domingo, 30 de maio de 2021

COMO É ISSO PARA VOCÊ?

 

     Utilizo situações e acontecimentos e o que observo a minha volta para transformar em texto. Tenho a característica de ser atento às coisas e gosto de observar as pessoas, as suas falas, os seus comportamentos, possíveis motivações e as consequências disso. Penso e reflito sobre tudo procurando de algum modo encontrar aprendizado. Refletir. Ou propor alguma análise disso. É o caso da postagem de hoje.

      Essa semana tive uma conversa que me chamou bastante a atenção. Me chamou a atenção particularmente a visão e a opinião da pessoa com quem conversava. Longe de fazer crítica a posicionamentos político e ideológico, até porque quem me conhece sabe que eu não discuto ideologias – não vejo razão para fazermos isso, mas achei interessante a conversa. Trarei aqui como a pessoa enxerga uma situação e em seguida o que penso, como eu também vejo a mesma questão.

      A conversa toda foi complexa e seria impossível sintetiza-la num único tema. Mas, ao que me parece, o bojo central da discussão foi sobre transformações radicais que a sociedade vem passando, particularmente nas últimas décadas e essa pessoa acredita num “padrão”, observável já na natureza – segundo ela –, dos gêneros masculino e feminino, assim como de certo modo o que competiria a cada qual fazer. Não fiz julgamento de valor, procurei fazer mais perguntas. Quis ouvir e entender o seu ponto de vista e que, ao meu ver, parece refletir a opinião de muitos.

      Essa pessoa me disse que vê alguns grupos marginalizados da sociedade, tidos como minorias usando de formas agressivas e muito radicais para reivindicar seus direitos, perdendo uma denominação do que seria o sexo biológico; uma ausência de identidade; e não se enquadram ao que era esperado e tão característico a algumas poucas décadas atrás: o que é ser um homem, o que é ser uma mulher, por exemplo.

      Quando a conversa foi para esse ponto fiquei mais atento, porque quase sempre esses temas costumam ser sensíveis e espinhosos para conversar e inevitavelmente nesse momento discussões acaloradas surgem aos mais inflamados. Entram em jogo aquelas polaridades de direita e esquerda. Opressor e oprimido. Certo e errado.

      Mas pensei que se essa pessoa levantou o assunto, isso já disse muito. E como um bom amante e estudante de psicanálise dei espaço a sua fala, e como um psicanalista faria, ouvi com neutralidade sem qualquer julgamento de valor. Pelo contrário, estava curioso para compreender o que seria, segundo essa pessoa, “o padrão” esperado para um comportamento em sociedade com relação a masculino e a feminino. Em dado momento fui questionado o seguinte: “Para a psicanálise não é importante uma noção de identidade sexual ao ser humano? Hoje em dia os jovens não estão perdidos nesse sentido? Essas novas terminologias de hoje, como não-binariedade por exemplo, isso não traz confusão e talvez até traga sérias consequências aos jovens e à sociedade em geral futuramente?”.

      Penso que possuir uma identidade, seja ela qual for é importante. Mas não tem como dizer que não ter uma identidade definida ou ter uma identidade transitória ou fluída também não seja importante à pessoa. A sociedade passou por grandes transformações que não se via nessa magnitude por séculos. Talvez o que aos nossos bisavós e avós demorava uma ou duas gerações para ver acontecendo na sociedade, atualmente acompanhamos a cada dez, talvez cinco anos. Isso assusta alguns. Choca outros. Eu sou mais conservador. E gosto de uma tradição. Mas nada voltará a ser como foi um dia. A vida muda! O novo também nos ensina muito. Diante de todos esses questionamentos, eu apenas devolvi à pessoa uma única pergunta: “Como é isso para você?”.

      Quando a mulher estava dentro de casa e de um modo geral pais e mães eram mais presentes na educação dos filhos, talvez se percebesse menos nuances nos comportamentos e inclinações sexuais porque as crianças eram treinadas de certo modo pelos pais, conscientemente ou não, a agirem segundo um determinado padrão esperado (o tal “padrão” que a pessoa se referia). Ou talvez antes se sublimasse e se recalcasse muito mais, devido também a uma menor abertura e aceitação a comportamentos diferentes. O fato é que com a saída dos modelos houve certa liberdade para emergir algo a partir daí. Que não é certo nem errado, é um fato. Quando você deixa de policiar o desenvolvimento de um ser humano, estando ele livre para ser, pensar e agir – conforme suas inclinações talvez –, surgirão novos jeitos de pensar. De se relacionar. De amar. Novos jeitos de existir e de se exercer no mundo. Nada contra. Pelo contrário, tudo a favor. Cada um vive a sua vida como bem entender!

      A falta desses modelos pode ser prejudicial aos jovens? Talvez. Só que a falta de abertura que existia no passado também não era prejudicial? Também é possível. A conclusão é que tudo depende, pois tudo tem dois lados. O modo de vida do passado podia ser bom, assim como podia ser prejudicial. Como o modo de vida atual pode ser ruim assim como pode ser positivo. O fato é que a sociedade muda. E continuará mudando cada vez mais com maior velocidade. E talvez o único erro seja não buscarmos acompanhar essas transformações sociais e tentar aprender com elas. Mas vejo muitas pessoas ainda apegadas a antigos padrões que nunca mais voltarão a ser com antes, por "n" fatores.

      Essa pessoa comentou sobre a psicanálise porque estou em formação. Mas se tem algo que eu gosto mais e foi o que fez eu me interessar mesmo pela psicanálise foi que ela não trabalha com ideia de certo e errado. Na psicanálise não existe padrão reconhecidamente saudável. Seríamos neuróticos, no mínimo. Ela se diferencia da psicologia, que reconhecidamente já adquiriu status de ciência, justamente porque a psicologia tem protocolos bem definidos; um parâmetro a ser seguido ou esperado. Enquanto a psicanálise vê o homem como ele é, como ele pode ser. O que ele é capaz de fazer da própria vida. E precisará lidar! Sem idealização. Sem expectativa. Sem moralismo. O esperado numa análise é que o paciente consiga através de sua própria escuta dar melhores fins a sua angústia. Como ele fará isso? Pouco importa, cada um achará o seu caminho. O seu saudável. O seu possível! A psicanálise não rotula ninguém. Não estigmatiza comportamento. Não dá cartilha nem receita de nada. É como se ela dissesse: "Lida com isso!". Se algo é bom ou é ruim pouco importa, o importante é como isso é para você; se isso te incomoda "elabora e lida com isso!". O que me parece muito inteligente.

      Segundo Sigmund Freud a psicanálise é uma teoria, um método investigativo e um método de tratamento. E sob certos critérios ela ganha também status de cientificidade. Ela é uma episteme. É um método. Possui um objeto de estudo. Está sujeita à refutação. E está presente nas instituições da ciência. Todavia, diferentemente da psicologia, não acho possível parametrizar ou padronizar o que se propõe a psicanálise, porque mesmo embora existam estruturas de uma primeira infância que reverbere em determinados comportamentos na fase adulta, cada um deverá se haver conscientemente com isso; e se apropriando da própria história, cada um dentro do possível dará melhores rumos a própria vida.

      A minha opinião é que a sociedade mudou e continuará mudando. A mulher saiu de casa e conquistou sua emancipação. Os pais hoje têm menos tempo disponível aos filhos por inúmeros fatores, alguns legítimos. As crianças ficam mais tempo sozinhas em casa com todo tipo de aprendizado disponível e a seu alcance na internet. A família mudou radicalmente. O trabalhou flexibilizou. As relações amorosas estão líquidas. Identidades sexuais fluídas. Essa é a realidade. Se isso é certo ou errado é um julgamento moral e logicamente cada um tem o seu. Considero mais oportuno olhar ao diferente buscando pontos positivos para novos aprendizados, do que ficar enraizado ao passado numa falsa ilusão de que o que havia antes era melhor. Mudanças sociais sempre aconteceram. E sempre ocorrerão. A única diferença é a velocidade que isso está se dando. E nós enquanto sociedade precisamos acompanhar.

sábado, 22 de maio de 2021

SOMOS HERÓIS, NÃO DEUSES


     O texto de hoje tem muito a ver com o anterior. Nesse eu gostaria de falar sobre Vulnerabilidade. Ou melhor: vulnerabilidades. Pensei sobre esse tema durante essa semana por uma série de razões, mas principalmente por conta do momento atual que estou vivendo. Há alguns meses me desliguei de meu último trabalho e estou atualmente trabalhando em outro emprego. Para mim é impossível não associar isso à postagem de hoje, ao que vivenciei nesse período nessa transição e ao que ainda estou vivendo. São interessantes reflexões. Valiosos aprendizados a minha vida.

     Quando me desliguei de meu último emprego, a primeira coisa que me chamou a atenção foi editar meu perfil no LinkedIn, porque quando fiz isso e selecionei uma opção para deixar público aos recrutadores que eu estava disponível no mercado de trabalho, automaticamente seria possível disparar em minha rede a seguinte a frase:

"Olá a todos. Estou procurando emprego e agradeceria seu apoio. Agradeço, antecipadamente, por quaisquer conexões, conselhos ou oportunidades que você possa oferecer.#OpenToWork"

      Imediatamente me bateu uma sensação de vergonha. Uma vaidade – descabida, eu sei. Mas foi uma sensação desconfortável de exposição. Ficava me perguntando: “Assim todos vão saber que estou desempregado e buscando emprego, e eu não sou capaz de conseguir um novo emprego sem precisar ‘disso’?!”. Levou alguns poucos minutos até eu pensar racionalmente e decidir publicar, mas foi tempo o bastante para me fazer refletir sobre o meu orgulho. Essa arrogância. Uma autossuficiência. Sobre uma total falta de capacidade de me mostrar frágil. Vulnerável. E humano! De repente uma pessoa curtiu. Outra curtiu. Alguém compartilhou essa postagem. Outra pessoa comentou. E eu me senti abraçado. Protegido. Aliviado.

      Ainda sem entender direito o que havia acabado de aprender com isso, fui seguindo os dias procurando emprego, me cadastrando em vagas e enviando currículos. Pouco a pouco, os amigos, os familiares, inclusive pessoas que eu não esperava começaram a me ajudar de variadas formas. Fosse me marcando em postagens de vagas. Me enviando anúncios de oportunidade de trabalho. Me recomendando pessoalmente algumas vezes até. Mas novamente me indagava: “Eu preciso mesmo da ajuda deles? Não sou capaz de conseguir um novo emprego sozinho, por méritos próprios?” (como se fosse algum demérito obter algo com o auxílio de outra pessoa!). Novamente eu sentia que estava sendo orgulhoso demais e logicamente havia "algo ao meu redor” tentando me ensinar…

      Arrumei emprego na minha área. Iniciei. Mas embora possuindo larga experiência em RH, especialmente em processos de departamento pessoal, precisei aprender as novas atividades nesta empresa, porque cada local possui suas particularidades de trabalho. Sistemas diferentes. Processos internos diferentes. Legislações específicas. Outra cultura organizacional! E isso demanda flexibilidade da nossa parte. Abertura ao novo. Paciência. Humildade para aprender. Humildade para pedir ajuda. Mas, novamente, a capacidade de aceitarmos ajuda! Foi pensando sobre tudo isso e por sempre observar movimentos similares em mim ao longo da minha vida e nas pessoas nas diversas empresas em que trabalhei que resolvi escrever sobre isso. Sobre as nossas vulnerabilidades e o quanto é importante desenvolvermos uma característica de mostrarmos isso em nossas relações, sejam profissionais ou pessoais.

     Eu me refiro a uma capacidade de nos mostrarmos frágeis e abertos à ajuda. Por que somos tão orgulhosos? Por que precisamos fazer tudo sozinhos? De onde vem essa autossuficiência? Estamos tentando provar o quê, para quem?! É claro que esse meu comportamento diz muito sobre a minha infância e a forma como fui educado pelos meus pais. E estou trabalhando isso na análise. Mas a questão a nos perguntarmos sempre nessas situações é: “Será que precisa ser assim?”. Quando decidi me desligar de meu último trabalho, eu tinha muito claro na minha mente que iniciaria uma nova Jornada do Herói. Para quem nunca ouviu sobre isso, recomendo que leia O Herói de Mil Faces de Joseph Campbell.

     É claro que não é fácil dizer adeus quando há a necessidade de virar a página. Dói muito. Choramos sentindo que nada mais será como antes. Mas em algum momento a dor daquilo que se partiu abre espaço à esperança do novo que vem surgindo. E eu sempre associo esse momento com o herói caminhando num deserto durante a chamada noite escura da alma, mas após esse período sombrio chegará a aurora! O raiar do dia é certo então. Nós só precisamos continuar em frente.

     A grande lição que aprendi... Ou melhor, que estou aprendendo é pedir ajuda. Aceitar ajuda! E para isso é importantíssimo demonstrarmos onde dói. Onde estamos feridos. Qual é a nossa vulnerabilidade. Chega de orgulho bobo. A pandemia tem nos mostrado que podemos mais com esforços coletivos. Somos falíveis. Frágeis. Pequenos. Passamos por dificuldades e não precisamos sair delas sozinhos. Obtive esse novo emprego com muitas mãos. Estou aprendendo com outras tantas. Admito que tenho dificuldade de pedir ajuda. Principalmente de aceitar. Mas na Jornada do Herói, o nosso herói também busca por conselhos. Recebe apoio. Porque ninguém consegue nada na vida de fato sozinho. Nem precisaria ser assim. Somos seres interdependentes. Quando pedimos ajuda revelamos a nossa pequenez e através de espelhamento o outro se identifica conosco. E quando aceitamos ajuda, damos a quem nos ajudou a sensação de importância em nossa vida. E esse laço que nos une é constituído do sentimento mais belo que pode existir: o Amor Fraterno!

E aí, você já ofereceu ajuda a alguém hoje? Ou será que é você quem está precisando de uma mão aí? 🤝🙂

domingo, 16 de maio de 2021

A ESCUTA NO TRABALHO

 


     Ao longo da minha vida profissional nas diversas empresas em que passei sempre notei situações e problemáticas similares e ultimamente parei para refletir sobre possíveis causas e alternativas ou proposições de melhoria para isso. Uma das problemáticas que cresce com o passar dos anos são questões ligadas à saúde mental dos trabalhadores nas organizações. Não à toa me interessei por esse tema quando ingressei na especialização em psicologia organizacional e escolhi como tema para o meu trabalho de conclusão de curso a Síndrome de Burnout. Não penso em entrar agora nessa temática especificamente, pretendo certamente trazer uma reflexão, mas meu objetivo com esse texto tangencia esta questão também. Por que estamos adoecendo no trabalho? 

     Então, 1: - estamos sim adoecendo mentalmente mais no (e por causa também do) trabalho; 2: - temos sofrido de outras questões físicas das mais diversas durante o trabalho, como dores nas costas, de cabeça, de garganta, enxaquecas, alergias etc. em decorrência de processos psicossomáticos (mais uma vez linkando à questão psíquica e emocional); e 3: - longe de aprofundar esse assunto agora, mas afirmo também que há atualmente diversos estudiosos pesquisando para compreender esses fenômenos psicológicos no ambiente organizacional, quero agora nos trazer uma pequena reflexão. Que é uma reflexão que tenho me dedicado ultimamente, como já disse devido a uma observação nos mais diversos trabalhos em que estive. 

     Não pretendo falar difícil, aliás pouco tenho apreço a isso. Mas já me desculpo caso a linguagem fique – ou pareça – complicada ou técnica. Meu objetivo com esse pequeno texto é propor ideias; em última instância trazer reflexão e fazer você, gestor, pensar sobre isso. Quem sabe aplicar. 

     Vamos lá. Nas mais diversas empresas por onde passei, e tenho absoluta certeza que você irá se identificar, observei como há pouco espaço de fala ao grupo. Sim, só e simplesmente o espaço para podermos falar livremente sobre as problemáticas que envolvem e atingem o departamento, o setor, a empresa como um todo. Aqui cabe um ponto de atenção. Não me refiro aqui ao espaço individual em que um colaborador tem abertura para se abrir ao seu gestor, pois sei que isso há mesmo, em maior ou menor grau em diferentes empresas. Mas me refiro à fala – e à escuta – grupal! Quando o gestor procura o grupo, o seu time e cria ali um espaço aberto de fala. Onde ele apenas ouve. Ele quer e se propõem a ouvir o grupo. Veja, isso não é uma simples reunião como pode parecer de primeiro momento. Vai além disso. Não há pauta. Não é sessão de brainstorming. Tampouco “momento feedback”. O gestor se coloca humildemente perante todos basicamente para ouvir. Trazer a fala. 

     Mas ouvir o quê? O que surgir! Eu sei, não é fácil. Já fiz isso e reconheço que não é nada confortável, ao líder, administrar o que pode emergir daí. Pode (e certamente vai!) surgir: reclamações a sua pessoa; reclamações e críticas sobre o trabalho e colegas ali presentes; consequentemente, revide e troca de farpas entre eles; a situação beira (beira!) um possível caos. Mas sabe por que digo que beira? A tendência não é essa. Só que isso depende do manejo do líder ao administrar esse campo de escuta. Ele precisa ter esse autocontrole. 

     Em primeiro lugar: não é para você, líder, se defender nem se justificar. Tampouco rebater. Em segundo lugar: conflito faz parte e não fugimos deles. Administramos-os. Em terceiro lugar: tem queixas, assuntos e problemáticas que jamais virão à tona se não as chamarmos à baila numa discussão com coragem, e obviamente com respeito. 

     Todas as vezes em que fiz isso enquanto líder ou quando participei dessas “sessões grupais” que a mim mais pareciam terapia de grupo, algo fantástico acontecia. Apesar de parecer (parecer!) que a coisa iria descambar a discussões acaloradas e lavagem pública de roupa suja, quando eu demonstrava ou percebia no gestor um interesse genuíno de ouvir, estando humildemente em cena, todos (todos!) gradativamente baixavam as suas armas. Todos sentíamos que a ideia não era esta. Exposição gratuita. Era uma vontade genuína, e humilde, de ouvir. As pessoas desaguavam. Se esvaziavam. E o grupo se fortalecia de tal forma que era emocionante. Você já participou de uma sessão em grupo? Se já, pode imaginar... 

     Por que muitos líderes não fazem isso? Eu vou te explicar a minha percepção. Primeiro, por falta de tentar. Segundo, por vaidade – infelizmente. É preciso coragem, e humildade. Terceiro, por insegurança. Medo da coisa degringolar e ele perder o controle da situação e consequentemente o seu time. O que eu penso sobre tudo isso? Abrir um campo para ouvir pode (pode!) ser como trabalhar com energia nuclear. Os riscos são enormes se algo der errado, mas os ganhos são exponenciais também. Tudo ao meu ver depende mais do manejo do líder ao conduzir essa escuta. De que forma o gestor fará o manejo dessa escuta. Você, gestor, tem peito para ouvir (até o que não gostaria!)? Está preparado para apenas ouvir?! Tem humildade e coragem suficientes para se colocar no mesmo patamar de seus liderados e construir com eles formas mais colaborativas de trabalharem juntos? Você tem abertura genuína à dor deles? Se a resposta for não, então nem tente pois vai dar ruim. 

     Só que se você tiver coragem, humildade e humanidade suficientes para tentar pelo menos, e se deixar crescer a partir da escuta do grupo, você abrirá um campo frutífero para novas ideias, criatividade, cumplicidade, colaboração, ressignificação do trabalho e terá um espaço promotor de saúde. Porque agora eu volto lá na minha provocação inicial. Podem ser inúmeros os fatores que contribuem e somam aos processos de adoecimento no trabalho, mas posso garantir por experiência prática e com conhecimento que falar cura! Falar desarma. Falar promove bem estar. Muitas vezes nada no ambiente de trabalho pode mudar efetivamente, mas se existir ali uma abertura (genuína!) para processos de fala e de escuta seguramente os colaboradores somatizam menos. Eles próprios se ouvem mais. Dores comuns são compartilhadas. Dificuldades individuais ouvidas. Cresce uma sensação de pertencimento (extremamente necessária aos grupos!). Fortalece a união. A cooperação. O trabalho é ressignificado. E a motivação reavivada. 

     Líder, pratique a escuta no seu ambiente de trabalho. Ouça o seu time. Abra-se para crescerem juntos. E esteja preparado para atingir um novo nível nessa relação!

domingo, 25 de abril de 2021

BUSQUE POR CONGRUÊNCIA

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a congruência. Você se consideraria uma pessoa congruente? Essa é uma das perguntas que permeia a minha vida de tempos em tempos. E acho necessário nos questionarmos isso. Principalmente nesse momento de pandemia. Que apesar de difícil e sofrido, e sem romantização alguma também, afirmo que nunca observei tantos movimentos de interiorização. De forma voluntária ou não, muitas pessoas estão sendo “convidadas” a olhar a própria vida de outro ângulo. Penso que de tempos em tempos deveríamos mesmo nos fazer perguntas. Buscar encontrar congruência em nossa vida; o que queremos, quais ações tomamos, quem realmente somos – ou o que gostaríamos pelo menos de nos tornar.

Em que acredito? Em que confio? O que espero da vida? O que imagino ser interessante, positivo ou capaz de agregar algo de bom a mim e às pessoas ao meu redor?

As perguntas acima certamente chamam outras.

O que quero na minha vida? Quais são os meus sonhos e principais objetivos? Como gostaria de ser lembrado? Quais são os meus valores centrais (realmente)? O que não estou disposto a negociar? Mas também qual seria o meu limite, a minha necessidade e o meu poder de barganha dentro de uma negociação? Até que ponto estou disposto (e sou capaz de ir) pelo o que acredito?

É essencial sabermos responder minimamente boa parte dessas perguntas, mas infelizmente é justamente aqui que temos maior dificuldade por falta de autoconhecimento e autoanálise. E sem isso fica difícil, quase impossível nos responder seguramente as perguntas que vêm a seguir.

Que caminho é esse sob os meus pés? Quem me torno por esse percurso? Esse caminho me aproxima do ponto que almejo chegar? O que é preciso fazer se necessário recalibrar à rota inicial? Quais ações tenho tomado e quais ainda não tomei? Quais seriam as possíveis consequências, os riscos e o preço a ser pago de mudar? E de permanecer aqui?!

Isso é buscar por congruência. Congruente é a pessoa que busca alinhar o máximo possível aquilo que acredita com a sua prática. De preferência se tornando uma pessoa melhor a si mesma e também às demais. O homem não é uma ilha. Obviamente que é impossível um estado de total congruência. E seria até uma mentira da minha parte afirmar que já alcancei isso. Eu nunca alcancei porque isso não existe. É uma busca constante encontrar equilíbrio entre o eu e o outro. Ainda mais difícil isso em grupo. Temos o nosso jeito de ser e o mundo nos impõe diariamente limites e regras, para lapidar o nosso caráter. É justamente através do outro no caminho que o animal-homem pode se ver, se humanizar, ganhar civilidade, ética e sabedoria.

Nós vivemos em sociedade. Precisamos saber nos relacionar com respeito com todo tipo de pessoa. Isso é civilização. O sistema é capitalista. Precisamos trabalhar para obter dinheiro. É preciso equalizar então os nossos valores e os da engrenagem social. Não podemos confundir ser congruente com total liberdade. Se esse texto trouxer essa ideia, minha intenção é diferente. Ninguém pode ser o que quiser e fazer o que bem entender, se isso estiver objetivamente prejudicando outra pessoa. Isso seria cruel. Como animal social, o homem “interpreta” seu personagem. Isso é esperado e saudável até. Já pensou se todos fossem exatamente como quiserem? Não daria certo. A máscara então é necessária. Mas não podemos nos identificar demasiadamente com ela. Existe um INDIVÍDUO por trás, com ideias, emoções e opiniões próprias. Sendo assim,

O que de você é VOCÊ?

 Este é um verdadeiro desafio. Ouvir o nosso interior e saber alinhá-lo aos apelos e exigências externos. Se só levamos em consideração as nossas necessidades e desrespeitamos as regras e os limites do meio, atropelamos os outros. Mas se também não entendemos quem nós somos e não respeitamos as nossas necessidades apenas cedendo ao meio, passamos por cima de nós mesmos. E isso terá um alto custo lá na frente! Embora na hora ninguém se dá conta disso. Mas é exatamente esse extrato que a pandemia traz à tona. Aqueles que viviam no piloto automático; num deixa a vida me levar; pondo a si mesmo à mercê dos outros; numa vida incongruente, estão sendo convocados a um acerto de contas. Com si próprio. E isso é muito duro, porque a pandemia possibilitou questões que estavam recalcadas e inconscientes virem à tona com força. Mas a pandemia não criou nada. Ela só deu foco. Lupa. E uma vez que se ganhou consciência não tem como esquecer. Ou você elabora isso, ou isso vai te acompanhar de algum modo vida à fora. O que fazer agora? É o que muitos estão se perguntando em relação a casamento, divórcio, criação de filhos, relação com pais, trabalho, carreira, saúde mental. E alguns continuam negando. 

Você: o que tem feito?

domingo, 14 de fevereiro de 2021

RELEVÂNCIA

 


     Na vida existem diferentes tipos de relações entre as pessoas. Relações familiares. Relações amorosas. De amizade. De trabalho. Sociais. E em qualquer dessas relações vão existir trocas que as partes farão entre si. Venho aprendendo o quanto é importante nos atentarmos a esse intercâmbio que fazemos, para pensarmos numa melhor manutenção dos nossos relacionamentos; para uma tomada de decisão mais justa e para uma relação mais equilibrada a todos os envolvidos. A meu ver todas as relações estão essencialmente ligadas a uma palavra pouco conhecida que é primordial ao texto de hoje. A Relevância.

     Para nos sintonizarmos ao que estarei falando aqui, me cabe antes trazer o significado dessa palavra que algumas vezes é confundida com prioridade. Preferência. Predileção. Favoritismo. De qualidade ou tratativa especial. Mas segundo o Dicionário Aurélio, o significado da palavra Relevância é “qualidade de relevante”. Por sua vez a palavra Relevante significa “aquilo que importa ou é necessário”. Relevante então não é necessariamente algo especial, nem adquiriu status de prioridade, é apenas algo significativo. Nem tudo aquilo que damos prioridade é relevante de fato, mas certamente tudo aquilo que tem alguma relevância deveria nos ser valioso. Quero que guardem bem essa diferenciação. 

Quantas vezes não tratamos com preferência àquilo que nem tem relevância, para tratar àquilo que é relevante como sem importância.  

     Em relações dignas oferecemos algo de valor e à outra parte somos relevantes. Sentimos que somamos em uma relação em que recebemos nela uma tratativa de relevância. De importância. Somos necessários a esse vínculo. Esse é um ótimo sinal nas relações humanas. É o cenário mais justo. É próximo ao que se espera: uma relação de ganha/ganha. De verdade, não faça questão de ser prioridade em nenhum relacionamento, acredito que é mais interessante termos importância. Aceitaria se um amigo meu, me dissesse na lata: “Você não é, nem nunca foi, o meu melhor amigo, mas a nossa amizade é importante e significativa para mim.” Se isso acontecesse, eu nem teria pelo o que me entristecer na verdade, ele me enxergaria como acho digno estar nas relações. Não almeje ser especial. Seja relevante.

     Na vida nem sempre seremos o melhor filho, o melhor pai, o melhor irmão, o melhor vizinho, o melhor cônjuge, o melhor empregado, o melhor amigo... O melhor. E não há problema nisso. É preciso desistir da busca por esse status. Contudo, busque sempre ser relevante em suas relações. Busque ser alguém, longe de ser especial, que deixará uma boa lembrança por onde passar. Que será reconhecido por aquilo que um dia somou. Seja alguém que agrega. E se estiver em uma relação em que deu tudo de si, mas por algum motivo não seja percebido como relevante, recebendo aquele famoso “tanto faz”, acho que chegou à conclusão. Veja o que dá para resgatar, se for possível, e caso não feche o ciclo. Vire a página. Respire um pouco. Amadureça. Pegue as rédeas, e siga em frente com a Vida.

 

O QUE PARA VOCÊ TEM IMPORTÂNCIA?


domingo, 31 de janeiro de 2021

O PONTAPÉ INICIAL AO SEU AUTOCONHECIMENTO

 

     Eu não gosto de dar conselhos a ninguém. Faço em raras exceções, quando alguém me pede isso, o que ainda procuro me policiar ao máximo para não ditar o que a pessoa deveria fazer. Penso que para ajudar de fato, o ideal nesses casos é sempre devolver à pessoa perguntas que a façam refletir sobre a sua dúvida e com isso sozinha ela será capaz de encontrar as melhores respostas. Parto de um princípio então de que todos nós já possuímos dentro de nós mesmos as respostas para todos os nossos dilemas. Mas se eu tivesse que escolher um único conselho que pudesse ser empregado indistintamente a qualquer pessoa, em qualquer situação e tempo, certamente eu reproduziria a famosa inscrição na entrada do Oráculo de Delfos: “conhece-te a ti mesmo.” Busque autoconhecimento.

     Eu sei também que apesar de todos falarem que autoconhecimento é importante, não é uma tarefa fácil, nem simples, principalmente às pessoas que não têm esse hábito. O autoconhecimento requer a realização de uma investigação interna constante. Mas não raro percebo que muitas pessoas não sabem nem por onde começar a trilhar um caminho rumo ao seu autoconhecimento. Fica uma coisa abstrata demais. Muito subjetiva. Às vezes mística. Enfim, algo de difícil compreensão do que seria isso e mais difícil ainda de como colocar em prática isso no dia a dia. Acredito então que facilitaria muito ter uma técnica básica, um método possível, algo simples que qualquer pessoa pudesse encontrar ao menos um ponto de partida.

     Com o propósito de ajudar essas pessoas, hoje faço esse texto. O meu objetivo é mostrar o caminho das pedras. Caminho esse que um dia eu trilhei e descreverei aqui algumas práticas valiosas que um dia eu mesmo fiz e hoje recomendo a qualquer pessoa que queira se conhecer melhor. Se você é uma pessoa que tem pouco conhecimento sobre si mesma, mas gostaria de melhorar nesse sentido, então eu peço que leia esse texto com atenção, com a sua mente bastante aberta, não julgue nenhuma das propostas passadas aqui, sem antes se permitir realiza-las.

     Antes de iniciarmos gostaria de dizer que a melhor forma de obter autoconhecimento é através de psicoterapia ou fazendo análise. Se isso for viável a você nesse momento, pense sobre procurar um psicólogo ou um psicanalista e certamente esse profissional te auxiliará de forma personalizada no caminho rumo ao seu autoconhecimento.

     Bom, vamos lá! Apesar de algumas pessoas não gostarem muito de realizar testes psicológicos e comportamentais, eu posso garantir que eles podem ajudar sim – e muito – no processo de autoconhecimento. Mas é fato também que nenhum teste no mundo é capaz de revelar com cem por cento de precisão a complexidade que é a personalidade humana. Mas o meu objetivo aqui também nem é este. Fazer você se descobrir. O meu objetivo é te provocar reflexões a partir de um ponto de partida que você chegará sozinho, validará com o seu meio e empiricamente você poderá se trabalhar nesse processo através de reflexões e autoanálise.

     Comecei meus processos de autoconhecimento ainda na infância e início da adolescência. Não sabia por onde começar na época, de que ponto puxar o pensamento; o que deveria ser analisado primeiro. Eu precisava de algo para começar. Um mínimo esboço sobre mim, sobre a minha personalidade. Adoro utilizar a seguinte analogia. Quando vamos elaborar um texto ou realizar um desenho, num primeiro momento precisamos elaborar um esboço do trabalho, para depois com o tempo irmos aprimorando e lapidando a nossa obra. Na época que comecei sentia então a necessidade de obter um esboço inicial da minha personalidade e a partir dele começar as reflexões sobre mim mesmo, sobre o meu comportamento. Mas nunca para me definir! Apenas para começar a me conhecer mais. Veja que no próprio cabeçalho do meu blog já escrevo: “não se defina por completo, não se dê por concluído”. No autoconhecimento então busquei desde sempre pontos de partida, mas nunca me contentei com pontos de chegada!

     Nesse processo fiz inúmeros testes psicológicos e comportamentais, desde aqueles de revista de moda e culinária até testes validados mesmo por psicólogos. Na internet explorei vários testes e descobri alguns úteis – e gratuitos – para se obter um esboço inicial da personalidade e iniciar esse caminho ao autoconhecimento. Eu recomendarei aqui três testes. 1º O teste do Eneagrama. 2º O Teste do Zodíaco. 3º Os testes que se assemelham à tipologia do MBTI* (*Na internet pode haver testes similares ao MBTI, mas o teste original é uma ferramenta de Assessment exclusiva da consultoria Feliipelli que é a sua representante oficial no Brasil). Há muitos testes que são oferecidos gratuitamente na internet de diferentes formas, mas é importante destacar que esses testes não são científicos, não validam o resultado, são meramente informativos, para divertimento e eles não substituem uma avaliação psicológica, nem um tratamento receitado por um profissional especializado. Os testes que fiz da internet que mais gostei têm as seguintes características:

  • Possuem maior número de perfis possíveis (Ex.: O Eneagrama te dá 9 perfis possíveis; o Teste do Zodíaco te dá 12 perfis possíveis; os testes similares à tipologia junguiana e ao MBTI te dão 16 perfis possíveis);

  • Possuem maior número de questões (Quanto mais questões o teste tiver, o resultado tende a ser mais próximo do seu perfil);

  • Possuem respostas que permitem a escolha numa escala maior (Ex.: Discordo completamente/ Discordo consideravelmente/ Discordo pouco/ Nem discordo nem concordo/ Concordo pouco/ Concordo consideravelmente/ Concordo completamente).

     Então, vamos à prática! Dividiremos a técnica desenvolvida aqui em cinco etapas, ok?

1ª ELABORAR OS TESTES;

2ª PESQUISAR SOBRE SEUS RESULTADOS;

3ª LISTAR AS CARACTERÍSTICAS DOS PERFIS;

4ª SELEÇÃO E VALIDAÇÃO COM O MEIO;

5ª REFLEXÃO E AUTOANÁLISE.


1ª ELABORAR OS TESTES

     Faça primeiramente os três testes que recomendei acima. Existem vários sites bons na internet que fornecem um resultado interessante. Eu selecionei agora um deles e fiz os meus testes neste:

 

     Abaixo os resultados dos meus testes (clique na imagem):

 


2ª PESQUISAR SOBRE SEUS RESULTADOS

     Faça pesquisas no Google como as seguintes (de acordo com o seu resultado): “características tipo 1 eneagrama”; “características signo virgem zodíaco”; “características intj mbti”.


3ª LISTAR AS CARACTERÍSTICAS DOS PERFIS

      Enquanto você pesquisa as características dos seus perfis na internet, você pode ir anotando numa folha simples de caderno (eu gosto de escrever à mão nesses momentos) as características (“positivas” de um lado e “negativas” do outro) que você descobrir de cada perfil. Leia tudo o que encontrar sobre o seu perfil. Depois anote pelo menos cinco características positivas e cinco negativas de cada perfil. Desta forma:



4ª SELEÇÃO E VALIDAÇÃO COM O MEIO

      Essa etapa é crucial para a técnica, porque o seu meio tem grande possibilidade de validar de forma mais fidedigna o seu resultado. Aqui entram as pessoas que convivem diretamente com você e que você confia. Ex.: mãe, pai, avôs, avós, irmãos, filhos, cônjuge, outros familiares, amigos, colegas de trabalho, líderes etc. O importante é que sejam pessoas que você sabe que querem o seu bem e que você acredita que te darão uma devolutiva sincera sobre o seu resultado.

      Você vai selecionar pelo menos cinco dessas pessoas (pode ser mais se quiser), entregará uma listagem apenas com as características e pedirá a elas para selecionarem por favor pelo menos 8 características positivas e 8 negativas dessa listagem que são as mais evidentes na sua personalidade e no seu comportamento, de acordo com o ponto de vista da pessoa. Desta forma:

 

5ª REFLEXÃO E AUTOANÁLISE

      Ao receber de volta as listagens, de posse dessas devolutivas você conhecerá quais são as suas características mais evidentes, então você terá condições agora de iniciar um processo de reflexão e autoanálise sobre isso. Mas deixo claro que isso aqui é só o comecinho, assim como intitulei esse texto, essa técnica se propõe a ser um humilde pontapé inicial ao seu processo de autoconhecimento. Porque existem pessoas que não conseguem chegar nem aqui! E a partir de agora elas têm, no mínimo, características precisas de sua personalidade e de seu comportamento, validadas pelo seu meio, e isso as possibilita uma interessante autoanálise.

      Nesse momento, algumas reflexões aqui podem ser bem pertinentes. Veja o meu caso por exemplo. Fiz comigo essa técnica há bastante tempo, meus perfis continuam os mesmos, mas de lá para cá busquei desenvolver algumas características do meu jeito de ser. E é óbvio que ainda escorrego em muitas delas. Porque essa técnica é só a ponta do iceberg. Você poderá ir com ela até certo ponto no seu autoconhecimento. Até o seu ponto cego. A partir daí já será necessário um processo de psicoterapia ou uma análise. E o objetivo final dessa postagem é este: que ao final de sua reflexão e autoanálise, você busque por um profissional que dará continuidade no seu autoconhecimento.

      Minha autoanálise a partir dos testes psicológicos foi muito reveladora! Uma coisa vai puxando a outra. Vou colocar abaixo alguns diálogos reais que tive comigo mesmo e como buscava me investigar.

      - Jonas, por que você se cobra de ser tão perfeito? De onde vem isso? Quem você está tentando agradar? Qual é o problema de fato se você for alguém imperfeito? O que você ganha com um comportamento crítico e julgador: você mais afasta ou aproxima as pessoas de você? Você acha realmente que é possível você manter o controle de todas as variáveis? Não é cansativo viver assim? De onde vem tanta exigência com os outros e consigo? E esse ressentimento residual: você está cobrando mais responsabilidade das pessoas, mas no fundo não é por que você que não se permite relaxar e só está descontando essa sua “castração de prazer” sendo chato e crítico com os outros? São eles que precisam de mais responsabilidades ou você quem precisa se permitir mais? E por que você não se permite? Do que você tem medo? Do que você está se escondendo? E essa formação reativa? Esse mau-humor, essa ironia, essa antissociabilidade, no fundo você não está afastando primeiro as pessoas por medo de elas te afastarem antes? Isso é carência ou medo de rejeição? Ou seriam as duas coisas? Quem te machucou? Vamos olhar pra isso?

      Dói. Já vou adiantando. Não espere que essa minha técnica tenha um final gostosinho e açucarado, porque não terá. É da ordem do amargo mesmo. Mas é digno! É um processo realista e digno. E de muita coragem. Não tem outro caminho. Aliás, até tem, mas como naquele filme Matrix, Morpheus entrega ao Neo duas pílulas: uma azul, que permite que ele esqueça tudo o que aconteceu e permaneça [inconsciente] na realidade virtual da Matrix; outra vermelha, que o libertará da Matrix e o conduzirá ao mundo real. Você escolhe, todos os dias, qual pílula tomar. O que estou te oferecendo aqui é apenas uma possibilidade de acordar.

“- Por que doem os meus olhos?” (Neo)

“- Porque você nunca os usou.” (Morpheus)