
[/ Dei a mim mesmo um tempo pra não decidir a vida e refletir, mas tenho percebido que estou pagando um preço por isso também... ]
É difícil nos bancar...
Às vezes eu fico observando como é mais fácil jogar as minhas responsabilidades em cima de coisas externas e não assumir o que de fato é meu.
Outro dia eu ouvi uma frase na televisão que me chamou à atenção e é até meio engraçada: "Quem pariu Mateus que balance o berço!".
A gente vai vivendo a vida como se nada que acontecesse (no presente) fosse resultado de uma série de escolhas e decisões, atos e coisas feitas lá trás, no passado, por nós mesmos. Coisas essas que vem nos lembrando da nossa própria trajetória. É a vida nos cobrando.
Há meses atrás - pra não dizer anos, eu já vinha reclamando de falta de tempo, da falta de energia, de estress e ansiedade constantes; hoje, ainda persistem os sintomas. Quando eu não dava conta de fazer todos os trabalhos da universidade nos prazos, o primeiro em que eu jogava a culpa era no trabalho. Depois me defendia, dizendo que estava cansado e acumulado demais com tarefas, e me enganando. Pois bem... o tempo passa, não estou mais trabalhando e as tarefas acadêmicas ainda estão acumulando e ando ansioso. Irritado. Reclamando...
Será que não é só uma questão de administrar melhor meu tempo e minhas tarefas?
Eu queria fazer um curso de espanhol, mas não tinha tempo, nem dinheiro pra isso. Hoje, eu tenho esses dois pré-requisitos, não o faço por quê!?
Sempre encontrei tempo pra correr ou fazer alguma outra atividade física, mesmo com a agenda lotada, porém hoje ela está bem folgada e eu não saio da cama. Como, bebo, durmo, acordo e o ciclo se repete.
Tenho realmente observado que estou muito acomodado com essa história de "quem é o culpado".
Quando algumas coisas não vão dando certo, não saindo conforme o planejado, ao invés de assumir isso como uma consequência natural, eu tenho procurado depositar a culpa em alguma coisa externa. No entanto, a responsabilidade é interna. A vida é e sempre foi minha. E se permiti que outras pessoas tomassem decisões por mim, ainda assim eu decidi isso.
Não me arrependo de nenhuma escolha que eu fiz, como ter saído do trabalho por exemplo. Vejo claramente que os motivos foram outros - não apenas estress e cansaço. Mas, o fato é que é difícil sim se bancar. Assumir as nossas experiências como sendo nossas e dar os créditos à quem realmente os mereça - nós mesmos. É mais fácil ter a quem ou a que jogar a culpa quando as coisas vão se dificultando e a gente faz o papel de vítima da vida, os coitados e inocentes que sofrem na história. O difícil é ter maturidade o suficiente para erguer a cabeça, olhar pra trás, ver que o trajeto que foi começado levava até aqui, e a partir daí rever se continuamos pagando esse preço ou revemos algumas coisas, porque certamente a vida continuará cobrando.
Um bom exercício é prever o fim a partir do começo: "Onde isso vai me levar?", "a partir daqui, eu posso deduzir que...?". Concordo que ninguém sabe onde o rio desboca, o futuro é incerto. No entanto, tem certas coisas que dá pra prever; não tem como colher laranjas a partir de sementes de limão; quem planta ventos certamente que colherá tempestades. Então, mesmo na imprevisibilidade da vida, a partir de alguns atos haverá uma sequência lógica.
Fica claro então pra mim que é muito arriscado brincar de viver, porque é preciso sim atenção para decidir a nossa vida, como viver nela e ter responsabilidade para assumir essas escolhas. Ninguém é culpado disso. Entender que nem sempre tudo vai ser como planejamos, os imprevistos acontecem, mesmo assim é preciso ter uma boa noção de onde queremos chegar, porque o tempo vai passando quer gostemos ou não e a vida vai cobrando seus preços.
Eu acredito que cada um deve viver do seu jeito, parar e refletir sobre algumas coisas na vida é necessário, só o que se tem que tomar cuidado são os custos disso tudo e ficar claro que no fim a conta é nossa!
[/ "Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer" (Albert Camus) ]