Notebook. Celular. Fones de ouvido. “See You Again” rolando no Youtube. Xícaras de café. Janela aberta, uma brisa fria, ambiente propício... Tudo pronto para um novo post! É isso aí, resolvi continuar com esse espaço...
Como pode ver mudei algumas coisas por aqui. Ainda não está bem do meu gosto, mas vou mudando aos poucos com o tempo. Descobri que apesar das muitas ferramentas disponíveis para estruturar e alterar o blog, nem todas convém. Por causa de alguns detalhes técnicos como estrutura, larguras, cores originais etc., é um pouco mais complicado do que imaginei mudar esse espaço sem prejuízo do que já tem aqui.
Em primeiro lugar terei que confessar a di-fi-cul-da-de que está sendo aceitar mexer aqui. A cada mudança, quando eu vejo o resultado fico assustado. Vontade de não mudar mais. Parece que estou abandonando algo tão importante. Deixando algo para trás... E não é exagero, esse blog terminou se tornando pessoal e importante demais para mim. Alterá-lo é me alterar. E vice-versa. Acredite, rola um movimento simbiótico aqui. E voooltamos àquela história do post anterior: a questão do desapego. Identificamos uma necessidade de mudança, queremos mudar, mas nos agarramos boicotando qualquer movimento. E não dá né gente, a vida precisa prosseguir, e como diz aquela velha frase: “mudança é a lei da vida”!
Então, vamos ao post. Vim dividir algumas novas impressões que estou tendo em relação à vida, ao meu comportamento, em como estou mudando ultimamente. Algum tempo atrás se você me perguntasse se eu precisava de sua ajuda, a minha resposta seria um seco e sonoro “não”. “Eu faço sozinho”. “Eu dou um jeito”. “Eu me viro, obrigado”. Essas eram as minhas respostas típicas a praticamente tudo e o meu posicionamento em relação à vida. Fazer sozinho. Nunca depender. Ser individualista. Autosuficiente. Orgulhoso. Durão. Essas eram minhas características principais e com muito empenho as sustentava. Gostava desse papel, fazer tudo do meu jeito, arcar sozinho, nunca ceder um milímetro e mesmo sofrendo ou com dificuldades no caminho não pedir ajuda, tudo para no fim me orgulhar de alcançar sozinho o topo. E sozinho lá permanecer... Pois é este o fim de quem vai por esse caminho. A pessoa que é muito orgulhosa, durona, que não se permite ajuda, que acredita que para vencer não precisa de ninguém, pode sim alcançar títulos e troféus, ter histórias para contar, mas não haverá ninguém no pódio para ouví-las. O topo para essas pessoas é solitário.
“Essas conversas do escritório não me fazem sentido”. “Acho que não irei à confraternização”. “Não vou àquela festa”. “Porque estarei ocupado”. “Eu tenho que...”. “Eu preciso...” Essas sempre foram as minhas desculpas típicas para me esquivar de colegas, de amigos, de familiares. Esquivando-me das pessoas que só querem estar comigo e demonstrar algum carinho ou afeto. Mas de alguma forma eu renunciei até a isto. “Eu não preciso disso”. “Em que isso me acrescentará?”. Pensava. Agreguei assim com o tempo alguns adjetivos. Antissocial. Chato. Frio. Sem sentimentos. E isso é contraditório porque sempre fui muito sensível e por dentro tudo o que eu mais queria era ser aceito por essas pessoas. Estar e me conectar com elas eram as minhas reais necessidades. Por esse velho caminho percebi quantas vezes anulei as pessoas ao meu redor, não me permiti entrosamento, com a falsa crença que elas me atrapalhavam. Parar para conversar, dar risadas, me relacionar mais intensamente com as pessoas eram coisas que me atrasariam. Porque eu estava ocupado demais na perseguição dos meus objetivos. Preocupado demais com os meus problemas. Orgulhoso demais para dividir o meu sucesso. E foi assim que com o tempo acabei percebendo que eu estava indo contra tudo o que eu realmente sentia.
Porque muitas das vezes que eu disse “não”, eu queria ter dito “sim”. Muitas das vezes que eu disse “adeus”, eu queria ter dito “não se vá”. Todas as vezes que eu dei a impressão de que alguém não era tão importante, por dentro uma parte de mim se partiu também. Mas eu jamais admitiria... Que eu estava errado. Que eu estava com medo. Que estava doendo. Que as vezes ainda dói! E assim eu acabei descobrindo que na prática a vida não seria como eu aprendi na infância. Um dia me ensinaram que para ser homem eu não poderia fracassar. Eu não deveria depender de ninguém. Nem dos meus próprios pais. Porque eu deveria ser forte, duro, independente e isso significaria nunca ceder. Não olhar para trás. Não chorar. Não me arrepender. Não pedir ajuda. Não ser frágil! Porque do contrário eu iria sofrer! E eu acabei descobrindo que eu tenho muito medo de sofrer... E assim eu construí muros ao invés de pontes. Me protegi com uma carcaça dura e impenetrável. Aderindo a alguns verbos. Recusar. Reprimir. Ignorar. Anular. Afastar. E com o tempo alguns substantivos aderiram à mim. Solidão. Tristeza. Vazio. Saudade... Eu preferia a morte a admitir que havia me arrependido de algo ou estava com saudade de alguém. Fazer isso seria como me partir ao meio! E é exatamente assim que me descrevo hoje: em desconstrução!
Aos poucos vou desconstruindo esse padrão. Ouvindo mais o coração. Dando mais espaço à criança interior do que ao adulto megalomaníaco. Tentando transparecer mais sentimentos. Pedindo e aceitando ajuda. Admitindo que eu não sei a verdade nem terei todas as respostas. Tentando rir mais. Me expondo mais. Sentindo mais. Me permitindo mais. Crescendo junto! Porque hoje eu sei que eu quero ser feliz, e não ter razão...
Talvez você entenda a minha história. Talvez ela até faça sentido a você. Eu só queria dizer que eu já fui assim, que eu já fui por esse caminho, mas eu descobri que ele não vale a pena. Agradeço por ter percebido isso ainda jovem. Torço para que você se encontre também. Nós precisamos de ajuda. Nós não estamos sozinhos. Sofrer todos nós vamos um dia, mas sempre existirá uma nova saída; um novo amanhecer; um novo horizonte; uma nova ideia; uma nova pessoa, que vai nos lembrar que vale a pena continuar acreditando.
Obrigado por chegar até aqui. A gente se vê...

6 comentários:
As vezes você vira do avesso,
E descobre que o avesso
É de fato seu lado certo...
É Gui, e quando a gente compreende isso a gente se sente tão bem...
Jonas, gostei muito do texto.
Eu também prefiro ser feliz do que ter razão. Abraços, Yuri
Oi Yuri! Que saudade de você! Obrigado pela visita, meu amigo!
Oi Jonas!! Adorei o novo espaço!! E o texto. E parece até que vi um filme passando pela minha mente desde de quando você começou as aulas até o dia de hoje, todas suas transformações e aprendizados. Todos mudamos, quando queremos, quando buscamos. Você sempre foi um buscador. É difícil admitir para nós mesmos quando estamos agindo por ego (eu sei disso bem), quando estamos no protegendo porque no fundo, no fundo temos medo, porque não queremos expor nossa vulnerabilidade. Para quebrar padrões é preciso ter coragem, para observar os espelhos é preciso ter coragem. Parabéns pelo novo espaço e pela caminhada!!
Li Defendi.
Friend and teacher.
Oi Aline! Obrigado pela visita. Você já é da casa né. Sempre foi. Realmente né, passou todo um filme pela minha cabeça no momento que escrevi essa postagem. Você acredita que eu até chorei? E como ainda! Escrevi o post muito emocionado, e por 'n' motivos... Você sabe bem de muitas dessas coisas porque você além de ser uma excelente professora, terapeuta, coach, você sempre foi minha amiga. E me ajudou muito nesse processo; a enxergar crenças limitantes, ao ter paciência e gentileza nos conselhos, você sempre foi presente no meu crescimento pessoal e espiritual. Obrigado a você também por participar disso.
Um grande abraço!
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