
[/ Parado, quieto, absorto com meus pensamentos na minha mesa no trabalho, tenho a impressão que nada muda. Que por mais que tudo ao meu redor esteja em constante movimento, em frenética transformação, na cadeira eu continuo o mesmo. Parado. Quieto. Ansioso e com raiva. Nada muda... ]
Não sei se você já percebeu que a vida tem um certo prazer em nos contrariar. Parece até provocação. Quando achamos que já dominamos o jogo a vida muda as regras; quando achamos as respostas a vida muda as perguntas; quando achamos as perguntas a vida muda as respostas; quando nos acostumamos com as pessoas vem a vida e muda todo o cenário novamente. É quase loucura!
No meio de toda essa combinação de interesses aparentemente contrários entre a vida e eu, fico ansioso e com uma tremenda raiva. Nada muda.
Quando a gente está estressado com algo ou triste por alguma coisa, tudo ao redor parece nos irritar. Uma coisinha que antes talvez não daríamos a menor importância pode ser a causa central da nossa ira, do nada. Num momento é paz, noutro é guerra. Vou do céu ao inferno em instantes na minha mesa e percebo como tem sido fácil sentir raiva. Meu computador sem aviso prévio não responde aos comandos, raiva. As pessoas - parecem - não entender o que eu falo, raiva. Eu não entendo o que as pessoas falam, raiva. O maldito relógio na tela do pc não acompanha minha vontade, raiva. Uma tentativa frustrada de controlar toda essa raiva, mais raiva. Por fim, nada muda!
Poderia citar inúmeros outros exemplos que me causam profunda irritação, e tenho certeza que estressam meio mundo também nessas horas, mas o ponto principal sei que não está na raiva. Porque senti-la é fácil; somos humanos, é inerente a nossa condição. O ponto é como lidar com isso no dia a dia... De acordo com Aristóteles: "Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil."
Nesses momentos em que estamos com o "saco cheio", que dá uma vontade de partir pra briga com meio mundo, a única coisa que observo é o mecanismo de vazão, que obviamente tem duas saídas: uma externa e outra interna. Na explosão posso dizer o que no fundo não queria ter dito (ou talvez sim), da forma mais injusta e inadequada possível, no pior momento e muitas vezes pra quem não tinha nada a ver com a história. Na implosão o mais prejudicado sou eu, guardo toda a raiva que obviamente ficará sendo nutrida e curtida com o tempo, até o momento de um futuro "acerto de contas"... aí virá tudo a tona, em dobro.
Em suma, todos perdem quando não somos capazes de nos controlar!
Às vezes fico me perguntando porque tudo não muda, porque tudo não é mais fácil. Porque as pessoas simplesmente não cuidam da própria vida ao invés de gastarem tanta energia e tempo com coisas alheias. Porquê não se preocupam mais com a própria consciência, com seus atos e palavras e facilitam a convivência, ao invés de ficarem umas sendo obstáculos às outras. Juro que às vezes, sentado na minha cadeira, fico me perguntando coisas assim. Por que nada muda?!
Aí no meio desse monte de porquês, é como se a vida me dissesse (em letras garrafais) que sou só um grão de areia na praia. Humilde e insignificante. Que existem milhares de maneiras de existir nesse mundo - não só a minha -, que não somos robôs, que ninguém é perfeito, que não sou o dono da verdade e que os "tais" obstáculos que eu vejo é o que gera a evolução, que o drama e as complicações somos nós que fazemos e que, no fim, eu ainda vou olhar pra trás e rir de tudo isso.
De repente então, é aí que percebo o que insistimos em esquecer: Quando nada muda, quem deve mudar somos nós! A raiva pode ser uma ótima matéria prima para grandes realizações quando canalizada positivamente, porque se transforma em impulso criativo. E do contrário, quando mal administrada se torna um impulso destrutivo. Tudo é uma questão da forma como vamos trabalhá-la.
[/ “Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.” (Buda) ]
4 comentários:
Oloko hein Ju! Acho que esse é o comentário seu que mais gostei até hoje! Foi muito franco e honesto. Palavras muito bem ditas (e acho que o signo ajuda muito a contrariar também viu!).
O fato de eu ser muito racional me ajuda bastante a enxergar a vida sob uma ótica melhor (em alguns momentos) na minha opinião. Mas, em muitos momentos também (como esse) é estranho quando perco o controle. Quando as emoções prevalecem a razão. Esta aí uma coisa que tô aprendendo, tô me esforçando e sei que ainda vou ser menos duro comigo (e com os outros): vou aprender a ser mais tolerante com os erros, a relaxar mais na vida de vez quando e procurar ver pontos positivos nas coisas - critico de mais. E isso, às vezes não é bom. Porém, já é meio caminho andado ter identificado o problema e ter a vontade de buscar a solução.
Passei quase toda a minha vida querendo ser perfeito, querendo ter sempre o controle da situação e das pessoas, querendo controlar a vida. Hoje a vida está mostrando pra mim que não dá pra controla-la, têm coisas que precisam acontecer; aliás, têm coisas que vão acontecer e nos cabe aprender a lidar com essas situações, mesmo quando novas.
E no meio de tudo isso é muito bom saber que não tô sozinho, que tenho grandes amigos e amigas, como você por exemplo, que tá sempre aí disposta a ajudar e ouvir sem julgar.
Um grande beeejo, valeu pelo seu conselho: no fim só uma coisa é que importa - APRENDER!! Você está certa! =D
Fique com Deus.
Oi Jonas :)
Sabe o que é muito doido, eu acabei escrevendo um desabado outro dia (que daria um belo post até, acho que eu estou precisando de um segundo blog urgentemente rsrs) falando que de uns anos para cá minha vida têm passado por constantes mudanças, aquelas bens radicais de colocar tudo de cabeça para baixo.
Mas na verdade não é a vida que muda, somos nós. E quando a gente muda, tudo ao nosso redor parece diferente. As pessoas com quem convivemos podem ate mudar, se elas quiserem, mas isso nem sempre occore, de forma que caimos naquilo que já discutimos: não podemos querer que os outros mudem, só podemos olhar para eles de outra forma e assim perceber outras coisas.
Mas fazer mudanças é dificil e exige muito de nós, porém no final eu concluo que sempre vale a pena.
Fico feliz de ver que apesar das dificuldades, você sempre encara novos desafios de forma positiva e procura evoluir e achar seus proprios defeitos para fazer um esforço e melhorá-los. Isso sim é uma boa forma de crescer e como diz minha mãe, cuidar de cada problema com carinho.
Good luck with everything!!!
Hugs!
Oi Aline! Obrigado pelas palavras.
Acho que todos nós precisamos aprender a elogiar na mesma proporção que criticamos; descansar na mesma proporção que trabalhamos; relaxar na mesma proporção que funcionamos. Precisamos equilibrar as coisas na vida. Porque radicalismo, generalização e extremismo são tolices.
Percebo que, com muita facilidade, pendemos aos extremos. Partimos à ignorância e a impulsividade sempre por falta de compreensão e maturidade. É preciso reflexão e sabedoria para viver bem. Mas sem também expectativas demais para não vivermos engessados; curtir, errar, cair são partes da jornada.
No fim, não dá pra viver se anulando nem também tão a ferro e fogo, o meio termo será sempre o caminho menos doloroso.
Sou muito critico e faz tempo que sofro com esse problema; esse perfeccionismo tem fases, parece que nos momentos que sou mais exigido ele se anuncia. Penso que quando criticamos os outros atacamos como auto defesa e quase sempre o que está sendo julgado está em nos mesmos. É projeção isso; o erro, a feiura, a culpa, o alvo, estão mais no crítico que no criticado.
Mas como te disse semana passada, já reconheci essa forma de agir, assumi pra mim mesmo, conheço a solução e estou disposto a melhorar – o que já é meio caminho andado.
E olha Aline, se todo mundo procurasse dentro de si mesmo o que tanto critica nos outros, se aprendêssemos a refletir mais, tenho absoluta certeza que veríamos mais as soluções dos problemas ou invés dos erros das pessoas.
Uma vez mais, é uma questão de foco: vamos nos focar nos erros, nos errados ou nas soluções??
Hugs!
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