sábado, 14 de junho de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A ORIGEM DA DEPRESSÃO
Tenho ouvido cada vez
mais a palavra Depressão. Como se uma sensação do que seria
essa palavra estivesse sobrevoando ao meu redor num círculo que vai
se fechando gradativamente, muito próximo de me tocar. Uma sensação
que não vem de mim, mas chega até mim por vir de pessoas bem próximas. Ao olhar para essas pessoas vejo
em seus olhos tristeza. Mas é outro tipo de tristeza, é como uma falta de energia, é quase um desespero. Parecem-me perdidas em seus próprios sentidos, como se não suportassem as próprias sensações! Acho muito estranho isso e me
assusta ver tantas pessoas assim. Para mim a depressão é um fenômeno muito curioso,
pois acredito que somos feitos para suportar qualquer sensação.
Temos estruturas para lidar com a intensidade gerada pelo jogo de
forças que é a vida, porque é um jogo de forças do
qual fazemos parte. Mas acredito que os nossos novos hábitos contemporâneos têm nos enfraquecido. A nova realidade, trazida com a modernidade, está nos enfraquecendo gradativamente.
No passado, sabia que
uma ou outra pessoa estava com depressão. Não era algo muito natural.
Muito pelo contrario. Eu ouvia mais pessoas desconhecidas comentarem sobre casos assim e sempre com espanto e preocupação.
Saber que alguém estava com depressão era uma notícia vinda de longe, distante de nosso convívio. Muitas vezes alguém que
nem sequer conhecíamos. Hoje a notícia vem do nosso trabalho. Há
um caso na vizinhança; outro na família. Outro na escola, na
faculdade. Estão estampados nas revistas. Ouvimos diariamente na
televisão; na roda de conversas com amigos; na roda de conversas
de estranhos. As vezes é uma sensação que chega a assustar a nós
mesmos... Bate uma aflição e já vem o alerta: será?! O mais
espantoso é que já não mais vejo as pessoas falando sobre essa doença com preocupação. É uma notícia qualquer! Apenas mais uma
pessoa deprimida. Fraca. Distante do jogo de forças. Aliás, nós
chegamos ao ponto de comentar sobre catástrofes sem
sequer esboçarmos algum sentimento forte. Tornamo-nos frios. Insensíveis.
E fracos! Uma insensibilidade – para não escrever: fuga de
sensibilidade – que nos tornou presas fáceis para a depressão!
Acredito que a
depressão é uma filha bastarda da modernidade com a capacidade
humana de lidar com os conflitos. Capacidade que está intimamente ligada aos sentidos físicos. Ao meu ver, a depressão se configura
na fraqueza de um indivíduo perante o jogo de forças da vida – do qual fazemos parte
– e está invariavelmente ligada às transformações e evoluções
que o homem têm criado desde sempre. Quanto mais avançou a
tecnologia, proporcionalmente enferrujou essa capacidade, e à ela devemos nossa existência. Precisamos sentir! A tecnologia acabou nos “desconectando”
desse jogo de intensidades ao nos habituar a não sentirmos, consequentemente nos enfraquecendo, nos
deprimindo. Essa é a minha tese para a origem da depressão: a própria modernidade.
Não mais
permitimos às crianças trepar em árvores, brincar em grama,
conversar olhando nos olhos (nós também perdemos esse
hábito), porque hoje tudo é via virtual. E o que os pais fazem é
não ousar frustrar os filhos, assim dão a eles tudo o que a
tecnologia oferece. A tecnologia se encarrega da criança.
Brincadeiras online. Desafios online. Livros, estudos,
pesquisas, conversas, interação, tudo – e todos – online. É como se
tivéssemos atravessado o espelho para um mundo virtual, que parece bastante “movimentado” (e movimento é sinônimo de vida), mas que
na verdade se resume a tempo, quantidade, códigos vazios... E as sensações? E o sentir físico? O
embasamento da globalização é a virtualidade, e nós estamos
utilizando a virtualidade como fuga de sensações. Mas não todas as sensações, apenas as difíceis; as dolorosas; as complexas.
A gente quer apenas sensações que sejam simples, prazerosas e que consigamos
dominar. O problema é quando não conseguimos...
A vida é extremamente
intensa, não podemos negar isso. As sensações são verdadeiras
lâminas que nos atravessam e lidar com elas não é fácil. Mas é preciso! Somente lidando com as contradições e os conflitos
da vida que verdadeiramente vivemos. O contrário disso são fugas. Toda
vez que nos medicamos para aliviar algum conflito nos
desconectamos do todo. Quando fugimos do cara a cara; quando
abusamos de vícios e prazeres; quando buscamos escapes. A modernidade traz ao
homem a tecnologia de que ele precisa para viver melhor, mas ele a aproveita para anestesiar suas crises pessoais. Essa é a origem da depressão! A tecnologia, substituindo a religião, tornou-se um novo ópio, que, mal utilizada, faz as pessoas viverem na superfície de suas vidas, escondendo-se de si mesmas, nunca chegando a tocar estágios mais profundos e necessários. Ao invés de estarem se protegendo - como acreditam estar -, estão se
enfraquecendo! E cedo ou tarde vem algum problema maior, que consegue transpor essa superfície, e então surge uma depressão. A pessoa, desacostumada de sentir plenamente, agora se enfraquece por não saber lidar com as próprias emoções.
Não sou contra a
internet. É inútil ser contra a modernidade, porque é um fenômeno natural da evolução humana. O tempo passa e o
homem modifica o seu entorno. Aperfeiçoa-o. A questão não está na luta
contra ou a favor à tecnologia, mas em utilizarmos a tecnologia para vivermos melhor, e não
para fugirmos da vida e consequentemente nos deprimirmos.
Cena do filme Equilibrium (2002):
Cena do filme Equilibrium (2002):
domingo, 4 de maio de 2014
O Mercado de Notícias
"O Mercado de Notícias" debate critérios jornalísticos, e este é o
seu sentido e o sentido da peça de Jonson. É também uma defesa da
atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia."
Jorge Furtado
Diretor e Roteirista
quinta-feira, 1 de maio de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Um encontro Criador
De repente, em meu quarto, ouvindo músicas de Kid Abelha e Capital Inicial, me vem uma sensação familiar angustiante. É um medo do futuro, um misto de ansiedade e expectativas brigando aqui dentro. Ao ouvir a palavra "novo" vinda de um daqueles comercias transmitidos no começo de vídeos do Youtube, me dá um gelo no estômago. "Novo" me lembrou diferente, fora de controle, impossível. Uma sensação paralisante...
Posso até estar errado, mas tenho a impressão de que em situações assim entramos em contato com nós mesmos. E não há para onde fugir, ou encaramos, ou reprimimos.
O motivo de nos incomodar esse encontro é pelo fato de nos vermos longe de um pedestal intocável e sem a capa indestrutível que ficamos no dia a dia. Nos encontramos nus, assustadoramente pequenos, que é como realmente somos. Ao contemplar a vida nós percebemos isso.
Sendo assim tão pequenos, acredito que uma sensação de expectativa, de esperança, de ambição venha também do fato de sermos frágeis perante à Vida, só o que nos resta neste momento é crescer. O céu é o limite. Acredito então que o ser humano precisa tocar a sua humanidade e constatar a sua fragilidade para encontrar a sua grandeza; perceber que após chegar ao seu limite físico, ele é capaz de criar, de se reinventar, e evoluir para estágios ilimitados.
Vivemos cercados de pensamentos, pessoas, de sons e imagens que não damos a atenção necessária a nós mesmos. Não nos apercebemos durante o processo. Não nos atrevemos a perguntar quem somos, o que somos; onde estamos no meio dessa bagunça toda? Acho que questionamentos assim são importantes para saber se estamos indo na direção de onde queríamos, ou se estamos sentindo a vida efetivamente por exemplo. Prazerosamente. Percebo que em momentos de crise, de solidão, de sensação de vazio, cada pensamento expande na mente. As sensações explodem no corpo. Os sentidos potencializam. Enquanto o corpo arde, a mente fervilha. Momentos assim são decisivos e antecedem vida e morte. Para mim vida seria essa angústia traduzida em qualquer movimento motivador/criador e morte a anulação/suicídio desse processo (o pior tipo ainda, quando a pessoa permanece viva).
Acho que a partir do encontro do homem com ele mesmo, ele sempre se sentirá incomodado com a sua própria natureza contraditória e conflitante, porque por um lado - a nível espiritual, quântico, no pensamento - ele alcança a grandiosidade, e por outro lado - a nível humano, material, no corpo - ele se percebe limitado e pequeno. Por isso viver efetivamente a vida, para nós animais racionais, pode ser terrivelmente dilacerante. A partir desse bolo intenso de energias em conflito (e em marcha), ou poderá haver um subproduto extremamente criativo ou um suicídio - de ideias, de sonhos, de sabe-se lá o que mais...
Quantas vezes você já se suicidou assim na vida?
Eu acho incrível como durante esses encontros certas coisas ganham tamanha importância. Neste momento em que escrevo por exemplo, ouço Primeiros Erros do Capital Inicial, logo após ouvir Lágrimas e Chuva do Kid abelha, e outras muitas anteriormente; sinto uma brisa fria que prenuncia a chegada do inverno daqui a poucos meses e o cheiro de alguém cozinhando algo. Sinto todos os sentidos muito bem. O encontro dos meus pensamentos, com essa brisa no rosto vinda da janela aberta, esse cheiro e o som dessas canções me trazem uma sensação indescritível. Angustiante e inspiradora. Se é possível se drogar apenas com o fato de sentir a vida, estou dentro!
É possível sim nos extasiarmos a partir de nada praticamente, só é preciso percebermos isso. Temos dificuldade de nos
encontrar conosco, porque nos esbarramos em muitas coisas no
caminho. Entre nós e nós mesmos há sempre tantas coisas atapetando o
encontro, distrações que nos tiram o instante; o presente; a percepção; sensação do aqui e agora, que é criadora. Precisamos encurtar cada vez mais a distância entre nós e nós mesmos, afim de alcançarmos estágios mais elevados.
Por isso o desenvolvimento de sensibilidade estética acaba sendo tão importante quanto respirar e nós nem se quer nos damos conta disso. Precisamos potencializar essa sensibilidade estética, desenvolver a nossa capacidade de contemplar a vida a qualquer instante, a partir de qualquer situação, tragando pelos sentidos e gerando subprodutos criativos, ideias inovadoras, mais conflitos, mais movimento!
Momentos angustiantes são provenientes do nosso encontro com nós mesmos, da face humana com a face criadora, e não devem ser encarados como algo ruim, que precisa ser temido, ignorado ou extinguido até, e sim convertido em mais força, em mais movimento, porque parafraseando Lavoisier, na natureza nada se perde - nada se finda -, tudo se transforma!
Momentos angustiantes são provenientes do nosso encontro com nós mesmos, da face humana com a face criadora, e não devem ser encarados como algo ruim, que precisa ser temido, ignorado ou extinguido até, e sim convertido em mais força, em mais movimento, porque parafraseando Lavoisier, na natureza nada se perde - nada se finda -, tudo se transforma!
Soneto de separação
(Vinicius de Moraes)
Inglaterra
, 1938
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso
e branco como a bruma
E das
bocas unidas fez-se a espuma
E das
mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que
dos olhos desfez a última chama
E da
paixão fez-se o pressentimento
E do
momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se
de triste o que se fez amante
E de
sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se
da vida uma aventura errante
De
repente, não mais que de repente.
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot, a caminho da Inglaterra, setembro de 1938
quinta-feira, 17 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
Quem domina: mente ou corpo?
Vitruve Luc Viatour, Da Vinci
O blog está comemorando 06 anos!
Há seis anos, nos primeiros passos de elaboração desse espaço, apesar de ainda não ter uma ideia muito clara de qual seria a sua finalidade, lembro-me que aos valores centrais que o basearia eu queria objetividade, deveriam ser por mim respeitados para sempre; uma espécie de base em que sempre me apoiaria não só para escrever, mas também me cobraria ao viver a minha vida. Como um mantra até. Daí o link com o budismo, foi dado o nome ao blog: Tibet.
Na criação desses valores, após pensar um pouco sobre a minha vida, percebi que havia, nessa época, um descompasso muito grande entre os apelos da minha mente e do meu corpo. Eu tinha a nítida percepção que os dois não se comunicavam muito bem; percebia isso pelas consequências das minhas ações. O corpo sempre superava a mente. Eu era passional demais e vivia as experiências de forma materialista, seguindo apenas estímulos físicos, e eles dominavam todas as situações. Viver sem pensar no que estava fazendo foi muito intenso e prazeroso; curti a vida com aventura e liberdade mesmo - diria com indisciplina também -, mas, da mesma forma que o êxtase foi muito grande, houve tombos épicos! Então criei um certo receio de sentir adrenalina, pois percebi que quando os ganhos eram altos, os riscos eram igualmente elevados - e refletindo bem, nem sempre valeriam a pena corre-los.
Paralelo a esses acontecimentos pessoais - reflexões, balanços e descobertas - foi o período de germinação desse blog. Durante a elaboração dele buscava equilíbrio, então resolvi batizá-lo com uma filosofia extraída da famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal: mens sana in corpore sano ("mente sã em corpo são"). Tomei a liberdade de "traduzir" isso para a minha vida, a partir dali, como: "um corpo são seria proporcionado por uma mente sã". Atribui então o controle dos meus passos apenas à razão, anulando por completo as emoções e os sinais físicos, deixando assim o corpo apenas como uma mera máquina a seguir os comandos da mente; ele teria uma importância secundária no alcance deste equilíbrio.
Os ganhos me pareceram a princípio maiores. Tive a impressão de que avançava muito mais rapidamente, pois não desperdiçava atenção, não me distraía com nada; olhava para frente, tinha um ideal na mente e anulava tudo ao meu redor - incluindo a mim mesmo. Tirava ótimas notas, ganhava aumento de salário e promoções, me sentia um foguete - usando minha própria vitalidade como combustível! Quando a rápida ascensão assentou vieram a dores: física e psicológica. Dores de cabeça e nas costas não são nada comparadas a uma dor psicológica; então um arrependimento começou a espreitar...
Após superado esse período difícil - e quem acompanhou o blog deve tê-lo notado -, compreendi que nunca existiu de fato uma relação de poder entre essas duas grandezas, e sim de simbiose! A mente não desautoriza os sinais físicos, a capacidade do corpo de se comunicar conosco, nem ele se sobressai à razão através de desejos e necessidades. O que deve existir é uma parceria entre ambos; a fusão dessas duas grandezas gera uma terceira, o equilíbrio. Ao agirmos motivados por uma vontade efêmera, sem racionalizar esse desejo, mesmo na busca de prazer pessoal, podemos ser cruéis com algumas pessoas; e quando colocamos o corpo a serviço da razão unicamente, como máquina, passivo, em algum momento podemos ser cruéis com nós mesmos. Ninguém domina, a redundância se vale: o equilíbrio é o meio termo.
A mensagem deste post é para lembrar que somos animais racionais, e não selvagens; somos constituídos de um corpo com uma mente - e estão ligados! Não há divisão entre corpo é mente, há simbiose.
Seja amigo de si mesmo. Não trate o seu corpo como máquina através de comandos severos e obrigações o tempo todo, pois não somos androides, somos sociáveis e é preciso relaxar também. A contra partida, não queira viver fazendo só o que te dá vontade, impulsiva e irracionalmente, porque limites são importantes, e algumas regras e convenções são estabelecidas para o nosso próprio bem.
Ao perceber que está agindo seguindo somente seus desejos e necessidades e se concluir que está tomando decisões impulsivamente, procure pensar melhor a respeito e refletir em possíveis implicações de agir assim, e se valerá a pena.
Ao notar que está constantemente exigindo demais de seu corpo e esquecendo de considerar sinais físicos básicos (como cansaço, dor, fome, calor, frio, sono, prazer), cuidado com uma autossabotagem, ou seja, a doença - quem não para por bem, parará por mal.
Aquele que viver só no plano mental, esquecendo de necessidades e de desejos do próprio corpo, ou perderá em humanidade ou em saúde; aquele que viver só no plano material, esquecendo de refletir e de valores espirituais, ou se tornará violento ou será vítima de si mesmo.
Qual você escolhe?! Será que precisa escolher?
domingo, 2 de março de 2014
Estrangeiro
La Liberté guidant le peuple,
Eugène Delacroix
“O
que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.
(Martin Luther King)
Tenho
muita dificuldade em definir a mim mesmo o que é ético, o que não
é; o que na verdade seria moral, ou imoral. Nunca sei plenamente se
é correto responder a verdade diante de uma pergunta me feita.
Imagino se a pessoa espera de fato a verdade. Não a sua verdade –
a que quer ouvir, a que conforta os seus interesses, ou os da
maioria, mas a que condiz com o que realmente penso. Nunca descobri o
limite entre expôr de mais ou de menos; me expôr mais, ou me expôr
menos... E me incomoda pensar sobre isso; me faz sentir diferente.
Quem tenta sair do padrão e termina taxado.
O que me
espanta mesmo é uma sensação de me sentir estrangeiro em terra
natal. Observar como tomamos como certo coisas que são
descaradamente erradas – conscientes. A questão é que se
incomodar parece pior. O relativismo no
político/social/corporativista garante maior sobrevivência. Quase
uma legitimidade predatória. Relativamos tanto a verdade, a honra, a ética ao ponto delas se diluirem em meio aos nossos próprios
interesses. Ser transparente virou sinônimo de não ser político.
Falar a verdade tem hora. E ser honesto não combina numa negociação.
É preciso ser calculista, ter cartas na manga, e “palavras
flexíveis”. Não é permitido se colocar muito também (a menos que
isso não desagrade ninguém).
Assim nos
tornamos pessoas que respondem apenas o óbvio. Sorrimos simpáticos
e parecemos íntimos de quem no fundo nem apreciamos. Aplacamos
sonhos, vestimos máscaras e adentramos passivamente na roda,
acompanhando o rebanho. E nos matamos um pouco por dia.
Para onde
estamos indo? Quais perspectivas temos? Desconheço quais são os
princípios e valores que conjugam esse momento atual. No passado
existia verdadeiramente uma coisa chamada Palavra, que remetia à honra de um homem. Dois homens selavam um compromisso através de
fios do bigode, mais nada. E por incrível que pareça bastava. Não
eram necessários contratos, assinaturas, e nem testemunhas. Hoje se
você fizer isso é logrado na certa. Um homem não sustenta mais sua
afirmação, se algo por escrito, que leve sua assinatura, não o
lembrar disso. Ou seja, um papel precisa lembrá-lo de que ele é um
homem (no sentido ético da palavra). Mas o que é ética mesmo? Ah!
Mas quem se importa?!
Eu me
importo! Me incomodo. E me espanto diariamente. Nem acredito que tudo
acontece debaixo do nosso nariz. Nossa educação em casa é frouxa,
na escola alienada e na sociedade psicopática. Em casa educamos os
filhos, não para serem sensíveis e inteligentes, mas para serem
fortes e espertos (o que leva uma conotação bem diferente), não mostramos limites nem punimos maus atos. Na escola castramos qualquer
senso crítico e sabotamos cidadania. E na sociedade aprende-se
apenas os atalhos do curso, quem são os “cabeças” da pólis
e como obter as armas necessárias. Onde estamos errando? - é
o que me pergunto toda vez que ouço nos noticiários que uma criança
cometeu um crime. Ou uma mãe abandonou o filho num hospital. Roubos,
assassinatos, violência, delitos que, praticamente, têm nos
obrigado a nos conformar com a realidade atual. Só que aquele que
acomoda-se com essa realidade não pode reclamar de futuro, porque é
conivente. Uma realidade como a de hoje, baseada em valores
psicopáticos, só pôde se estabelecer tanto tempo tendo havido um
conluio coletivo. Todos somos, de alguma forma, em maior ou menor
grau, cúmplices! E isso deveria nos causar muita vergonha e nos incomodar bastante. E nem de longe isso é exagero.
Precisamos
resgatar alguns valores antigos que, do meu ponto de vista, jamais
deveriam se perder, independente do quão a sociedade avance. Honra. Fraternidade. Ética. Justiça. Coragem. Desabituarmos-nos dessa mania de ficar procurando muitas vezes razões para tentar justificar o injustificável. Ao invés
disso, prestar mais atenção à formação das gerações. Pais atentarem-se em dar uma educação com mais limites e diálogo;
professores uma educação que estimule a criatividade e a vontade
de pensar e as pessoas de bem se unir, pois como bem diz a médica
psiquiatra autora de diversos livros, Ana Beatriz Barbosa Silva,
“o mal é muito unido!”.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
ENERGIA X CONTEMPORANEIDADE
“Toda
mudança positiva - todo salto para um nível maior de energia e
consciência - envolve um ritual de passagem. A cada subida para um
degrau mais alto na escada da evolução pessoal, devemos atravessar
um período de desconforto, de iniciação. Eu nunca conheci uma
exceção.” (Dan Millman)
Tudo no
mundo é feito de energia, inclusive nós mesmos. Quando acordamos,
levantamos e fazemos as tarefas diárias somos movidos por energia.
Quando falamos, quando brigamos, quando trabalhamos, quando comemos,
até quando parados, tudo o que fazemos é impulsionado por energia.
Acredito que a quantidade dela pode variar de uma pessoa para outra,
mas o controle e a canalização dela fazem toda a diferença na
manutenção de uma vida mais saudável, e eles só podem ser obtidos
mediante consciência e reflexão sobre os próprios atos. Sobre essa
energia. Mas a gente não a percebe; a gente nem se percebe.
A sociedade contemporânea globalizada, mesmo trazendo muitos
benefícios à humanidade – benefícios materiais em grande parte
–, tem prejudicado sorrateiramente o bom fluir dessa energia nas
nossas vidas, o que tem gerado os grandes males da atualidade:
ansiedade, pânico, impulsividade, obesidade, depressão, compulsões, e por aí
vai.
A
sociedade que vivemos é caracterizada por exigir de nós
reações muito rápidas a estímulos que têm vindo muito
rapidamente também, e isso impossibilita algo extremamente
necessário para que não haja desperdício ou uma sobrecarga
energética: a pausa para reflexão – ter a consciência dos
nossos próprios atos, para avaliar consequências. O espaço entre
as demandas externas que chegam diariamente e as respostas que
precisamos dar está sendo cada vez mais curto; não tem dado tempo
para que o pensamento racional entre em ação; ao invés disso
reagimos impulsivamente automaticamente. A Dianética fala sobre isso como Mente Analítica e Mente Reativa. A Neurociência
fala em Sequestro da Amígdala Cerebral. Seja o nome qual for,
o princípio é o mesmo: ações sem a percepção do que está
sendo feito, e por quê. É o caso do obeso – que as vezes nervoso, ansioso,
triste – desconta na comida e não percebe a quantidade
do que está ingerindo. Ou o compulsivo em compras que acaba se endividando facilmente. Ou aquele que por impulsividade age primeiro; fala, grita,
prejudica-se, e depois se arrepende. Pessoas sobrecarregadas com estresse que não conseguem dar vazão às próprias demandas e acabam surtando. Pessoas se vitimizando por uma
situação, quando são incapazes de perceber que os seus próprios
atos culminaram para o acontecido. Não enxergam isso! Realmente não
conseguem. Volto a repetir, porque até a nossa percepção da realidade está alterada. Para nós a realidade parece mais rápida do
que o pensamento consegue acompanhar e até a nossa percepção de
tempo está alterada; a gente percebe-se sempre com menos tempo do
que o necessário, como se o tempo passasse mais depressa.
Toda essa
problemática do meu ponto de vista começa já na fase escolar. Se disciplinamos
nossas crianças e nossos adolescentes para reproduzirem
conteúdos e não educamos para a criação de novos, se
impomos a memorização de dados e não incentivamos uma reflexão
sobre a realidade e um pensamento crítico, de que forma,
mais tarde quando adultos nessa sociedade contemporânea, eles
saberão responder às demandas? A resposta é que eles não saberão.
Essa é a nossa problemática atual. Nós somos incapazes de pensar
sobre a vida com um olhar amplo e um pensamento crítico; o que nós
temos a oferecer são respostas prontas. Comportamentos irracionais.
Mecânicos. Quando estamos com um problema nos angustiando, ao invés de
refletirmos sobre esse incômodo, preferimos comprar, comer, beber,
tudo para fugir da realidade. Quando precisamos ter atitude frente uma situação, ou
reagimos impulsivamente e depois pensamos sobre o que fizemos, ou
paralisamos e nada fazemos. Não tem meio termo. Não tem
racionalização. É como a cobra que come o próprio rabo!
Acredito
que este problema atual é mais sério do que qualquer política pública
conseguirá resolver facilmente. É um problema de estruturas
psíquicas. Comportamentos muito enraizados. Eu acho que quisemos tanto um dia fabricar
um cidadão pacato e passível de controle, como esse que vive na sociedade atual, e
conseguimos! Vemos uma sociedade hoje imatura politicamente, que quando
tenta revindicar alguma coisa termina extrapolando e gerando
mais violência. Só que nós não podemos
reclamar agora. O projeto não foi esse? Não queríamos uma massa assim? Se agora queremos mudar, se agora queremos uma
sociedade forte, matura politicamente, precisamos mudar métodos!
Fazer tudo o que deixamos de fazer até hoje. Oferecer uma educação
de qualidade que atinja a todos com igualdade, e que privilegie a
criatividade e o pensamento analítico. Dar suporte psicológico,
médico, social. E por que não espiritual?! Demonstrar assim que a vida é mais do que tudo isso. Devemos fazer o que deveríamos ter feito. Do jeito
certo. E isso vai demandar tempo. E resultados aparecerão a longo prazo.
Será que podemos esperar? Só que quanto mais demoramos também,
menos tempo temos...
" Ó, vós, na possessão de tão robustos intelectos... observai os ensinamentos que se escondem... sob o véu destes estranhos versos." (Dante Alighieri)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Tempos modernos demais
“A
solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste
período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do
nosso próprio egoísmo.” (Soseki
Natsume)
Na minha infância
chamar alguém de amigo demorava um tempo. O amigo
em questão tinha de passar por testes, provas de lealdade e só com o tempo construía-se a amizade. Para considerarmos ele
melhor amigo então era muito pior. Me lembro do receio que eu
tinha de assumir que alguém era um grande amigo e no fundo não ser. Me incomodava essa mentira. Porque não era fácil assim.
Hoje vejo pessoas que mal se conhecem e se intitulam “irmãos”. Fazem
juras e trocam declarações. Não sei se acredito que
isso seja amizade mesmo, porque as minhas referências foram outras.
Namoros eram bem
mais demorados – demorava para começar porque tinha toda uma
conquista a ser feita até pegar amizade, demoravam até
virarem casamentos (quando viravam!), porque as famílias precisavam
se conhecer a fundo, havia protocolos sociais a serem preenchidos,
que ainda seriam avaliados. Os pais sempre tinham um olhar
desconfiado de proteção. Sem falar que era comum um protocolo a
mais. O noivado. Hoje quase não ouço mais essa palavra.
Mesmo a palavra namoro quase não ouço. Substituídas por
“pegar”, “ficar”, “curtir”. Isso nas relações sem
compromisso. Em lances mais sérios: amigar. Nada contra
casais amasiados. Um papel é só um papel, o que manda são
os sentimentos. Mas eu falo de tempo. De preparo e amadurecimento até
que as coisas possam acontecer naturalmente, e com firmeza!
Lembro que nas empresas
a grande maioria dos empregados por exemplo eram antigos de casa. Não
existia esse negócio de rotatividade de pessoal. Meus familiares e
vizinhos diziam de boca cheia uns aos outros sobre aposentaria com
carteira profissional de pouquíssimos registros. Muitas vezes um
único emprego na vida! Hoje pego carteiras
na mão e são continuação de uma primeira, e já não tem mais espaço para
registrar – de pessoas mais jovens que eu! Não sou moralista. Nem
nostálgico. Não parei no tempo. Nem quero retornar. Sou a favor de
outros olhares, gosto de costumes diferentes e é preciso
mesmo abrir-se a esses novos tempos. Mas me surpreende muito a
velocidade que as coisas estão acontecendo. Por exemplo.
Recentemente, conversando com um garoto de uns 19 anos sobre casamento e família, fiquei perplexo ao ouví-lo dizer seriamente que ele
e sua namorada – que é menor – estão fazendo planos para o
primeiro filho; eles se conhecem não tem um ano, não terminaram os
estudos ainda, e moram com os pais. Se isso está normal, se é assim
que as coisas devem acontecer, se sou eu o retrógrado, volto a repetir que as minhas referências foram outras.
Quando olho para trás e me lembro dos meus pais, dos meus vizinhos, da forma como a sociedade funcionava na época (e nem faz tanto tempo assim), revivo outro período literalmente. Sinto mudanças radicais. E me desculpem não é para melhor. Não nesse aspecto. Como disse Mario Sergio Cortella: Geração Miojo. Hoje tudo é instantâneo: amizades miojo, namoros miojo, trabalhos miojo, ascensão miojo... Vidas miojo! Aí me pergunto: qual a qualidade nisso!? Qual o sabor de uma vida miojo? Ou o preço disso?
Quando olho para trás e me lembro dos meus pais, dos meus vizinhos, da forma como a sociedade funcionava na época (e nem faz tanto tempo assim), revivo outro período literalmente. Sinto mudanças radicais. E me desculpem não é para melhor. Não nesse aspecto. Como disse Mario Sergio Cortella: Geração Miojo. Hoje tudo é instantâneo: amizades miojo, namoros miojo, trabalhos miojo, ascensão miojo... Vidas miojo! Aí me pergunto: qual a qualidade nisso!? Qual o sabor de uma vida miojo? Ou o preço disso?
A sociedade atual,
principalmente as gerações novas, está baseando-se unicamente em
números, em quantidades ao invés de sustância e qualidade, e esse
comportamento não tem precedente. Essa alta rotatividade de pessoas
entrando e saindo de relações sem qualquer vínculo profundo e
significativo, deixa um espaço vazio e uma sensação de solidão. E na tentativa de preencher esse espaço, vejo muitos jovens viciados num prazer encontrado em se arriscar em experiências novas: novos
amigos, novos amores, novos desafios, novos empregos, novos
estilos, novos gostos... Buscam se destacar de alguma forma na
multidão e chamar a atenção para si mesmos e sempre buscando conquistar algo e se superarem. Mas não vivem as suas conquistas!
Querem desafiar, alcançar status, conquistar o seu espaço, mas não para usufruí-lo! Aí o problema: ambições
vazias. As tradições,
as convenções, tudo o que é usual e atual é considerado sem graça. Obsoleto e desestimulante. E aí outro problema: intolerância com
insatisfações. Resumindo. Uma geração ambiciosa, que tem se sentido vazia e que busca desafios como estímulos, mas que
não tolera um não.
Sempre ouvimos frases como “o mundo antes era melhor”, e nós sempre julgamos estar vivendo tempos de coisas modernas demais e sem futuro. Só que agora é mesmo muito pior, o nosso inimigo é muito maior do que antes. Somos nós mesmos. Não estamos travando batalhas com outros, lá fora, estamos perdendo de nós mesmos. E muitos ainda dizem que ao pensarmos demais no futuro, ou lembrarmos demais do passado, a gente não vive o nosso presente. Numa alusão de que muito pensar implica em não viver. Mas esse tipo de filosofia que é danoso à vida. Devemos então viver sem pensar? Ou pensar muito pouco? Acredito plenamente no contrário. Quando a gente quer só viver de presente afim de curtir o momento, a gente acaba por comprometer o futuro. Uma coisa não dissocia da outra. É necessário aproveitar o presente sim, mas já projetando o futuro, pensar nos nossos atos e estar ciente que qualquer ação hoje desencadeará em algo amanhã. Estar preparado para essas consequências. E julgar se valerá a pena. O segredo está onde sempre esteve; na consciência do que estamos fazendo!
Sempre ouvimos frases como “o mundo antes era melhor”, e nós sempre julgamos estar vivendo tempos de coisas modernas demais e sem futuro. Só que agora é mesmo muito pior, o nosso inimigo é muito maior do que antes. Somos nós mesmos. Não estamos travando batalhas com outros, lá fora, estamos perdendo de nós mesmos. E muitos ainda dizem que ao pensarmos demais no futuro, ou lembrarmos demais do passado, a gente não vive o nosso presente. Numa alusão de que muito pensar implica em não viver. Mas esse tipo de filosofia que é danoso à vida. Devemos então viver sem pensar? Ou pensar muito pouco? Acredito plenamente no contrário. Quando a gente quer só viver de presente afim de curtir o momento, a gente acaba por comprometer o futuro. Uma coisa não dissocia da outra. É necessário aproveitar o presente sim, mas já projetando o futuro, pensar nos nossos atos e estar ciente que qualquer ação hoje desencadeará em algo amanhã. Estar preparado para essas consequências. E julgar se valerá a pena. O segredo está onde sempre esteve; na consciência do que estamos fazendo!
Você sabe o que você
está fazendo?
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
TODO MUNDO TEM O SEU
“E o homem, em seu orgulho, criou Deus, a sua
imagem e semelhança.” (Friedrich
Nietzsche)
Todo mundo tem um lado
negro. Aquela parte perversa que as vezes deixamos oculta até de
nós mesmos e em raras ocasiões alcança a superfície. Uns admitem.
Aprendem a controlar. Adocicam. Outros negam até a morte! São
perfeitos demais para isso. Mentirosos até. Muitas vezes me
perguntei como seria se as pessoas vissem umas às outras claramente,
o que rolava no interior. Meu Deus! E se deixássemos transparecer e
disséssemos abertamente uns aos outros o que pensamos e sentimos de
forma direta? Eu só fico imaginando...
Quando estou com muita raiva
de uma situação – ou de uma pessoa – que está me estressando,
fico me perguntando como seria se todos ao meu redor lessem a minha
mente naquele exato momento. No mínimo ficariam chocados! Eu fico a
maquinar mil formas de fazer mil coisas. Mas pior seria se eu as
colocassem em prática! Ia dar muito mais trabalho limpar a bagunça
depois... rsrsrs'
Acho muito interessante
isso, essa espécie de limite entre o que pode transparecer e o que
não deve, o controle dessas nuances, e observo como essas “facetas
ocultas” de forma indireta regulam as relações humanas. Não estou
falando de politicagem. Muito menos de falsidade, ou omissão. É
outra coisa. Porque ninguém precisa e nem deve ouvir os nossos
pensamentos no trânsito. Ou numa fila de banco. Ninguém precisa
saber francamente o que estamos pensando e sentindo no calor de uma discussão.
Certamente que isso é o que evita uma Terceira Guerra Mundial! É
esse tipo de controle que falo, que possibilita uma convivência pacífica
entre as pessoas. Diplomacia. Algo que tenho aprendido e estou
feliz por ver progresso. Existem muitas faces dessa parte obscura. Raiva. Ciúme. Ódio. Inveja. Ganância. Todos temos esse
lado sombrio que fala só aos nossos ouvidos. Mas precisamos
aceitá-lo. Saber quando e por que ele age. O que dispara o gatilho.
Por exemplo, no meu caso, o gatilho é o orgulho. Eu tenho um orgulho
filho da mãe! E você nem imagina como me envergonha admitir
isso. Posso estar na pior, mas dependendo da pessoa e da situação não cedo por
nada! Cutucou aí, me revelo. Aí falo besteira. Faço besteira. E
depois bate uma vergonha tamanha. Dói na consciência uma sensação
de culpa quando dou campo a esse sentimento. Sei que quando ele age no fim me sinto pequeno. Ao invés de me sentir vitorioso saindo por
cima numa discussão, me sinto na pior. Como um viciado que jurou nunca
mais utilizar uma determinada droga e cedeu a tentação. Herdei esse
bendito orgulho do meu pai, e ninguém conseguiria imaginar o duelo
que era ter dois reis e um só trono em casa. Ninguém cedia. Éramos
pior que crianças.
A medida que fui me
conhecendo descobri que posso não ser assim “tão legal” quanto
gostaria. Sou orgulhoso, tenho pensamentos baixos, tenho inveja dos
outros, e até ódio de algumas pessoas. Me desculpe. Admitir isso
não me faz melhor, nem pior do que ninguém, mas aceitar esse lado
negro como algo natural da minha personalidade e preferir não fingir que não está
acontecendo nada faz toda a diferença. Se eu aceito a minha inveja
eu trabalho ela. Se eu aceito o meu ódio eu transformo ele. Hoje sei
quando estou a um passo de ser cruel e tenho consciência de que a
decisão de prosseguir é minha. Aprendi que mergulhar fundo na parte
mais sombria da nossa personalidade nos ajuda a descobrir quem somos.
E nem sempre essa passagem é fácil; muitas vezes traz grandes
surpresas, e dolorosas mudanças. Mas vale a pena! Só conhecendo
nossas limitações conhecemos nosso potencial. Quando somos capazes
de identificar essas sombras, nós jogamos luz sobre elas, e ao fazermos
isso alcançamos um caminho de autoconhecimento e amadurecimento, e com isso a chave para uma consciência mais tranquila. E certamente
isso pode fazer uma grande diferença na vida de uma pessoa.
“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que
você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa qualquer entendimento.” (Clarice
Lispector)
domingo, 22 de dezembro de 2013
L'Ermite
Diogenes, Jean-Léon Gérôme.
“Sobe a montanha e
contempla a terra prometida, mas não digo que entrarás nela...”
Este foi um ano e
tanto!
Se eu fosse resumir numa única palavra o que ele significou
para mim, tenho certeza que usaria a palavra “Trabalho”. Foi um
ano que trabalhei duro; diria que a tarefa interna foi ainda maior
que a externa...
O autocontrole e a
automotivação pautaram o ano. Ética, imparcialidade, arbitragem, e
a resistência também! Gerenciar interesses é uma tarefa difícil e
as vezes é preciso ser paciente; determinados acordos simplesmente
acontecem no tempo deles. Não tem jeito.
Em muitos momentos do
ano contei até dez. Onze! Cheguei no meu limite mesmo; mas estou
feliz por ter conseguido me controlar e não ter metido os pés pelas
mãos; não dar vazão ao impulso de outras épocas já foi um grande
avanço. Em suma, me safei de várias. O saldo acabou não terminando negativo como estimado. Sorte.
Como todo ano conheci
muitas pessoas e fiz algumas boas amizades. Me desfiz de antigas
também – aprendi que tem laços que se esfacelam sozinhos... Vi
pedras que reluziam e não eram ouro, e isso me ensinou a tomar
mais cuidado com minhas próprias expectativas. Ouvi palavras suaves
cortando como faca em manteiga! Máscaras caindo mesmo, e não é
fácil pôr no lugar novamente. Entre o certo, o errado e a
verdade, existe uma lacuna imensa. Com isso aprendi a observar de longe
e deixar a cabo do tempo a missão de trazer a luz à certas questões.
Daí entra o título e a tela escolhida deste post. O ermitão, do
tarot e Diogenes, do pintor francês Jean-Léon Gérôme. Reza a
lenda que, igualmente ao nono arcano maior, Diogenes perambulava
pelas ruas como mendigo utilizando uma lamparina, à procura de um
homem honrado.
Como um iniciado,
seguirei ao futuro guiando-me pelo conhecimento e apoiado nessas
experiências passadas. Seguir a 2014 tendo aprendido com este ano a
observar de longe, atenta e pacientemente, os detalhes, e a guardar o
silêncio comigo. Sinto que é um momento para me autodesenvolver. Me
trabalhar mais. E intuo também que o próximo ano será complicado
para todos bem por isso – de um ponto de vista existencial mesmo.
Como observo esse movimento em mim, observo também em outras
pessoas: uma vontade de autoconhecimento; um desejo de se
autodesenvolverem. Já falei disso aqui; gastamos tempo demais
investindo em descobertas externas e levantando estruturas, sem
trabalhar conteúdos. Sem criar novos valores. Deixando de descobrir
novas visões de mundo. E agora é o momento que precisamos mais
dessa capacidade.
Por todos os cantos observo grandes transformações.
As pessoas querem mudar. As empresas estão mudando. O mundo mudou.
Diante desse cenário volátil acho que a única certeza que temos é
a necessidade de experimentar o novo. De desbravar o desconhecido e
reinventar antigos caminhos. Aceitando o diferente.
Aconselho a todos para
investirem mais nessa parte interna em 2014. O pessoal. Busque ler mais, fazer
cursos, terapias... Converse mais, viaje mais, reflita mais. Olhe com
mais atenção para a um autoconhecimento voltado ao
autodesenvolvimento. Pense fora da caixa. Descubra quais são os seus
talentos, aquilo em você é muito bom, conheça-se melhor e
experimente compartilhar isso. Talvez o mundo só esteja esperando
isso de você! O mundo precisa de novas ideias, de novos valores, de
novas perspectivas. E serão mãos coletivas nessa criação.
Como este ano estive
muito focado no trabalho, postarei um vídeo que tem uma mensagem bem
bacana – principalmente neste aspecto. E não só para 2014! Acho
que o discurso do palestrante não só é muito interessante – e
motivacional também – como é bastante importante. Apesar de ele
não falar nada de muito inédito, são coisas que deixamos de
pensar, mas precisamos muito; as questões tratadas por ele e a forma
como elas são colocadas valem muito a pena uma reflexão. Convido
então a assistirem ao vídeo e refletirem não apenas no contexto
profissional, mas de uma maneira ampla. Porque nós, como sociedade,
precisamos prestar atenção a essa transição de sociedade industrial
para sociedade do conhecimento e no impacto disso em nossas relações uns com os outros e com nós
mesmos.
Fonte: AQUI.
Desejo de coração a todos um
Feliz Natal e um Feliz Ano Novo!
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
EQUILÍBRIO ESTÁTICO
De todas as formas de agir, uma que estou aprendendo bastante é o não-movimento. Optar por ele. Ouvir mais. Falar menos. Esperar. Procurar saber o momento certo de agir. É difícil... Demanda mais energia do que pensava.
Acreditamos que o silêncio é para os fracos; mas não é! Muitas vezes se calar e não fazer absolutamente nada dá um trabalho impressionante. Trabalho digno de muito preparo - físico e psicológico principalmente. E denota na minha opinião maturidade.
É comum acharmos que os corajosos são os que saem ao combate; aqueles que dizem sempre o que pensam; aqueles que não negam fogo pra ninguém. Mas de um tempo pra cá tenho aprendido bastante, e evitado muita dor de cabeça, só pelo fato de não fazer nada em certas circunstâncias. Deixar rolar. Não por medo! Nem por covardia. Simplesmente porque o não-movimento me pareceu mais sensato. Ou talvez fosse "o menos pior".
Estou aprendendo que algumas vezes não é vergonha nenhuma deixar a última palavra ao outro; sair de cena e não brigar com ele. Tenho visto que há brigas que não valem a pena: desgastam, machucam, atrasam mais, e o pior, nada resolvem. Em alguns momentos então deve ser preciso mesmo engolir sapos; baixar a guarda; tirar o time de campo. Numa boa.
Dependendo da profundidade de um corte, o próprio sangue estanca. Há estudos que dizem que um rio, como o Tietê por exemplo, se limparia sozinho se ninguém mais jogasse nada nele. Para certas ocasiões, o silêncio responde mais que uma palavra. O nosso próprio corpo é capaz de se curar sozinho de muitos males.
E se a gente for analisar de uma forma macro, tomando a nossa sociedade como exemplo, poderemos constatar como estamos apressados e porque a gente não consegue pensar antes de agir. Há uma gigantesca diferença entre um movimento consciente, onde sabemos o que estamos fazendo e as possíveis consequências, de um movimento qualquer. Tem gente que fala, fala, fala, e não se aproveita nada! Faz uma porção de coisas que atrapalham mais do que se não tivesse feito nada. A nossa sociedade hoje é bastante ignorante por conta disso. Queremos falar, mas não queremos ouvir. Queremos agir, mas não sabemos esperar. Queremos para ontem! Temos pressa, temos uma raiva incontrolável, temos grandes ambições, e vontades inadiáveis. Ninguém quer menos, nem pouco; queremos o melhor, e o mais rápido possível. Então quando o corpo responde com alguma dor, nos medicamos. Quando o nosso psicológico responde com alguma dor, nos entorpecemos. E quando alguém nos questiona, não gostamos. A gente quer falar, fazer e ouvir só o que quer!
Isso não lembra muito o comportamento típico de uma criança? Eu acho que sim. A nossa falta de autocontrole, falta de maturidade, falta de tolerância tem nos feito agir impulsivamente; muitas vezes metendo os pés pelas mãos. Falando demais; muitas vezes para quem não devia. Fazendo o que não faríamos em outras circunstâncias. Atropelando etapas! E colhendo frutos amargos com isso. Isso tem muito a ver também com esse "cenário crise" que criamos pra tudo. Crise no mundo dos negócios; crise ambiental; crise social; crise existencial... Hoje a palavra da moda é "Crise". E é óbvio, criamos os "solucionadores de crises": pessoas dinâmicas, que dão respostas rápidas aos problemas, são espertas, inovadoras e rápidas! E muitas vezes, comendo cru! Apressadas demais. Tão bom quanto agir no momento correto, é não agir no momento inadequado. Saber discernir. Estamos enfrentando dilemas sociais, ambientais, econômicos sérios, que precisam ser urgentemente solucionados sim, mas, urgência não significa também despreparo. Falta de planejamento e ações maduras. Acho importante um "fechamento pra balanço". Em outros momentos uma boa pausa, para deixar que as coisas sigam sem a nossa influência. Por que precisamos mediar todos os acontecimentos? Quem disse que a gente tinha esse poder??
Deixe rolar em algumas ocasiões. Faça o que for necessário ser feito, enquanto a situação permitir, e seja paciente com o que foge o seu controle. Tudo o que precisa é adquirir mais tolerância; nem só de impulso se conquistam as coisas, às vezes é preciso se conter.
O bom jogador não é aquele que sempre parte para o ataque, mas aquele que observa campo e oponente, e espera, para descobrir quando e onde atacar.
Acreditamos que o silêncio é para os fracos; mas não é! Muitas vezes se calar e não fazer absolutamente nada dá um trabalho impressionante. Trabalho digno de muito preparo - físico e psicológico principalmente. E denota na minha opinião maturidade.
É comum acharmos que os corajosos são os que saem ao combate; aqueles que dizem sempre o que pensam; aqueles que não negam fogo pra ninguém. Mas de um tempo pra cá tenho aprendido bastante, e evitado muita dor de cabeça, só pelo fato de não fazer nada em certas circunstâncias. Deixar rolar. Não por medo! Nem por covardia. Simplesmente porque o não-movimento me pareceu mais sensato. Ou talvez fosse "o menos pior".
Estou aprendendo que algumas vezes não é vergonha nenhuma deixar a última palavra ao outro; sair de cena e não brigar com ele. Tenho visto que há brigas que não valem a pena: desgastam, machucam, atrasam mais, e o pior, nada resolvem. Em alguns momentos então deve ser preciso mesmo engolir sapos; baixar a guarda; tirar o time de campo. Numa boa.
Dependendo da profundidade de um corte, o próprio sangue estanca. Há estudos que dizem que um rio, como o Tietê por exemplo, se limparia sozinho se ninguém mais jogasse nada nele. Para certas ocasiões, o silêncio responde mais que uma palavra. O nosso próprio corpo é capaz de se curar sozinho de muitos males.
E se a gente for analisar de uma forma macro, tomando a nossa sociedade como exemplo, poderemos constatar como estamos apressados e porque a gente não consegue pensar antes de agir. Há uma gigantesca diferença entre um movimento consciente, onde sabemos o que estamos fazendo e as possíveis consequências, de um movimento qualquer. Tem gente que fala, fala, fala, e não se aproveita nada! Faz uma porção de coisas que atrapalham mais do que se não tivesse feito nada. A nossa sociedade hoje é bastante ignorante por conta disso. Queremos falar, mas não queremos ouvir. Queremos agir, mas não sabemos esperar. Queremos para ontem! Temos pressa, temos uma raiva incontrolável, temos grandes ambições, e vontades inadiáveis. Ninguém quer menos, nem pouco; queremos o melhor, e o mais rápido possível. Então quando o corpo responde com alguma dor, nos medicamos. Quando o nosso psicológico responde com alguma dor, nos entorpecemos. E quando alguém nos questiona, não gostamos. A gente quer falar, fazer e ouvir só o que quer!
Isso não lembra muito o comportamento típico de uma criança? Eu acho que sim. A nossa falta de autocontrole, falta de maturidade, falta de tolerância tem nos feito agir impulsivamente; muitas vezes metendo os pés pelas mãos. Falando demais; muitas vezes para quem não devia. Fazendo o que não faríamos em outras circunstâncias. Atropelando etapas! E colhendo frutos amargos com isso. Isso tem muito a ver também com esse "cenário crise" que criamos pra tudo. Crise no mundo dos negócios; crise ambiental; crise social; crise existencial... Hoje a palavra da moda é "Crise". E é óbvio, criamos os "solucionadores de crises": pessoas dinâmicas, que dão respostas rápidas aos problemas, são espertas, inovadoras e rápidas! E muitas vezes, comendo cru! Apressadas demais. Tão bom quanto agir no momento correto, é não agir no momento inadequado. Saber discernir. Estamos enfrentando dilemas sociais, ambientais, econômicos sérios, que precisam ser urgentemente solucionados sim, mas, urgência não significa também despreparo. Falta de planejamento e ações maduras. Acho importante um "fechamento pra balanço". Em outros momentos uma boa pausa, para deixar que as coisas sigam sem a nossa influência. Por que precisamos mediar todos os acontecimentos? Quem disse que a gente tinha esse poder??
Deixe rolar em algumas ocasiões. Faça o que for necessário ser feito, enquanto a situação permitir, e seja paciente com o que foge o seu controle. Tudo o que precisa é adquirir mais tolerância; nem só de impulso se conquistam as coisas, às vezes é preciso se conter.
O bom jogador não é aquele que sempre parte para o ataque, mas aquele que observa campo e oponente, e espera, para descobrir quando e onde atacar.
sábado, 23 de novembro de 2013
A PAPISA JOANA
"Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor." (Stéphane Mallarmé)
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Somos Iguais
"Igualdade racial é pra valer", Petrobras:
"Professores, pesquisadores e outros especialistas destacam a importância da igualdade racial e discutem as origens da discriminação no país, além de reconhecer a contribuição da população afrodescendente na construção da sociedade brasileira."
"Ela renega a própria raça":
Jornalista Regina Volpato
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem
ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e
se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)
Saiba mais: Dia Nacional da Consciência Negra.
sábado, 16 de novembro de 2013
Pensar, pensar e (re)pensar a Educação!
"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida. " (John Dewey)
Desde de muito pequeno
sempre fui fascinado pelo tema Educação; sempre gostei de
escola, e sempre estudei em escolas públicas também. Mas o
engraçado, quando me lembro dessa época, é que vejo nitidamente um
divisor de águas no meu próprio interesse, quando passei da
infância à adolescência por exemplo. Durante o ensino infantil e o
fundamental, lembro-me de gostar de fazer os trabalhos e as
atividades e de discutir com os meus professores sobre diversos
temas; eu sentia prazer em aprender naquele universo sempre móvel e
instigador: ora era sala de aula; ora em sala de vídeo; ora íamos
ao pátio, à grama, à biblioteca etc. Gostava muito pois não
sentia desvinculação entre aquilo que aprendia no quadro negro e a
minha vida fora da escola. O que ocorreu após esse período –
durante o Ensino Médio – para ser mais exato ainda um pouco
antes, a partir da oitava série – foi um certo desinteresse pela
escola. Sempre fui inteligente e sempre gostei de estudar, mas não
gostava "daquilo" (a forma como os conteúdos eram
ministrados). Naquela época, mesmo de maneira muito superficial,
pensando em termos de Educação, achava a escola distante. Não
tinha conexão entre as disciplinas – pelo menos eu não sentia –.
E o pior de tudo eram as cobranças; provas rigorosamente avaliadas
(que nada avaliavam de fato) e aulas rigidamente monitoradas (que
mesmo assim não nos seguravam); isso a jovens na puberdade, com
absoluta certeza, é a forma mais incorreta para se trabalhar.
Simplesmente não compreendem nessa linguagem.
E por que estou falando
disso? Porque se hoje já concluí o Ensino Superior é porque em
algum momento tive uma "iluminação de consciência" –
vou chamar assim – e retomei um caminho abandonado – após ser
reprovado no Ensino Médio! Quem lê essas linhas e observa o meu
blog talvez deva supor que sou um alguém muito letrado, culto, até
como se por alguma espécie de dom tivesse nascido assim ou que foi por
toda vida um aluno "nota 10". Em primeiro lugar nem sou tão
inteligente assim; sou curioso – o que para mim é diferente e até
melhor. Em segundo, sempre gostei de estudar sim, mas isso não mudou
em nada o fato de eu ser reprovado no Ensino Médio e de por alguns
anos pensar que jamais pisaria numa instituição de ensino
novamente. Por sorte (mesmo!) resolvi, num belo dia, matricular-me no
EJA e concluir os estudos “básicos”. A que atribuo a reprova?
Existiram “n” motivos na época, mas o principal deles,
certamente, foi o incômodo que eu sentia em ter que ir à escola - então eu não ia;
não via produtividade naquilo, tampouco sentia que seria útil para
a minha vida. Então por que resolvi voltar? Existiram, também, “n”
motivos na época, mas o principal deles, sinceramente, foi porque
queria fazer uma faculdade e melhorar minha situação de vida.
Busquei, basicamente, ascensão social e estabilidade financeira. Acho que
ainda não as encontrei, mas... vamos adiante com o raciocínio... rs
rs rs
Estou brincando um
pouco, porém, infelizmente, essa é ainda hoje a realidade que
observo em muitos adolescentes que conheço: eles não gostam de ir à
escola, não veem muito sentido nela e estão considerando mais
produtivo ir trabalhar do que ir estudar. Falo como profissional de
recursos humanos, pois trabalho todo dia com essa realidade. E falando como
cidadão: acho uma grande pena e uma vergonha para o nosso país.
Estamos falhando com esses jovens! Jovens que não conseguem enxergar
utilidade na escola, perdendo assim o interesse no aprendizado, no
conhecimento.
Hoje, após todo o
percurso que trilhei, afirmo categoricamente que estudar, adquirir
conhecimentos variados, abrir a mente para novos olhares, aprender
sobre outros costumes e outras culturas diferentes é extremante rico para o ser
humano. Isso traz a ele noções de responsabilidade com a sociedade,
respeito e tolerância com o outro e abertura para ideias diferentes;
para a troca efetiva de cultura e vivências. Esse foi, e ainda
é, o meu maior ganho com a Educação. E só pude constatar isso da
pior maneira infelizmente: abandonando os estudos após ter sido
reprovado e, depois de muito tempo, retomando apenas por questões
financeiras. Não me culpo, porque graças a Deus voltei. Mas este
não é o caminho; não precisamos chegar ao final de uma rua para
descobrir que ela não tinha saída, se todos os sinais já não
mostravam isso. Nós precisamos despertar nos nossos jovens
(principalmente neles eu acho, porque o desinteresse maior parte
deles) o entendimento da importância de frequentar a escola, de
absorver conhecimento vivo e de colocar em prática no seu dia a dia
esses conteúdos. Muito mais do que para ser um profissional
requisitado no mercado. Muito mais do que para adquirir bens
materiais. Muito mais do que para se obter um diploma universitário.
Tudo isso para eles se transformarem em homens e mulheres melhores.
Cidadãos conscientes, éticos, justos, humanos e solidários, que
vão liderar a sociedade futura. Não é utopia, porque é possível!
Utopia é algo praticamente improvável de acontecer, uma fantasia;
mas isso não é um sonho impossível. Não devemos desacreditar
nesses jovens, porque falhar com eles é falhar com toda a sociedade,
onde igualmente todos pagaremos o preço por isso – preço que já
estamos pagando! O negro, o branco, o índio, o rico, o pobre, na cidade ou no campo...
Todos, sem exceção, têm o dever de colaborar com essa questão. Os
pais em não permitir que seus filhos abandonem a escola e possibilitar que eles cheguem até ela; os governos
em criarem políticas públicas melhores, mais condizentes com as
realidades diversificadas desses jovens, e as empresas colaborarem
com projetos que permitam que esses jovens não necessitem ter que
abandonar seus estudos para frequentar o trabalho. E basta, de uma
vez por todas, do discurso da “tarefa difícil”! Difícil todos
sabemos que é. Sabemos que é um desafio, uma verdadeira
transformação complicada, complexa, que demanda tempo e trabalho
conjunto (PúblicoxPrivadoxSociedade). Mas sabemos também que é
necessário abraçar essa causa, entendendo os impactos da
falta de Educação e a relação com a violência, o trabalho
infantil, as drogas, a marginalidade, no prejuízo que é para a
sociedade como um todo; transformar a Educação é uma tarefa
INESCAPÁVEL! - palavra muito bem dita por Celso João Ferretti, do
Centro de Estudos em Educação e Sociedade. Adorei essa palavra.
Admito que as
autoridades estão despertando para essa importância. Está se
enxergando com olhos mais atentos e está havendo o conflito. O
conflito é ótimo! A discussão, por mais que desencontrada, é
ótima! Pelo menos enxergou-se o desafio! Se estamos chegando a algum
lugar ou não, ou se chegaremos, ainda é cedo para nos respondermos.
Mas já é um grande passo à frente existir um movimento para
mudanças que vai ganhando forças. Estamos quebrando paradigmas, e é necessário quebrá-los.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Vai com calma...
A atividade vence o frio; a inatividade vence o calor; assim, com a sua calma, vai o sábio corrigindo tudo no mundo. (Textos taoístas)
Nos momentos em que a vida parece não responder às minhas preces, sei que ela exige um pouco mais de mim. O que sinto nesses momentos é medo do que virá pela frente e uma grande insegurança: não ser capaz de dar conta do recado – porque a gente quer sempre corresponder às expectativas –. Aprendi que quando a vida fica assim, meio pacata, meio morosa, ela está observando atenta cada movimento, que precisa ser feito. Como se fosse uma mãe pássaro que empurra o filhote do ninho e espera que ele bata as asas.
Estou arriscando
algumas posturas diferentes na minha vida e enfrentando firme algumas
opiniões contrárias por conta disso. Tenho apostado todas as minhas
fichas em onde isso vai dar. Acho que isso tem me tornado um pouco
duro demais e tem horas que nem me reconheço, mas fiz as minhas opostas
e espero a roleta girar e ver onde vai dar. Será que vai terminar
a meu favor? Ninguém saberia responder ao certo e não ter respostas é o que
aflige tanto.
Acordo todos os dias e saio para o quintal olhar para o
céu pensando sobre como será o dia de amanhã e nunca encontro
certeza alguma. É claro que tenho planos. Todo mundo tem os seus. E é óbvio
que eu, um alguém todo racional e pé no chão incorrigível, teria uma
meta a ser trilhada com protocolos rígidos, mas o fato é não
sentir a vida conspirando ao meu favor – ou talvez testando-me até
onde sou forte. Sinto os caminhos todos amarrados; sinto algumas
pessoas atrapalhando ao invés de ajudar; as vezes sinto medo e muita raiva, como se de alguma forma eu estivesse
enfrentando o mundo para atingir o que quero. E essa é uma sensação
péssima! Então como sou orgulhoso e um tanto teimoso, ergo a
cabeça e digo a mim mesmo que conseguirei superar os obstáculos
custe o que custar (e fico tentando acreditar nisso) – sem deixar
transparecer dúvidas e medo de tudo dar errado –.
Acho que o que me assusta tanto é
ter que começar do zero se preciso; não sou muito bom para lidar com altos
e baixos, as vezes me conforta a ideia de rotina e estabilidade –
e sei que preciso aprender a me arriscar mais; mas
arriscar significa admitir não se ter controle absoluto, e vivo imaginando que tenho...
Esse post deve estar
com um ar enigmático ou talvez melancólico, mas a ideia central nem
é essa; é apenas para refletirmos essa questão de que
algumas vezes na vida temos raiva por não conseguirmos realizar as
coisas do exato jeito que queremos e dá a impressão de que tudo
ao nosso redor corrobora para desistirmos. A gente quer avançar e
não consegue; a gente quer falar algumas coisas mas parece que
ninguém da ouvidos; toda ação parece estar reprendida; e isso
exige uma dose de paciência; de persistência; de calma...
Neste
momento da vida quero dar início a novos projetos e
tenho me arriscado, mas vejo a vida pedindo calma. Me segurando.
Diante disso tenho exercitado a capacidade de compreender e respeitar esse sinal vermelho; no fundo eu sei que tudo tem o seu tempo de acontecer, que a
vida tem mesmo uma ordem natural das coisas, mas na prática é muito difícil.
É preciso entender que a vida não dá garantia aos nossos sonhos, mas mesmo assim é
necessário continuar a sonhá-los. Assumir que apesar de não termos o controle
de todas as circunstâncias, precisamos mesmo assim persistir nelas. Quando as coisas ficarem difíceis demais, suportar.
Quando parecerem não ter mais saída, ter calma. Mas olhando sempre
para a vida com uma admiração constante; contemplando a beleza que se esconde em
todos os cantos. Reverenciando a natureza e agradecendo-a, porque seja como for, estamos vivos. Aos momentos complicados, ouvir uma boa música nessas horas acalma. Observar
com atenção uma paisagem nos ensina muito. E quando estivermos
muito pessimistas, procurarmos acima de tudo ter fé na vida e
descobrirmos assim dentro de nós a faísca de sabedoria criadora, de
poder transformador. Em contato com essa nossa parte sagrada mudamos
a vibração da nossa mente. E tudo, exatamente tudo, acredite,
começa por aí.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
CONHECIMENTO VIVO!
Mais ou menos com dez
ou onze anos de idade comecei a frequentar a biblioteca da minha
cidade em busca de respostas, queria entender certas coisas. Eu fui
uma criança bastante curiosa, meus pais notavam isso; notavam que eu
não era aquele típico garoto que gostava de trepar em árvores ou
viver na rua brincando o dia inteiro; tampouco meu negócio era
correr atrás de bola ou procurar fazer novas amizades pelo bairro.
Eu era muito inteligente para a minha idade. E bastante estranho
também. Era introvertido e solitário às vezes – e me sentia
ainda mais sozinho pelo fato de me interessar por assuntos que não
eram compartilhados pelos meus colegas. Sempre gostei de ciências,
mistérios, esoterismo, ocultismo. Desde de pequeno me interesso por
saber como o mundo funciona, quais forças regem a natureza, os
elementos dela. Tinha algumas ideias estranhas para uma criança e
gostos mais estranhos ainda.
Nessa época, quando
comecei a frequentar mais assiduamente a biblioteca, minha seção
preferida por exemplo era a esotérica. Aquela que ficava lá nos
fundos, quase no escuro, onde poucos iam e que todos me olhavam
curiosos quando me viam xeretando por lá. E lá eu ficava, se
deixasse tardes inteiras, lendo sobre espiritismo, mitologia grega e
romana, simbolismos, mistérios e magias do Homem – comecei por aí.
Com o passar do tempo fui me interessando pela astrologia, pelos
números, a numerologia – fiz meus mapas, e assim me encantando
cada vez mais com essas “pseudociências”. Mais tarde, já na
fase adulta, me interessei por quântica, neurociência, alquimia,
até os dias de hoje, que tenho estudado bastante sobre a maçonaria.
Eu não sou maçom, mas me interessa muito esse universo de auto
desenvolvimento através do conhecimento, sempre me fascinou adquirir
conhecimentos de culturas e civilizações antigas, buscar o
aprimoramento a partir daí. Sou atraído por isso. Algumas pessoas
me perguntam pelo que sou interessado e sempre respondo: por estudar!
Estudar pessoas; culturas; o legado deixado por civilizações
antigas. Eu gosto de viver a vida fora dos livros, mas sou apaixonado
por estudá-los, sem sombra de dúvida o poder está no conhecimento,
e é por isso que alguns povos são até os dias de hoje destinados à
ignorância por seus governos – é mais seguro assim! Povo sem
conhecimento, sem cultura, é povo fraco, passível de controle. Quem
consegue controlar facilmente o esperto, o inteligente, aquele que
conhece bem os seus direitos?
Através dos livros,
desses estudos antigos, pude perceber que o povo em geral, em
qualquer lugar do mundo ou época da História, sempre foi proibido
de obter certos conhecimentos, porque seriam taxados de hereges pela
Igreja ou perigosos pelos reis, e assim, através de um grande
boicote a intelectualidade, as massas foram facilmente controladas
pelas supremacias – sempre mancomunadas com a ala religiosa.
Percebi que as civilizações antigas bem sucedidas, foram bem
sucedidas porque permitiram a difusão livre do conhecimento entre a
população, somado a abertura da mente a novas ideias, a uma
religião sem dogmas e na forma como se relacionavam com a vida –
como movimento constante sem princípio nem fim. Nem porquês.
Sociedades antigas, principalmente as orientais, aprenderam
equilibrar feminino e masculino (yin e yang) dentro do Homem e
encontrar no Homem uma divindade. Com também encontrar na Divindade
sua parte humana.
É fácil também
perceber, através do estudo da História, como fomos manipulados
através de nossos medos e através de nossas crenças a julgar o que
é diferente. Hoje temos muito mais recursos e oportunidades que
outrora e ainda somos manipulados e estamos dispersos. O grande mal
do século na minha opinião é o excesso de tudo. Se no passado
sofríamos porque éramos privados de conhecimento essencial, hoje
temos tanto conhecimento que nos é difícil encontrar o que é
essencial. Diante de tantas possibilidades, alternativas, caminhos,
informações, não sabemos – e não queremos – escolher. A
impressão que eu tenho é que hoje o truque é colocar na cara do
Homem o que não se quer que ele veja. As sociedades secretas, como a
Maçonaria por exemplo, nunca estiveram tão acessíveis e mesmo
assim há diversas crendices. A própria ciência tem se rendido a
religiosidade e as pessoas ainda estão se automedicando. A internet
abriu um mar de infinitas informações e continuamos sem saber onde
estamos e para onde vamos quando nos sentamos em frente a um
computador. Esse é o Biopoder definido por Michel Foucault, apenas
mudaram o cenário e o filme, mas o gênero e as personas ainda são
os mesmos!
É preciso aprender a
ler o mundo, a trabalhar com as novas tecnologias, entender que a
ciência tem dando espaço à religiosidade, captar que governos
estão modificando suas estruturas de poder e suas políticas
públicas, mas a desigualdade e a exclusão social permanecem. Diante
deste cenário novo e complexo precisamos mais do que nunca entender
e trabalhar a complexidade. Desta vez o conhecimento é móvel e isso
exige um pensamento crítico, isso exige um conhecimento vivo!
sábado, 5 de outubro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
oãçejorP
“ De manhã, uma
mulher olhou pela janela e viu a nova vizinha estendendo a roupa no
varal. Ela falou para o seu marido “A vizinha nova não sabe lavar
roupa. Viu como a roupa que ela acabou de lavar está suja? Aposto
que ela não usa nem sabão em pó!”. E dia após dia ela fazia os
mesmos comentários para o marido “Não acredito que ela deixa os
filhos usarem essas roupas sujas”. Muitas semanas depois, ela olhou
pela janela e ficou surpresa ao ver as roupas da sua nova vizinha
limpas e brilhantes, então ela chamou o marido e disse “Querido,
olhe! A vizinha finalmente aprendeu a lavar a roupa”. O marido
sorriu e disse “Querida, fui eu que acordei cedo hoje e limpei a
nossa janela”. ” (estória popular)
Um dos mecanismos
estudados na Psicologia que me chama muito a atenção é a Projeção.
Escolhi essa imagem, de um homem olhando-se no espelho e vendo suas
costas, porque retrata bem esse mecanismo de defesa: um homem que vê
as próprias costas no espelho porém sem ter consciência disso!
A primeira vez que ouvi
sobre esse assunto foi na faculdade. A partir daí passei a prestar
mais atenção no comportamento das pessoas que eu criticava, na
tentativa de aprender um pouco mais sobre mim mesmo. Percebi que é
possível sim, projetarmos nossas falhas, aquilo que nos incomoda, no
outro e depois atacá-lo. É um movimento inconsciente mesmo, mas nem
por isso menos perverso. Ou nefasto. Podemos dizer também, com uma
boa dose de hipocrisia.
Tudo o que nos desperta
sentimentos muito intensos, como raiva, ódio, repúdio é parte de
nós. Estamos simplesmente fazendo uma transferência, e achando
assim – inconscientemente – que estamos atingindo o problema,
resolvendo-o. E não estamos. Estamos apenas nos enganando.
Vira e mexe me pego
julgando alguém. Criticando erros. Tentando me legitimar em cima das
falhas de alguém. E isso é cruel. Tentar se sobressair as custas
dos demais. E como a gente faz isso... E a gente sempre julga ter
razão. Fora está errado. O outro é sempre o problema, carrega a
culpa, cometeu o erro... enquanto nós só a razão. O engraçado é
que, ou somos os perfeitos ou as vítimas, não existe parcerias ou
co-autoria.
Acredito sinceramente
no mal. Eu sou do bem e do mal. Eu carrego Deus e o diabo dentro de
mim. E por essa razão eu escolho a quem dar ouvidos. Agora, achar
que o diabo é um ser de chifres, que cospe fogo e vive no inferno –
e que é para lá que eu vou se eu for culpado – é ilusão demais.
O diabo é o meu ódio em excesso, a minha inveja, a crítica
rasteira, a minhas próprias ações mal intencionadas. A minha
intenção! Nessa análise o diabo somos nós mesmos. Só que é mais
fácil conviver com a nossa consciência, quando jogamos a culpa em
algo exterior. E as sociedades, desde de que existem, só focaram no
externo. Movemos grandes quantidades de energia e conhecimento
alterando apenas o exterior, olhando sempre para fora, modificando o
nosso entorno, enquanto a nossa parte interna pagava o preço. Nos
tornamos fracos emocionalmente, cheios de medos, cheios de culpas –
que precisamos achar um bode expiatório para conviver com nossos
demônios. Alguém para pagar a conta. O engraçado é que não
existe meia culpa, alguém tem sempre que pagar o pato sozinho.
Nós criamos nossos
próprios demônios porque idealizamos a vida. Perdemos muito tempo
criando um mundo perfeito que justifique a dor que é viver o
presente, que esquecemos de olhar para a vida como imperfeição.
Processo. Movimento constante. Para nós tudo tem que ser bonito,
puro, se encaixar e ter respostas. Não há espaço para o erro e
então o nosso errado é condenável. Eu acho que a gente precisa
começar a assumir as nossas falhas e nos aceitarmos como seres que
estão em constante processo. Partes de um todo incompleto, que não
tem como finalidade uma conclusão assertiva. Essa divisão que
fazemos entre bem e mal, certo e errado, verdade e mentira é o que
acaba com a nossa vida e mina as relações. Vamos passar a prestar
mais atenção ao que se passa em nosso interior e veremos que muitas
vezes tudo aquilo que julgamos estar no outro, na verdade estava em
nós mesmos o tempo todo. Quem sabe aí a gente passe a conviver
melhor com as diferenças, porque talvez percebamos que no fundo no
fundo, nem somos tão diferentes assim!
domingo, 18 de agosto de 2013
Cisões
*Escolhi essa imagem, porque pra mim não há
cisão mais natural e certa do que a aurora e o crepúsculo, que
findam dia e noite, e isso não atrapalha em nada a simetria do que acontece nos
intervalos.
“Feche algumas
portas. Não por orgulho ou arrogância, mas porque já não levam a
lugar nenhum.” (Paulo Coelho)
Hoje resolvi dar uma
limpa no meu guarda-roupa. Ou daqui a pouco não caberia mais nada lá
dentro. Minha mãe passava no corredor, só assistindo. Quando se deu
conta do que eu estava fazendo, perguntou segurando uma camisa nas
mãos: “Vai dar embora? Você fica tão bem nela.” Eu sem
dar muita atenção, soltei: “Mas não uso!”. E continuei a empreitada com ela revirando as peças que eu ia jogando sobre a
cama. Fiquei pensando sobre esse diálogo... Fui obrigado a concordar
que de fato a camisa era muito bonita. E nova! Quase nunca tinha sido
usada. Pensava: "se é tão bonita ou especial assim pra mim, por que
está aqui praticamente jogada?" A resposta veio prontamente. "Porque
pra mim já não serve mais." Só por isso. As peças que eu tirei do
guarda-roupa de fato não mudaram tanto – continuam quase em
perfeito estado de quando as comprei –. Mas eu mudei! Pelo menos
por dentro...
Olhei mentalmente para
trás pensando sobre o passado e vi outras coisas que também deixei.
E por “n” motivos. Foram costumes, lugares, manias, erros,
pessoas, relacionamentos que já não me serviam mais. Profissionais,
pessoais, familiares até. Cisões necessárias para que eu
continuasse meu caminho melhor, mais leve, sem também pesar sobre
outros. Posso imaginar que você que está lendo essas linhas está
pensando que sou insensível pra considerar pessoas descartáveis
como roupas. Tenho certeza de que os mais apressados nos julgamentos
pensariam assim. Mas não! Não acho pessoas descartáveis. De maneira nenhuma. Aliás, nada é. Acho super interessante a ideia de reciclar
e reaproveitar as coisas. Doar se necessário. Eu doarei as minhas
roupas. Mas acredito muito mais no fluir da vida que naturalmente
cisa. Não digo que as relações tenham prazo de validade, pois
tenho amigos de muitos anos que ficamos tempos sem nos falarmos, mas
quando nos vemos nem notamos diferença. Mas o inverso também
acontece. Há pessoas bem próximas que vejo praticamente sempre e no
entanto estamos milhas distantes. Ambos notamos isso. Não há troca
nenhuma de contato relevante. Essas pessoas pra mim são como as
roupas retiradas do guarda-roupa; via todo santo dia nele, mas nunca
tirava uma do cabine. Vale a pena assim? Será que mantenho
contato com essas pessoas porque gosto delas de verdade, as quero perto de mim pessoalmente falando,
ou só porque me acostumei com a presença delas – que neste
momento só ocupam espaço? Às vezes continuamos com certos laços
apenas por comodismo, medo ou uma vontade de controle. Como às vezes continuamos sem saber bem porquê.
Se não desse essa
limpa no meu guarda-roupa no mínimo chegaria um momento que não
caberia mais nada e o saldo seria um monte de coisas que não uso
ocupando espaço daquilo que eu poderia usar. A nossa vida se parece
a um guarda-roupa. O espaço também é limitado. Primeiro porque ela
em si é limitada; não somos eternos, vamos morrer um dia. Está aí
a primeira cisão de que temos conhecimento. Segundo porque os anos são
fracionados em meses, semanas e dias, que por sua vez em horas,
minutos e segundos; como as leis, os valores, essas divisões são cisões também. Terceiro porque somos
animais racionais que cisam o desejo impulsivo e desmedido para a
nossa própria sobrevivência. A vida é composta por esses cortes. Vamos caminhando nos fazendo eles, podando a nós
mesmos. Mas são cisões necessárias para o bom fluir.
É isso o que garante a qualidade das relações. É isso o que nos
ordena, nos organiza, nos potencializa. Por mais cruel que pareça. Não é
insensibilidade, não sou um robô. Sou honesto. Honesto de não querer vestir
aquilo que não gosto, que não cabe em mim ou no meu bolso. Honesto
de não ficar forçando a barra numa relação que não dá certo e
gastar a vida com momentos que no fundo não valerão a pena.
Não me refiro a intolerância com personalidades distintas. Falo num
nível mais profundo, mais íntimo. Falo de liberdade, de
honestidade, de transparência. De podas necessárias como as que
fazemos nas plantas. Para um crescimento sadio. Falo de manter laços
que concordam de fato com nossos desejos e capacidade, porque muitas vezes nós
nos acorrentamos a determinadas coisas por ganhos mínimos. E a vida
vai embora!
Acredito sinceramente
que não precisamos fazer nada, apenas deixar que a vida se
encarregue de fazer o trabalho dela. Essa poda. Só precisamos emitir pensamentos de acordo com os nossos desejos, para
assim atrair o que será necessário. E para isso precisamos nos conhecer
direito e emitir as vibrações certas. Autoconhecimento e
magnetismo. A vida faz o resto! Ela traz o que é necessário e
afasta aquilo que está numa vibração diferente. Para o bem estar
de todos. Repare ao seu redor que, quando você permite que o fluxo
aconteça livremente, aparecem as pessoas certas, você não se
encontra mais com algumas outras.
Certas circunstâncias nos obrigam a rescindir com determinadas
coisas para o nosso bem então, só que muitas vezes nós fazemos o inverso,
segurando o fluxo. Aí sofremos. Sofremos por não aceitação do fato. O
sofrimento não vem do corte em si, vem de não aceitarmos a
contradição. Somos muitas vezes mesquinhos, imaturos e
materialistas. E agimos com possessividade (nos) agarrando as coisas, seja a um relacionamento
desgastado, seja uma peça de roupa sem uso, porque são essas coisas que
nos dão a ideia de alguma “segurança”. Só que é falso.
Para finalizar, hoje à
tarde, acessei uma rede social e coincidentemente percebi que um
amigo publicou que curtiu o livro do Paulo Coelho, Onze Minutos.
Também gostei. Ele tem uma passagem perfeita para esse post que diz: “Não se pode dizer
para a primavera: 'tomara que chegue logo e dure bastante'. Pode-se
apenas dizer: 'venha, me abençoe com sua esperança, e fique o
máximo de tempo que puder'.”
Nós não temos domínio sobre a Vida, mas nós nos controlamos em algum nível. Tudo o
que precisamos então é sermos honestos e tentarmos dançar no mesmo compasso.
Assinar:
Postagens (Atom)














