
“Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.” (Millôr Fernandes)
Já reparou como todos nós fazemos tamanha força para aparentarmos apenas a nossa melhor parte na internet? A imortal. Aquela fake... Viemos à internet no passado para melhorar nossa vida cotidiana, aprender mais, nos entreter, nos informar, em busca de qualidade. Viemos com o objetivo de tornar a comunicação mais rápida, menos falha, com o propósito de maior socialização também. A proposta inicial me parecia essa, organizar e facilitar a vida contemporânea. No entanto, anos depois, nós entramos diariamente nesse espaço virtual na construção de um lugar ideal, um mundo irreal, que parece muito possível ser obtido com essa tecnologia. E nele transparecemos que somos inteligentes – não, inteligentes não mais, agora a moda é parecer culto. Eloquente. Grandioso! Todo mundo sabe sobre tudo, sobre todos, a qualquer momento, e no fundo ninguém conhece ninguém e entende das coisas apenas na superficialidade dos dados. Mesmo com tantas informações continuamos estranhos desconectados. Mas a vida nunca pareceu tão agradável! Com a pasteurização da internet tudo é bonito. O desempregado, desarrumado, introvertido, chato, nas redes sociais fica bonito, bem vestido, popular e chique – pois a moda agora é ser bem vestido também. Eu sei, sou um desses e isso me envergonha muito. Entendo bem desse universo, porque estou nele nesse momento e sou um dos seus usuários. Ele nos encanta com as possibilidades! É tão fácil constatar o que estou falando, é só dar uma passadinha rápida por alguns perfis em qualquer uma dessas diversas redes sociais existentes. Aliás nem precisa ir muito longe não, olha aqui mesmo no perfil do meu blog. Pareço muito bem, não é? Tentei parecer... Mas isso não significa que sou outra pessoa, mas também não significa que sou desse jeito, todo dia. Barba feita, cabelo com gel e no melhor ângulo – que consegui depois de tirar umas dez fotos. “Editei” o que quis transmitir. Escolhi a melhor foto que eu tinha no meu notebook. E a descrição sobre mim? Claro que eu colocaria só a melhor, é a meu respeito né, jamais descreveria algo negativo sobre mim. Quero parecer legal. Bem visto e bem quisto. Preciso muito disso. Marketing pessoal é realmente tudo!
É claro que estou ironizando essa situação séria e sendo bastante sarcástico com isso. Marketing pessoal não é nada disso, você não precisa ser falso nem se descrever mentindo para agradar alguém. Deve ser quem você verdadeiramente é, nos dois mundos. Transparecer o que sente. Mas na realidade não é o que está acontecendo. Fugimos da vida cotidiana real para a virtualidade, porque ela garante um controle de coisas que não temos fora desse espaço. Na internet podemos ser quem quisermos, ter muitos amigos – e sem precisar conviver com a chatice de algumas pessoas, o mau humor de outras, sem TPM... Relacionamento interpessoal é zero. Fora da net tornou-se chato, cinza, sofrível. Mas se querem saber a verdade, a vida não “tornou-se” coisa alguma, ela sempre foi assim: altos e baixos, pessoas de todas as personalidades, adversidades que temos que lidar e conviver porque somos sociedade. Mas o que aconteceu foi que a internet nos mostrou as maravilhosas oportunidades de sermos quem quisermos, até o que não somos e é essa a grande isca, pois nunca estivemos satisfeitos com o que somos. Adoramos é idealizar a vida. Podemos mudar, ser diferente, não tolerar quem não queremos; para que vamos ser reles mortais então? Aguentar outro ser humano cara a cara, assumir nossos fracassos, nossas falhas e andar de cabeça erguida numa sociedade onde todos parecem vitoriosos e onipotentes em seus castelos construídos virtualmente? Querem saber, acho que temos dado importância de mais para a estética das coisas. Para a reação das pessoas. Para o julgamento alheio. Nos importando de mais em criar um mundo bonito, divertido e alegre virtualmente e nos esquecendo de tentar isso na vida real. Com isso, passamos cada vez mais tempo presos nesse lugar tentando achar alguma coisa que fora dele não encontramos. Precisamos tirar vantagem da internet e não o contrário! Porque quando os recursos do planeta não forem capazes de suprir a nossa enorme demanda, além de ainda não estarmos satisfeitos, vamos viver aonde? Ou alguém aí já comprou seu terreninho em outro planeta? Ouvi dizer que tem umas praias ótimas em Marte...
Esse espaço está se resumindo em nossa vida ao ponto de se torna-la. A internet está nos dando esse poder. Mas o objetivo dela era esse? Afinal, qual é o objetivo da internet? Organizarmos nossa vida, trocarmos ideias e soluções uns com os outros, aprendermos, batermos um bom papo ou criar uma vida virtual paralela? O que você tem feito na internet??
Hoje não tem como saber se a pessoa que vemos no avatar é realmente a que está por trás dele. Será que ela é tão bonita quando a da foto? Será a da foto!? Será tão legal quanto a descrição do perfil? Não dá para saber se aquelas palavras utilizadas para descreve-la é o que realmente ela é ou o que gostaria de ser ou se a sua imagem não passou por um desses “programinhas manipuladores”, porque há um abismo que nos separa. Estamos conectados por abismos de distância! Somos perfeitos e grandiosos, aí clicamos em “sign out” e a ficha cai. A realidade é bem diferente... Sabe quem eu sou?
Um jovem universitário pobre, que não sabe de nada, dependendo do ângulo bonito, dependendo do gosto bem vestido, dependendo da análise verdadeiro, maduro para algumas coisas, mas totalmente inexperiente para outras, que quer te dizer o seguinte: “ – Use a internet mas não seja usado por ela, tire proveito! Pois enquanto você está aqui lendo minhas palavras, a vida está acontecendo aí a sua volta – afasta o seu olhar dessa tela pra você ver. Aproveita o que você leu aqui e saia respirar ar puro olhando para o céu, para o Sol, reflita, pisa um pouco no chão, abraça o seu filho, conversa com ele!, brinca com seu animal de estimação, porque enquanto está aqui a sua vida está acontecendo... Nem mesmo eu – o autor – estou aqui neste momento, porque enquanto está lendo essas palavras (que eu já escrevi), fui viver de verdade...” .
Mas volto! rs rs rs
Trailer OS SUBSTITUTOS (The Surrogates) - Legendado
No filme, “em 2054, humanos vivem isolados interagindo através de andróides chamados Surrogates. Quando assassinatos começam a ocorrer, um policial sai de casa pela primeira vez em anos para descobrir uma conspiração”.
É isso o que queremos!?
4 comentários:
Hello Jonas!!
Essa questão da ironia em relação a grande quantidade de aparelhos disponiveis hj em dia para a comunicação e mesmo assim vivemos numa época onde existe uma tremenda falta dessa tal comunicação é um assunto que além de ser debatido em alguns programas da tv, eu também gosto de discutir.
No sábado fiquei na casa de dois amigos (vc sabe quem) e foi muitoooo legal, pois chegamos a noite e decidimos jantar e ir descansar pois no outro dia tínhamos que levantar cedo de novo e mandar bala no estudo. Apesar de saber que a hora da familia estar junta, pelo menos nas refeições é importante, ainda temos a mania de comer na frente da tv... pois é.
Mas nesse sábado, nós colocamos uma musica bem de boa no radio, sentamos na mesa com uma taça de vinho e uma prato de macarrão, e lá ficamos, conversando, rindo, jantando, tomando vinho... até tarde!!Nem vimos a hora passar, esquecemos a canseira e a noite foi demasiadamente agradável. Cheguei em casa comentando sobre isso com a minha mãe... porque raramente fazemos isso. Nenhum programa de tv proporciona algo parecido como o prazer daquele momento, sentar junto, sem pressa, sem distrações, sem noticias vazando sangue da tv, sem sites aberto no celular ao lado do prato na mesa. Apenas as pessoas e a conversa.
Eu penso que a internet pode sim ser essa ferramenta incrivel se bem usada... como por exemplo para conhecer pessoas de outros paises e manter contato com elas de forma mais barata (já que telefonemas ficam caríssimos). Manter contato com a familia que mora em outro Estado, ter acesso rápido a varias informações, poder trabalhar em casa, fazer reuniões atraves de messengers, fazer compras sem sair de casa....se bem que eu adoro mesmo ir na loja rsrsrs
Enfim, o importante é selecionar o que você vai ver, quantas horas você vai passar nesse outro mundo, porque a partir do momento que o mundo virtual é sua prioridade, quando sua vida virtual está melhor, mais agradável, mais "bonita", mais cheia de "aventuras", onde você é mais "amado", mais "legal", o mais "popular" das redes sociais... do que curtir sua prórpia vida, então, é hora de rever suas prioridades.
Vejo as pessoas colocando fotos com sorrisos plásticos, mostrando que a vida é sempre como um dia na praia... vida social vai bem, vida amorosa vai bem, ama a familia, é aquele amigo de todas as horas, e no dia a dia??? Está nadando na lama.... ou no mar de rosas? - Realmente hoje não dá mais para saber... salvo alguns casos.
Hoje em dia os pais chegam do trabalho no fim do dia, assim como os filhos e o que acontece? O pai na sala vendo jornal, a mãe no quarto vendo novela, os filhos na net ou nos games.... 300 formas diferentes de comunicação: notebooks, netbooks, celular, tablets, messengers, redes sociais, text messages, mensagens de voz, vlogs, blogs, etc. Na casa? Com aqueles próximos a você?? Nada!!
Adorei o post!! Depois comento o outro, porque agora eu vou cuidar da vida de verdade.
Hugs, your friend and teacher!!
E aí Aline, que comentário hein! rsrs Caraca rs
Mas assim que é bom, temos que nos expressar. Achei interessante isso o que você mencionou sobre a noite que passou com os seus amigos no fim de semana e confesso que eu mesmo não tenho uma noite assim tem tempo. Aliás até tenho, acho que todos têm... Me refiro a sensação que você descreveu, essa sensação de total abstração e desprendimento, isso é o que não temos sentido no nosso dia a dia. Esse prazer simples. Essa sensação intensa. Talvez por estarmos de mais racionais e menos estéticos. Estético no sentido de sentir amplamente o que os sentidos captam. Saber degustar a vida. Acredito que o verbo seja esse mesmo. Degustar. Beber é difere de degustar, ouvir difere de escutar, ver difere de enxergar, sentir difere de apreciar. O que será que nos falta então? Nossos sentidos estão lerdos ou o mundo contemporâneo está muito rápido? Dizem que à beira da morte, um homem vê a vida diante dos seus olhos. Será por causa de adrenalina?? Quando não somos tomados pela racionalidade excessiva? Vai saber...
Hugs Aline. Valeu pelo comentário, como sempre show de bola.
Oi Jonas!
Estou me sentindo num mundo vazio, onde as pessoas aprenderam a viver dentro de uma caixa de embalagem, se escondendo dos seus próprios medos, achando que estão seguras ...
É assustador pra algumas pessoas viverem a intensidade do contato, de se mostrarem frágeis, de todos verem que ela não é todo aquele marketing que faz de si mesmo nas redes sociais.
Meus poucos amigos conhecem a minha transparência e minha enorme vontade em ser intensa nos relacionamentos que tenho com eles... Esta cada vez mais difícil continuar nesse jogo, mas eu ainda acredito que muitos irão acordar e olhar la pra fora pra ver o que realmente importa.
Muito obrigada pelos textos maravilhosos!!
Beijos
Paty
Oi Paty
Não se sinta assim... As pessoas são diferentes mesmo e algumas preferem viver mais um chamado "marketing pessoal" que de fato viver a vida como desejam. Livre de preconceitos. É preciso compreender os pontos de vista. Reconheço que não é fácil. Mas tenho certeza de uma coisa. A vida se encarrega de deixar em nosso caminho que vem de encontro as nossas ideias. O mesmo faz com quem não compartilha. Portanto, tolere, respeite e aguente firme, sempre sendo fiel a você também, e não estranhe se o cenário ao seu redor sofrer uma radical mudança mais a frente... Boas vibrações!
Fique bem.
Beijos
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