sábado, 27 de junho de 2020

Orientações para uma vida


     Quanto mais o tempo passa e mais experiência de vida ganho, percebo coisas que levamos muito tempo para assimilar, para a “ficha cair”, que é saber identificar e depois nos alinhar com o que, de fato, importa; com o que, de fato, nos traz alegria, sentido de vida; com o que realmente nos é necessário para uma vida minimamente digna e saudável. Acho espantoso, preocupante até, como desconhecemos essas questões, como somos ensinados a enxergar tudo, menos a nós mesmos. Consideramos desde sempre a opinião de todos, menos a nossa. Seguimos uma vida a margem de nós mesmos, nos perdendo completamente de perspectiva muitas vezes; gastamos tempo e energia perseguindo objetivos alheios. Isso me assusta, já que é muito fácil entrarmos nesse automatismo e uma vida vai embora. Em que momento nos daremos conta de que o relógio está passando?

     Algumas vezes na minha vida me peguei batalhando ferrenhamente por coisas e indo por determinados caminhos que num dado momento consegui parar, consegui me enxergar ali no meio daquela confusão e me perguntar: “Por que estou fazendo isso? É para mim mesmo? É isso mesmo o que busco? Continuar nessa direção valerá realmente a pena?”. Quando as respostas não vieram rapidamente, me soou um alerta – não sabia pelo que estava batalhando! É preocupante seguir vivendo uma vida sem nos nortear por algo de valor, um código moral sólido. Tudo bem que a vida não nos dá garantias, viver é um movimento de risco, mas também é imprudente, improdutivo e infeliz fazermos escolhas sem nenhuma reflexão. E escolhemos todos os dias. Quais batalhas queremos travar? O que para nós é inegociável? O que não estamos dispostos a abrir mão e que, por isso, valeria a pena uma vida? Esse tipo de indagação é importantíssima! Ao longo da minha vida venho descobrindo, me descobrindo, que existe um mínimo de nós mesmos que é essencial, inegociável e tudo deve derivar dele, apontar para ele. Esse mínimo são os nossos valores. Os valores pessoais.

     Como o próprio nome diz são alvos individuais. Demandas íntimas. Itens de primeira grandeza. Os nossos valores precisam ser tão logo quanto possível identificados e serem reforçados e atualizados constantemente para balizar as decisões e os caminhos que no fim nos levarão até eles de alguma forma. Valores pessoais são os fins e os meios. É a nossa bússola maior. Toda vez que nos distanciamos dos nossos valores encontramos dor e sofrimento. No entanto, quanto mais nos aproximamos deles ao longo da vida, nos sentimos mais plenos e confortáveis com as nossas escolhas. E mesmo em momentos de dor, se sabemos reconhecer e não perdemos de vista nossos valores, mesmo encontrando dificuldades no caminho somos capazes de dar sentido a isso e seguir em frente, porque há um propósito maior nessa direção.

     Não sei muito sobre a vida, não passei por todas as experiências, então não tenho a pretensão de ditar regras de como você deve viver a sua vida, porque não existe uma receita certa, porém para a minha conheço os ingredientes. E posso garantir que os ingredientes para a sua receita são os seus valores pessoais. Quando nos afinamos com eles percebemos que a vida é muito mais do que coisas materiais e dificuldades momentâneas. Damos muito mais valor ao que somos do que ao que possuímos; damos muito menos importância aquilo que não agrega ao que estamos buscando. Sentimos mais plenitude, porque existe congruência e consonância entre mente, corpo e espírito.

     Saiba o que na sua vida você não abre mão e quando tiver dúvida, pergunte a si mesmo: “Esse caminho me aproxima disso?”. Se te aproxima, continue. Se te afasta, abandone. Não negocie – não, por muito tempo. Recalibre sua bússola interna de tempos em tempos. Redirecione a rota sempre que necessário. Aos poucos perceberá que tudo o que precisa para uma vida plena e digna obterá com bem menos do que acredita e está mais ao alcance do que imagina. Atravessará crises a fio intacto. Sofrerá batalhas invicto. Aceitará até a morte se preciso, convicto de que sempre ouviu o seu próprio coração.


sábado, 23 de maio de 2020

TRATAMENTO DE CHOQUE

     Era bem criança, devia ter não mais do que cinco ou seis anos de idade, quando tomei meu primeiro choque elétrico. Meu pai vivia me alertando para não tocar nas tomadas de energia. Ele tirava todos os objetos pontiagudos de perto de mim e me explicava do perigo de choques elétricos, mas apesar de entender o alerta, sempre fui bastante curioso – e teimoso, então quando ele se descuidava estava eu lá, com uma faca ou um garfo nas mãos tentando enfiar nos buraquinhos da tomada. Numa bela tarde me lembro de ter encontrado no quintal um pedaço de fio e comecei a brincar com aquilo. Pouco tempo depois estava tentando enfia-lo em alguma tomada. De repente olhei para trás e reparei que de longe meu pai me observava. Sabia que ele poderia me repreender a qualquer momento, mas desta vez não o fez. E eu já tinha desenvolvido um estranho prazer em desafia-lo. Num instante, me lembro de um clarão muito forte seguido de um estalo que me jogou de costas ao chão. Estava tão assustado que mal reunia forças para chorar. Emudeci, estava em choque. Algo dentro de mim soube naquele instante o perigo do que tinha feito e o enorme risco que corri. Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi uma enorme cabeça me olhando, era o meu pai com um sorriso sádico me falando "vai lá, filho! Põe o fiozinho na tomadinha de novo". Olhei para o lado e vi minha mãe correndo em nossa direção totalmente espantada.

     Em outra situação, ainda era bem criança, estava brincando atrás de casa, quando me deparei com uma bola estranha pendurada cheia de mosquitos voando ao seu redor. Achei engraçado aquilo, porque cutucava e os mosquitos saiam voando rápido. Não é necessário dizer do que se tratava, nem o quanto meu pai me falava para parar com isso. Mas era só ele virar as costas estava fuçando novamente. Apesar de toda vez entender os alertas de perigo, eu achava que tinha que fazer todas as coisas do meu jeito. Então, uma hora meu pai se cansou, pegou um dos “mosquitos” e me deu para brincar. Pouco tempo depois senti uma ferroada tão forte que me fez um vermelhão enorme no braço, acho que era alérgico. Naquele dia tive muita febre, sentia até calafrios. E como chorava. Me lembro de minha mãe gritando com ele, “você é louco! Você ainda vai matar essas crianças!”. E meu pai só rebatia, ”agora ele aprende.

     Assim era o meu pai. Assim eram os seus ensinamentos que mais pareciam “tratamentos de choque”. E é melhor eu nem comentar a forma que ele me ensinou a nadar, para não chocar ainda mais... Por mais duvidável que possa parecer isso, ele era um excelente pai. Era coruja, não dormia enquanto não chegássemos à noite. Brincava sempre conosco. Era muito presente. Sempre maternal, gostava muito de nos abraçar. Ele era general, mas também curtia esse papel de cuidador (leia-se aqui controlador). Estava sempre por perto nos ensinando algo. Mas percebo hoje também que meu pai foi um homem muito forte e sábio, porque embora quisesse sempre o nosso bem, chegava um determinado momento em que ele nos soltava. Nesse instante ele só nos assistia pagar pra ver. Mesmo sendo muito controlador, depois de muito tentar nos conscientizar sobre alguma coisa, tentar nos orientar de perigos, riscos ou consequências de um caminho ou escolha que fazíamos, ele nos dava as rédeas e nos deixava, literalmente, quebrar a cara! Quando criança o achava sádico e louco, porque nos ensinava através da dor, do choque, sempre do pior jeito... Mas hoje sei que não era bem assim... Nós éramos demasiadamente teimosos e desafiadores e meu pai simplesmente deixava a cabo da vida nos ensinar, talvez através da dor, o que nos recusávamos a compreender da melhor forma. Isso também doía nele. Mas era preciso. E demorei anos para compreender isso.

     Como o fruto nunca cai muito longe do pé, sou uma cópia do meu pai. Sou muito crítico e controlador. Eu queria ser diferente, mas acredito que cada ser humano vem para desenvolver suas limitações, para transcender o seu ego. Hoje, às vésperas de completar 32 anos, ter esse blog há 12 anos e já ter vivido tantas experiências, sinto a cada dia mais que meu sentido é exatamente o oposto. Hoje sei que meu desafio é compreender, ao invés de apenas criticar. É acolher, ao invés de apenas julgar. É desenvolver humanidade e compaixão, ao invés de criticismo e perfeccionismo.

     Ouvia muito no passado o quanto era crítico, controlador, até moralista, mas eu não tinha consciência disso. Esse comportamento era automático, eu fazia sem me dar conta. De tanto as pessoas me trazerem esse feedback do meu comportamento, passei a me analisar. Foi então que percebi que de fato era assim e me comprometi comigo mesmo a me tornar uma pessoa diferente. Hoje sei também que quanto mais apreço tenho por uma pessoa, mais vou critica-la ou de certa forma tentar controla-la através das críticas. Não que eu ache de todo ruim ser crítico, mas sinto que meu desafio é desenvolver a aceitação. Quando pedimos ao universo por algo, ele nos traz o oposto justamente para termos a oportunidade de desenvolver. Em outras palavras, quando pedimos a Deus um determinado fruto, Ele nos dará as sementes, as ferramentas e um solo fértil com a certeza do crescimento, mas o plantio e cuidado no processo cabe a nós. Não recebemos diretamente o que é pedido, mas ganhamos as condições para se chegar até lá. Quando cheguei nesse nível de entendimento, cheguei à conclusão de que na minha vida me depararia com situações para analisar, apurar, criticar, avaliar, julgar, para através disso poder alcançar outros verbos, como entender, acolher, aceitar, compadecer, solidarizar.

     Posso garantir que já não critico, nem julgo como já fiz um dia. Mas hoje meu desafio ganhou outro estágio. Estou tendo dificuldades, eu sei, mas me sinto feliz por ter a consciência e a oportunidade de lutar por essa melhoria – chegarei lá! O passo agora é não me ressentir. E meu corpo vem me sinalizando isso... De alguns anos para cá venho reparando que vira e mexe sinto dor de garganta. Vou ao médico e o diagnóstico quase sempre: faringite. O engraçado é que meu sistema imune é bom. Tenho uma alimentação balanceada, faço exercícios físicos regularmente, durmo bem, medito e meus exames estão bons, inclusive de vitaminas e minerais. Só que um dia uma pessoa me falou algo que já vinha suspeitando e acendeu uma luz amarela! “A sua garganta é emocional, você está com algo que quer dizer entalado e como isso te incomoda muito e você não externa, você somatiza. É a forma de seu corpo demonstrar isso. Quando você elaborar esse sentimento ou pôr para fora, ela vai parar com isso.

     É isso mesmo. Eu vejo, ouço ou constato coisas que não concordo e gostaria de me expressar, mas não vou fazê-lo. Muitas vezes observo pessoas próximas a mim tomando determinadas decisões ou indo – ou deixando de ir, a determinados caminhos e não acho certo. Por 'n' razões. Às vezes por questões de ética, de princípios, por questão humana! Coisas que não se faz, que prejudicarão a própria pessoa ou pior, quando prejudicará outras pessoas que estão implicadas na decisão. Essa mistura de inconformismo com uma vontade sufocada, silenciada, de falar abertamente o que penso, me gera raiva. Como dizia os mais antigos, “tenho que engolir o boi com chifre e tudo”. É quando estou numa situação que não posso mais intervir por vários motivos; porque não há abertura genuína da outra parte; porque já cansei de bater na mesma tecla; porque não quero terminar novamente parecendo o dono da razão; porque acredito que a pessoa precisa enxergar uma situação por si mesma. É difícil aceitar, mas todos têm o direito ao erro. E chega um determinado momento em que é preciso, assim como o meu pai fazia comigo, deixar a pessoa quebrar a cara! Porque o melhor que pode ser feito neste momento é deixar a pessoa pagar para ver. Não cabe mais opinião, nem crítica, pois em nada vai agregar a alguém já decidido a fazer a sua própria vontade. E não é omissão. É aceitação. Resignação. É dar o direito do outro de rumar ao penhasco e cair, porque só quando bater no chão e doer pra valer é que essa pessoa, talvez, acordará pra si ou para uma determinada situação em sua vida. Não tem mais o que fazer. Parafraseando Freud, quando a dor de ser como é for maior do que mudar, aí a pessoa muda. Então vai ter que doer muito, não vai ter outro jeito.

     O que posso fazer agora é o que está ao meu alcance. Lidar com aquilo que está ficando entalado na minha garganta. Se já aprendi que não vai resolver externar a critica e que meu desafio aqui é alcançar a aceitação do outro, preciso harmonizar esses sentimentos dentro de mim. A meta agora é comigo. O trabalho é interno. Quero sinceramente chegar a um ponto na minha vida em que de fato eu aceite o outro como é. Sem critica-lo e sem me ressentir por isso. Olhar para as pessoas com o máximo de neutralidade possível perante as suas decisões pessoais, entendendo que não cabe raiva, dor, pena, tampouco culpa. Quero elaborar essa raiva que fica quando me sinto inconformado com determinadas pessoas e situações que não posso modificar. Aquilo que está no meu controle e posso modificar preciso tentar, é até um exercício de cidadania isso. Porém, aquilo que não cabe mais a mim, que foge do meu controle e que diz somente respeito ao outro, quero ter a genuína aceitação desse direito da pessoa de fazer o que ela acha melhor para si ou a sua vida.

     Esse post é para dizer o seguinte. Acredito sinceramente que estamos nesta vida para elevarmos nossa consciência, essa é a Pedra Filosofal, a verdadeira missão do alquimista. Lapidar a si mesmo. Sair de um estado inferior de consciência e aos poucos alcançando maiores níveis. Para ser melhor do que os outros? Jamais. Para ser melhor do que a si mesmo, e acima de tudo, para se tornar um Humano, em toda a sacralidade da palavra. E acredito que o Universo nos concederá incontáveis vidas para chegarmos lá. Quero aceitar que cada um de nós tem o seu tempo de aprendizado, o seu nível de consciência, nosso desafio é evoluir e posso ser um colaborador nesse processo ao invés do julgador. Sem qualquer ressentimento, nem raiva, quero ser capaz de ter os olhos de um pai, que ao ver o filho errando sabe que ele é só uma criança. E ele estará ali quando ela acordar.


Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”
São Francisco de Assis

quarta-feira, 4 de março de 2020

M @' S C @ R @ S



Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” (Jung)


       É muito significativo para mim, quando diante de alguém posso perceber, posso sentir essa pessoa como de fato ela é. Sem títulos. Slogans. Sem credenciais. Sem nenhum rótulo, personagem ou encenação. Apenas pessoas que se apresentam naquele momento como são. Em estado puro, natural. Para mim é tão importante isso que sempre que possível procuro me exercer dessa maneira no contato com as pessoas. Mas é ainda mais importante para mim, quando alguém para o meu espanto ou minha surpresa me faz esse tipo de movimento VOLUNTARIAMENTE. Quando sem ter feito qualquer exigência à pessoa ou crítica nem julgamento, desperto nela a confiança necessária para se desnudar em minha frente; para fazê-la levar as mãos ao próprio rosto e espontaneamente baixar sua máscara. Nesse instante vou conhecer essa pessoa como de fato é, e ela a mim. E nos reconheceremos como essencialmente somos: humanos. Somos humanos... Nesse instante se abre um momento mágico para mim. Um momento terapêutico. Balsâmico. Um espaço profundamente enriquecedor às partes que as levarão a sair dali com algo genuíno para sempre de cada um. Para mim é impossível viver uma vida sem ter em algum momento com alguém um encontro assim. E uma vida quanto mais rica mais composta por encontros dessa natureza, dessa magnitude; onde e quando podemos nos dizer que estamos inteiros. Íntegros no contato com o outro. Mas isso demanda confiança, uma aliança que só vem com o tempo e em raras ocasiões surgirá do inesperado.

       Nós temos aqui em casa uma cadelinha que já tem seus doze anos, a Dudu. Dudu veio até nós filhotinha. Pequena. Frágil. Tinha tanto medo das pessoas e em especial de mim. Era me aproximar que ela já ficava tensa. Arisca. Se me atrevesse a pega-la no colo não pararia um minuto de tremer. Era receosa e não parecia confiar em minha natureza. E assim foi por um bom tempo. Dudu ia com todo mundo na casa, estranhamente até com desconhecidos, mas era eu chegar perto: tensão. Havia uma cisma, mesmo eu nunca tendo lhe feito absolutamente nada de mal. Não forcei o encontro, respeitei sua natureza e lhe dei espaço. Deixei ao tempo. Se eu fosse comer algo sabia que ela se aproximaria para quem sabe ganhar um pedacinho; contudo logo que ganhava saia de perto. Pensava comigo "vai ser no seu tempo”. Um dia fui trabalhar e havia deixado uma jaqueta minha na cadeira do computador no meu quarto. Minha mãe começou a ouvir um barulho na casa, foi averiguar, era a Dudu cheirando minha jaqueta e fazendo sons como se choramingando sentindo minha falta. Ao saber disso fui rapidamente tentar carrega-la... Senti que ainda não havia franca abertura. Dei tempo... Um belo dia simplesmente estou no sofá assistindo TV, não estava comendo nada, de repente a Dudu pulou sobre mim, ficou alguns segundos me observando e deitou no meu colo. Num movimento inesperado – e muito significativo para mim – virou-se com a barriga para cima para ser acariciada. Brinquei com ela, abracei-a e pude sentir naquele momento que ela tinha me aceito. Talvez na verdade fosse ela que sentiu que tinha sido aceita por mim. Eu nunca quisera um cachorro na casa. Mas aprendi a gostar dela. Ou talvez foi ela que me ensinou. Aceitação. Esse é o melhor caminho. Mas como aceitar quem usa máscaras? Quem não é autêntico? Autenticidade é uma exigência para você?

       Todos nós vestimos um personagem para alguém ou à uma determinada circunstância em algum momento da nossa vida. Por "n” razões. Questões profissionais; questões éticas; questões religiosas ou pessoais; até por questão de sobrevivência. E muitos de nós usam máscaras o tempo todo com todo mundo. Eu não os culpo. Aprendi a não criticar também, já que não se sabe o que uma máscara pode estar segurando ou o que um personagem está sendo capaz de sustentar na vida de alguém. Ou de uma família. Sinceramente acredito que às vezes uma pessoa precisa da fantasia que ela criou, da história que ela mesma se conta para ser capaz de viver bem dentro daquilo que ela julga ser o melhor para si. Não se pode violar esse espaço. Ainda mais com uma justificativa de "autenticidade". Autenticidade é uma decisão íntima. É de cada um. No entanto observo pessoas expondo outras com a justificativa de estarem sendo “verdadeiras”. Por "não gostarem de mentiras”; nem de “mentirosos” como amigos. A verdade é que precisamos ser mais humanos e nos desarmar um pouco. Nenhum de nós é perfeito. E graças a Deus nunca será. Se em algum momento fico diante de alguém que apresenta uma mentira, o que ganho em expôr essa pessoa? Ainda mais se for alguém que eu gosto. No que isso vai me agregar como ser humano? Muitos podem pensar que "não são obrigados a conviver com pessoas falsas; pessoas mascaradas que mentem, porque têm autenticidade!”. Ok se você é autêntico, parabéns por isso! Mas a autenticidade é uma decisão sua, que cabe dentro do seu cercado e não invade o cercado do seu vizinho. Não digo para você compactuar com mentiras, mas o grande questionamento a nos fazermos aqui é o seguinte: por que está me incomodando tanto o uso de máscara do outro? O que esse incômodo diz sobre mim?

       Por muito tempo quis me cercar só de amigos honestos e pessoas verdadeiras que não se valeriam de máscaras nem de personagens, até eu perceber que isso é uma ilusão e eu estava ficando cada vez mais sozinho. Mais cedo ou mais tarde teria que me excluir também, já que eu também uso máscaras – algumas talvez até inconscientemente. É muito fácil apontar, criticar ou fofocar sobre as máscaras do outro, mas quem encara as próprias? Será que a gente consegue se enxergar verdadeiramente? Será que a gente se reconhece usando máscaras? Acredito que 100% autêntico não existe ninguém na face da terra! E não estou caindo em contradição a respeito disso, porque autenticidade é algo que prego, busco e recomendo, já postei sobre isso aqui. Mas a autenticidade é uma prima-irmã da perfeição e assim como ela é algo que eternamente buscamos, mas nunca atingiremos completamente. E essa é uma jornada individual. Apesar de vivermos em grupo e dependermos uns dos outros, cada jornada é trilhada com nossas próprias pernas e cada um de nós sabe onde o sapato aperta! Ninguém pode julgar "porque o outro isso, porque o outro aquilo”. Isso só cabe a ele.

       Dê mais atenção, espaço e tempo para que o outro possa se mostrar a você espontaneamente. Mas você não verá nada que não possui também! Nós somos todos humanos. Nós somos irmãos feitos de uma mesma metade sagrada; de uma mesma metade barro. A única coisa que precisamos é nos reconhecer, nos identificar e nos legitimar. Olharmos uns aos outros e sentir que nos conectamos com irmandade, nos identificamos com respeito e nos aceitamos mutuamente, independente de qualquer coisa. Se o fruto nunca cai muito longe do pé, só estamos distantes uns dos outros; uns mais adiante na vida, outros logo atrás, mas somos o mesmo fruto, de um mesmo pé e terminamos no mesmo solo.


Em algum lugar, entre o certo e o errado, existe um jardim. Encontro você lá.” (Rumi)


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

ISSO SALVOU A MINHA VIDA



     Sempre gostei de ferramentas para me trabalhar enquanto ser humano, para me tornar uma pessoa melhor. Por essa razão gosto dos conteúdos da Filosofia, da Psicologia, da Psicanálise e afins; gosto de qualquer temática que una: conhecimento/psiquê/comportamento

     Hoje vou trazer basicamente três ideias/práticas retiradas de três conjuntos de saberes que mudaram a minha vida para melhor. Para ser mais honesto ainda digo que tem mudado minha vida para melhor

     Antes preciso contar uma história. Em uma empresa que trabalhei anos atrás, tive uma chefe que participou de um programa de coaching. Foi mais ou menos naquela época em que o coaching ganhou mais destaque aqui no Brasil. Ela participou do processo bastante empenhada, ela levou a sério mesmo, notei isso, e ao longo do tempo pude também observar em seu comportamento transformações relevantes que fizeram bem a ela. Nesse mesmo período estava me desligando dessa empresa, já entraria em outro trabalho e próximo dos últimos dias, me lembro de pedir a essa chefe um feedback final, até para entrar no outro emprego “com o pé direito”. A nossa conversa foi rápida, assertiva e bastante produtiva para mim, seu feedback me fez refletir por um longo período provendo importantes insights. Algumas das últimas mudanças no meu comportamento começaram a partir desse dia. O que ela me disse foi mais ou menos assim:

     - “Jonas, você é um colaborador exato, com erro zero, poucas ou nenhuma vez o vi falhar aqui. Você se permite isso: falhar? Percebo que o seu foco aqui sempre foi no que não estava certo, naquilo que poderia ser melhorado, é uma pena que você não teve autonomia suficiente para fazer tudo o que gostaria. No entanto, te pergunto: você é feliz assim? Onde está o seu foco: no erro? no que falta? Faça uma reflexão em sua vida, e não só no aspecto profissional, utilizando essas perguntas que acabei de te fazer. E, Jonas... se permita mais.”

     Fui para casa com esse feedback. Conversei com outras pessoas sobre esse feedback. Fui para cama com esse feedback. Não dormi por dias depois desse feedback... Você deve estar pensando: por que isso te impactou tanto? E a resposta é simples, porque ela estava certa: o meu foco é na falha, é na falta. E onde aprendi a ser assim? Através da minha criação.

  • Entramos aqui na primeira ferramenta: a análise. Uma autoanálise. 

“Por que ao olhar para uma tela, o que foge do padrão me salta aos olhos?

Por que me fixo na ‘falha’ e no ‘erro’?

Por que tenho dificuldade de enxergar a beleza do todo?

Por que tenho dificuldade em elogiar as pessoas?

Sou feliz com esse comportamento crítico, perfeccionista e focado na falta?”

     A resposta da última pergunta é não. Ela me veio às 03 da madrugada ao acordar sobressaltado. Não gosto desse meu comportamento. Nunca gostei na verdade. Aprendi a ser assim. Meu pai agia dessa forma e assim me constituí até por sobrevivência. Aprendi a bancar o perfeito para me esquivar das críticas do meu pai a mim, porque queria que ele me amasse de algum modo. E ele sempre me amou. Mas eu não conseguia entender, porque era só uma criança, então construí um personagem: o menino de ouro. E tentei com todas as forças sustentar esse modelo. Só que, primeiro, isso sempre foi uma farsa, porque nunca fui nem serei perfeito – ninguém é – e, segundo, nessa busca só encontrei ansiedade, isolamento e solidão.

     Afinal, quem quer conviver com um ser perfeito? E pior: um ser perfeito que julga os demais? A mesma régua usada para mim, imponho aos outros. Quando meu pai faleceu, ‘o incorporei’ como forma de tê-lo por perto. Toda vez que critico a mim, assim como quando critico alguém, inconscientemente é como ter novamente o meu pai próximo a mim. “O que está mal resolvido nisso? Se ele se foi, por que estou o segurando? É culpa isso? É saudade? Remorso? É medo? Qual é a base desse mecanismo, a quem estou tentando impressionar? Ou me defender? O que eu ganho com isso? E se estou tendo essa autoanálise agora, é porque já consigo mensurar o que estou PERDENDO com isso!”

     Isso é uma autoanálise. São perguntas difíceis que precisamos nos fazer e francamente tentar nos responder. Só que aqui volto também a postagem anterior, onde trato da questão de ter apenas a consciência do mecanismo inconsciente. Não é suficiente ter o conhecimento de que existe um comportamento automático. Ele precisa ser elaborado. Passei então a cavar as raízes desse comportamento; entender a sua dinâmica; os porquês, trazendo sempre para a consciência; e quanto mais reviro isso, quanto mais remexo e ANALISO isso, menos força isso tem sobre o meu comportamento, pois ganho mais controle e autonomia do processo. Passei então a fazer isso nos últimos anos e adquiri também uma outra prática. 

  • Chegamos assim na segunda ferramenta: a psicologia positiva. Com especial foco à gratidão.

     A grosso modo, a psicologia positiva é um dos saberes da Psicologia que visa trazer ao indivíduo um olhar voltado às suas motivações, potencialidades, virtudes, no intuito de evidenciar e focar as situações que promovam sua felicidade. Ou seja, quase o oposto do modo que aprendi a enxergar a vida e as pessoas. A psicologia positiva me ensinou a dar foco ao que dá certo, o que está certo, ao que é o melhor dos cenários. Não é utopia, porque aqui não está se desconsiderando doença, problemas reais e situações difíceis, mas exatamente em fazer um esforço consciente para focar no aspecto positivo.

     Já que existe o negativo, existe também o positivo. Se existe o erro, existe o acerto. Se há problemas, também há soluções. Aprendi a ter GRATIDÃO por tudo. Aprendi que se tenho um problema complicado em minha vida, posso minimamente já ser grato por ter uma vida para ter um problema! É infinita a quantidade de motivos para sermos gratos. Se você acordou bem sobre uma cama, levantou, comeu algo e foi trabalhar, NO MÍNIMO você pode ser grato por estar vivo, ter um teto, um local confortável para dormir, ter o que comer e um emprego. Pode parecer pouco isso, mas é muito, existem pessoas que não têm um décimo disso! Então, agradeça todos os dias, pois você é mais afortunado do que pode imaginar. Estudos já demostram que ao fazer isso mudamos toda uma bioquímica cerebral. Passei a introduzir essa mentalidade na minha vida e nos meus relacionamentos.

     Hoje, quando o mecanismo inconsciente emerge criticando ou apontando a falha de algo ou de alguém, conscientemente opto por fazer um esforço de enxergar o que posso aprender com a situação, o que de bom posso despertar numa pessoa, como posso alterar uma perspectiva enviesada. Fico mais feliz com a vida. Mais em paz comigo. Descartei aqueles sonhos megalomaníacos. Vivo o hoje. Trabalho com o aqui e agora. Sou grato à minha realidade.

  • A terceira e última ferramenta (e talvez a mais difícil de todas): as leis da Constelação Familiar. Especialmente a Lei da Ordem.  

     Entender que meus pais vieram primeiro. Antes meus avós. Eu sou SEQUÊNCIA de algo. Não sou a origem de mim mesmo. Sou uma cria, não o criador. Entender que houve um antes de mim me fez me curvar à minha história, a me curvar perante à Vida e a amansar o meu ego. Antes de mim existe uma história. Existiram outros cujo qual devo respeito, atenção e gratidão. Eu só sou o que sou hoje, porque tive um pai e uma mãe. E se eles não foram os pais maravilhosos e perfeitos que um dia quis, isso não importa agora, pois se estou vivo devo a eles a minha existência. Se eles não existissem, eu não existiria. Eu respeito a ordem desse sistema e me curvo à minha ancestralidade, não com vergonha, mas com dignidade. Não me obrigando a dar continuidade também, pois tenho que construir a minha própria história, mas onde quer que eu vá, foi deles que eu vim! E onde quer que eu chegue, devo a eles de algum modo.

     Dizem que um profissional da saúde tinha na porta de seu consultório escrito a seguinte mensagem: “Se você ainda não perdoou pai e mãe, nem bata!”. Sábio isso. 

     Entender isso, respeitar isso, mudou a minha vida. Tirou mágoas do meu coração. Tirou pesos desnecessários. Compreender que, seja lá como for, meus pais fizeram o que podiam, dentro do que as circunstâncias permitiram, com aquilo que sabiam fazer, da forma que acreditavam que fosse o melhor. Eles não me devem nada. Estou em paz com isso.

Essas três ferramentas/práticas têm mudado a minha vida radicalmente. Desejo de coração que você se analise. Faça-se perguntas e busque entender o porquê de certos comportamentos que você tem. Trabalhe isso até sair o máximo possível do automatismo. Foque no que dá certo na sua vida, no que está certo com você, foque no seu potencial, em tudo aquilo que for positivo e agradeça diariamente. Torne a gratidão um hábito em sua vida. E por fim reconheça a sua história e respeite a ordem da sua família, seja ela qual for. Por mais que você tenha sido abandonado ou que os seus pais não tenham sido pessoas legais, no mínimo eles te presentearam com a vida. E por isso você será eternamente grato.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

ENFORCADO EM 2019


     Essa é a última postagem de 2019. A postagem de hoje começou a dias, talvez semanas atrás, quando comecei a pensar sobre ela. Fiz reflexões profundas sobre como esse ano foi para mim procurando sintetiza-lo em poucas palavras, até encontrar apenas uma. Sacrifício! Auto-sacrifício, na verdade. Essa palavra definiria o meu ano de 2019. Você deve estar pensando que “não foi um ano bom então”. Diria o contrário. Apesar de ter sido sim um ano DIFÍCIL, o balanço geral é positivo, porque foram movimentos CONSCIENTES.

     Na imagem dessa postagem vocês observam uma carta do tarot, O Enforcado ou Dependurado. Sou apaixonado pelo tarot pela sua SIMBOLOGIA. Adoro simbologia. Gosto de figuras de linguagem, analogias, a significação das coisas e o que somos capazes de aprender. Desde de criança gosto de mitologias. Gosto da psicologia analítica e dos arquétipos do Jung. O símbolo tem um significado. O corpo fala. Uma imagem fala mais do que mil palavras. Sou interessado no que está oculto, no que não foi dito, no que está submerso e nem sempre vem à consciência. 

     Gosto de observar a vida e os seus movimentos. Gosto de observar as pessoas, as conversas, os conflitos. Gosto de me observar. Prestar atenção aos detalhes. Sons. Gestos. Olhares. Silêncios... Aprender a procurar o conteúdo latente ofuscado por aquilo que alguém está expressando. Aprender que às vezes esses conteúdos podem divergir: algo mostrado na superfície diverge do que está submerso. Aprender também a discernir quando o conteúdo por mim visto é uma projeção minha. Freud trouxe o conhecimento de uma instância psíquica chamada de Inconsciente. Aprendi então que uma pessoa não é mentirosa ou falsa – como julgava muitos no passado – quando me mostra algo diferente do que estou captando, pois talvez ela não tenha ainda consciência disso. E não cabe a mim trazer isso à tona. Essa é a tônica dessa postagem: a vaidade por trás de tentar expor os conteúdos alheios e de julgar saber o que é melhor para os outros.

     De todas as teorias psicológicas que conheci, me incomodava a psicanálise. E tudo começou com a psicanálise. Me irritava com essa abordagem e entrava em impasses com psicanalistas, porque a achava “passiva”. Me incomodava o fato de uma pessoa de fora (o analista) enxergando muitas vezes claramente uma situação, não intervir. Não falar aberta e objetivamente o que ele está captando. Tinha a crença que seria muito melhor se fosse direto! Quando fiz uma especialização em psicologia organizacional, estudei numa disciplina mais sobre a abordagem psicanalítica e convivendo com psicanalistas e conversando com eles entendi melhor a psicanálise. Compreendo hoje que o que leva anos para se construir não se “descontrói” da noite para o dia. E expor o que vejo nos outros só revelará uma necessidade egóica minha. A de querer estar certo e ficar com a razão. E quem tem razão?!

     Onde quero chegar com tudo isso? Eu aprendi... Ou melhor... A vida me ensinou que eu não sei o que é melhor para uma pessoa que eu gosto. E isso dói sabe onde? No ego. Quantas vezes tentamos intervir numa situação, numa história, na vida de uma pessoa, seja de um familiar, de um amigo, de alguém que gostamos muito e tentamos falar para essa pessoa o que é melhor para ela? A gente quer o bem dessa pessoa? Sim. Estamos imbuídos de boas intenções? Sim. Mas até onde não estaríamos tentando CONTROLAR a situação? É duro admitir isso, porque dói no ego, mas é controle. Quando entramos, até sem a autorização clara, na vida das pessoas que a gente ama e tentamos mostrar a elas, quase impondo, o melhor caminho para elas é um sinal de prepotência velada. Ao fazer isso nos colocamos num pedestal onde nos julgamos melhores, pois saberíamos o melhor a ser feito e ditamos o que o outro precisa fazer para obter sucesso, saúde, bem-estar. E isso é tão falso, né gente... Muitas vezes a gente não sabe direito nem o que é melhor à nossa própria vida, como podemos julgar saber o que será melhor na vida de outra pessoa? Mesmo que isso seja uma atitude por amor, no fundo é só vaidade. Controle. E ego.   

     Eu tinha essa crença inconsciente. Quando eu gosto de uma pessoa, tento imaginar o que seria melhor para ela e vou a empurrando em direção a isso (inconscientemente). Vou condicionando seu caminho. Quem fazia isso comigo? Meu pai. Ele se achava muito certo e no direito de escolher todos os meus caminhos. Ele fazia isso por amor? Sim. Ele me amava demais. Só que no fundo eu nunca gostei disso, pois só me fazia sentir manipulado, controlado e o pior de tudo: que eu não era aceito nem amado por ele do jeito que eu era. Então perto dele me sentia sempre em falta, sempre aquém. Quando entramos na vida das pessoas que gostamos para verificar o que seria melhor para elas, subentende-se aqui que do jeito que elas são não é possível ou não serve para nós. Numa tentativa de fazer o bem para a pessoa, estamos fazendo mais mal. 

     É duro admitir que tenho esse comportamento crítico do meu pai. Tudo o que eu odiava nele, como sua crítica excessiva, seu ego inflamado, seu excesso de controle, o rigor desmedido, às vezes sem perceber reproduzo esses comportamentos, não só com os outros, como comigo mesmo. E por que é duro admitir isso? Porque sou igualzinho a ele. Entenda que a pessoa que você mais briga, que mais bate de frente e te irrita é justamente porque vocês se parecem! Aceita que dói menos. Hoje, entendendo melhor alguns conceitos da psicanálise, percebo que reproduzimos comportamentos no automático, mas não basta você ter o conhecimento de um mecanismo inconsciente, você precisa elabora-lo

     O que eu quero dizer é que um comportamento inconsciente não deixará de atuar só porque se teve conhecimento dele, pois ele tenderá sempre a se repetir. É como um disco riscado que a música trava ali, é uma tendência ficar se repetindo. É uma marca, uma cicatriz no nosso psiquismo. O que quero dizer com isso? Como fui criado por um pai com essas características e sempre fui mais apegado a ele, “registrei” esse comportamento mesmo não gostando! Por amor a ele! Sou sim excessivamente crítico, orgulhoso, gosto de controlar tudo e rigoroso, por mais que eu não goste disso. Ter consciência disso não vai MUDAR o meu jeito de ser, MAS pode me oferecer ferramentas para me trabalhar melhor. Assim, quanto mais consciência tiver desse funcionamento da minha personalidade, e das razões disso estar vindo à tona, obtenho mais autonomia para decidir se valerá a pena ou não persistir nisso. 

E você, já se observou para descobrir quais crenças tem e quais comportamentos reproduz sem muita consciência? Quem te ensinou a ser assim? Por que você continua com isso? Vale a pena continuar? 

     Agora, você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a carta do tarot? 

     A carta significa um sacrifício consciente. Note que a personagem da carta, mesmo dependurada, está com uma expressão de tranquilidade, pois ela chamou essa situação. Significa uma crise “provocada”. É uma atitude consciente que despertou uma crise. É sacrificante, porque a situação nunca será confortável (embora esperada): a figura está suspensa pelos pés. Mas veja que interessante: isso lhe dá a oportunidade de ver numa perspectiva diferente! Essa mensagem figura o meu ano de 2019. Ao tomar consciência de algumas questões, tomei conscientemente também decisões que não foram fáceis, pelo contrário, foi doloroso. Porém me fez enxergar a vida por outros ângulos. E isso mudou tudo.



Desejo de coração a todos que tenham um 2020 repleto de Amor. Paz. Saúde. E consciência.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

VALORES MAIORES



     Todos nós temos uma parte em nós mesmos que é sagrada. É aquela nossa parte que é madura, responsável e sábia. Em alguns talvez essa parte seja mais desenvolvida, em outros talvez menos. Mas todos a temos. A questão é que não usamos. Não, com frequência. Costumo pensar que essa parte é como uma ponta de uma conexão direta com algo superior, que para mim é Deus. É como se Deus estivesse num ponto e no outro ponto cada um de nós, e esse fio é o que nos ligaria. Nos momentos mais decisivos de nossa vida nos conectamos com essa fonte e obtemos força, coragem, conforto e sabedoria principalmente. Hoje, mais do que nunca, é de extrema urgência e importância que você aprenda a acessar essa conexão que vou chamar aqui de Eu Superior e vou te explicar o porquê.

     Todos nós estamos passando por problemas. Seja branco, preto, amarelo, rico, pobre, casado, solteiro, todos temos problemas. Muitas vezes tendemos a acreditar que uma ou outra determinada pessoa não tem problema, porque, de fora, observando a vida dessa pessoa a julgamos perfeita. Como se existissem pessoas com vidas melhores do que a nossa. Gostaria que tirasse esse conceito de sua cabeça, porque isso não é verdade. Todas as pessoas estão enfrentando seus dilemas e demônios pessoais. Acreditar que exista uma vida perfeita ou um relacionamento desses de contos de fadas é ilusão. Na vida real todos sofrem, choram e matam um leão por dia, ainda mais nos dias de hoje. A questão é que a grande maioria das pessoas usam máscaras sociais bem montadas e pintam a cena muito bem. Mas só Deus sabe o que habita o interior de algumas casas; de alguns relacionamentos; o interior de algumas pessoas.

     No passado, as pessoas tinham mais tempo e dedicavam mais energia umas às outras. Era comum você ter um ou mais amigos íntimos que você pudesse contar. Contar para conversar, chorar, desabafar, e ali, olho no olho, ombro a ombro, coisas eram ditas e isso era uma elaboração. Friso aqui exatamente esse aspecto: a elaboração através de uma fala amiga. Muitos não se dão conta, mas quando você está com alguma questão pessoal, só o fato de você desabafar isso com um amigo já é positivo. Por mais que esse amigo não seja um psicólogo, um psiquiatra ou um psicanalista, o falar sobre a questão para alguém que te olhe nos olhos e esteja com ouvidos atentos em você, está acontecendo aí um movimento terapêutico. Quando falamos com alguém que está conscientemente prestando atenção em nós, com doação sincera de tempo, ganhamos a oportunidade de nos ouvir enquanto falamos. Ouvimos nossa questão e somos capazes, em algum nível, de nos ver de fora e isso é muito significativo para a saúde mental. Ou seja, amizades sinceras valem muito!

     A realidade de hoje é diferente. Quantas pessoas, de profunda confiança sua, você poderia ligar agora e chamar para sair e conversar um pouco? Pessoas que você saberia que sentariam com você com total entrega de tempo, de energia e com atenção ouviriam o que você tem a dizer, sem julgar, sem criticar e até ajudariam a encontrar um caminho se necessário – quantas? Quase não temos mais. Mas isso não é culpa de ninguém, porque a maioria das pessoas não tem tempo, energia, nem atenção suficientes para a própria vida. As pessoas estão cansadas, muitas estão na defensiva e estão vivendo como podem, com o que tem, da forma como estão conseguindo. Ou seja, nós estamos sobrevivendo da forma como podemos. Deveríamos buscar ajuda de um profissional da saúde? Deveríamos! Estamos procurando? Muito pouco! Talvez por isso observamos tantas pessoas exauridas fisicamente, doentes mentalmente, porque não têm com quem contar e não buscam ajuda.

     Aqui entra o Eu Superior que habita em cada um de nós. Todos nós temos dentro de nós essa voz de sabedoria que nos guia. Defendo aqui a busca pela espiritualidade. Não adianta você se queixar que uma determinada pessoa não te ajuda ou não te compreende, porque talvez essa pessoa não compreenda a si mesma. Já parou para pensar, o que pode estar enfrentando as pessoas que você busca auxílio, compreensão ou afeto? Seja quem for que você esteja esperando que te compreenda ou te auxilie, se essa pessoa não dá a devolutiva ou a atenção que você espera é porque ela não pode. Ou talvez não queira. Ou não tenha tempo. Em todo caso, não vai resolver brigar ou se ressentir com essa pessoa. Cada um dá o que tem. Se essa pessoa não te compreende, não te ouve, não te valoriza o suficiente, procure você se compreender, se ouvir e se valorizar, porque isso está em seu controle. Exigir que o outro seja de determinada maneira ou dê algo que ele não quer ou não pode dar é tolice. É batalha perdida antes mesmo de iniciada. Procure entrar mais em contato com você mesmo. Conheça seus pontos fortes e seus pontos vulneráveis. Aprenda a se amar primeiro e ser o seu melhor amigo. Analise-se sempre que possível. Quanto mais você for capaz de se conectar consigo mesmo, mais em paz você estará. Assim, ficará menos sensível às turbulências externas e menos ressentido quando alguém não te der a atenção merecida.

     Depois de muito me magoar com as pessoas que não correspondiam as minhas expectativas ou não davam a atenção que eu julgava que merecia ter, resolvi mudar o meu jeito de ser. Passei a não ter grandes expectativas em relação ao comportamento das pessoas. Aceito e tento compreender o que alguém pode ou quer me oferecer. E seja quem for. Mãe, chefe, amigos, colegas de trabalho. Percebi que a gente sempre desenvolve, até sem querer, uma crença de que as pessoas têm que se comportar como esperamos que elas se comportem. “Porque MINHA mãe não pode fazer isso COMIGO”. “Porque o MEU melhor amigo não podia fazer aquilo COMIGO”. “Porque MEU/MINHA chefe não ME compreende”. “Porque o mundo é muito duro para MIM”. Quando fazemos esses discursos ou temos esses pensamentos, dando demasiada ênfase em nós mesmos, só falta enfiarmos uma chupeta na boca e batermos as pernas no chão chorando por atenção. Estamos regredindo a um comportamento infantil. Quando me pego nessas queixas bancando uma vítima sofredora, procuro rapidamente sair desse lance. E repetir mentalmente a mim mesmo coisas como: “tal pessoa é como é”; “deu o que quis ou podia dar”; “não tenho controle sobre as pessoas, tenho sobre mim e o que posso fazer com isso”; “reclamar, me ressentir, ir lá brigar ou exigir que me ajudem ou me compreendam não resolve nada”; “cada um dá o que tem”. Com essa mentalidade inverto uma ânsia de aprovação ou carência de afeto por sabedoria.

     Aqui o Eu Superior está entrando em cena. A parte adulta que vai lidar com a situação. Abre o espaço para me conectar com valores maiores como Compaixão, Sabedoria, Fraternidade e Amor. De posse desses valores maiores posso ver as situações com amor ao invés de raiva. Ver as pessoas com compaixão ao invés de ressentimento. Compreender que minha mágoa tem muito mais a ver com uma expectativa egoica minha do que com o outro de fato e que se alguém não me ajudou como esperava, talvez fosse porque essa pessoa precisasse de ajuda também. E aí acontece algo muito bacana: o quadro todo se inverte. Ao me alinhar com Deus, com essa parte superior e sagrada que habita em nós, tudo fica tão pequeno, começando por mim e isso me supre completamente. Sinto que posso então oferecer auxílio até para quem por algum motivo não pôde ou não quis me ajudar. E isso se chama ALTRUÍSMO, o comportamento mais humano e mais puro que uma pessoa é capaz de alcançar em vida. Esse é o nosso verdadeiro objetivo aqui. Namastê.🙏

sábado, 9 de novembro de 2019

EU SOU NARCISISTA



narcisista
[De narciso¹ + -ista.]

Substantivo de dois gêneros

01. Pessoa que tem propensão ao narcisismo, que nutre amor excessivo a si mesmo, a sua imagem.

(Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)

        Venho de um lugar onde as pessoas ao meu redor não acreditavam muito em mim. Pelo menos era assim como me sentia quase o tempo todo durante toda infância. Havia rejeições e menosprezos por toda parte. Começando dentro de casa. Meu pai foi um homem muito crítico, ainda mais comigo, pois, a seu ver, eu tinha futuro. Tinha aulas na escola e quando chegava repassava o que aprendia com ele. “O que você pode me ensinar hoje?" – me perguntava ao final de toda tarde. Sentávamos então à mesa com meus cadernos de caligrafia – porque minha letra tinha que ser bonita – e explicava a ele o que havia aprendido naquele dia, enquanto ele me interrompia questionando a falta de pingo nos i e j. Meu caderno de desenho também eram avaliado e obviamente que ele me mostraria depois como poderia melhorar aqueles meus rabiscos.

        As refeições eram servidas à mesa e era nela que sempre deveríamos comer, todos juntos, enquanto meu pai contava nossas mastigadas e o ouvíamos sempre repreendendo para não mastigarmos com a boca aberta nem fazer barulho ao comer, porque pessoas civilizadas se comportam adequadamente à mesa. Era muito criança quando tive que abandonar as colheres e aprender a usar garfos e facas. Nem preciso falar como era um martírio diário comer com aquele homem falando na minha cabeça.

        Ande direito. Fale direito. Sente direito. Escreva, desenhe, aja direito. Seja direito! Foi assim toda a minha infância e prosseguiu adolescência a fora. Aos nove anos de idade, no dia seguinte à primeira reunião de pais e mestres, me lembro de minha professora da quarta série me perguntar – na frente de toda sala – se meu pai era severo demais e me batia. Fiquei em silêncio um pouco encabulado, enquanto ela explicava o motivo do questionamento. Disse que meu pai na reunião só fazia insistentemente uma única pergunta: “Ele é o melhor da sala?”. Ela me disse que temeu lhe responder qualquer coisa diferente de sim. Embora fosse um aluno exemplar nas notas e da professora ter lhe respondido sim, não bastou ao meu pai, já que ao chegar da reunião naquele dia veio me questionar por que a aluna Carla Beatriz tinha uma nota azul a mais do que eu em seu boletim. Ele comparava o meu boletim ao dos demais alunos e nesse dia queria saber se essa menina era mais inteligente do que eu e obviamente me fez prometer a ele que no próximo bimestre a superaria nas notas – o que de fato aconteceu, mas não sempre.

        Nós podíamos brincar na rua, mas deveríamos ficar alertas caso nosso pai assobiasse. Havia um código para nós. Um assobio deveríamos ficar alertas e nos despedir de nossos amigos, pois no segundo assobio seria hora de entrar. Quando muito entretidos nas brincadeiras e não ouvíamos os assobios anteriores, no terceiro assobio já voltávamos para casa cientes que apanharíamos. Havíamos desobedecido o “toque de recolher”. Fomos educados assim, com rigor, disciplina e ordem. E isso é só a ponta de um imenso iceberg. Havia sempre repreendas, sermões, críticas, filosofias, ensinamentos e castigos todo o tempo. A meu ver, meu pai era o general, minha casa o quartel e a educação ofertada se assemelhava muito a um treinamento militar.

        Aguentei bravamente. Sempre fui persistente. Queria mostrar ao meu pai que era capaz de suportar seus castigos, mas confesso que a minha maior dificuldade era dar conta de ouvir e ter estrutura psíquica e emocional para lidar com suas críticas. Ele era ácido. Ferrenho. As suas críticas eram certeiras, fortes, incisivas e me faziam sentir sempre muito aquém das altas expectativas que ele tinha para mim. Podia ver claramente o modelo de homem que ele queria formar, mas não me identificava com esse modelo o tempo todo. Discordava em alguns aspectos, achava irrealistas algumas coisas e inatingíveis outras. Mas por incrível que pareça, eu compreendia o que ele estava fazendo – pelo menos num âmbito racional. Racionalmente falando, o Jonas criança tentava compreender as ações do meu pai. Mas emocionalmente eu não conseguia... Não sempre. No nível mental compreendia que ele queria que eu desse o meu melhor, que eu entregasse mais, que eu superasse a mim mesmo a cada dia, porque ele queria sempre me ver bem e melhor. Racionalmente, ok. Emocionalmente, a uma criança, lidar com esses conteúdos fortes de críticas em cima de críticas vai macerando seu ego. Vai esmagando sua autoestima. Foi o que aconteceu comigo. Água mole em pedra dura...

        Mas eu aceitava tudo isso como podia, porque sabia que ele me amava. Muitas vezes tinha ódio dele, mas quando ele me abraçava, podia me ver em seus olhos e sabia que ele abraçava o universo nas mãos. Nós éramos tudo para ele. A vida do meu pai era os filhos, ele matava e morria por nós. Ele era intenso mesmo, em tudo. Nossa relação era de amor e ódio, de amigos e inimigos, de brigas e altas conversas. Mas foi ficando difícil lidar com isso, vamos lembrar que minha personalidade estava em formação também! Eu não tinha a cabeça e a visão de hoje. Então em algum momento desconectei. Foi preciso desconectar o emocional. O ambiente externo exigia muito, então tive que proteger o ambiente interno, porque racionalmente entendia, mas emocionalmente não suportava. Resolvi ceder por completo. Criei barreiras e falei a mim mesmo que iria me encaixar e tentaria corresponder ao máximo que pudesse. Fui tão fundo nisso de tentar alcançar os altos padrões que ele tinha para mim que sem perceber entreguei minha autoestima por completo em suas mãos e passei a esperar por estima externa. Passei a me importar demais com as críticas do meio externo. Se antes eu conseguia ter um senso crítico para as críticas, neste momento já não conseguia mais.

        Foi quando busquei a todo custo agradar a todos. Anulei por completo meu ego e passei a prestar atenção ao que as pessoas ao meu redor esperavam de mim, fosse na família, na escola, nas amizades, na sociedade. Engoli o verdadeiro Jonas para me enquadrar ao meio externo; para conseguir o amor, a aprovação e o aceite das pessoas que gostava e admirava. E quando alguém me achava feio, chato, desinteressante ou fazia qualquer comentário, mesmo em uma simples brincadeira, aquilo me afetava demais! Começou a me afetar muito mesmo. Como perdi o referencial de quem eu era ou queria ser, eu não tinha estrutura para lidar com a falta de apreço dos outros. Qualquer sinal de descortesia, rejeição ou reprovação das pessoas me doía demais. Queria tanto que gostassem de mim que fazia de tudo para ser bonzinho com todos, mas ora as pessoas me subestimavam, ora me menosprezavam, ora me faziam de bobo. De repente passei a ser visto como o bobinho, o sem personalidade, o zero à esquerda. Aquele que todo mundo pode passar a perna. Será que preciso me anular tanto e ter essa postura quase de subserviência para ser aceito? – me perguntava, chateado comigo mesmo por me submeter a esse papel só por uma aprovação externa. Eu me sentia às vezes ridículo por gastar tanta energia para me enquadrar ao que as outras pessoas achavam bonito, correto, aceito ou admirável e a contra partida eu detestava a mim mesmo.

        Nessa época, esse processo de não gostar de mim mesmo só me fez ansioso e descontar toda essa ânsia de aprovação não atingida na comida. Aos dezesseis anos estava pesando mais de cem quilos e um belo dia no trabalho passei tão mal que sai pelas ruas desgovernado e desmaiei numa calçada. Um casal que passava de carro me socorreu e me levou ao hospital. Quando questionado pelo médico o que acontecia, apenas lhe disse que sentia que estava morrendo. Ele fez toda avaliação clínica e o diagnóstico foi que não havia nada (físico). Tive nesse dia sem saber um ataque de pânico. E até hoje, juro por Deus, digo que foi uma das sensações mais terríveis que já tive na vida; tinha absoluta certeza de que estava morrendo.

        Onde entra o narcisismo? Agora.

        Quando cheguei nesse ponto, tive que fazer uma escolha entre o meio externo e eu. Sentei comigo mesmo e durante um longo período ainda na adolescência me fechei para balanço. Precisava renascer algo a partir dali. Sentia meu ego, minha autoestima, minha personalidade em frangalhos, eram cinzas e pó. Cheguei a seguinte reflexão. Amor não é algo dado naturalmente. Amor é escolha! E posso produzir ou importar. Autoestima, aprovação, aceitação, são facetas de amor, já que no fim tudo o que o ser humano busca é amor. Amamos e queremos ser amados. Uns produzem amor dentro de si mesmos. E os que não produzem, precisam importa-lo do outro, então vão buscar no externo. Fiz a escolha de aprender a me amar e ser capaz de produzir meu próprio amor valorizando mais a mim mesmo, para nunca mais ser dependente dos demais me amarem! Novamente fui fundo nisso. Foquei toda minha libido em mim mesmo com toda força que podia! Ninguém saberá mais de mim do que eu mesmo. A minha opinião, sobre mim mesmo, será soberana. Vou me amar, me respeitar, identificar quem sou, quem quero ser e a partir de agora eu vou legitimar o meu ego.

        É como se eu erguesse meu ego e o colocasse na estante da minha vida numa posição de destaque. Não foi do dia para noite. Foi um processo, que ocorreu paralelo a morte do meu pai – figura essencial na estruturação da minha psiquê. E como toda a minha estrutura de personalidade foi centrada a partir do querer do meu pai, quando ele saiu de cena (ele faleceu quando completei dezoito anos) o Jonas desabou! Perdi o referencial, o eixo central, me sentia oco, vazio, em ruínas mesmo. Mas se por um lado me sentia perdido, porque ele era meu Norte desde sempre, por outro lado me senti bastante excitado, pois dessas ruínas pude com os destroços reerguer minha estrutura como Eu quis! O Eu ganhava espaço e força para avançar a todo vapor! 

        A partir daí começou a acontecer algo surpreendente. Comecei a me alimentar melhor. Passei a fazer exercícios físicos regularmente. Meditar. Emagreci. Iniciei esse blog. Terminei o ensino médio na EJA. Fiz faculdade. Pós-graduações. E nunca me senti tão seguro de mim mesmo. Aquele jovem indeciso, ansioso, obcecado por aprovação dos outros, deu espaço a um homem forte, corajoso, seguro, dono do seu destino, que se ama acima de tudo e todos. Hoje tenho plena consciência que ninguém sabe mais sobre mim do que eu. Se alguém disser que sou incapaz de realizar algo, só será verdade se eu chancelar isso, pois quem sabe do que sou ou não capaz sou eu. Não espero migalhas de amor externo, se posso me fartar de um banquete interno. Eu me amo, me admiro, me orgulho de mim mesmo e acredito no meu potencial. Não espero que ninguém me complete, porque não sou a metade de nada. Sou um homem perfeito com imperfeições aceitas. Não importo amor, já aprendi a produzir o meu, quem chega só vem para somar. Para me ensinar. Para compartilhar. E se partir, tudo bem também, não vou morrer nem a pessoa. E quando ouço... Não gosto de você, digo ok. Não concordo com você, tá ok. Acho você feio, chato, metido, ignorante, arrogante, prepotente, ok. Ok. Mas quem sabe de mim sou eu! E quando uma pessoa diz algo sobre mim, em um bom nível, ela não está revelando algo sobre mim, ela está se revelando para mim! Pois como disse Freud, quando Pedro fala sobre Paulo, sabe-se mais de Pedro que de Paulo.

        Quis contar minha história pessoal e coloquei esse título provocativo no texto para satirizar esse momento que vivemos onde tudo é Narcisismo. Fulano é narcisista. Fulano tem traços de narcisismo. Na internet bombam vídeos e mais vídeos descrevendo e ensinando como reconhecer um narcisista, e a coisa toda banalizou. Pessoas leigas pegam fatos e comportamentos isolados e já fecham um transtorno de personalidade! – que por si só é algo bastante complexo até aos psiquiatras e psicólogos para fecharem um diagnóstico. O comportamento humano é muito complicado para se decifrar em análises rasas e superficiais. Acredito sim que exista o Transtorno de Personalidade Narcisista, mas ele tem traços, sinais e sintomas muito precisos, descritos no DSM-5. Só que hoje qualquer manifestação onde uma pessoa demonstre muito amor por si mesma já é considerada narcisista. Quer dizer, quando alguém se submete ao cônjuge, aos pais, à sociedade, numa postura de obediência quase de subserviência, aí tudo bem. Essa é uma atitude bonita né, de resignação e abnegação. Agora se uma pessoa assume aquilo em que de fato ela é boa, expõe seu melhor e não esconde o quanto de amor tem por si mesma, então é narcisista? É arrogante? Não... Sinto dizer, mas isso não é Narcisismo, nem um comportamento egoísta, é só amor próprio mesmo. A pessoa está sendo capaz de ser produtora ao invés de ter que importar.

        Assim como um dia aprendi, se isso faz sentido para você, gostaria de dividir este conselho. Pare de olhar para fora. Ninguém sabe de você mais do que você mesmo. Ninguém tem mais autoridade, nem propriedade de conhecer sobre você mais do que você mesmo. Encontre em si aquilo que carrega de bom e exponha com muito orgulho. Tendo o queixo erguido e o peito estufado. Não é feio se orgulhar de si mesmo! Não é errado se amar demais! Não tem nada de injusto se colocar em primeiro plano. Lembre-se da recomendação no avião: a máscara é em você. Você não ajuda ninguém, sem antes se ajudar. Instituiu-se uma crença na sociedade que é sempre mais bonito, mais virtuoso, colocar os outros em primeiro plano. É divino. A vaidade é considerado um pecado capital. Concordo que todo excesso de fato esconde uma falta, mas não é disso que estamos falando aqui. Eu te digo que não existe nada de errado em se colocar em primeiro plano, na sua própria vida. Não é para você se julgar melhor do que os outros, mas simplesmente para exibir aquilo que você tem de melhor. É como o Sol. O Sol não pede autorização para brilhar, assim como não se preocupa se aqui na Terra existem fontes de energias melhores ou mais quentes do que ele. Ele simplesmente é o que é. Ele simplesmente nos emana sua luz. Ele segue sua natureza que é brilhar e aquecer. Assim tem que ser com você. Assim tem que ser com cada um de nós, todos os dias de nossa vida. Não espere autorização para dar o seu melhor. Para mostrar a sua melhor versão ao mundo. Não se preocupe se está ou não agradando, seja o que você é, o que quer ser. E em seu caminho vai se deparar com muitas pessoas que já se esqueceram de seu próprio brilho, mas ao te olharem verão em você algo de diferente, enxergarão Autenticidade, e talvez sentirão a Motivação necessária para resgatar dentro de si mesmas algo que estava a muito tempo adormecido. O amor próprio.

domingo, 29 de setembro de 2019

O Futuro do Trabalho e a Neuroplasticidade


            Você não tem ideia do quanto eu queria escrever sobre esse tema de hoje, já queria falar sobre isso há um bom tempo. Em primeiro lugar já peço desculpa pelo textão. Nem todo mundo curte quando a postagem fica grande, quando isso acontece alguns até desistem nas primeiras linhas, infelizmente. Mas tenho certeza que esse tema será relevante para você, não só como pessoa, mas principalmente profissionalmente, já que isso impacta diretamente no perfil do profissional do futuro (que hoje já se faz presente). Trarei algumas dicas e alguns exercícios que eu mesmo faço, mas o mais importante é a forma de encarar a vida daqui em diante com esses novos conhecimentos. Peço paciência para que você tente lê-lo até o fim. Falarei nessa postagem em duas ideias centrais que se encontrarão ao longo do texto e tentarei ser o máximo didático possível já que essa postagem terá uma cara "meio técnica", mas garanto que é mais simples do que parece. Como esse é um blog pessoal farei alguns links com experiências e reflexões minhas em episódios específicos da minha vida. Vários conceitos que existem sobre aprendizagem, sobre comportamento e formação da nossa personalidade, que começou lá com a Psicanálise, estão sendo reformulados a partir de novos estudos de Neurociência. A postagem de hoje então é sobre abertura à novas ideias e não se pôr em caixas.

            Era década de 90, eu não devia ter mais do que oito anos quando li uma matéria numa revista falando sobre neurônios, sobre a perda deles durante a vida e o impacto disso ao ser humano. É engraçado, mas não esqueço o medo que eu tinha de perder neurônios... Eu sei, você vai dizer, “que medo mais nerd esse”. Ok, tudo bem, mas eu sempre fui um nerd. Sempre fui o esquisitão da turma – sou até hoje. Na matéria falava sobre manter hábitos regulares de leitura, fazer palavras cruzadas, jogo da velha, sobre praticar atividades físicas e ter uma alimentação balanceada também. Isso tudo para retardar uma perda neuronal natural ao longo da vida. Mas em ponto nenhum dessa matéria falava sobre criação neuronal. Levei esse assunto à sala de aula e perguntei a minha professora na época como fazer para criar novos neurônios. E ela me respondeu:

            - É uma boa pergunta, mas até onde tenho conhecimento não é possível. Nascemos com uma quantidade de neurônios que ao longo da vida vamos perdendo. Esse é o processo natural da vida. O que podemos fazer é minimizar essa velocidade através dos hábitos que falam na matéria dessa revista, por isso é importante o hábito da leitura!

            Fiquei decepcionado com isso. Não queria concordar. Mas de fato tudo o que lia ou assistia sobre aprendizagem e como funcionava a nossa mente batia nessa tecla, de que só perdíamos neurônios ao longo da vida. Mas na minha visão isso era muito determinante, porque colocava o ser humano numa caixa sem muita autonomia para se superar. E mais estranho ainda é que nós mesmos adquiríamos crenças que iam justificando ficar nessa caixa!! “Fulano é bom em Matemática, por isso que ele não é bom em Português.” Ou o contrário disso. “Fulano não se sai bem na escola, porque seu negócio é mais a música.” “Fulano é bom em Artes, porque seu pensamento é mais voltado para isso, então não é muito bom nas outras disciplinas.” “Quem cuida muito do físico ou da estética é porque é burro.” Ou o contrário. Perceba que são extremos e não tem como uma pessoa participar das duas polaridades. Eu me lembro quando estava no cursinho preparatório para vestibular, queria prestar Unicamp. E eu já era formado em Administração. Quando os professores do cursinho perguntavam qual curso prestaríamos, notava bastante espanto neles quando respondia “Ciências Sociais”. Quando os indagava, me respondiam que imaginavam “que fosse para alguma Engenharia”. No dia da inscrição, sabe-se lá porquê, coloquei como segunda opção Ciências Sociais (queria me especializar em Ciências Políticas), pus como primeira Ciências Econômicas. Não passei – por pouco – na primeira fase. Será que eu não teria passado, se tivesse seguido mais o que de fato eu queria?!

            Aprendemos a colocar as pessoas em caixas. Pôr rótulos! Fizeram isso conosco um dia e acreditamos. Acreditamos que uma pessoa é boa em Português, porque nasceu com isso. Escrevo bem aqui no blog, porém olhe as primeiras postagens, verá mais erros gramaticais que hoje. E na época da escola era bom em Língua Portuguesa e igualmente bom em Matemática. Por que a gente acredita que sendo bom numa se tem mais dificuldade na outra? Quem disse que são saberes antagônicos? Ah! Já sei. Foi o livro sobre Múltiplas Inteligências, do Gardner. Não vou discutir que um ser humano pode ter maior aptidão para uma área de estudo, mas isso não dificulta em outra. Isso é uma crença, algo que está no senso comum, algo que ouvimos desde criança, chancelamos e repassamos inconscientemente. Mas não tem respaldo científico. Não é porque uma pessoa tem um raciocínio lógico-matemático mais elevado, que essa mesma pessoa não possa ter, também, uma inteligência intrapessoal ou de linguagens significativa. Muito se acreditava sobre o hemisfério esquerdo e direito do cérebro, mas a ciência sabe hoje que a funcionalidade do cérebro humano não é tão segmentada e dividida assim. O cérebro funciona mais como um todo. É só refletir sobre as grandes mentes da humanidade. Leonardo Da Vinci, pintor, escultor, matemático, escritor etc. Muitos poderão dizer: “ele era superdotado”. Eu não tenho dúvidas quanto isso. Só acredito que o que nos impede de alcançarmos resultados diferenciados tem mais a ver com o que DIZEMOS A NÓS MESMOS QUE NÃO PODEMOS com o que de fato não podemos fazer. Existe uma diferença entre comportamento e capacidade cognitiva de fato.

            Todo mundo acha que sou um típico nerd. Engraçado que um nerd carrega aquele estereótipo: esquisitão, de Exatas, manja muito de informática, é magro demais ou muito acima do peso, usa óculos, tem a cara cheia de espinhas, avesso a esportes, amante de HQs, sem tattoos... Isso são rótulos! Parte é verdade, parte não tem nada a ver comigo nem com ninguém, dessa forma fechadinha! Nos meus testes de perfil comportamental por exemplo, de fato Conformidade é mais elevado. E com isso se pode inferir que possuo maior precisão, perfeccionismo, detalhismo, acurácia etc. Mas isso só significa que, dentro desse espectro de atividades e competências, fico mais confortável, pois tendo a dar mais respostas rápidas com menor esforço. Quando o RH aplica um teste assim, ele quer avaliar onde o candidato ou o colaborador conseguirá o resultado mais rápido com o menor esforço. Só isso. No meu caso, um indivíduo assim vai bem em áreas analíticas, áreas de cálculo, áreas que demandem atenção maior a DETALHES, como: contabilidade, departamento pessoal, planejamento estratégico, controle de qualidade etc. Isso significa que essa pessoa não seria, em absoluto, um bom vendedor? Que é impossível uma pessoa com esse perfil se dar bem numa área de marketing, publicidade, propaganda, design? Que essa pessoa não serviria para estar em setores da empresa que demandem muito relacionamento interpessoal? Não. Não. Não é verdade! Só é “sim”, se essa pessoa acreditar nisso e quiser. E esta postagem é justamente para recomendar o contrário disso. Recomendar que você não se coloque numa caixa.

            Não queria ser rotulado de nada em absoluto. Com os estudos mais atualizados sobre neurociência e comportamento humano veio um termo chamado Plasticidade Cerebral. E isso é fantástico! Significa que não só somos capazes de produzir novos neurônios, como estamos constantemente provocando alterações através de novas conexões neuronais e isso acontecerá a vida toda. Por isso esse termo “plasticidade”. Hoje se sabe que o comportamento, a personalidade, a inteligência não são estanque, inatos, imutáveis. Não em absoluto. Nós somos capazes de mudar e nos transformar em qualquer fase da nossa vida. Basta querer. Os nossos hábitos fazem em nosso cérebro um determinado caminho neuronal, um determinado circuito. A partir do momento que adquirimos novos hábitos, forçamos a criação em nosso cérebro de novos caminhos, de novas conexões. Isso nos transforma! E para essa receita de autotransformação, você precisa de apenas dois ingredientes: vontade e persistência. A gente precisa querer algo, mas não só querer, persistir, insistir nisso que estamos nos propondo. Aí entra o aspecto profissional.

            Ontem, conversando com a minha mãe, ela me contou que seu irmão está desesperado. Meu tio ligou para ela, contou sobre mudanças que estão ocorrendo em sua empresa e pediu que minha mãe orasse por ele. Preste atenção. Meu tio trabalha nessa empresa há décadas, acredito que já se aposentou e continua lá. O setor produtivo onde ele trabalha está sendo todo computadorizado e estão o ensinando como acompanhar e monitorar os computadores do setor. Ele ficará responsável por isso. Coitado, ele está em pânico. Disse a minha mãe que mal consegue dormir. Para dar conta, ele está agora tendo aulas de informática com os meus primos. Primeiro ponto: parabéns ele ter aceito! Ele poderia ter se recusado, ter inventado uma desculpa e saído fora, ele já está aposentado. Ou prestes a se aposentar. Mas ele quis aprender. Está se desafiando. O segundo ponto é o seguinte: ele está tendo a oportunidade de aprender algo que em tese ele já deveria estar se mexendo para saber! Não é fácil isso que vou dizer, mas é real. Nem todos os empregadores poderão ESPERAR você adquirir novas competências e habilidades para dar conta de um novo desafio. Você tem que se antever a isso! Hoje, a carreira e o desenvolvimento profissional estão nas mãos de cada um de nós, não mais na empresa. Não espere que seu gestor ou empresa desenvolva você. É claro que eles podem, e em alguma medida até devem, mas essa responsabilidade é sua! Essa responsabilidade é de cada um de nós. O futuro do trabalho já está exigindo um perfil de profissional que use muito a sua neuroplasticidade.

            Sou analista de recursos humanos e recebo muitos currículos diariamente. Uma vez me perguntaram o seguinte: ficar numa mesma empresa durante muitos anos seria ruim por passar uma imagem de acomodação? A resposta é: depende. Quando estou diante de um candidato nessa situação, numa entrevista, estou mais preocupado em descobrir o quanto esse indivíduo se desenvolveu e se transformou, enquanto profissional e enquanto pessoa, ao longo de sua permanência nessa empresa. Quero saber se houve participação em cursos ou palestras; se houve graduações ou pós graduações; se a pessoa assumiu novos desafios, seja em novas posições ou na mesma até; o que agregou àquela companhia nesse período,  onde cresceu e se transformou com isso; ou seja, estou mais interessado em saber se houve uma evolução, se a pessoa e a empresa estão melhores por conta desse relacionamento. Se a resposta for “sim”, independe de quanto tempo a pessoa ficou no seu antigo trabalho, porque houve ganhos para ela enquanto pessoa e profissional e para a empresa também. O problema é quando a resposta é “não”, ou seja, os anos se passaram e a pessoa ficou estagnada, ela não buscou se aperfeiçoar nem obter novas competências e habilidades. Isso é perigoso. O mundo do trabalho está mudando rápido, isso exige dos profissionais mais abertura a novas ideias e pensar fora da caixa. Hoje é requerido que os profissionais de fato não queiram ficar em caixas!

            Para finalizar essa postagem, gostaria de dizer que muito do que você acredita que não é capaz é só coisa da sua cabeça, não tem respaldo científico algum. Pense que se muitas pessoas conseguem, você também é capaz de conseguir. Você não é inferior às outras pessoas que já conseguiram, não se subestime. Isso vale para iniciar um curso numa faculdade; se inscrever num curso de dança; frequentar uma academia; aprender um novo idioma; começar alguma atividade artesanal; iniciar um blog ou um canal no YouTube. Por que não?! O que te impede?? É apenas a sua cabeça, as suas crenças que te impedem. Dê o primeiro passo, permita-se. Existem alguns exercícios simples, que eu faço também, que são muito legais para forçar a criação de novas conexões neuronais. Como por exemplo:

  • Experimente usar a outra mão para escovar os dentes, abrir as portas, se ensaboar no banho, para comer e se possível até para escrever pequenas coisas;
  • Dormir do outro lado da cama;
  • Se tem o hábito de ir trabalhar de carro, um dia da semana vá de moto; se tem o hábito de ir de moto, vá um dia de carro; ou vá a pé; se for mais longe, um dia pode ir de ônibus;
  • Se tem o hábito de ir por um mesmo caminho, explore ir por novos;
  • Mude de vez quando as coisas no seu trabalho, na sua mesa ou na sua casa de lugares;
  • Pelo menos um dia na semana ouça uma playlist de músicas bem diferentes do que está acostumado;
  • Experimente novos pratos de comida;
  • Sempre que possível faça os pequenos cálculos mentalmente;
  • Force-se a chamar sempre todas as pessoas pelo nome, isso te obrigará a memorizá-los;
  • E principalmente: permita-se conversar com novas pessoas – faça amizades com pessoas diferentes de você!

            O nosso cérebro é um verdadeiro poupador de energia. Ele quer sempre obter o melhor resultado com o menor esforço possível, então ele faz de tudo para você criar e se manter num hábito. E quando você provoca conscientemente pequenas alterações no seu dia a dia, isso o obriga a “sair do automático” e com isso fazer novas sinapses. É claro que no início isso vai cansar você. Se fizer por exemplo tudo isso que listei acima, ao final do dia estará cansado, talvez até com um pouco de dor de cabeça. Mas ao persistir irá diminuir esses efeitos e obrigará seu cérebro a se adaptar. Não tenho dúvidas que isso melhorará sua criatividade, sua inteligência, seu raciocínio, sua vivacidade; se sentirá mais jovem, mais capaz, tudo porque estará abrindo mais canais, fazendo mais conexões. 

            Lembre-se dessa simples receita que vai apenas dois ingredientes: vontade e persistência. Tenha uma vontade forte de se abrir para novas ideias e persista nisso que deseja para si ou para sua vida. Tudo começa aí na sua mente, você é a única pessoa que pode se limitar. A neuroplasticidade prova que você é capaz de mudar. Basta você querer.