poder. A arte da manipulação...
Depois disso prestei mais atenção e não gostei dos resultados. Não dessa maneira duvidosa. Vi sempre alguém saindo ferido, magoado, prejudicado, endividado, enquanto a outra parte saía ilesa. Vi perversidade nesse movimento. Maldade. Daí então, não quis mais entender como funcionava esse mecanismo de influências ou quem o usava e sim, como se defender disso...
Sempre tive fascínio pela retórica. Na faculdade estudei muito sobre Poder e Liderança; fontes de poder; tipos de lideranças; ouvi palavras e conceitos como "admiração" e "persuasão", mas tenho certeza de que não é bem disso o que se trata a arte da manipulação. Embora pareçam coisas intimamente ligadas, acredito que diferem nas intenções do orador por exemplo. Descobri também que na história grandes universidades sempre ensinaram seus alunos como dominarem bem técnicas assim.
Hoje penso em como o dom da palavra, numa mente doentia sem escrúpulos, pode ter resultados devastadores. Não é difícil associar o sucesso dessas operações ao pouco esclarecimento das "vítimas"; mentes menos iluminadas sempre foram dominadas por outras brilhantes. As pessoas mais carentes, as com menos informações, as mais emotivas, as desesperadas, desesperançosas, as inseguras, ou às vezes aquelas mais fanáticas - que ficam cegas - são os alvos perfeitos. Pessoas essas que compram o que não cabe no orçamento por exemplo, aquilo que não precisam, parcelado com juros abusivos, e encontram garantias certas de endividamento; certamente que nesse caso o vendedor foi "bom" com as palavras...
Percebi que existem pessoas "boas" com as palavras em todos os setores; médicos, advogados, pastores, padres, professores, líderes, políticos, todos podem manipular, porque via de regra somos humanos e nos comunicamos. E a linguagem é o canal por onde essas cordas navegam. Onde houver qualquer tipo de linguagem haverá sempre a possibilidade de manipulação e a única coisa que pode nos proteger contra isso é a iluminação da mente. Precisamos pensar por nós mesmos, com os pés firmes no chão, analisando uma situação de longe, com calma, e ter sempre um pouco de desconfiança.
Se nesse jogo de poder nós somos marionetes que não enxergam as cordas, tudo o que precisamos então é ter equilíbrio entre razão e emoção, ter informação e conhecimento, serenidade e paz, e sempre, deixar o manipulador pensar que está no controle!
domingo, 23 de junho de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Essa tal humildade
Outro dia ouvindo rádio
ouvi uma frase interessante: "a vida, diferente da escola, primeiro dá
a prova e depois a lição". Achei sábio isso. Mais verdade
impossível. Muitas vezes na minha vida me peguei me comportando
diferente do que de fato eu gostaria. E noto como é comum fazermos
isso. Como é comum esquecermos facilmente dessa tal humildade. Eu
não sei bem porque fazemos isso, mas acredito que tem muito a ver
com uma vontade de sermos aceitos, de sermos bem recebidos, porque
ninguém gosta de ser rejeitado. Só que entendo que a rejeição faz
parte. Aliás, é um direito nosso. Todo ser humano tem o direito de
gostar ou desgostar daquilo que bem entender. Inclusive uns dos
outros até. Cabe apenas o respeito. O difícil é na prática!
Porém, é justamente aí que precisamos ter maturidade suficiente
para erguer a nossa cabeça e continuar o nosso caminho, seguindo
aquilo que acreditamos, ao lado de pessoas que verdadeiramente nos
apoiam. Mesmo que desagrademos uns e outros. Mesmo tendo que transpôr
aqueles que desaprovam. O que a gente não
precisa é enganar ninguém. Usar de truques, de bajulações, de
encenações.
Como por exemplo.
Quantas vezes numa conversa que deveria ser banal não usamos, para
as palavras simples que seriam de fácil entendimento, os sinônimos
sofisticados? Dá à conversa um “ar bonito”, “melhor”. Em
outras ocasiões pensamos duas vezes antes de sair de casa com a
mesma roupa, por acharmos que não fica bem repeti-la. Ostentamos uma
expressão de poder sempre. Selecionamos de quem podemos ou não ser
amigos. Quem nunca fez isso? E por que fazemos isso? Ou melhor: para
quem fazemos isso? Eu juro que não consigo entender. Quando me pego
agindo dessa maneira tenho vergonha de mim mesmo. Porém é quase
inconsciente, a gente faz sem perceber. Talvez seja culpa do
capitalismo. Talvez seja culturalmente imposto e aprendemos então
desde muito pequenos que precisamos ostentar uma imagem de sucesso e
estarmos próximos de pessoas que nos transmitam essa ideia. O que é
sucesso, de verdade, é complicado de responder. Para algumas
pessoas estar dentro roupas de marcas famosas e caras, num carro do
ano e indo para grandes festas com amigos populares é estar na lista
dos bem sucedidos. Para outros sucesso é ter saúde, estar com a
família e apenas viver uma vida simples. Eu não estou aqui para
responder isso, nem sou alguém para julgar o que é certo ou errado,
e não quero parecer moralista demais, cada um vive a própria vida
como bem entender. Mas apenas acredito que sucesso, seja lá como
for, precisa vir espontaneamente. Consequência natural. E mais,
precisa ser de forma saudável. Saudável para a mente, para o corpo,
e para o bolso! Sucesso precisa casar-se com humildade. Todos
nós mesmo fazendo muito sucesso sempre seremos pequenos em algum aspecto. Por isso querer ser o que
não somos, falar sobre o que não dominamos, fazer o que não
gostamos apenas para impressionar pessoas que mal conhecemos, não sei se é algo muito bom. Hoje quando olho para
trás e lembro quanto dinheiro, tempo e energia eu já gastei para
impressionar pessoas, que hoje nem lembram que eu existo, não me faz
sentir mais tão bem. Então o conselho que dou é o mesmo que sempre
me dou: pensa lá na frente, olha de longe. Acho que o prejuízo
maior nem é o dinheiro, porque ele vai e vem. O maior prejuízo é o
tempo, pois esse somente vai.
Hoje quando começo qualquer relação me policio ao máximo para não transmitir nada além do que de
fato eu sou, do que de fato eu tenho, do que de fato eu penso, do que
de fato eu quero. As relações que se sucedem a partir disso –
embora sejam em menor número – são honestas, mais interessantes pra mim, mais a ver comigo, e essas sim
me ensinam muito. Aquelas que não vingam, eu não forço, já trato de me
conscientizar que não eram pra mim, vieram no meu caminho mas não
exatamente pra ficar nele, vieram apenas com o propósito de me
lembrar de ser humilde. É um exercício constante...
"Abriga-te na
humildade,
Não busque mundana
estima.
O ouro afunda no
mar,
A palha fica por
cima."
(Chico Xavier)
segunda-feira, 1 de abril de 2013
5 ANOS DE BLOG
Este
mês de abril, o blog faz cinco anos. Eu não imaginava, quando o
comecei, que fosse chegar tão longe. Não imaginava mesmo. Com esta,
são cento e sessenta e cinco postagens. Algumas são somente de
vídeos do Youtube; as outras, que são a grande maioria, são de
textos assinados por mim – salvo citações de outros autores
que coloco para enriquecer e enfatizar a proposta dos posts.
Nunca
me censurei por escrever errado aqui no blog. Como assumo sem
vergonha nenhuma que ainda escrevo. Aprendo muitas coisas, inclusive
sobre a gramática da língua portuguesa, escrevendo e errando aqui.
Acho importante nos atentarmos às normas do padrão culto da língua portuguesa, mas não
menos importante é nos expressarmos, é importante conhecermos e respeitarmos a língua
formal, mas a finalidade suprema de toda e qualquer língua é a informação, a aproximação, o comunicar-se, o fazer-se
entender. Nesse pensamento, não invalido a importância da língua padrão, mas me atento a não exagerar mais na preocupação da forma, que da ideia, da transmissão.
Parece
que esses anos todos de blog passaram rápido. Mas sei que não foi
bem assim. Ao ler algumas postagens antigas, marcantes, lembro-me de
alguns momentos difíceis que perduraram quase uma eternidade, pelo
menos a sensação foi essa, e como foi sofrido atravessá-los.
Certamente que escrever aqui amenizou muita coisa.
Quando
criei este espaço, eu imaginava o mundo de um jeito bem diferente.
Eu tinha uma outra cabeça, com outras ideias, outros valores e
outros conceitos. Soma-se isso a uma personalidade rebelde, e
bastante impulsiva, e poderá entender a razão de determinados
posts. Hoje me sinto feliz por ter continuado com este projeto. Para
mim esse blog foi um projeto; e começar qualquer projeto é mais
fácil do que dar continuidade nele, porque é somente na
continuidade que nos deparamos com os percalços do caminho. Mas
também, é somente na continuidade que se faz valer a pena qualquer
coisa na vida. Tudo na vida ganhará outro sentido, um maior valor,
ao persistirmos. Ao enfrentarmos. Ao resistirmos. E eu tive que
persistir muito para escrever aqui no blog... Vencer a vergonha de
falar de problemas próprios e o medo de às vezes correr o risco de
ficar exposto demais às críticas dos outros. Assumir o que pensamos
e bancar isso não é fácil. É mais bonito, e confortável,
ficarmos quietos. Causa menos atritos. Só que eu já aprendi que
pagamos um preço muito alto com isso, parceladamente. Então prefiro
ser honesto comigo, e pagar minhas dívidas à vista. Assim não tem
juros!
Nesses
cinco anos escrevendo aqui no blog aprendi muitas coisas. Desenvolvi
disciplina e organização para tornar esse espaço entendível. Meu
vocabulário enriqueceu bastante, conheci palavras novas e aprendi
escrever muitas outras corretamente; tenho certeza que isso me ajudou
a tirar uma boa nota na redação do ENEM e obter uma bolsa integral
do PROUNI – foi isso que pagou meus estudos –. Aprendi mais sobre
mim mesmo; escrever é uma forma legítima de autoconhecimento,
porque é uma espécie de materialização do que se passa dentro de
nós mesmos, e ao fazer isso trabalhamos melhor com várias questões.
Registrar os momentos ao longo desses anos todos me deu a constatação
da efemeridade da vida, hoje encaro as fases difíceis com maior
paciência, pois sei que, como tudo, elas são transitórias. Perdi
alguns medos tolos e ganhei mais coragem para assumir o que penso.
Me permiti ver e viver a minha vida com outros olhares. Diferentes. Acredito
que é extremamente rico para qualquer pessoa se abrir para novas
perspectivas de vida, através de novas leituras de mundo. Outro
grande ganho com este espaço virtual foi a oportunidade de pesquisar
sobre assuntos que fogem da minha realidade financeira, social ou
política e publicar aqui através de documentários, filmes, vídeos,
textos ou imagens de diversos autores. Acho que se eu não tivesse o
blog talvez nunca me sentisse motivado ou interessado por assuntos
tão distintos, que hoje acho tão interessantes.
Mas o maior ganho
de todos, que digo de se ter este espaço, é poder afirmar
categoricamente que todo ser humano é capaz de oferecer algo de bom
quando ele quer. Por muito tempo me julguei incapaz de muitas coisas.
Dar continuidade no blog foi uma delas. Que bom que eu estava
enganado...
Hoje quando sei de alguém que acompanha o blog que, em
algum momento da sua vida, seja lá de que forma, por um instante que
seja, o que eu escrevi marcou essa pessoa, isso me revigora.
terça-feira, 12 de março de 2013
Seja mais tolerante
Uma
brasa, longe do fogo, é simplesmente um pedaço frio de carvão.
Eu
me surpreendo sempre que me deparo com alguém tomando uma atitude
extrema, sem avaliar a consequência disso a si mesmo e àqueles que o
cerca. Sem se dar conta da importância de parar, pensar um pouco e tolerar. Observo que, na grande maioria das vezes, falta de tolerância tem resultado inesperado e consequências desagradáveis. Às
vezes, parando um minuto para pensar já não agimos do mesmo jeito.
O resolver as coisas de cabeça quente, crente que somos os únicos com a razão, termina não resolvendo nada. Pois
é numa bobeada que nós determinamos coisas que podem
mudar nossas vidas de maneira séria e importante. E a vida toma
outro rumo mesmo. O resultado é pra valer! Ninguém faz o que quer na vida. Pelo menos não uma
pessoa saudável, sociável, respeitadora. Vivemos em conjunto, onde
os limites se fazem necessários. Limites esses estabelecidos para
nos ordenar, nos organizar, nos potencializar, nunca com o intuito de
nos oprimir, nos barrar ou nos separar, porque ninguém pode ser uma ilha isolada do todo,
nós precisamos, obrigatoriamente, nos relacionarmos. O ser humano
não consegue viver uma vida toda solitariamente, isso é impossível. Nos dias atuais, o
que me parece muito fácil de acontecer nas redes sociais, sempre foi
impossível de se concretizar na vida real: a desconexão. Não há
desconexão na vida real.
Há
alguns dias notei que um amigo desativou sua conta do facebook,
eu não o encontrava online em lugar nenhum mais. Até
recentemente... Aí, conversando com ele – numa das raras vezes em
que deu às caras -, ele comentou estar cansado das suas relações e
por conta disso excluiu sua conta e decidiu afastar-se dos
amigos, dos familiares e dos colegas de trabalho. Passou a anular e ignorar
todo mundo. Essa história até parece brincadeira, mas me chamou a
atenção o fato de ele decidir isso por se decepcionar com as
pessoas que se relaciona e acreditar que simplesmente anulando todo
mundo, as decepções se encerram. Tal atitude é tola. Falei isso para ele. Aquele que
acredita ser superior, que não precisa de ninguém, que faz o que
quer, como quer e vai onde quer, não tem valor nenhum para a vida.
Isso me lembra aquelas pessoas moralistas demais, religiosas demais,
que precisam crucificar qualquer coisa que vá contra seus
princípios, ou aquelas pessoas donas da razão, que não abrem espaço para um argumento.
A
vida é um jogo de forças conflitantes e contraditórias, e estamos
nesse jogo quer queremos, gostemos, optemos, ou não. Nós somos esse
jogo. As relações humanas são difíceis; relação entre pai e
filho, relação entre chefe e funcionário, relação entre irmãos,
relação entre vizinhos, todas as relações entre os seres humanos
são conflitantes, passam por ajustes constantes, são verdadeiros desafios, porque via de regra
somos diferentes. E somos humanos! Isso exige paciência com o outro,
tolerância com as diferenças, respeito com os direitos e limitações;
compreensão com as opiniões e as ideologias opostas as nossas.
Eu
entendo em partes esse meu amigo, eu evito até
hoje algumas pessoas difíceis. Acredito que todos nós temos algumas pessoas que queremos bem longe da nossa rota. Até acho saudável um
afastamento de tudo aquilo que nos adoece, que nos causa mal. E algumas
pessoas nos fazem mal realmente. Alguns hábitos, alguns lugares,
algumas circunstâncias não nos trazem nada de bom e, em
casos assim, acho o distanciamento necessário mesmo. Agora, achar que eu
estou sempre certo e o restante do mundo está errado, que eu quem
manda e os demais são obrigados a acatar tudo é estar sendo
ditador, arrogante, preconceituoso e julgador. Quem pensa e age dessa forma
não vive a vida, porque está morto por dentro. Se fazemos parte de tudo e não
há a capacidade de desconexão, isso significa que vida é sinônimo
de coletivo, de união, de equipe, de conexão e o que desconecta
disso está morto.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
AUTOCONHECIMENTO
Você
é capaz de se responder qual é a sua melhor qualidade? Ou talvez
qual é o seu pior defeito? Quais são as suas aptidões e
habilidades natas, ou aquilo que você acredita que pode melhorar? E
os momentos de crise, aqueles dilemas complicados, os períodos de
reflexão, tem enfrentado?
Se as respostas a essas perguntas for não,
então é melhor pensar mais a respeito de um autoconhecimento. Ainda
mais se você já passou de uma certa idade, pois isso significaria
que teve bastante tempo para ser capaz de se avaliar. Acredito, é
claro, que nós sempre mudamos, e que isso torna difícil nos
analisarmos, porém, quando não somos capazes de dizer quem somos
hoje ou pelo menos o que queremos agora, nós ficamos a mercê do que
a vida tem a nos oferecer. E a vida pode oferecer qualquer coisa...
Ao
violinista desafinado por exemplo, a vida pode oferecer um talento
para o piano. Ou talvez à bailarina, uma bela voz e um desajeitado
equilíbrio. São coisas assim que acontecem o tempo todo. E em ambos
os casos há talentos desconhecidos e por isso não explorados. E frustrações. Eu ainda não ficaria nenhum pouco surpreso
se me dissessem que um analfabeto poderia ser um grande escritor um
dia, pois logo eu imaginaria que isso significaria ele nunca ter tido
a felicidade de pegar num lápis e num papel, e conseguir traduzir em
linguagem compreensível a sua arte. Porque se assim fosse, quem
sabe! Como também acredito que a vida pode ser bastante dura àqueles
que não vão atrás do que os move. Ou seja, aquelas pessoas que não
se conheceram bem, ou que às vezes até se conheceram mas por alguma
razão se recalcaram, e com isso perderam o brilho da existência.
Vivendo assim uma vida opaca, pouco nítida, quase um rascunho
apagado daquilo que deveria ter sido a original. E isso assombra,
não!?
Por
essas e outras razões acredito que existem pessoas que no fim da
vida se encontrem frustadas ou chateadas com suas próprias vidas. Às
vezes consigo mesmas. E não raro acho engraçado quando ouço dizer
que alguém “abandonou tudo e foi viver de verdade a própria
vida”. Se assim fosse, de quem seria a vida que esse alguém
arrastou por tantos anos hein?! Seria dos pais? Dos amigos? Talvez da
sociedade?
Imagine-se
vivendo por tanto tempo uma vida que não é a sua, uma vida que os outros idealizaram pra você, ou que talvez você achou que seria
boa, legal, lucrativa... se você não tivesse que ter pagar um preço
tão alto, né...
Agora
falando sério. Acredito que a sociedade tem passado por mudanças
realmente significativas e isso afeta também significativamente a
forma como nos relacionamos, compramos, trabalhamos, como convivemos
em sociedade. Tenho a impressão de que as sociedades no geral,
historicamente, sempre buscaram os mesmos objetivos: construir e
acumular. E isso significou modificar e desenvolver velozmente as
estruturas externas. O nosso entorno. As sociedades. O nosso próprio
físico, nós acumulamos peso. Desenvolvemos a tecnologia. As custas
de um agressivo desgaste ambiental também. No entanto, esse olhar
excessivamente para fora "da caverna", ao ambiente externo, juntamente a um acúmulo de energia quase unicamente num único alvo, fez-nos
esquecer da parte interna. O nosso interior. Desenvolvido
desproporcionalmente. Nesse sentido, acredito que quem mais se prejudicou é justamente quem revolucionou o externo. O homem.
Arrisco dizer que esse comportamento – “tipicamente masculino”
– é o que possibilita que as mulheres hoje tomem naturalmente a frente na
sociedade.
Historicamente,
enquanto os homens saíam de suas cavernas para caçar e mais tarde de
suas casas para trabalhar, as mulheres ficavam no lar costurando seus
sentimentos, cozinhando seus pensamentos, arrumando seus demônios
e suas crises. Isso fez com que o autodesenvolvimento feminino,
historicamente, tivesse muito mais condições (des)favoráveis de
crescimento. Ainda por essa razão, não é raro acompanharmos notícias
de que as mulheres estão mais bem preparadas do que os homens para
lidar com os desafios contemporâneos. Dilemas atuais que exigem um
olhar mais amplo, uma inteligência intuitiva e uma capacidade mais
humana e empática nos relacionamentos – características
“tipicamente femininas”, uma vez que o homem sempre pendeu
para um olhar mais objetivo, uma inteligência instintiva e uma maior frieza
nas relações.
O
objetivo deste post não é dizer que os homens devem se tornar as
“novas mulheres”. De maneira nenhuma! Há benefícios em ambos os
gêneros. O fato é que o mundo contemporâneo está passando por
radicais transformações e todas as estruturas de poder, de
sociedade, de padrões de comportamentos etc, sentem os abalos. Não
existem características masculinas e femininas de fato, essas
classificações são reducionistas e estereotipadas. E, nesse
contexto, o que inadvertidamente se encaixa é o olhar centralizado
para o todo, é a mente fechada para o novo, é o raciocínio linear,
sucessivo. E, nesse contexto, as mulheres estão mais bem garimpadas
do que os homens. Eu só espero que elas não se tornem, também, “os
novos homens”, pois já está havendo por aí uma leva de homens
demasiadamente amedrontados e mulheres demasiadamente tiranas!
Vale
lembrar que, isso, não é uma competição. E que, separados, nós
nunca sobrevivemos.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Nem quantidade nem qualidade, mas sim intensidade!
O
ano de 2012 está chegando ao fim e já posso sentir a energia de uma
nova fase iniciando...
O
ser humano só atingirá toda a capacidade da melhor finalidade da
sua criação quando ele equilibrar instinto e racionalidade. Agindo
somente por instinto ele é animal cruel e violento, agindo somente
pela razão ele é máquina fria e sem vida, agindo com os dois ele é
Homem!
Agradeço
a Vida pelas experiências que tive neste ano. Agradeço o que
aprendi e o que ainda não fui capaz; agradeço o quanto amadureci
com os erros, com os meus vacilos e a força que encontrei em mim
mesmo e em poucas pessoas queridas para seguir em frente; agradeço
as minhas derrotas – e a elas digo provocativamente “ainda estou
de pé!” –. Eu agradeço também por algumas vitórias, medos e
dores superados, alegrias, como também a todos a quem compartilhei
esses momentos. Eu agradeço poder ter tido a oportunidade de viver
tudo isso. Por ter sido parte disto. Ter crescido com isso! Descobri
neste ano que a intensidade é o que mais importa na vida. A
capacidade de gozar profundamente de uma boa existência está em
sentirmos os instantes, incorporando a vida. Um dia achei que
quantidade e qualidade fossem as coisas mais importantes na vida, mas
hoje acredito que o importante é sentir. Posso ver obras de arte de
extrema qualidade e ainda assim não sentir absolutamente nada se
isso não me toca; como posso ser fisgado por uma paisagem árida ou
pantanosa. A capacidade de ver a vida com bons olhos está em nós
mesmos.
A
grande questão não está na qualidade das coisas nem na quantidade
do que possuo, mas sim no desenvolvimento desta capacidade de sentir
com intensidade. Característica essa que eu particularmente sempre
abominei por medo das emoções, do descontrole que elas me causam.
Sempre evitei emoções muito intensas, buscando estar com um pé
firme e seguro na racionalidade excessiva. Mas eu, na categoria de
ser humano errôneo e em contínuo processo de aprendizado, hoje
afirmo: viver sem intensidade a vida é como um pássaro que se
recusa a voar ou um peixe a nadar. Simplesmente não é natural. E
talvez nem seja possível. As emoções não nos trazem um
descontrole, elas apenas nos lembram que nunca o tivemos de verdade!
Talvez esse seja o nosso maior incômodo para sentir livremente, as
emoções nos destronam do pódio que nós mesmos nos pusemos e isso
evidencia o quanto somos regidos e pequenos frente a força da Vida.
Acredito sinceramente – quânticamente falando – que somos
instintivamente movidos ao altruísmo, a um bem maior, mas a
racionalidade excessiva nos impossibilitou esse sonho. Precisamos
aprender a ouvir os nossos instintos, porque instintivamente somos
movidos a amar, a sonhar, a criar! Somos os únicos animais racionais
por algum motivo, não seria a toa. A divindade e o altruísmo do Homem está nesse equilíbrio.
O
que levaremos desta vida então é tudo o que fomos capazes de tocar
e sentimos que nos tocaram também; aquilo que verdadeiramente nos
doamos de coração, aquilo que nos embriagou a alma, que nos tirou o
chão, que nos permitiu sonhar e criar, que nos enlouqueceu por
instantes, sem o qual uma vida não valeria a pena. Vou para 2013 –
se assim me for permitido – com a promessa de praticar o exercício
constante de saber viver. Quero ter talento para viver melhor fora
das páginas frias da internet, das estórias dos personagens dos
livros, das imagens panorâmicas das revistas, dos vídeos em HD, das
ilusões... A vida até pode ser rascunhada em palavras, mas ela só
é perfeitamente descrita em silêncio. Através de oração,
comunhão, contemplação. Não se aprende a viver numa tese de doutorado, a vida não
pode ser significada num artigo científico, por essa razão nem
terei a pretensão de me fazer entender neste humilde post,
mas terei esperança de conseguir o que uma boa leitura faz:
despertar a sua curiosidade! A curiosidade é o que te move. E
movimento é vida.
O que aprendi este ano e gostaria de dividir neste
post é que controlar demais a vida, por medo dos instintos e de
emoções como dores e decepções, é impossível. Então curve-se
diante da intensidade da vida. Mas aceite o jogo. Joga. Topa essa. Paga pra ver.
Encara. Enfrenta! Cresça com isso. Entra de peito aberto em 2013 e
se prometa algo melhor dele em diante. Ainda que nada se cumpra do
jeito que você esperou, seja capaz de sentir com toda força os
instantes de sonhos, de promessas, de desejos, porque a gente nunca
sabe quais deles se realizarão!!!
FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO!
QUE 2013 RENOVE SUAS ENERGIAS E REALIZE SEUS SONHOS!
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Liberte-se deste excesso de um falso controle
"Sou
eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha
resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo
me der" (Carl Gustav Jung)
Recentemente
fiz espontaneamente uma avaliação mental com fins científicos, que
se objetiva a caracterizar temperamento, comportamentos e aspectos
pessoais, assim como também avalia sintomas e transtornos
psiquiátricos possíveis. Fiz online. Gratuitamente. Utilizei este site. Vou
dividir este post em dois temas centrais. No primeiro falarei da
importância de nos expressarmos. No segundo, foco desse post, utilizarei o resultado do meu teste para argumentar sobre o excesso
de um falso controle.
Achei
interessante e gostei da elaboração e sistemática do teste,
principalmente do resultado dele, que acredito que chegou muito
próximo de como estou – neste momento. Alguns já devem ter notado
aqui no blog que gosto de assuntos com um teor psicológico.
Psiquiátrico. Filosófico. Sociológico. Gosto de ler artigos e
matérias sobre eles sempre que posso. Sobre neurociência,
quântica e medicinas alternativas também. Sou curioso e pesquiso
sobre qualquer coisa que me interesse. Leio sobre um assunto, observo
as teses contrárias sobre ele, avalio tudo e tiro minhas próprias
conclusões - que jamais foram verdades absolutas, uma vez que nunca
cursei essas especialidades numa faculdade por exemplo. Aqui neste
blog então nunca existiu nem existirá alguma verdade absoluta. Se
bem que nem mesmo um especialista será algum dia dono de verdades
universais. Mesmo assim, continuo convicto da importância de todos
nós termos opiniões pessoais sobre as coisas. É importante que nos
posicionemos no mundo. Isso é ter atitude como pessoa!
Sei
que utilizo um método dedutivo para escrever aqui, que pode sim ser
a argumentação de um leigo em muitos assuntos, mas baseio-me sempre
em referências e considero importante o ato da expressão. Não
tenho dúvida que a humanidade só evolui na tentativa e erro,
através da troca de experiências e opiniões contrárias e
pessoais. É uma grande pena o fato de uma pessoa se intimidar pela
opinião pública e deixar de expôr suas ideias em razão disso. Por
medo talvez de ser taxada de arrogante, cala-se. Num silêncio que
nunca emite o que pensa. Nunca fala do que gosta. Estando sempre a
margem de si mesma. E isso é muito triste. Há pessoas de uma
indiferença total a cerca de qualquer assunto, nunca têm opinião
formada sobre nada. Vivem num relativismo pouco ou nada produtivo,
que acho muito castrador, não traz criatividade nenhuma e no fim empobrece e enfraquece a existência. Expressar-se é viver!
Expressar-se não é sinal de arrogância, sim de potência, de
coragem. Arrogância consiste na forma de se expressar, não na
expressão em si. Apesar de jamais existir um único caminho,
isso não invalida o direito da argumentação. Da dedução. Daquele
famoso chute! E se no fim se provar que estávamos errados o tempo
todo, pelo menos alguém foi forte o bastante para erguer a mão e emitir sua opinião contrária!
Termino
então essa parte do post lembrando que nascemos dotados de
racionalidade. Se cada um tem o seu próprio cérebro,
significa que não vamos pensar a mesma coisa que todos nunca.
Então a gente não precisa fingir que pensa!
Quanto
ao teste, uma coisa chamou muito minha atenção no resultado, que
foi o aspecto "controle", um dos aspectos avaliados neste
teste. Fiquei pasmo ao deparar com um altíssimo grau de controle no
meu comportamento. Sei que sou bastante disciplinado e gosto de
regras, mas fiquei realmente impressionado com a escala de avaliação
para o quesito controle, que deu quase 100%! Noto isso agora mesmo,
neste momento que escrevo. Eu escrevo uma palavra e já apago.
Escrevo outra e reescrevo a frase inteira. Numa tentativa incansável
de encontrar as palavras certas que darão o exato sentido ao que
quero expressar aqui. E sabe o que é isso? Isso é uma pura besteira!
Não há palavras exatas. Há apenas uma ideia na minha
cabeça. Mas essa neura quase infernal que me trava. Isso explica porque não postei nada nos últimos dias,
mesmo querendo muito. Tive inúmeras boas ideias que, no
instante que sentei para escreve-las, já não me pareceram mais tão
boas assim. Então saí em busca de melhores ideias... Nem
preciso dizer o resultado né, o que isso significa... O tempo passa e a vida vai embora...
Quando
tentamos controlar demais a vida deixamos de vive-la então, porque Vida necessariamente é descontrole. Absolutamente. É improvável, intangível, indomável. A vida, as paixões, a alegria, os
prazeres todos são impossíveis de serem totalmente controláveis e por natureza tendem a nos destruir. Ao vivermos demasiadamente uma paixão sentimos que ela nos adoece. Um prazer levado ao extremo pode ser a causa da nossa morte. A vida em si leva a morte. Porém é através de controle que existimos, e no entanto não significa que o excesso de
controle garante domínio sobre a vida. Porque não controlamos nada
em absoluto. Nem a nós mesmos!
Neste momento sinto como se
estivesse em frente a um enorme outdoor, com letras garrafais, escrito: VOCÊ É DOMINADO!
Finalizo
essa última parte dizendo que devemos ter um mínimo de controle em nossas
vidas para vivermos plena e responsavelmente bem em família, em sociedade,
com nós mesmos. Porém sem jamais buscar um controle absoluto sobre algo, porque no fim o que encontraremos não passarão de ilusões!
sábado, 3 de novembro de 2012
SOLIDÃO, ANGÚSTIA E INOVAÇÃO
É
engraçado como ainda não percebemos quanto podem ser essenciais
momentos de solidão. Há pessoas que temem tanto eles, que no menor
pressentimento que enfrentarão a vida sozinhas, desesperadamente já
procuram uma base fixa para se apoiar. Um ombro para segurar, uma mão
para guiar a algum lugar, que ninguém melhor que elas mesmas
para saber a direção. Mas se sujeitam a serem levadas ao sabor do
vento, ao fluxo da maré, por medo dessa solidão que seria erguer as
velas da própria nau e trilhar um caminho sozinhas. É um medo tolo
esse, porque é impossível enfrentar a vida ao lado de alguém
sempre. A única certeza é que viemos e partiremos dessa sozinhos.
Não digo para ninguém viver só a vida toda, ser sozinho por opção,
mas aprender a tirar o devido aprendizado de momentos solitários.
São eles que moldam nossa existência. Apuram nossa capacidade de
viver.
Acredito
que a habilidade do homem afiar a si mesmo e recriar o mundo ao seu
redor passa por momentos de solidão. Onde é apenas ele com ele
mesmo. Não há a onde fugir. Nem a quem recorrer. A grande maioria
desses momentos é terrivelmente angustiante; águas difíceis de
navegar sem alguém ao lado como suporte. Nesses instantes que o
homem entra em contato com a criatividade. São instantes de vida
realmente sendo vivenciados. Somente a partir desse confronto com nós
mesmos, com essas energias, que nos conheceremos um pouco mais; a
partir daí surgirão novas ideias, novos olhares e o mundo
renascerá! Todo ser humano passa por momentos como esses e eles
fazem parte da sua trajetória. A vida não é apenas glórias e
vitórias. Ela é um conjunto de forças conflitantes e
contraditórias e enfrenta-las é inevitável. Viver é um exercício
de luta constante contra nós mesmos. Sem drama! Evitar a dor é
impossível, mas é necessário trabalhar com a dor inteligentemente.
Se não podemos com a vida, convertemos a dor que ela nos causa em
contenção ao nosso favor, impulsionando essa energia gerada a onde
queremos. Não controlamos a vida, mas nós decidimos seu curso em
nossa existência.
Da
dor natural que é viver surgem dúvidas em relação a própria
vida. Essas dúvidas geram um incômodo, que é angustiante porque é
desconhecido; assusta, tira o sono, não deixa pensar direito. E esse
desconforto traduzido em linguagem que a uns virá em forma de pintura, a outros em forma de dança, a outros através da escrita. Como veio esse post.
Vem através da arte. A questão é que todo esse processo carrega em
si um amadurecimento e só após atravessarmos surge o que chama-se
Inovação. A inovação é o resultado desse processo que não deve
ser negligenciado.
Muitos
escritores e pintores passam anos de suas vidas sem publicar um único
livro e pintar um único quadro. Lêem, observam, viajam,
experienciam a vida. Mas, de arte, nada surge. E por que isso
acontece? Não há inspiração. Nem necessidade. Sem ambas não há
arte. No entanto, ao atravessarem um momento sombrio em suas vidas,
rapidamente a alegria surge em suas obras. Como se fosse magica!
Quando estamos com fome qualquer coisa parece
saborosa. Sem tempo a perder, conseguimos fazer o dobro de
coisas que faríamos com mais tempo. O que altera então? Inspiração
e necessidade. Da mesma forma que a solidão gera um processo de
inovação, a necessidade e a pressão potencializam a energia. Somos
melhor motivados inspirados e necessitados.
Já
me deparei com matérias de diversos “especialistas” tentando
apontar os métodos para inovação. Congressos debatendo fórmulas
para empresas alcançarem criatividade de colaboradores. Acredito
sinceramente que isso até seja válido, porque de alguma forma estão
discutindo, mas não apostaria em métodos ou receitas mecânicas e
protocoladas. Até porque não há como tornar-se o que já se é.
Nem aprender o que já se sabe. Parto de um princípio de que todo
ser humano é naturalmente criativo e por natureza já sabe inovar.
Quando somos criança, somos inovadores por excelência, dotados de
uma capacidade de recriar e imaginar o mundo constantemente. Durante
nosso crescimento, a cultura castra essa nossa capacidade natural,
limitando nosso potencial. Criança é potencial puro! Assim sendo, o
problema não é saber ou não saber ser criativo, é uma questão de
cultura castradora que impõe severamente padrões absolutos e até
cruéis. Um modo de pensar, de sentir, de falar, de Ser. Um único
modo! Sem espaço ao novo.
Se
queremos tratar de inovação, aprendamos primeiramente a viver sozinhos, a perder, a
não sofrer com a contradição, a não temer o desconhecido, a
enfrentar a nós mesmos e a pensar por si próprios. O desafio para a
sociedade contemporânea e às empresas não é a criação de um método para as
pessoas inovarem e sim uma mudança de cultura existente.
Precisamos de uma cultura diferente da que vivemos até hoje para dar espaço à inovação. Que
seja capaz de unir corpo e pensamento, que desenvolva nas pessoas uma
visão crítica e holística sobre a vida, utilizando um pensamento
complexo e sem o tradicional medo da mudança, do erro e da solidão.
sábado, 20 de outubro de 2012
Uma caminhada chegando ao fim...
Quase quatro anos
atrás, minha caminhada universitária começava...
Na época, com 20 anos,
ainda sem saber direito se cursava Administração ou Direito,
tive que escolher rapidamente. Felizmente optei por Administração. Precisava, antes
mesmo de conhecer sobre o universo jurídico, aprender a administrar melhor minha vida. Acredito que a primeira empresa que um
administrador gerencia é sua própria vida. Aprendi que a
vida se assemelha muito a uma empresa. Há setores. Família. Amigos.
Trabalho. Estudos. Sociedade. Setor pessoal. Há horários,
tarefas, desafios, estratégias. Decisões importantes, que devem ser
tomadas quase diariamente. Tudo é muito parecido com uma empresa.
E particularmente acredito também, que aquele que não sabe se administrar bem,
também não consegue administrar uma empresa.
Apesar da dúvida de
qual curso prestar, a faculdade eu já tinha certeza qual seria.
Eu escolhi a UniPinhal. Por vários motivos. Primeiro, porque, mais
do que ser um administrador, queria cursar Comércio Exterior, e
na minha região era a melhor faculdade (*leia-se mais barato). Segundo, pelo fato de a faculdade ser longe da minha cidade natal,
o que tornaria todo esse processo custoso, trabalhoso, cansativo,
muito mais difícil. Mas eu queria isso! Sempre desconfiei
de caminhos fáceis – um conselho: sempre desconfie também! Nunca
vi com bons olhos caminhos tidos como "mais práticos". Então, em novembro de 2008, prestei o vestibular para
Administração na UniPinhal, e sei que essa foi uma ótima escolha
da qual nunca me arrependi. Durante todos esses semestres – oito
para ser mais exato –, no qual hoje curso o último, aprendi tantas
coisas sobre a vida. A principal delas foi a me tornar mais resistente
frente às adversidades. Aprendi a persistir quando o cenário se
torna difícil e a única saída é resistir. A vida exige, isso se chama bravura. Por experiência própria
garanto, que os desafios que um estudante universitário, de família
pobre, encontra pelo caminho para terminar seus estudos, não só são
muitos como são imensos. Começar um curso superior é simples, difícil é conseguir conclui-lo. De maneira satisfatória ainda.
Eu me lembro, no começo do meu curso, que as maiores dificuldades que eu tinha eram
conseguir pagar as mensalidades da faculdade em dia e me manter
acordado nas aulas depois de um dia exaustivo de trabalho. Até o
corpo acostumar ao ritmo foi penoso. Um sonho que me custa três
horas diárias, entre ida e volta, ora de ônibus, ora de microônibus, ora de van. Horas que eu sempre preenchi lendo, estudando
inglês ou me preparando para as semanas de provas. Muitas vezes só queria
dormir, para repor as poucas horas de sono à noite. Tudo isso valeu muito a pena,
porque sabia que esse percurso até a cidade de Espírito Santo do
Pinhal já era parte do meu curso de Administração – sempre pensei assim. O percurso me ensinou a ter paciência, a
ser persistente, me garantiu um trabalho duro – e como disse antes e
podem ver no post anterior, gosto do trabalho duro, porque nele eu
confio. Olho para trás e tenho orgulho dessa caminhada...
Hoje faço esse post
para recomendar a minha faculdade. A UniPinhal. Faço esse post de livre e
espontânea vontade e digo “minha faculdade” de boca cheia, com muito
orgulho. Aprendi a amar essa faculdade. Piso naquele lugar com
alegria por estudar ali e com orgulho carrego essa instituição no
meu currículo. Serei um administrador com ênfase em Comércio
Exterior, formado pela UniPinhal, com um conhecimento amplo da vida! Com
bolsa do PROUNI ainda – a partir do segundo ano. Na UniPinhal,
obtive muito mais do que um conhecimento sobre o universo da
Administração, aprendi sobre a vida em geral. Sempre tive aulas com
professores que trabalhavam nas áreas de suas aulas. Mestres que me ensinaram muito. A missão foi cumprida, escolhi a
UniPinhal porque queria também um ensino de boa qualidade e a faculdade fez
a sua parte. Não tenho o que reclamar. Muito pelo contrário. Mais do que conhecimentos teóricos de administração,
comércio exterior, recursos humanos, marketing, logística,
finanças, contabilidade, processos de produção, aprendi a ser
responsável pelo meu curso. Responsável pelas minhas faltas, responsável pelas
minhas notas, responsável pelo meu
aprendizado. A faculdade me deu todo o suporte que precisei e ainda me
ensinou a desenvolver metódos de pesquisa. Esses anos
moldaram meu perfil profissional.
Hoje estou prestes a me
formar no curso de Administração e a UniPinhal está com inscrições abertas para o
vestibular, que neste ano será realizado no dia 10 de Novembro. Divulgar é a forma que encontro para agradecer a essa instituição, aos professores e aos
demais funcionários tudo o que vivenciei e aprendi nesses anos.
Quero através desse post recomendar aos leitores que conheçam mais
sobre o Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal, a UniPinhal, curtam a página no Facebook, e para quem for trilhar o caminho acadêmico faça o
vestibular. Conheça os demais cursos oferecidos pela faculdade. Para mim valeu muito a pena, se eu pudesse voltar atrás,
faria tudo novamente!
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
P R E S S Ã O !
*Antes de tudo:
referirei-me no post a seguir a uma depressão não-psiquiátrica, a
um estado depressivo.
Gostei muito dessa
semana que passou, porque ela me rendeu boas análises a respeito de
algo que eu tinha ouvido uma vez, sobre ausência de energia ser
depressão. Cheguei a conclusão que excesso de energia mal
administrada também gera uma depressão. Essa semana passada foi um
verdadeiro desafio (esclarecedor) para eu aprender a lidar com a
pressão natural da vida. Sim, natural! Para fazer esse post, vou
partir do princípio que pressão é algo natural da vida. Vou
defender esse ponto de vista...
Quase fiquei louco com
a tensão e a pressão das últimas demandas: trabalho, estudos para
a semana de provas na faculdade – que foram mais difíceis que de
costume –, projeto para as crianças, TCC... E ainda ansiedade,
insegurança, expectativas. Dar conta de tudo isso correndo contra o
tempo! Nada fácil – bem como a vida é –. Foi preciso fazer o
tempo render e no fim terminou dando certo, improvisei quando
possível, dormi pouco infelizmente e driblei o cansaço. A coisa
toda fluiu – com muito custo –. Contava os minutos para chegar o
fim de semana e descansar. Estou comentando isso, porque escreverei
sobre como pressão e tensão são aspectos da própria vida e que
podem – e devem – ser usados ao nosso favor. Passei a última
semana tenso, cansado, mal. Quis dar conta de uma porção de coisas
e não me sai tão bem quanto gostaria. Agora, vejo onde errei –
por isso gosto de reflexão, ela nos permite avaliar onde a gente se
engana e corrigir numa próxima –. A tensão é algo que
infelizmente estamos aprendendo a lidar ainda a fórceps e na grande
maioria das vezes não tiramos proveito dela como se deveria. Tirar
proveito de pressão, estresse e tensão? Sim e pode ser algo
necessário. Canalizarmos energias ao nosso favor, do que nos
prejudicarmos.
No meu caso, semana
passada, estava realmente cansado e piorou porque não administrei a
ansiedade e a tensão, e ao invés de buscar mecanismos de vazão
para a energia, eu a contive. Esse foi o erro. Conter! Eu podia ter
feito exercícios físicos, dormido e me alimentado melhor,
estabelecido um cronograma, tudo para administrar o excesso de
demanda, mas no entanto fiz o que todo ser humano faz em momentos de
pressão: reclamar! “Tudo eu”. “Não sou dois.”. “Vou ficar
louco”. “Estou cansado”. “É muita coisa”. Agora que passou
o tumulto e a poeira baixou, analiso as coisas com calma e enxergo
diferente: a pressão nada mais é do que um excesso de energia sem
vazão. E esse excesso pode ser positivo se for bem gerido e
canalizado num alvo. Todas as vezes que estamos sobrecarregados de
tarefas, uma pressão se instalou. Pressão é apenas um alerta para
canalizarmos melhor nossas forças, administrando as demandas. Não é
fácil, eu sei, ninguém aqui está dizendo que seja. Se assim fosse não
existiria curso de administração nem livros sobre isso, nem yoga e
meditação. Aprender nos organizar é simples, o difícil é a
manutenção da organização. Arrumar um quarto é muito mais fácil
do que mante-lo arrumado. Eu passei um bocado mal por conter um
excesso de energia consequente de um momento naturalmente
estressante. E a coisa toda beirou o pânico. Fiquei mal mesmo.
Bom, e a depressão?
Vamos lá... O deprimido é aquele sem energia e vontade de viver,
então ele vive quase como se estive “parado”, sem vontade de
agir e se movimentar. A depressão então se traduz nesse caso, como quase a ausência do movimento (= vida). Quando passamos
por pressão, acredito eu, há um excesso de energia sendo retesada e
mal administrada e isso gera uma paralisação, também! Quem nunca
ouviu a seguinte frase: “fulano quer fazer tudo e acaba não
fazendo nada”. Nesses casos há um excesso de energia pedindo
escoamento, que muitas vezes não há gerenciamento eficiente para
ele. Assim terminamos não realizando tarefa alguma – mesmo
querendo e precisando faze-las –. Quadro disso: engarrafados. Se
ausência de movimento é igual depressão, eu acredito que a pressão
é um resultado de coisas que não fluem, se engarrafam, estão
presas, e da mesma forma se caracteriza o quadro de depressão
anterior. E digo mais. Faço parte da linha de pensamento que crê
que energia não é positiva nem negativa e acumulada por muito tempo
nos adoece. Energia retesada por muito tempo ao invés de nos
fortalecer, nos adoece e causa câncer, transtorno de pânico.
Enfraquecendo o sistema imunológico. É uma sobrecarga! Sou sim a
favor de um acumulo de forças para investimento num objetivo
específico, porém não se pode passar do limite. A energia deve
fluir, o seu sentido é esse. Ela pode ser investida e canalizada num
alvo, porém deve correr definitivamente. Sentimos pressão como um sinal de que a
energia não está fluindo devidamente, está acumulando demais. Numa
represa quando isso ocorre ou se abrem comportas ou a água destrói
a barragem. Assim é a vida, somos represas, podemos reter e potencializar o
fluxo da energia, mas se não soubermos lidar com isso somos
destruídos.
Estresse, pressão,
tensão são excessos de energia que devem ser canalizados para um
objetivo. E quando isso acontece o homem é capaz de fazer
maravilhas! Essas sensações ao contrário do que dizem, são
naturais da vida. São potencializadoras! Às vezes, a tensão e a
pressão já podem ser consequências de uma ansiedade mal administrada,
por situações mal resolvidas – não enfrentadas
–. O que é a raíz do problema. Momentos tensos exigem mais de
nós, pedem que cresçamos em algum aspecto. O importante é a gente
entender isso. É a própria natureza pedindo mais coragem e mais potência e não
se deve fugir. Não se evita a vida. Toda pressão gerará em si
mesma uma contenção natural de forças, que pode ser contida ou
canalizada. O acúmulo poderá ser combustível ou uma dinamite, depende
de cada um. O mundo está rápido, nossa percepção é essa. Isso
é uma consequência da evolução humana, não se barra, se
potencializa inteligente e sustentavelmente. Se não há como barrar a vida,
precisamos aprender a potencializa-la. A resposta sempre será de dentro para
fora. Um caminho individual e pessoal. Aprenda a lidar com a pressão do seu dia a dia
e potencializa sua energia canalizando num alvo. Ao fazer isso
de forma eficiente você propulsionará sua vida com maior intensidade.
E aí, a sua energia está engarrafando ou fluindo bem? Está
sentindo alguma pressão?? O que está fazendo a respeito??
domingo, 30 de setembro de 2012
A MODA É BRASIL!
Faz algumas semanas que
não posto aqui no blog, a vida anda meio corrida. Meu curso na
faculdade está chegando ao fim e já observo em muitos aquela
expectativa natural para entrar no mercado de trabalho na área que
estudou. A gente fica meio ansioso, e inseguro, o mundo está mudando
muito rápido, é impossível saber o que esperar. Para o que se
preparar! O que funcionava não serve mais e talvez o que hoje
funcione amanhã também não sirva. A necessidade de adaptação,
reinvenção e inovação é essencial.
Em últimas andanças
pesquisando na internet e lendo artigos em revistas, fiquei muito
feliz de ver que o nosso país é a bola da vez. O brasileiro é
naturalmente talentoso, mas ando me surpreendendo com as coisas que
acompanho. Acesso alguns blogs, sites, perfis, e noto como tem gente
jovem se despontando, escrevendo tão bem (muito bem mesmo!) e sendo
elogiados por isso. Assisto no Youtube músicas de cantores
brasileiros que infelizmente não são tão reconhecidos pela mídia
geral e vejo que fazem sucesso. Fico feliz por isso. Tenho a ligeira
impressão que os olhos da mídia nacional (e internacional) estão
se voltando para o Brasil e não mais para criticar negativamente
apenas. Demonstrando nossas mazelas para o mundo. Porque já estamos
cheios disso. Cresci ouvindo falar que brasileiro era sacana, sem
vergonha, que burrice, comodidade e “noção de esperteza” eram
características naturais da nossa gente. Parecia estigma. Ficava
revoltado ao assistir filmes brasileiros que só retratavam favelas,
assaltos e mortes, como se o Brasil se resumisse a isso. Gringos iam
mesmo ter essa impressão sobre nós, lutávamos para passar essa
imagem. Sensacionalismo a parte, só faltava dizer que aqui tinha canibal!
Agora vejo uma linha lutando de forma contrária, se esforçando para mostrar
o nosso lado bom, e ainda existem muitos talentos escondidos nesse
país. Escritores. Compositores. Músicos. Professores. Políticos.
Donas de casa. Pessoas ilustres que ainda não receberam seu devido
reconhecimento. Temos coisas boas como referência. Belas praias.
Belas obras. Música e culinária invejáveis. A lista é
generosa também. A diferença estava nos holofotes, todo o tempo
miramos lá fora. Nas rádios brasileiras as músicas de sucesso eram
estrangeiras. Os filmes considerados bons eram só os americanos.
Livros, técnicas, tecnologias...tudo lá de fora, aqui, cultuávamos.
Endeusávamos até! Enquanto o nosso povo era esquecido, as nossas
músicas pouco conhecidas e tocadas, a nossa comida taxada de comum,
o nosso gingado interpretado como vulgar e o nosso jeito de pensar
apelidado maldosamente de “jeitinho brasileiro”, de povo que só
pensa em tirar vantagem de tudo e de todos.
Sem preconceito e sem
desmerecer outras nações, apenas defendo o momento do Brasil ser
elogiado por algumas coisas, também temos o lado bom. Acho que
durante todo o tempo nós mesmos esquecemos disso. Hoje quando ouço
que está na moda ser brasileiro ou falar do Brasil dou é graças a
Deus por isso. Que bom! Já era a hora mesmo de entrarmos em moda.
Mais do que tempo. No Brasil tem violência, drogas, corrupção,
tudo e mais um pouco? Tem! Todo mundo sabe! E não falo com orgulho.
Mas lá fora tem também. Todos os países atualmente sofrem
praticamente os mesmos problemas sociais e ambientais, se igualamos
nas análises. Não cabe mais esteriótipos negativos. Tem político
ético, tem pai de família trabalhador, tem policial justo, que são
brasileiros. Tem um pouco de tudo aqui, da mesma forma que tem um
pouco de tudo em qualquer outro país.
Estou muito feliz com
esse cenário que está aos poucos mudando. Parece o famoso dito “o
jogo virou”. Situações provam isso. Hoje leio revistas que escrevem
positivamente sobre o Brasil, dedicando capas e longas matérias
falando bem da nossa gente. Programas e filmes privilegiando algo
positivo do país. Ou pelo menos saindo daquele esteriótipo “terra
sem lei”. Sem falar que pela primeira vez se observa na cena
internacional o Brasil sendo colocado com respeito nas discussões.
Estamos conquistando o nosso espaço. Se antes
éramos os bandidos ou os sem vergonhas dignos de correção, apenas os coitadinhos da roda, quando não os vilões, já se observa a mudança. Uma mudança vagarosa e capengante, mas que
pegou gosto pelo avanço e aprendeu o caminho. O mundo parou (mesmo
que a contragosto) para nos ouvir, para aprender conosco! Porque o
brasileiro pode ter sido menosprezado e subjugado, mas ninguém tira
o mérito da nossa gente de ter sobrevivido com desigualdade social
e aprendido a matar um leão por dia para sobreviver, e mesmo assim
ter conseguido o privilégio de progredir. Parafraseando o Zagallo:
acho que daqui para frente vão ter que nos engolir!
domingo, 9 de setembro de 2012
"Desfronteirar" o Ser

No post anterior, falei sobre o pensamento linear e sobre a necessidade de desenvolvermos um pensamento complexo nos dias atuais; um pensamento mais elaborado, que leve em consideração a globalização.
O pensamento - unicamente - cartesiano (aquele linear), que desconsidera o todo, a contradição e a imprevisibilidade, é o fundamento de uma atitude nossa nociva nos dias atuais, que é dar respostas rápidas aos problemas de forma quase mecânica. “Sim ou não”. “Dois e dois são quatro”. “Logicamente isso levará naquilo”. Ao seguir essa fórmula engessada de raciocinar, cometemos dois equívocos principais: primeiro, não raciocinamos efetivamente sobre o problema e segundo, nós acreditamos ter domínio absoluto sobre a questão. Isso é o que tem levado a sociedade moderna aos graves problemas socioambientais que vivemos. Problemas que não admitimos que fracassamos em solucionar. A globalização mudou a realidade. Hoje nós vivemos, nos relacionamos, nos comunicamos, criamos, aprendemos e devemos educar de maneira diferente de quando o modelo linear foi criado. Na época, não existia internet, terrorismo, aquecimento global, nem sete bilhões de pessoas no mundo. A realidade mudou, mas o modelo permaneceu. A gente ainda aprende nas escolas o raciocínio linear e o reproduzimos repetidamente. “Primeiro uma coisa, depois outra, em seguida outra...e o veredito absoluto”. Num ritmo sucessivo, que desconsidera variáveis e imprevisibilidade. Hoje já se sabe que esse tipo de pensamento não garantirá a sobrevivência humana; o modelo linear, unicamente, não serve mais.
Qual o objetivo desse post?
Quero nos fazer pensar sobre o pensamento complexo de forma empírica. Prática. Não sei se é porque a discussão ainda é recente, acho que estamos de mais teóricos! Falamos da necessidade de desenvolvimento do “pensamento em rede”, mas não se fala sobre o assunto com praticidade. Como desenvolver esse “tal” pensamento complexo é o que deve nos interessar. Por onde começamos? Será que o caminho é apenas através da Educação (básica!)? E quem não estiver estudando (resolva-se sozinho!)?
Sinceramente, acredito que fórmulas concretas e exatas nunca existirão mesmo. Eu sei. O que precisaremos é constantemente analisar o que funciona e o que não funciona mais, rever e recriar o modo de olharmos e pensarmos sobre tudo - sempre -. No entanto, quero abrir um parênteses: não quis dizer no post anterior que o pensamento linear não sirva. O ser humano usa a linearidade para ordenar os pensamentos, raciocinar e dar uma síntese. De outra forma a gente enlouqueceria. O pensamento linear então é necessário, sim, sempre será. Porém, diferente de uma máquina como um computador por exemplo, o cérebro humano suporta complexidade. Não só suporta, como trabalha bem com a complexidade. O que isso significa? Na prática, mais do que criar um modelo de pensamento novo, precisamos de um estilo de vida complexo, onde continuaremos utilizando o pensamento linear para ordenar as tarefas diárias, porém, misturando tudo simultaneamente! Entendendo que não controlamos tudo, mas entendendo de tudo um pouco!
O que acontece nos dias de hoje é que, por exemplo, num curso superior, quem estuda uma determinada área acaba só estudando sobre aquela área. Os aprendizados de outras áreas não se misturam. Quem faz determinada atividade, termina se limitando apenas aquele universo. Como se o conhecimento não fosse integrado. Por quê? Porque acredita-se que a simultaneidade e a diferença confundiriam o aprendizado, o cérebro. Eu não acredito nisso! Se a realidade presente nos prova, que futuro será da diferença, da pluralidade e da multiplicidade, o estilo de vida que devemos ter daqui em diante não pode seguir moldes isolados. Não vai funcionar. Não sobreviveremos assim. No futuro, acredito que os profissionais mais completos para trabalhar não serão aqueles experts numa única área, mas sim aqueles que saberão de tudo um pouco, tendo ampla visão do todo.
Nós precisamos desautorizar o mito, que diz que o nosso cérebro enlouquece com a complexidade. Que ele não suporta ou não trabalha bem com a simultaneidade. O cérebro humano é superior ao mais avançado computador existente (na minha opinião), porque ele é capaz de gerir um estilo de vida não linear, sem fundir, sem queimar, sem entrar em pane. Somos os únicos animais que suportam isso. Sabemos que vivemos, que um dia vamos morrer e que, em algum nível, somos controlados. O homem utiliza o “fio” da racionalidade apenas para gerar uma síntese de conhecimento, porém ele não é refém desse “fio” no processo! A máquina não calcula o imprevisto e a contradição, por isso não suporta o erro, mas o ser humano suporta! A gente cai, levanta e continua. A gente aprende errando e se supera.
Devemos sim nos dedicar em tudo até chegar a uma conclusão. Porém, não podemos acreditar que um conhecimento esteja desconectado do outro ou que vamos aprende-lo isoladamente. Temos que aplicar esse modelo complexo nas nossas atividades diárias. Ler de bula de remédio a Shakespeare. Assistir de desenho animado a documentários sobre a fauna e a flora. Ouvir de "eguinha pocotó" a Frank Sinatra. Praticar de exercícios para o corpo a exercícios para a mente. Refletir o nosso ponto de vista e todos os outros pontos de vista sobre a mesma questão. Contar piadas e filosofar. Dançar samba, forró e valsa. Precisamos é adquirir um estilo de vida múltiplo. Diferente. Pluralizado. Sem preconceitos. Parar com esse negócio bobo de "isso não é da minha área". "Isso não é minha praia". Tudo nos interessa! Tudo pode ser interessante! Enquanto estou sentado na carteira, em sala de aula, assistindo meu professor, o MEC está discutindo sobre mudanças na Educação, existem projetos para aumentar a malha ferroviária brasileira, estamos em ano de eleição, tudo o que está acontecendo fora da sala de aula em que estou me atinge (ou atingirá) sensível ou insensivelmente, quer eu queira ou não. Como na frase, que desconheço o autor: "O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque.". Assim sendo, nós não podemos achar que o saber se fará isolado, não integrado. Mais do que um novo modelo de pensamento, precisamos “desfronteirar” o Ser!
Um último conselho: misture sim, mas nem por isso perca o foco!
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
NÃO LINEARIDADE E COMPLEXIDADE
Já imagino que tem gente torcendo o nariz depois de ler o título. Vamos fazer um esforço...Nas últimas semanas, passei um tempo pesquisando na internet sobre como será o cenário futuro e também estive lendo matérias em revistas e artigos online sobre o mesmo assunto. As perspectivas e tendências desse “futuro em rede”. Com base em uma opinião pessoal minha, sobre o que venho lendo e também tenho observado atualmente, acredito que o futuro não será fácil, por causa de “n” fatores que praticamente vão nos obrigar a mudarmos o olhar sobre a vida e adquirirmos uma atitude diferente de pensar sobre os problemas. Com um olhar mais amplo, que alcance o todo e um pensamento não linear, complexo, seremos mais aptos a encarar e conviver com os desafios que virão. Mas isso resulta também num ensino educacional com modelo(s) diferente(s) (que já estão sendo estudados pelo MEC), num “corpo empresarial” mais preocupado com sustentabilidade – de outra forma não sobreviverá por “n” razões –, num “corpo governamental” mais engajado em crescimento e desenvolvimento também – ou o bem estar não acompanhará o aumento do PIB –, e numa sociedade mais ambientalmente consciente e politicamente ativa – para que exista um estilo de vida sustentável e equânime –; tudo baseado em princípios éticos, morais, legislativos mais claros, mais humanos, mais firmes e mais justos!
Alguns assuntos estão em alta na boca do povo, sendo discutidos por muitos veículos de comunicação e algumas palavras têm ganhado muita força também. “Os caminhos de uma educação mais reflexiva”. “O perfil de um novo profissional mais humano”. “As profissões que ascenderão ou terão de se adequar”. “Quais as promessas e ameaças desse 'futuro em rede' ”. Justiça, honestidade, liberdade, singularidade, são palavras entrando fortemente no nosso vocabulário cotidiano. Isso tem significado que a população em geral está mudando o seu modo de pensar e está começando a questionar o que é bem estar, e o governo e as empresas notam que se faz necessário reformular suas práticas por causa exatamente disso. Vivemos em sociedade, mas cada um de nós quer ser visto, ouvido e lembrado como um indivíduo único, diferente, com necessidades desiguais. A tecnologia tem permitido ao cidadão consumidor conhecer mais a fundo sobre as atividades socioambientais das empresas e dos governantes. A maior característica do mundo atual, que será ainda mais acentuada no futuro na minha opinião, é essa potencialidade de desenvolvimento do ser humano e ao mesmo tempo a imprevisibilidade do cenário. Uma capacidade de forte desenvolvimento da população, paralelo a uma capacidade do próprio sistema se reformular e se transformar tão rapidamente contrariando espectativas. Isso explica o porquê o pensamento linear é reducionista; o futuro será (o que já é, ainda mais acentuado) complexo. Onde o foco será a multiplicidade, a pluralidade e a diferença. Onde quem domina é o homem, não a máquina! O burro da estória é o computador, porque ele utiliza apenas pensamento cartesiano para funcionar. Nós trabalhamos com a complexidade. A potencia máxima será o Capital Humano e ao mesmo tempo não poderemos (como já não podemos!) prever com precisão, nem controlar o cenário completamente sem admitir que também somos controlados pelo sistema. E como disse a filósofa Viviane Mosé inspirada por Edgar Morin, através do "princípio de instabilidade", cairão-se as barreiras e a internet acabará com o gueto do conhecimento! Assim o papa do conhecimento será o curioso, o criativo, o inovador, o que estará sempre disposto a se reinventar.
Percebi que esse meu interesse em tentar prever o cenário futuro tem sido uma vontade de muitos, o que diferencia é o enfoque do estudo. As empresas querem saber para produzir e vender melhor, serem mais competitivas e terem uma gestão mais humana. O governo quer responder às necessidades da população da melhor forma e vai apostar em investimentos na educação daqui em diante. Só um parênteses nisso: um dos principais medos dos nossos investidores em Educação é se isso garantirá uma melhor educação de fato! Na minha opinião, sim e não! O que vai depender é a administração ser bem feita. Já obtivemos provas de outros países que investiram em educação, mas não conseguiram aumentar os índices de ensino, porque não tiveram uma boa administração. A fórmula, mais do que maior investimento, é uma boa administração como sempre. Um pai de família pode ganhar um salário mínimo ou dois, ele vai se endividar do mesmo jeito se não souber administrar bem suas economias. O país precisará seguir esse mesmo princípio: uso inteligente dos investimentos, com boa administração e expectativas a longo prazo - desde o ensino básico!
Tenho absoluta certeza de que nunca saberemos, comprovadamente, o que dará certo. Mas nós já sabemos o que não tem dado! Estamos naquela fase que vou apelidar de “Pós Divórcio”. Nunca me casei e criei esse apelido agora, mas acredito que ele exemplifica muito bem isso o que quero explicar. Depois que alguém se separa, para mim é natural que essa pessoa sinta vontade de se relacionar de novo, mas ela não tem a menor ideia do que encontrará no caminho, ela apenas sabe o que ela não quer mais encontrar! Por experiência do que já vivenciou e terminou não dando certo. Nós estamos num momento muito próximo dessa analogia, a humanidade sabe que o futuro será incerto de qualquer forma, mas estão despencando nossos paradigmas, colocando em xeque a nossa sobrevivência. E nós temos isso como trunfo nas mãos. Os erros! As experiências que trouxeram lições. Sabemos o que não deu certo até aqui. Consumismo desenfreado. Idealismos. Verdades e não verdades cristalizadas. Preconceitos. Niilismo. A sociedade não pode, por medo de um futuro diferente e desconhecido se intimidar e não avançar. Acumulando pessoas depressivas. Quando caí de bicicleta a primeira vez aos 6 anos de idade, confesso que me deu vontade de nunca mais subir numa, porém se eu não tivesse tentado novamente e não tivesse continuado a cair até aprender, hoje ainda não saberia. Nunca ninguém aprende coisa alguma na vida sem deixar o medo de lado e se arriscar. O que precisamos nesse momento do nosso país é apostar mesmo em educação, planejamento e desenvolvimento, mais inovação, valorizar o capital humano e apostar sem medo. A coragem para avançar em investimentos, mãos firmes para controlar e uma boa administração são o que minimizarão os riscos desse futuro!
Miguel Nicolelis explica como a interface cérebro-máquina altera a maneira como nos comunicamos e de que forma a neurociência deve transformar o que conhecemos como formas de trabalho e as relações no ambiente profissional, em entrevista especial para a HSM.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
IDENTIDADE BRASILEIRA

Estive em uma instituição que realiza atividades socioeducativas com crianças que os pais trabalham fora o dia todo. Essa instituição acolhe essas crianças em tempo integral e durante esse período realiza ótimas atividades com elas. Mas o que eu gostei mais de ver foi como respondem bem a tudo, como elas são organizadas e espertas. Elas sabem que têm talento para qualquer coisa, mas sabe o que lhes falta? Quem acredite nisso além delas. Conversando com o pessoal da instituição, descobri que elas passam pelo mesmo dilema que o típico brasileiro sofre muito: falta de crédito e ausência de portas abertas. Apesar delas serem carentes, não é de dinheiro que elas mais precisam, é de atenção e confiança. São crianças carentes de amor e carinho e precisam de cuidado e espaço na sociedade, para crescerem e se desenvolverem com grande potencialidade; elas precisam que confiem nessa capacidade delas fazerem isso. Sem menosprezo nem descaso. É um trabalho complexo, um esforço conjunto entre sociedade, governo e empresas, e uma questão de dar mais crédito e oferecer mais perspectivas. Por que eu estou escrevendo sobre isso?
Porque essas crianças que conheci refletem claramente o povo brasileiro em geral. Há um imenso potencial latente na população e acredito que nós ainda não notamos isso. O que mais falta para o nosso país crescer economicamente e desenvolver todas as camadas sociais é darmos atenção para a nossa própria raça. É preciso recriar coisas e cavar canaletas. Somos um povo incrível e não deveríamos mais duvidar disso. Sem desmerecer outras nações, acredito que o brasileiro tem algo de muito especial na forma peculiar de fazer cultura; tem um talento na gente que é diferente do restante do mundo e o restante do mundo já notou isso faz tempo. (E temem isso!). Só nós que ainda não percebemos direito essas coisas. A grande maioria do povo não é mais criativa não por falta de saber ser, mas por falta de encontrar espaço para ser. Não há cuidado com o ensino, não há políticas públicas privilegiando a cultura e não há caminhos para demonstrar o que em nós sobra: um jeito específico de fazer música, de canta-las, de dança-las; um jeito específico de viver, de criar, num gingado que dribla a dificuldade diária e equilibra em braços fortes contas a pagar e salário mínimo. Muitas vezes é por esse descaso e esse desinteresse que nos entregamos e ganhamos fama de povo acomodado. Mas há grandes exceções...
O nosso problema não é tanto pensar e ser criativos, porque pensar a gente até sabe bem quando quer e criatividade também temos (é preciso para sobreviver). A discussão central está em não haver espaço e não existir o devido cuidado com o planejamento desde as crianças. Por isso devemos mexer no nosso país desde as bases! Somos um povo briguento, mas ainda hoje não sabemos brigar e nos entregamos fácil. Não sei porquê desse jeito de caminhar de cabeça baixa pelo mundo. Ainda há um resquício de “sim, sinhô” no nosso sangue. Uma passividade sanguínea. Por um débito já pago! Precisamos perder esse medo de nos assumirmos como brasileiros definitivamente, que não mais devem nada a ninguém e recriar caminhos para a nossa própria gente inovar e se reinventar. Temos um incrível potencial para isso, que se justifica na nossa própria cultura, nessa forma difícil que fomos criados desde sempre. Sabemos muito bem lidar com as adversidades. Agora é necessário criar outros modelos, seja através de políticas públicas, de oficinas de teatro, dentro de escolas em salas de aulas, através de projetos socioeducativos, seja através de tudo isso e muito mais, o mais importante é que trabalhar no que é nosso. E cavar canaletas para que essas crianças continuem abrindo caminhos no futuro. Precisamos urgentemente de uma nação que seja capaz de criar e sustentar a realidade que o país quer alcançar.
Acredito sinceramente que uma das grandes coisas que o governo anterior fez ao nosso país foi abrir caminhos. Política a parte, ele nos colocou (como país) no mapa! Defendo que essa é a receita. Abrir caminhos. Mas também ensinar esse povo a pensar e privilegiar o capital humano nacional, porque talento há! O país está crescendo, há inúmeros projetos para ampliar a nossa malha ferroviária, aumentar o transporte aquaviário, portos secos etc. Muitos países estão investindo maciçamente em inovação, P&D (Planejamento e Desenvolvimento), e estão conseguindo desenvolver a economia enquanto o Brasil está importando mão de obra!!? Nós estamos importando mão de obra porque não temos planejamento, atenção e coragem de educar o nosso próprio povo para trabalhar no que é nosso, e isso é uma vergonha nacional! O trem está caminhando a todo vapor e lá na frente vamos precisar de pessoas competentes para dirigi-lo e dar continuidade nesse caminhar. Ou o país quer ficar nas mãos de estrangeiros, de novo!? As políticas públicas, nesse momento importante do nosso país, devem contemplar mais do que nunca a cultura, a educação, a inovação, através de modelos de ensino reflexivos e globalizados, para que as nossas crianças (se) enxerguem (n)o mundo. Consigam lidar politica e sabiamente com os problemas trazidos pela modernidade. Problemas que vão muito além dos exercícios escolares. Problemas complexos e integrados.
É hora de apostar no nosso povo desde as bases! Pegar os nossos educadores e trabalha-los com amor e respeito, buscar formas de pagar a eles salários dignos, para que eles coloquem essa moçada para fazer o que nós fazemos de melhor: criar! Como diz minha avó: "essa molecada só faz arte". Realmente, o povo brasileiro faz e das boas ainda! Vamos parar com esse negócio de “sim, sinhô” e erguer a cabeça de uma vez por todas, vamos colocar essa criançada para pensar de verdade nas escolas e apostar nelas, mas acima de tudo vamos assumir a nossa identidade brasileira. Uma grande característica de nação madura é saber se colocar e se posicionar como tal. Nós somos brasileiros!!
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
O que você está fazendo aqui?

“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.” (Millôr Fernandes)
Já reparou como todos nós fazemos tamanha força para aparentarmos apenas a nossa melhor parte na internet? A imortal. Aquela fake... Viemos à internet no passado para melhorar nossa vida cotidiana, aprender mais, nos entreter, nos informar, em busca de qualidade. Viemos com o objetivo de tornar a comunicação mais rápida, menos falha, com o propósito de maior socialização também. A proposta inicial me parecia essa, organizar e facilitar a vida contemporânea. No entanto, anos depois, nós entramos diariamente nesse espaço virtual na construção de um lugar ideal, um mundo irreal, que parece muito possível ser obtido com essa tecnologia. E nele transparecemos que somos inteligentes – não, inteligentes não mais, agora a moda é parecer culto. Eloquente. Grandioso! Todo mundo sabe sobre tudo, sobre todos, a qualquer momento, e no fundo ninguém conhece ninguém e entende das coisas apenas na superficialidade dos dados. Mesmo com tantas informações continuamos estranhos desconectados. Mas a vida nunca pareceu tão agradável! Com a pasteurização da internet tudo é bonito. O desempregado, desarrumado, introvertido, chato, nas redes sociais fica bonito, bem vestido, popular e chique – pois a moda agora é ser bem vestido também. Eu sei, sou um desses e isso me envergonha muito. Entendo bem desse universo, porque estou nele nesse momento e sou um dos seus usuários. Ele nos encanta com as possibilidades! É tão fácil constatar o que estou falando, é só dar uma passadinha rápida por alguns perfis em qualquer uma dessas diversas redes sociais existentes. Aliás nem precisa ir muito longe não, olha aqui mesmo no perfil do meu blog. Pareço muito bem, não é? Tentei parecer... Mas isso não significa que sou outra pessoa, mas também não significa que sou desse jeito, todo dia. Barba feita, cabelo com gel e no melhor ângulo – que consegui depois de tirar umas dez fotos. “Editei” o que quis transmitir. Escolhi a melhor foto que eu tinha no meu notebook. E a descrição sobre mim? Claro que eu colocaria só a melhor, é a meu respeito né, jamais descreveria algo negativo sobre mim. Quero parecer legal. Bem visto e bem quisto. Preciso muito disso. Marketing pessoal é realmente tudo!
É claro que estou ironizando essa situação séria e sendo bastante sarcástico com isso. Marketing pessoal não é nada disso, você não precisa ser falso nem se descrever mentindo para agradar alguém. Deve ser quem você verdadeiramente é, nos dois mundos. Transparecer o que sente. Mas na realidade não é o que está acontecendo. Fugimos da vida cotidiana real para a virtualidade, porque ela garante um controle de coisas que não temos fora desse espaço. Na internet podemos ser quem quisermos, ter muitos amigos – e sem precisar conviver com a chatice de algumas pessoas, o mau humor de outras, sem TPM... Relacionamento interpessoal é zero. Fora da net tornou-se chato, cinza, sofrível. Mas se querem saber a verdade, a vida não “tornou-se” coisa alguma, ela sempre foi assim: altos e baixos, pessoas de todas as personalidades, adversidades que temos que lidar e conviver porque somos sociedade. Mas o que aconteceu foi que a internet nos mostrou as maravilhosas oportunidades de sermos quem quisermos, até o que não somos e é essa a grande isca, pois nunca estivemos satisfeitos com o que somos. Adoramos é idealizar a vida. Podemos mudar, ser diferente, não tolerar quem não queremos; para que vamos ser reles mortais então? Aguentar outro ser humano cara a cara, assumir nossos fracassos, nossas falhas e andar de cabeça erguida numa sociedade onde todos parecem vitoriosos e onipotentes em seus castelos construídos virtualmente? Querem saber, acho que temos dado importância de mais para a estética das coisas. Para a reação das pessoas. Para o julgamento alheio. Nos importando de mais em criar um mundo bonito, divertido e alegre virtualmente e nos esquecendo de tentar isso na vida real. Com isso, passamos cada vez mais tempo presos nesse lugar tentando achar alguma coisa que fora dele não encontramos. Precisamos tirar vantagem da internet e não o contrário! Porque quando os recursos do planeta não forem capazes de suprir a nossa enorme demanda, além de ainda não estarmos satisfeitos, vamos viver aonde? Ou alguém aí já comprou seu terreninho em outro planeta? Ouvi dizer que tem umas praias ótimas em Marte...
Esse espaço está se resumindo em nossa vida ao ponto de se torna-la. A internet está nos dando esse poder. Mas o objetivo dela era esse? Afinal, qual é o objetivo da internet? Organizarmos nossa vida, trocarmos ideias e soluções uns com os outros, aprendermos, batermos um bom papo ou criar uma vida virtual paralela? O que você tem feito na internet??
Hoje não tem como saber se a pessoa que vemos no avatar é realmente a que está por trás dele. Será que ela é tão bonita quando a da foto? Será a da foto!? Será tão legal quanto a descrição do perfil? Não dá para saber se aquelas palavras utilizadas para descreve-la é o que realmente ela é ou o que gostaria de ser ou se a sua imagem não passou por um desses “programinhas manipuladores”, porque há um abismo que nos separa. Estamos conectados por abismos de distância! Somos perfeitos e grandiosos, aí clicamos em “sign out” e a ficha cai. A realidade é bem diferente... Sabe quem eu sou?
Um jovem universitário pobre, que não sabe de nada, dependendo do ângulo bonito, dependendo do gosto bem vestido, dependendo da análise verdadeiro, maduro para algumas coisas, mas totalmente inexperiente para outras, que quer te dizer o seguinte: “ – Use a internet mas não seja usado por ela, tire proveito! Pois enquanto você está aqui lendo minhas palavras, a vida está acontecendo aí a sua volta – afasta o seu olhar dessa tela pra você ver. Aproveita o que você leu aqui e saia respirar ar puro olhando para o céu, para o Sol, reflita, pisa um pouco no chão, abraça o seu filho, conversa com ele!, brinca com seu animal de estimação, porque enquanto está aqui a sua vida está acontecendo... Nem mesmo eu – o autor – estou aqui neste momento, porque enquanto está lendo essas palavras (que eu já escrevi), fui viver de verdade...” .
Mas volto! rs rs rs
Trailer OS SUBSTITUTOS (The Surrogates) - Legendado
No filme, “em 2054, humanos vivem isolados interagindo através de andróides chamados Surrogates. Quando assassinatos começam a ocorrer, um policial sai de casa pela primeira vez em anos para descobrir uma conspiração”.
É isso o que queremos!?
Assinar:
Postagens (Atom)











