terça-feira, 26 de junho de 2012

Error


“ – Por que você chora? – perguntaram as Oréiades.
– Choro por Narciso – disse o lago
– Ah, não nos espanta que você chore por Narciso – continuaram elas.
– Afinal de contas, apesar de todas nós sempre corrermos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza.
– Mas Narciso era belo? – perguntou o lago.
– Quem mais do que você poderia saber disso? – responderam, surpresas, as Oréiades.
– Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
– Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
“Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida”.
“Que bela história”, disse o Alquimista.”
(Paulo Coelho)


Hoje parei para rever alguns posts antigos e fiquei refletindo momentos vividos, pensando em como eu enxergava a vida, o que procurava no mundo e o que eu já conclui. Constatei que terminei voltando ao mesmo ponto de partida após uma longa jornada, ironicamente...

Talvez o desejo mais egoísta desse Blog fosse tentar através de análises filosóficas – um tanto críticas demais às vezes, confesso – conhecer o ser humano em sua plenitude, porque, sabe-se lá de que forma, isso me traria algumas respostas valiosas. No entanto, constato que voltei a estaca zero, porque me parece claro que o que observei talvez tem mais a ver comigo mesmo do que com qualquer outra coisa. Talvez buscando entender a vida seja possível apenas entender a si mesmo. Percebi que ao abrirmos uma janela para analisar o que há lá fora, vemos mais sobre o que está do lado de cá do que o que há lá de fato. E isso é muito irônico.
Achei que analisando cada momento da vida, pessoas, decisões, movimentos, sei lá... cada coisa que me viesse a mente, eu fosse capaz de trazer à luz algum ensinamento valioso; talvez isso me ajudasse a responder algumas perguntas pessoais para Isso Tudo fazer sentido. Quem somos nós. Para quê estamos aqui. Hoje noto que avaliar o que está fora do nosso alcance sem nos misturamos no próprio julgamento é tarefa tola. Isso sim talvez seja sem lógica. O que vemos somos nós. O que presenciamos o tempo todo somos nós. O que nos toca e é tocado, somos nós. Há sempre em tudo um pouco de nós todos. E isso é muito irônico.

Quando criança, me lembro das pinturas, que pra mim eram incrivelmente diferentes, do estilo surrealista. Como as obras de Salvador Dalí. Lembro-me de que as obras me chamavam a atenção e eu gostava muito de analisa-las seriamente atentando a cada detalhe. Hoje vejo que não era por causa da beleza das obras, nem por causa da escolha das cores, ou das tonalidades e dos desenhos. Era pela ausência de lógica. Eu buscava insistentemente encontrar algum ponto onde o pintor foi lúcido. Elas eram estranhas demais! (e que me perdoem os críticos de arte). Imagino que seja impossível interpretar sem nos despirmos das ideias preconcebidas ou não nos desapegarmos da razão.
Ainda quando criança, lembro-me de que ao contrário de muitos, me causava mais pânico a imensidão e o que era amplo demais do que um ambiente fechado; olhar para o céu causava-me um grande incomodo justamente pelo fato dele não ter fim. Números não tem fim. O mar dá a ideia de sem fim. As emoções me dão essa ideia também. E sabe o que é mais irônico nisso tudo?

Pra mim é um completo estranhamento e há uma certa admiração em coisas sem limites estabelecidos. Achava as obras de Salvador Dalí malucas e assustadoras, porque eu não as entendia, mas paradoxalmente toda vez fazia pinturas iguais a elas nas aulas de desenho livre, nas disciplinas de Artes. Sempre achei o céu assustador, porque ele é imenso e parece que vai engolir tudo, e no entanto quando queria me acalmar e objetivar minhas ideias era só olha-lo. O mar é imenso e me parece misterioso, e mesmo assim cheguei a pensar em servir à Marinha. Mesmo odiando números sempre fui um dos melhores da escola em matemática. Acho certos estágios emocionais difíceis de lidar, no entanto dez entre dez pessoas que me conhecem bem apostariam tudo que nasci pra ser psicólogo. Recentemente, fiz uma uma bateria de testes vocacionais que apontaram ao Comércio Exterior, logo após eu ter dito para o meu professor (de Comércio Exterior!) que não sabia se tinha me encontrado no curso; ele riu sabiamente, dizendo-me que está aí a grande lição da vida! Que lição é essa!!?? Isso é tudo muito irônico!

Eu tinha dito a mim mesmo (até ontem) que não ficaria mais acordado até tarde, fosse lendo, na internet ou vendo TV, porque eu iria dormir cedo; fiz pacto de oito horas de sono com meu corpo. É madrugada e estou aqui no Blog, escrevendo; porque o momento da criação resolveu chegar só agora. É ironia demais...

Pra mim a vida tem sido uma busca interior por respostas lógicas e explicáveis através do que eu julgava ver no mundo, mas se tornou um constante reforçar da vida em me dizer que não tenho controle sobre ela. Não será domável. Explicável! Por mais que eu insista...
Minhas teorias estão sendo postas à prova e colocando em xeque meus paradigmas; as respostas não têm mais vindo lógicas. Algo Maior tem me mostrado coisas por ângulos realmente “180graus” diferente. Atando-me a esse estado de completa impotência. De repente, tudo o que eu achei que fosse a grande verdade mostrou-se uma opinião pessoal e tudo o que pensei sobre a humanidade diz respeito mais sobre a mim mesmo, unicamente. Sinto-me tolo agora. Como se eu recebesse um “xeque-mate”. Numa partida comigo mesmo. Ou isso tudo é muito genial ou isso tudo é muito irônico...


[/ “ – Existem três tipos de alquimistas – disse meu Mestre. – Aqueles que são vagos porque não sabem o que estão falando; aqueles que são vagos porque sabem o que estão falando, mas sabem também que a linguagem da Alquimia é uma linguagem dirigida ao coração, e não à razão.
– E qual o terceiro tipo? – perguntei.
– Aqueles que jamais ouviram falar em Alquimia, mas que conseguiram, através de suas vidas, descobrir a Pedra Filosofal.”
(Paulo Coelho)]


domingo, 17 de junho de 2012

O DEPENDURADO


Todo mundo tem um grande medo na vida. O meu é ficar louco. É engraçado, mas é verdade. Me lembro de muito pequeno dizer isso as pessoas e notar como elas tentavam entender o funcionamento desse medo. Até hoje não sei entender exatamente como ele funciona. Sabe quando você tem a sensação que o mesmo caminho que leva à loucura, leva à cura? rs Pois é, acho que já expliquei isso aqui rs rs


Desde de sempre, em algum momento da minha vida, me percebo vasculhando o meu inconsciente, revirando a parte mais profunda. Nem sempre é intencional, às vezes sou puxado e quando dou por mim já estou lá. Preso. Aí começa a tortura: ser capaz distinguir o que é real do que é fantasia, o que é inconsciente do que é consciente, o que é de agora do que já aconteceu ou ainda está por vir... Bagunça mesmo. Tenho a certeza então de que se não entender fico louco. Entendendo, fico sábio mais um pouco. Complexo...

Sempre fui atraído por assuntos sobre a mente humana. Um dia ainda farei uma faculdade de psicologia por causa exatamente dessa atração. Acho fantástica a mente humana. Acho o ser humano muito rico por causa dessa capacidade. Raciocinar. Mentalizar as coisas. Não desmereço os sentimentos e as emoções, até porque eles são originados no cérebro também. Através do sistema límbico. As manias, os TOCs, a dependência, a psicose, a psicopatia sempre me atraíram; a capacidade de criar mundos mentais que são tão reais apenas na mente de uma pessoa me parece interessante; “demônios”, somatizações e tudo o mais sempre foram objeto de estudo pra mim. Sempre fui atraído pela funcionalidade cerebral exatamente pelo mistério e perigo no qual o cérebro nos envolve: a gente nunca descobriu qual a exata capacidade da nossa mente e o que ela é capaz de abrigar – inconscientemente falando.

Passei os últimos anos da minha vida em bibliotecas, livrarias, na internet, em conversas procurando assuntos e lendo livros, desde astrologia, numerologia, parapsicologia, neurologia até antropologia, mitologia, geopolítica, quântica e lei da atração... Descobri coisas fantásticas a respeito da vida e acredito que isso me ajudou a não enlouquecer em algumas épocas e também a quase enlouquecer, exatamente pelo fato de compreender as coisas. Falando assim: é como ir abrindo os olhos e não podendo mais fechá-los, onde você é obrigado então a assistir tudo.
Acredito sinceramente que o conhecimento colocado em prática no dia a dia, se transforma em sabedoria ao longo da vida e essa sabedoria traz ao homem consciência dos seus atos (ou a ausência deles) e com isso responsabilidades. Não dá para voltar e deixar de ter consciência uma vez que algo se tornou consciente, porque não somos como os computadores que é só jogar na “Lixeira” e depois deletar de lá – “pronto, eliminado o arquivo” -. Penso que um trauma pode até "deletar" algo, mas isso não significa que não exista. Ficou latente. Acredito que o ser humano convive com o que aprende e com o que se recusa a aprender, a vida toda, e isso pra mim é uma benção e uma maldição. Pode soar estranho essa linha de raciocínio, mas realmente penso dessa forma.

As pessoas têm vícios, manias e hobbies. O meu é ler, estudar e pesquisar. Acumulando conhecimento. Seja lá o que eu me interessar num determinado momento da vida, pego esse assunto e começo a “disseca-lo”, estudo até chegar ao meu ponto de vista – que sei que poderá ser apenas um ponto de vista, uma verdade dentre as muitas outras. Mas ainda assim é o meu ponto de vista, é a minha mente – não vivo a mente de outra pessoa –, preciso valorizar o que eu concluo então. Sendo certo ou errado, é o que eu fui capaz de concluir, naquele momento da vida. E para uma pessoa entender-me teria que ser capaz de ver a vida, viver as experiências e sentir o mundo exatamente como eu. Como isso não é possível respeito as opiniões dos outros e faço a minha valer também.

Passei muitos estudando sobre a mente humana - e não sou nenhum especialista no assunto! - e quis tentar entender porque para alguns refletir é tão difícil. Porque algumas pessoas sofrem tanto com os próprios pensamentos: sejam de cobrança, culpa, medo, ansiedade... Mecanismos internos que podem prendê-la dentro dela mesma e causar sofrimento. Tenho uma teoria...
Acredito que tem gente que teme tanto mergulhar no próprio (in)consciente, primeiro porque no fundo há aquele medo do que vai existir e segundo porque o desconhecido é quase sinônimo de errado. Mas penso que não conseguimos mentir (conscientemente) a nós mesmos por muito tempo. Não dá. Conhecer a si mesmo significa se fazer perguntas desconfortáveis e obter respostas muitas vezes inesperadas. Se enfrentar mesmo. Pode ser difícil e chato esse processo, só que fazendo isso nós descobrimos uma coisa que se chama: a verdade! Acendendo a luz do quarto, de repente nada de mostro. Enfrentando determinado medo, vemos que foi mais fácil do que parecia. O que eu observo é que ao jogar "luz" [esclarecimento] sobre o que dizemos ser sombras, descobrimos que o mal estava na nossa mente, não existia nada de errado no "escuro"[desconhecido]. O mal fomos nós que criamos, é tão parte de nós quanto o bem.

Outro dia fui estudar umas referências da palavra “diabo”. Você sabia que em algumas culturas ela significa “inimigo”? E que muitas vezes nós somos nosso próprio inimigo? Se Deus vive dentro de nós, acredito que o diabo também viva. Antes que comecem o preconceito e as acusações contra mim, leiam com atenção: não sou anti-cristo, acredito em Deus e tenho muita fé! Ao meu modo. Apenas parto do princípio que julgamos como ruim e maléfico tudo o que desconhecemos ou nos é estranho e acredito que quando praticamos autoconhecimento percebemos que nós mesmos podemos ser maus também. Pessoas do mal. Não são as energias negativas que nos definem assim, são as nossas ações. Energia é energia em qualquer lugar do mundo, em qualquer religião, em qualquer época, o que a define como boa ou má é a nossa intenção – de que forma e com qual propósito ela é utilizada -. Constato que para alguns é mais fácil dizer que foi o diabo ou que a culpada foi a sociedade ou qualquer outra coisa, para no fundo livrar nossa pele da responsabilidade pelos nossos atos. Aí jogamos a resposta das nossas ações e decisões pra debaixo do tapete e tentamos acreditar que não somos responsáveis por nada.

O que eu pretendo dizer e gostaria que enxergasse nesse post?

Antes de mais nada, o que você quiser entender ou enxergar! Aqui é livre para interpretações. Agora, só não me responsabilize pelas suas análises. Pode estar vendo mais sobre você mesmo através do que julga estar nesse post. Eu aprendi e sinceramente acredito que julgamos os outros por nós mesmos.
Acho que somos energia pura e ela só será boa ou ruim conforme como agimos ou pensamos e atraímos o mesmo como resultado. Acho que existe Deus e o diabo dentro de todo ser humano (Um Amigo e um inimigo) e como na estória dos lobos, sobrevive aquele que você alimenta.
Eu descobri que antes de ter medo do que o mundo tem a nos oferecer, comecemos a nos preocupar com o que nós identificamos como perigoso, feio ou mal no mundo, porque através desses julgamentos podemos descobrir mais sobre nós mesmos e talvez toda essa maldade enxergada esteja apenas em nós.
Ao praticar autoconhecimento, eu percebi que posso ser tão cruel quanto aquele que eu julgo como mau e julga-lo nunca me colocará numa posição superior a ele, tampouco vai garantir que um dia os papéis não se invertam, porque nós dois temos uma coisa em comum: somos humanos. Dotados de falhas. Apenas fizemos escolhas e tomamos caminhos diferentes, e é claro que o resultado também mudou. Se eu não puder entender isso, me igualo a ele no erro.

Comece então a se responsabilizar pelas coisas que te acontecem, sempre prestando atenção na forma como você vê o mundo a sua volta e as pessoas ao seu redor, porque mais importante do que ver, é como enxergamos.


Nem todos aqueles que nós julgamos serem pessoas do mal são realmente pessoas do mal, mas em todas as vezes que julgamos um pouco de maldade tivemos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O MÉDICO E O MONSTRO


“Muita luz é como muita sombra: não deixa ver” (Carlos Castaneda)

Você sabia que um momento sombrio faz parte e te ajuda a compreender uma porção de coisas?

Nós temos dentro de nós mesmos todos os sentimentos e pensamentos humanos, são parte de nossa própria natureza. Coisas positivas e coisas negativas. Porém, sinceramente falando, eu não acredito que uma pessoa seja cem por cento certa, nem cem por cento errada. Nem cem por cento boa, nem cem por cento má. Somos um conjunto de misturas e contrastes. Características humanas. Coisas que se completam, se misturam e assim nós temos dentro de nós mesmos um pouco de sagrado e um pouco de profano também. Viver acreditando apenas num único caminho puro não dá, porque em algum momento as coisas vão se pigmentar. E faz parte da vida essa pigmentação...
A beleza do povo brasileiro é devido a isso, essa rica miscigenação, um conjunto de cores, sabores, raças, dons. A paisagem mais linda de um por do Sol nas montanhas refletido no mar, de repente se torna cinza e negra e nos apresenta uma tempestade ameaçadora cheia de ventos. E logo após, tudo como antes. Imperfeições? Não. Não necessariamente...
Em algum momento a natureza desequilibra buscando o seu próprio equilíbrio. Vemos isso numa cadeia alimentar. Em fenômenos naturais. Vemos isso o tempo todo dentro dos nossos próprios corpos. Você sabia que para dessalgar a carne seca se utiliza sal? Pois é, eu também me surpreendi quando ouvi isso pela primeira vez. Mas acreditem, é verdade. Na água que ferventa-se a carne seca é colocado sal e o próprio sal acrescido tira o sal da carne. É engraçado e surpreendente, como é a vida. O veneno da cobra é um ingrediente do remédio que cura o mal do seu próprio veneno. Na homeopatia chama-se coisas assim de similia similibus curantur (algo como “semelhante pelo semelhante se cura”), teoria de Samuel Hahnemann. Para os orientais, o símbolo Yin Yang significa quaisquer forças opostas e complementares onde uma sempre terá um pouco da outra e assim encontra-se o equilíbrio.

Durante muito tempo procurei esse equilíbrio constante, mas hoje sei que o equilíbrio só existirá havendo desequilíbrios. Nós só podemos saber por exemplo o que é um dia feliz em nossas vidas, depois de já termos enfrentado um dia difícil antes. E quanto mais difícil for uma fase ou determinada dor, mais ela nos ensina a viver com total intensidade e entrega os momentos felizes da vida. Apesar de ser muito contraditório, é assim. Para existir o que vence, alguém precisará perder. Se não haverá luz sem sombra, como dizer que as sombras não têm um papel fundamental?? Precisamos das luzes e das sombras, porque o equilíbrio é o meio termo. A fusão. O ser humano só evolui sendo desafiado, contrariado, quado ele é testado, e só cresce e se supera caindo e errando. Bem aventurados são os problemas, pois através deles é o caminho da evolução. Não evoluímos sem falhar, sem diferenças, sem dificuldades.

Eu acredito que em alguns momentos da vida todos nós passaremos por dificuldades sérias. Algumas delas poderão doer pra valer e sei que dará uma sensação de solidão, de fim do poço, de isolamento...só sensações ruins. Eu sei. Dói a beça passar por elas - já passei - ainda mais quando achamos que estamos sozinhos. Mas aprendi que tudo na vida são fases mesmo, como o nome diz elas passam. Mas precisam ser aproveitadas. Aproveitar a dor então?! Por que não!? Lavoisier dizia: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, porque tudo é realmente aproveitável. Só não se aproveita o nosso “não querer”, porque é o “querer” que tem poder. Sempre acreditamos que tudo tem que ser perfeito, redondo e que se encaixe facilmente, mas na verdade não é assim. Na vida real, no dia a dia, na prática os planos não são como projetamos nos papéis da teoria. Mas é aí que cabe a nós usarmos a nossa melhor e mais bela capacidade humana: se superar! Improvisar, saber lidar com o que veio contra os nossos planos e nos obrigou a sair da zona confortável, saber ser forte com as pancadas da vida e fazer a tal limonada. Não é fácil eu sei, mas esse é o caminho para crescer, não existe caminho retinho e perfeito, isso é ilusão. Após atravessarmos um período sofrido que nos encontramos mais fortes lá frente. Superados, revigorados e renascidos!

Por mais doloroso que seja o momento que você esteja vivendo agora ou por mais complicado que seja me entender, te aconselho: seja forte, paciente e que aprenda com ele. A dor que dilacera é a mesma que cria. A mão que vela é a mesma que bate e a mesma que ora. A luz é criada a partir da escuridão e esse caminho vai te levar ao fim do túnel. Aproveita o material produzido nesse momento. Seus pensamentos, suas emoções, suas percepções, porque elas te nutrirão mais a frente. Medite. Reze. Não tenha medo. Ninguém jamais imaginaria que de fezes se adubaria alguma coisa. E de um casulo a lagarta se transformaria na borboleta. Símbolo da evolução! Seja forte!


[Certa vez, perguntado qual a definição de luz]
“A luz... é a sombra de Deus...” (Albert Einstein)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quem gosta de escrever...


"Eu acho que, quando não escrevo, eu estou morta.[...] É muito duro o período entre um trabalho e outro e, ao mesmo tempo, é necessário para haver uma espécie de esvaziamento da cabeça para poder nascer alguma outra coisa. E se nascer...É tudo tão incerto!" (Clarice Lispector)


Gosto tanto de escrever. Quando você gosta muito escrever é como uma droga, porque a ausência dessa prática faz seu corpo doer. Como minhas mãos e antebraços doem agora. Quando não consigo dormir ou é difícil permanecer acordado, preciso escrever. Quando tentei ir por todos os caminhos e só encontrei portas trancadas, mas sei que as respostas estão aqui dentro em algum lugar, preciso escrever. Quando já tentei de tudo, já pedi a todos, já briguei com o mundo, quebrei a cara “de verde e amarelo” e não resta mais pra onde correr, preciso escrever. Quando criança, eu fazia muitas coisas erradas e pra muitas coisas eu era péssimo mesmo!, mas escrever eu era bom! Um papel na minha mão era uma ferramenta. Fosse para fazer bolinhas nos cantos da folha, fosse para escrever longas histórias e me encontrar nelas; era através dos desenhos e dessas linguagens tão particulares que eu me exorcizava. E aprendia muito. Porque escrever é só a ponta do iceberg...


Quando você chega ao ponto de escrever é porque já pensou tanta coisa, já sentiu tanta coisa, já fez tanta coisa!, e como não consegue entender nada disso, vai colocar tudo em palavras soltas para achar algo reconhecível. Ao olhar para o texto pronto é como se ele refletisse a sua própria alma nele e, mesmo que naquele momento você ainda não consiga enxergar o que se passa dentro de você mesmo, olhando para o texto você sabe que aliviou. Que exorcizou. Que algo desaguou. Escrever é um processo solitário, criativo, doloroso às vezes. Pior ainda quando você se depara com algo inesperado nesse processo. Mas é essa a vida de quem gosta de escrever. Não escrevo para ser entendido, aplaudido, seguido, muito menos admirado, eu escrevo porque não consegui me calar! Porque não fui capaz de simplesmente não escrever.


Quem escreve, e realmente gosta de escrever, tem o dom da palavra. E palavra, que é palavra, é expressa. É dita. É ouvida. É sentida! Calada é que não pode ficar. Quem escreve, por mais que não espere ser lido ou entendido, quer ser sentido. Porque o que ele tem pra falar, ele fala. Quem gosta de escrever – verdadeiramente gosta – não é adepto à mentiras – embora possa muitas vezes usa-las para dizer verdades. Não omite nada – embora muitas vezes usará de linguagem não-direta para dizer o que pensa. Porque ele pensa. Eu penso, o tempo todo... Vou mascarar minhas ideias e minhas palavras e como Charles Chaplin direi verdades brincando. Mas no fundo, disse a verdade. E no meio de toda essa bagunça saberei que, embora ninguém tenha entendido o que eu disse, ou não tenho gostado, ou até sequer tenha lido, pra mim valeu a pena.
Nasci pra escrever. Me lembro de quando pequeno utilizar símbolos, linguagens, sinais, qualquer forma de expressão para dizer o que eu pensava. Porque eu pensava. E hoje vejo uma porção de gente que não pensa. Gente que tem preguiça de pensar. Raciocinar. Quer tudo pronto, mastigado. Estamos nos tornando uma nação de pessoas que fala pouco. Que ouve só o que quer. E reage como querem. E assiste a tudo, passivamente. Falar pouco virou sinal de boa etiqueta. E eu que sempre achei que falar o que se pensa fosse sinal de caráter transparente.

Na infância, ficava isolado em qualquer canto de algum lugar desenhando formas sem formas, desenhos sem sentido, tentando me teletransportar para aqueles papéis. Na adolescência, me trancava no quarto e erguia o som muito alto para ninguém ouvir meus pensamentos. E agora adulto, utilizo o Blog: um espaço onde eu não me censuro!
Antes de escrever hoje, fiquei pensando no que exatamente iria falar, como falar e no fundo nem sabia o que colocar aqui. Mas se eu estava com vontade de escrever (meu corpo pedia isso), há algo a ser dito. Então me lembrei que criei o Blog não para ser exato. Ou concreto. Ou perfeito. O Blog é um espaço que eu vou encher de conteúdos que me motivam e inspiram, e vou mostrar a quem quiser ler como eu vejo o mundo. Não vivo num mundo paralelo, nem espero viver um paraíso surreal, mas esse espaço é uma extensão da minha vida; ela é intensa, com altos e baixos mesmo!, emocionante, cheia de aprendizados valiosíssimos – e quem me conhece sabe –, onde vou mostrar para os leitores, com a narrativa da minha própria história, que tudo tem saída! Nada na vida é para sempre. Nem bom. Nem mau. Tudo são lições para você aprender alguma coisa, que obviamente será necessário você saber no futuro e se tornar um ser humano mais digno, mais humano, mais feliz. E para ser feliz, a primeira coisa que você precisará aprender é: seja você mesmo!

terça-feira, 15 de maio de 2012

SE ACHA QUE DEVE VOLTAR. PARE AGORA E VOLTE!


“A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade.” (Pablo Picasso)


Terminei de ler o livro O Guardião de Memórias de Kim Edwards e ele é na minha opinião o melhor livro que já li até hoje. Muito porque me identifiquei muito com alguns personagens - como o David por exemplo - e como eles procuravam se entender (ou não se entendiam). A estória parece ser muito realista, ela poderia muito bem estar acontecendo neste momento, com nosso vizinho, com um amigo, com nós mesmos. Do meu ponto de vista, o personagem David tomou uma decisão muito errada, do qual ele nunca conseguiu se recuperar. Ele tentou buscar através da fotografia parar o tempo, evitar que as coisas ao redor dele mudassem, no intuito de evitar a dor. Só que fazendo isso ele prejudicou todos ao redor dele também, principalmente as pessoas que ele quis tanto proteger. A família. A sua esposa Norah e o seu filho Paul.

Esse livro me fez refletir em quantas vezes na vida nós cometemos deslizes ou tomamos decisões erradas e adiamos a resolução das coisas. É como se ficássemos dizendo a nós mesmos: "Deixa isso pra lá por enquanto, uma hora eu resolvo", "Isso não consigo resolver agora, amanhã eu converso...", "Preciso esclarecer aquilo, mas não vou dar o braço a torcer" ou muitas vezes "Isso já passou, agora a situação terá que se resolver sozinha". Duvido que ninguém nunca se disse frases como essas. Mas infelizmente tenho que dizer que a situação não vai se resolver sozinha e o que é pior, deixar o tempo passar só dificultará as coisas.
O personagem David tomou uma decisão muito errada, tentou a todo custo resolver as coisas, mas só conseguiu entrar em mais problemas. Tudo porque ele, verdadeiramente, não tentava resolver as coisas, e sim amenizá-las. Anestesia-las. Quantas vezes na vida não fazemos uma coisa para compensar outra. Ou tentamos dizer a nós mesmos que não tem como resolver uma situação ou que não somos capazes, mas no fundo no fundo o que estamos fazendo é fugindo. Fugir daquela conversa com os pais ou com os filhos. Fugir daquele acerto de contas com o amigo ou quando precisamos sentar e esclarecer coisas no trabalho. A gente simplesmente adia. É o famoso "deixa isso pra lá...". E o 'pra lá' vai ficando bem para lá.

Eu sou daqueles que, até certo ponto, concorda com a frase (que desconheço o autor) "O que não pode ser resolvido, resolvido está". Até certo ponto, porque entendo que às vezes é difícil mexer em certos assuntos, dói revirar algumas histórias passadas, é complicado lidar com algumas pessoas e a gente sempre fica se perguntando pra quê fazer isso agora, o melhor seria esquecer disso e seguir em frente. Só que não é bem assim que funciona as coisas. Cedo ou tarde precisamos nos confrontar com as consequências dos nossos atos. Mais dia menos dia temos que encarar os fatos ou ao menos tentar conversar com os envolvidos. Fugir, mentir, omitir nunca será a melhor solução para nada.

Eu posso falar com propriedade desse assunto, porque já passei por isso. Sei o que é querer resolver uma situação antiga, complicada, e não poder mais. Justamente não poder mais, porque a pessoa que falo já faleceu. A morte é um bom exemplo do que estou falando. É um limite de tempo. Tempo encerra! Não somos eternos. A gente não viverá para sempre e por essa razão a forma como vivemos é importante, é preciso tomar cuidado quando acreditamos que as coisas se resolverão sozinhas. Não se resolvem, antes de você gastar um pouco de tempo, energia e vontade de fazê-lo.

Se você está lendo esse post e por um acaso tem assuntos mal resolvidos que estão te incomodando a muito tempo, te convido a assistir ao vídeo seguinte e te aconselho a ler o livro O Guardião de Memórias e ver como pode ser catastrófico o resultado de um segredo guardado por tanto tempo e como pode modificar devastadoramente as vidas das pessoas ao nosso redor (inclusive a nossa) quando decidimos viver sem fazer pequenos ajustes em nossas relações.





[/ Como eu disse, às vezes pode ser tarde demais para reparar as coisas. Então, aproveita enquanto há tempo. Eu sou daqueles que acredita que tudo na vida tem um sentido, se você está neste momento lendo essas palavras, qual será o seu?? ]

sábado, 12 de maio de 2012

Be brave! Be brave! Be brave!




Depois de acabar de assistir esse filme [/bem nesse momento da minha vida!], apenas uma coisa fica em minha mente: - Será que é a vida que imita a arte... ou é a arte que imita a vida?!

terça-feira, 8 de maio de 2012

AMIGO OCULTO


Algumas vezes vivemos colocando obstáculos na nossa própria vida. Obstáculos que somos nós mesmos que criamos. É engraçado que ninguém percebe, nem nós. Quando vamos tentar uma coisa nova, seja arriscado ou não, muitas vezes somos nós que não acreditamos que conseguiremos. Nos boicotamos com insegurança, indecisão, com medo das coisas... Coisas essas que nem conhecemos ainda, nem sabemos se vão mesmo ocorrer. Mas o medo está ali. Emperra. Parece que imobiliza a gente.
Parei pra pensar sobre isso e vi que fazemos isso a vida inteira. Se vamos passar por uma experiência nova, estamos lá desacreditando de nós mesmos. Se precisamos tomar uma atitude, muitas vezes não tomamos, porque ficamos julgando se isso é correto ou incorreto... Afinal, quem é que pode saber com precisão a resposta? Ninguém... Podemos ser o nosso amigo ou o nosso pior inimigo. Quem vai dizer isso somos nós. Se colocarmos um obstáculo a cada passo, inundando nossas mentes de medo e ficarmos sem esperança é lógico que o resultado não será legal. Que resultado é bom assim, dessa forma!?

Acredito que nós sabemos algumas coisas sobre nós mesmos, mas verdadeiramente tudo, ninguém sabe. No fundo, nem mesmo nós sabemos o que de fato somos capazes. Se você dizer que é capaz, então é. Se não se acha, não será mesmo. É o primeiro passo... O primeiro passo em qualquer coisa que nos propomos tem muito a ver se acreditamos fielmente em nossa capacidade de conseguir. Se não colocamos fé no que fazemos é difícil - quase impossível - o outro acreditar.

Muitas vezes na vida, nós temos medo demais eu acho. Colocamos "pilha" demais nas coisas. Em cima nós mesmos. Ficamos enxergando coisas que não existem e ao invés de nos apoiarmos em confiança e esperança, ficamos com o pessimismo. Assim não dá pra viver. Entre as incertezas da vida, vamos ficar sempre com o pior?! O mundo não será um mar de rosas, isso eu sei, mas não precisamos esperar por um deserto sem oásis. Tudo o que acreditamos que está por vir começamos a viver agora. Ou seja, se achar que lá na frente não conseguirá, desde agora já fracassou. Porque assim você determinou. E o inverso é correto também, quem vê lá na frente que tudo vai dar certo, já começa a andar por esse caminho. O que você vê lá na frente é o fim de um caminho que começa onde você está pisando, lembre-se disso! Se procurar ver o pior, pelo pior já começou a andar... E é claro que isso não vai ser legal, nem terminar bem.

Seja seu amigo! Confie mais em si mesmo! Se estiver com pensamentos negativos demais, se tem se sentido sozinho às vezes, se nada tem feito muito sentido, lembre-se que você pode ser duas coisas para si mesmo: um bom amigo ou um grande inimigo. O que vai escolher? Faça a escolha, se alie consigo mesmo ou fique aí se criticando. Mas saiba que ninguém fará com você o que você não permitir, só vai acontecer aquilo que você der aval. Entre as incertezas da vida, permaneça ao seu lado. Respeite os seus limites. Valorize aquilo que você acredita. Porque é o que você acredita! Ninguém pode tirar as suas próprias conquistas, porque elas são suas, porque isso tem valor pra você! Construa um caminho bom e por mais que saiba que não haverá certezas de que esse caminho será perfeito, ainda é o que você escolheu e você será sempre a si mesmo um aliado.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Teoria, Técnica... e Fator Humano!









[/ Tenho tido tanta vontade de escrever que me é difícil segurar as palavras dentro de mim mesmo. É incrivelmente reconfortante os momentos de dor quando se analisa de outra forma. Estou lendo
O Guardião de Memórias de Kim Edwards e tenho gostado muito da atmosfera que o livro evoca. David, um dos personagens do livro, está desesperadamente aprisionado em lembranças que de alguma forma o confortam e Norah, sua esposa, vive uma vida totalmente pausada, paralelamente com a vida que ela desejou viver. O livro é muito tenso, realista, algo vivo... Quero saber onde isso vai terminar. ]


Quantas vezes não passamos por momentos difíceis sem imaginar que existe saída. É doloroso passar por essas experiências porque de alguma forma ela nos obriga a nos depararmos com a nossa pequenez frente à vida. Não somos nada! Não assim insignificantemente. Mas humildemente. Nunca paramos para analisar o tamanho do Universo e onde nos situamos nele; outro dia assistia a um vídeo de imagens do Universo e onde nós – planeta Terra – estávamos colocados. É interessante e ao mesmo tempo assustador constatar que somos um grão de areia, um cisco no cenário todo. O Universo é tão assustadoramente imenso que me atreveria a garantir que somos quase inexistentes nele. Talvez tudo seja realmente inexistente, numa tentativa de ser constantemente criado, já pensou?!?

Nesses momentos de dor é interessante como os nossos sentidos se aguçam e captamos melhor os sinais. Não sei se já percebeu, mas estamos o tempo todo sendo bombardeados por informações, imagens, matéria, que não nos damos conta que existe um “por trás” disso tudo. Eu sei que pra alguns talvez essa conversa esteja indo longe demais e parecendo muito complicada ou complexa; mas por que será que nos momentos mais decisivos a nossa atenção redobra e seríamos capazes de captar um mosquito voando?!
Seria porque talvez a nossa capacidade de interação com o que está ao nosso redor esteja invariavelmente ligada a como levamos a nossa vida. Vou explicar. Temos vivido tempos em que tudo é mostrado, explícito, notícias bombásticas e fatos mirabolantes a todo momento, que não estamos sendo capazes de captar o que está por trás das cortinas. Algumas coisas se ligando silenciosamente por trás do brilho dos holofotes como sinapses. Insights da realidade. E nós não vemos por dois motivos: primeiro porque estamos cegamente compenetrados no que está reluzindo e segundo porque não sei se estamos preparados ou queremos ver além do que nos é apresentado.

Aonde quero chegar com esse 'papo de louco'? Sei que você deve estar pensando isso agora e não o culpo, afinal a gente não ouvi muito sobre coisas assim e nos acostumamos a descreditar quem fala sobre isso. Mas o fato é que existe sim muito mais coisas do que de fato captamos e algumas pessoas que já conseguiram mergulhar além dessa camada superficial puderam ver. Nunca nos perguntamos em que momento Leonardo Da Vinci pintou aquelas belíssimas obras, certo? Quem sabe, o que move uma bailarina a dançar ardentemente no palco, enquanto seu corpo parece estar possuído por uma energia apaixonante? Ou em que momento um atleta recupera o fôlego já diminuto e escava dentro de si até encontrar a reserva inesgotável de energia para vencer a partida? Não... Isso não sabemos, porque a gente não capta. Porque é um sopro de vento delicadamente insensível e irrelevante que desencadeia o que muda a vida de um pobre homem. São forças de nossa própria autoria que desconhecemos mas que se integram ao todo e transmutam as coisas.

Estamos nos programando com comandos através de ensinamentos e práticas tão práticas que nós não conseguimos nos permitir aprender em que momento entram os ingredientes que dão vida a receita: intuição, intenção, criatividade. E é aí que quero entrar. Qual é a medida certa para um café perfeito? Por que duas pessoas com receitas idênticas provocam sabores diferentes? Por que o olhar das pessoas para a mesma direção captura cenas distintas?
Porque depois do conhecimento e da prática entra na minha opinião outra coisa chamada “fator humano”. A dignidade da arte (em qualquer coisa que imaginar) não é ensinada e você jamais vai acertá-la mesmo depois da milésima tentativa. Sabe por quê!? Porque você vai ter que encontrar primeiro algo que dou a minha vida ao afirmar que Leonardo Da Vinci conhecia. Santos Dumont, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector também devem ter conhecido. Fator humano. Ele ultrapassa a teoria e a prática das coisas e faz o mendigo rico e a parte barro sagrada, através de algo que eu não saberia – nem que quisesse – explicar. Porque sou humilde demais ao admitir que é um estágio em que já Não importa o que você tem aprendido e Não importa o quanto você tem praticado, você simplesmente faz como nunca antes. E aí do nada o sagrado se cria. A singela tela ganha vida. A dança imortaliza a bailarina e a canção toca o cantor. Neste ponto acontece o que chamamos de Alquimia. A capacidade de transformar o que for de mais rústico em obra de arte.

Não estou aqui tentando dizer que encontrei o “fator humano”, nem mesmo que esse seja seu nome ou que sei como utiliza-lo. Não. Quero dizer que em algum momento da nossa vida todos nós já nos deparamos com ele. Quando? Quando você fez aquele prato sem receita, medindo os ingredientes pela intuição. Ou quando você mirou despretensiosamente e terminou acertando em cheio. Quando descobriu e manipulou um talento natural, sem nunca ensaiar. Quando – plagiando Jean Cocteau – não sabendo que era impossível, você foi lá e fez. É nesse momento que aconteceu a Vida! Aí Ela se revelou, manifestando-se num breve espetáculo diante dos seus sentidos desacostumados a captá-la.

Sabe o que seria bom que você fizesse? Que ajustasse os seus ouvidos para captar esse silêncio e os seus olhos para enxergar além do que lhe é aparentemente mostrado. Programasse-se para as surpresas, desacostumando-se do óbvio. Pelo contrário, inove cada dia mais! Descubra um dom e não espere, simplesmente aconteça, você é capaz disso. Há algo que apontará corretamente o caminho, apenas siga o fluxo que o suga. Sem pretensões gloriosas e sem lamentações, desprepare-se, desarme-se e se liberte. Então vai descobrir o que talvez grandes pensadores, pintores, músicos ao longo das suas vidas descobriram: a vida como uma forma criativa de existir, onde somos livres para criar o que quisermos... Experimente. Acredito que quando entendermos isso, seremos capazes de ir muito além do que acreditamos que podemos, sabe por quê? Porque nós somos um mar aberto, navegável, de infinitas possibilidades...

Tente!





“Querendo, mentalizamos; mentalizando, agimos; agindo, atraímos; e atraindo, realizamos.” (Extraído do livro Sinal Verde, espírito André Luiz e psicografia de Chico Xavier)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

É difícil se assumir frágil


“Um braço vigoroso não é mais aguerrido contra a lança do que um braço frágil; são o caráter e a coragem que fazem o guerreiro.” (Eurípedes)


Ultimamente tenho vivido um momento intimamente difícil e envolve duas causas muito comuns: fragilidade e transparência.
Noto como para a sociedade em geral “pega mal” errar, perder, chorar, assumir-se fraco. A fragilidade é mal vista pela grande maioria e por conta disso ostentamos uma imagem forte, cheia de segurança, por medo do que vão pensar. As palavras seriam essas: fraqueza e instabilidade. A grande maioria ostenta um sólido sorriso largo no rosto, mas nunca uma decepção. As casas porta a fora são lindas com a grama sempre bem aparada e porta a dentro há desconhecidos. Quaisquer imperfeições ou desafetos são rapidamente retocados com algum tipo de plasticidade. O que rola no interior de tudo a gente não sabe, porque isso a gente nunca vê.
Esse post é sobre essa fragilidade disfarçada. A “necessidade” de toda essa força. Por que será que transparecer dor, perda, fragilidade é tão difícil?

Pra mim é muito difícil! Às vezes pra admitir uma derrota é algo mortal. E transparecer isso é vergonhoso até. Algo como se o teto desabasse sobre a minha própria cabeça e todos estivessem assistindo. Errar, perder, “dar com a cara no muro” depois de tomada uma decisão muito acertada são coisas que podem acontecer, são os riscos de nossas escolhas, mas quando acontecem comigo jamais admito aos outros. Raramente admito a mim mesmo!
Transpareço minhas opiniões, minhas decisões, minhas atitudes deixo claro na medida do possível, tudo no intuito de acertar. No entanto quando erro nada transpareço, por orgulho, vaidade, por medo, insegurança, por não aceitação...
Já faz um tempo que me pego agindo assim, fazendo força demais pra transparecer estar muito melhor do que realmente estou. E é engraçado que fazemos isso sem nos dar conta. Identifiquei esse comportamento e tenho procurado refletir melhor minhas atitudes.

É humanamente impossível acertar sempre, mas bancamos estar sempre certos por medo de sermos rotulados ou não entendidos. O medo do que os outros podem pensar nos emperra. Mas não dá pra viver bancando a “rocha humana” e escondendo feridas para mostrar-se perfeitamente bem. Além de não ser uma verdade, se comportar dessa maneira não muda nada. Só traz mais dor de cabeça. E o que pior, se não demonstramos sinalização de dor ninguém pode ajudar quem não precisa de ajuda.
Acredito sinceramente que a vida é composta por fases com altos e baixos. Ora sol ora chuva. Verão e inverno. A própria natureza se destrói no intuito de construir algo novo. Tudo vai se modificando, se transformando a partir de um caos. Após o desequilíbrio a tendência é a estabilidade. O que acontece talvez é que como não somos capazes de enxergar o cenário todo de uma vez, não vemos toda essa sistemática maravilhosamente interligada e então encaramos as oscilações como erros definitivos. Falhas onde algo não deu certo. Então vivemos procurando onde erramos, até no fim nos darmos conta de que não havia erros fatais, tudo foi passageiro. Foi necessário mesmo quebrar os ovos para a omelete.

Problemas vem e vão. A vida oscila. Não vejo nada na natureza que seja uma coisa só o tempo todo, é normal mudar. Se tudo a nossa volta se altera, como podemos querer sentir uma coisa só todo o tempo?
A gente não foi feito de pedra, somos de carne e osso. Material perecível. Creio que mesmo os piores momentos da vida vêm com o propósito de nos ensinar. Os japoneses têm um provérbio que gosto muito que diz assim: “Na alegria, seja a alegria; na dor, seja a dor”. Pra mim esse provérbio significa transparecermos o que sentimos independente de qualquer coisa. Por mais que saibamos que tudo é passageiro e que mesmo os problemas fazem parte de um final acertado, é preciso sentir, viver e aprender com cada fase da vida do jeito que ela é e isso não significa nos mostrar fracos ou entregues, é apenas sermos sinceros. Porque deve ser ruim demais estampar um belo sorriso no rosto, quando por dentro se está em pedaços.


“Sou frágil o suficiente para uma palavra me machucar, como sou forte o bastante para uma palavra me ressuscitar.” (Bartolomeu Campos de Queirós)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Engrenagem e a Energia


"Se fossem escolher entre alternativas, as decisões seriam fáceis. Uma decisão inclui a seleção e a formulação de alternativas." (Kenneth Burke)


Para você não sei como é decidir, mas para mim tomar uma decisão é sempre muito importante na vida, é algo inevitável, e que de certa forma, pouco ou muito agressivamente, mudará tudo. Acho ainda mais difícil quando estou decidindo o que fazer. O processo que antecede a tomada de decisão. É solitário. Perturbador. Dilacerante. Revelador. Ponderar. Admitir. Escolher enfim! É realmente uma fase complicada, exige muita honestidade! Mas quando enfim chego a uma decisão, não importa qual ela seja, me sinto livre para girar com a vida. A tomada de decisão pra mim é mais fácil.
Creio que é sempre muito enriquecedor decidir, é um direito, e embora não seja fácil e às vezes até doloroso, terminamos sempre descobrindo alguma coisa sobre nós mesmos que não tínhamos percebido até então. Muito através do que escolhemos deixar para trás. Acredite se quiser, mas suas decisões mostrarão muito mais sobre você mesmo do que pode imaginar.

Admitir que uma relação afetiva não dá mais, pôr um ponto final numa amizade, se dar uma pausa pra refletir ou mesmo escolher um outro emprego são coisas difíceis de fazer. Porque envolve muita coisa e termina incomodando muita gente também, eu sei disso. É mais fácil jogar o jogo!
Agora, nunca tomar uma decisão importante, ficar se esquivando mesmo sabendo que uma situação não dá mais, é se omitir, pois após avaliado que algo não está bom e não tomar uma atitude para mudar é consentir que de certa forma talvez bom nunca irá ficar – e nem de longe isso é pessimismo.

A vida é feita de momentos assim como esses. Estou passando por um agora. Ou o ignoro ou encaro essa situação. São momentos em que observamos o caminho percorrido com uma seriedade diferente, o olhar absorto, a postura rija, os pensamentos inquietos, onde sabemos profundamente que alguma coisa lá no fundo se moveu, apercebemos a mudança, e por essa razão algumas coisas do jeito que estão não podem mais ficar. Quem conhece a si mesmo é como um rio familiar, sabe muito bem onde dá pé e onde é fundo demais. Conhece as margens e a profundeza. Acredito que quando ultrapassamos esse limite conscientemente pagamos o preço por esperar por qualquer coisa. E esse resultado pode não ser do nosso agrado.

Uma coisa garanto, a vida não irá parar independente do que escolher. De uma forma ou de outra as coisas acontecem, não porque determinamos assim, mas porque é assim que funciona, não controlamos a vida. Controlamos sim, as nossas escolhas e as nossas atitudes, mediante o que está acontecendo e isso acabará mudando insensivelmente tudo ao nosso redor. Por esse motivo, cada pessoa precisa ser capaz de escolher com honestidade, com consciência e ter coragem de seguir com isso. A vida é como uma incrível engrenagem e toda vez que decidimos algo colocamos ela pra funcionar e giramos com ela. Pra mim, não decidir é não viver. É escolher não viver. E optar pelo que não é realmente significativo a nós ou buscar o que não está alinhado aos nossos valores, também não é viver. Pelo menos não a nossa vida. É estar vivendo, co-existindo a vida de uma outra pessoa.

Seja bom ou ruim o resultado de uma decisão é ainda melhor do que não decidir, porque no fim o que importará não é o resultado e sim ter escolhido viver a própria vida ou invés de esperar que a vida simplesmente passasse.
Por um momento agora reflita: que decisões têm tomado e quais nunca tomou?



"Toda decisão que você toma - toda decisão - não é uma decisão sobre o que você faz. É uma decisão sobre Quem Você É. Quando você vê isso, quando você entende isso, tudo muda. Você começa a ver a vida de um modo novo. Todos eventos, ocorrências, e situações se transformam em oportunidades para fazer o que você veio fazer aqui." (Neale Donald Walsch)

segunda-feira, 26 de março de 2012

...




[/ "Quando se cultiva a fé, o Universo responde favoravelmente" (Autor Desconhecido) ]

quinta-feira, 15 de março de 2012

VOCÊ ESTÁ CERTO DISSO??


"Quando

Quando eu me encontro com meus desencontros
E vejo que perdi tempo nos meus contratempos
Eu tenho vontade de chorar.
Uma visão clareia e me lembro e relembro
que eu saía por todos os cantos a procura de
encantos
Que estavam justamente no meu lar!"
(Neimar de Barros)


Há um tempo atrás uma pessoa criticou a cor preta do layout do meu Blog e as letras serem pequenas, fez alguns comentários sobre isso e concluiu que o fundo preto atrapalhava a sua leitura. Mesmo sabendo que na criação desse espaço meu foco não teve inspirações no Design ou em Marketing e Propaganda, fiquei quieto, pensativo. Tinha a resposta pronta na cabeça e na ponta da língua pra dizer. Mas me segurei. Ainda não sei porque exatamente me contive, mas optei pelo silêncio. Hoje vou revelar então. Se o proprietário da pergunta estiver lendo encontrará sua resposta, caso não, a vida certamente se encarregará de lhe ensinar como comigo aos dez anos de idade...
Bom, para começar a explicar porque esse Blog tem fundo preto e suas letras são pequenas precisarei contar uma história. Minha história...

Quando criança eu não sabia qual era o significado da palavra "Preconceito", tampouco pensava sobre isso. Para mim as pessoas deviam ter o mesmo jeito de ver a vida (o qual eu tentava constantemente me enquadrar) e o correto era se manter firme nessa igualdade, pois ali era seguro. Raramente eu agia de forma diferente da habitual, repetia os meus conceitos sobre as coisas e me segurava neles cada vez que encarava uma diferença. Fosse de jeito, de cor, de religião, de sexo... Então posso afirmar que eu, mesmo sendo uma criança, era preconceituoso.

Meu pai em sua juventude adorava ler e por causa desse hábito adquiriu diversos exemplares no decorrer dos anos, até eu chegar. Até eu chegar, porque não me lembro de presencia-lo lendo muito. Mas me recordo de diversas vezes mexer nas cômodas e xeretar nas gavetas dele, em busca de “tesouros”. Sempre fui muito curioso.
Eu devia ter nessa época uns sete ou oito anos e numa dessas aventuras pela casa, em busca de novidades, encontrei a pilha de livros antigos do meu pai. Livros de aulas de inglês, livros de francês, literatura portuguesa, romance policial e um em especial que sempre me chamava a atenção. Chamava a atenção mas me recusava a abri-lo. Male male o olhava e já punha na cabeça que era algo estranho, errado, um livro que não devia sequer ser tocado e assim ficava. Muito porque o livro tinha uma capa preta e era intitulado “Deus Negro”! Nem preciso dizer que a cor preta por toda vida foi símbolo de algo errado, sujo, mal, aposto à luz. E por se tratar da palavra “Deus” ele me remetia à religiosidade e “Negro” a uma religiosidade negativa. Que preconceito o meu... Como eu estava sendo ignorante e injusto...
Assim passei muito tempo (que na infância dura séculos) me recusando a ler o livro Deus Negro, do Neimar de Barros. Cheguei a bisbilhotar pelo inglês, pelo francês, arrisquei a literatura portuguesa, conheci naquela pilha Shakespeare e Os Lusíadas, mas quando chegava esse livro eu fechava a cara e saia do quarto. Com consciência que estava fazendo o que era certo.
Com dez, talvez onze anos, num belo dia a curiosidade me venceu (graças a Deus!) e fui abrir o “tal” livro. Houve todo um ritual! Como achava que o que ia fazer era errado, que ia mexer com um livro de macumba, esperei ficar a sós em casa e, em segurança, fui folheá-lo. Já nas primeiras páginas descobri uma grande verdade! Descobri algo que, desde então obrigou-me a uma mudança, chegando ao Jonas que aqui escreve esse post...

Quem teve oportunidade de ler esse livro já entendeu o que estou falando e o porquê nas primeiras página sentimos, através das palavras muito sábias do autor, um verdadeiro “tapa na cara sem mãos”. Não me lembro, exatamente, das suas frases, porém já no começo Neimar de Barros revela o porque o título “Deus Negro” e descreve o preconceito das pessoas antes de ler o livro. O autor sabia que seu livro seria um perfeito alvo de preconceito, por causa justamente de todos os detalhes estrategicamente escolhidos da capa. Ele tinha consciência disso. Quem não tinha era eu.
Do momento que vi o livro pela primeira vez até finalmente abri-lo, passou-se anos. Mas após ler o livro por completo e me apaixonar pelo que estava ali escrito, descobri a seguinte verdade: às vezes perdemos grandes oportunidades na vida por julgar as coisas sem de fato conhecê-las. Desse livro em diante descobri o que é o preconceito e como ele pode engessar uma pessoa por falta de conhecimento. Me comprometi então a toda vez que passasse por uma situação como essa, não esperar se passar anos para tomar uma atitude e me prometi refletir e reciclar constantemente os meus conceitos sobre as coisas.
Mesmo na época eu sendo uma criança fui capaz de constatar por experiência própria o quanto o ser humano teme aquilo que é diferente e por ignorância o afasta de si. E após ler o livro pude perceber que se cada pessoa procurasse reunir mais coragem para “abrir os livros da vida" nós descobriríamos importantes ensinamentos em todos os setores.

Daí para o Blog Tibet, foi um passo! O fundo do meu Blog é preto em homenagem a ideia desse livro, Deus Negro do Neimar de Barros. Assim, quem entra nesse espaço pela primeira vez pode ter, numa primeira impressão, algo negativo para sentir, incomodador, porém, somente aquele que se permitir ir além da aparência, sem julgar e se esforçar para ler as letras miúdas, descobrirá que como esse Blog: as coisas são bem maiores e melhores, numa segunda olhada...


E você: não há nenhum “Deus Negro” em sua vida?



"Existem muitas maneiras de usar a vontade, a mais covarde delas é a vontade de não usá-la." (Neimar de Barros)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Personalidade própria


“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarice Lispector)


Existe um tipo de pessoa que é muito rápida e habilidosa para falar negativamente sobre as outras. Sobre aquelas que pensam e vivem um pouco diferente da forma habitual do grupo. É um tipo de pessoa que se presta a fazer um papel e não são muito honestas consigo mesmas. São os famosos sorridentes de uma festa, os convidados tão esperados, os socialmente bem recebidos. Mas o que me faz não ter um pingo de apreciação por esse tipo de pessoa é que no fundo posso ver claramente as reais intenções, o que transparece atrás da máscara aparentemente bem colocada. As ruínas habilidosamente escondidas por trás de um castelo de cartas não são capazes de iludir e só me deixam com a pergunta se para a pessoa isso vale a pena. Já estive muito tempo comigo mesmo para me aceitar como sou e ter a certeza de que é uma tarefa impossível estar bem com todo mundo. Sempre haverá aqueles que gostam de criticar maldosamente o que você faz... Tenho pena de gente assim. São pobres de espírito.

Observando a vida e o comportamento das pessoas aprendi que todos temos jeitos diferentes de agir, de falar, de se exercer. E cada personalidade tem o seu lado positivo e negativo – o que depende muito de quem vê. Todos temos falhas, essas coisas que não gostamos muito em nós mesmos e que são o alvo de críticas. Agora, em qualquer lugar por onde passei e qualquer que seja a pessoa que conheci, uma coisa pra mim se tornou fato: nós precisamos nos aceitar antes dos outros. Porque se a gente não se gostar, ninguém vai.
Alguns dizem que sou anti-social, calado, sério demais. Embora eu compreenda a razão disso, e que isso consiga me chatear algumas vezes, fico feliz por pelo menos não ser chamado de falso, mentiroso, desonesto por exemplo, já que para mim isso sim me incomodaria demais. Eu sei que não sou o senhor da razão – e posso garantir também que nunca me candidatei a esse papel –, mas não faço o que não quero para ficar bem com quem no fundo nem gosto.
Aprendi desde muito jovem a não me acostumar com as coisas, é da minha personalidade agir. Falar. Me defender. Levanto se preciso o troféu do chato-crítico, mas jamais a bandeira do mascarado do ano.
E no fundo eu sei que apesar dos pontos negativos da minha personalidade (como todos têm os seus), as pessoas sabem que podem confiar em mim para uma conversa, para encarar uma jornada com um amigo leal, para enfrentar um problema difícil. As pessoas sentem que podem contar comigo nessas horas, pois eu sou aquele tipo de cara que, quando meio mundo já desistiu e virou as costas, eu estarei ali segurando firmemente as pontas, já que disse que o faria. Eu não sei ser o que as pessoas esperam, mas sei exatamente ser o que elas merecem!

Quando temos coragem de nos conhecer a fundo e olhamos com clareza para nós veremos que temos diversas características, que uns chamam de positivas e outros de negativas. O fato é que é impossível viver uma vida toda moldando esses dois pólos para ir se encaixando. E seja isso em casa, na escola, no trabalho ou na sociedade. Porque quando a gente passa tempo demais agradando aos outros e rindo para todo mundo, quando no fundo o movimento interno é contrário, é algo sério demais. Diria até perigoso, pois enquanto estamos anulando essa cobrança interna, a vida está nos cobrando caro por isso. Passar a vida fazendo apenas o que os outros permitem é superficial. Entendi, já nas aulas de História na escola, que a Humanidade só avançou aos trancos. Graças aos rebeldes, as mulheres que queimaram sutiãs em praça pública, a homens que foram a forca por assumir a verdade e por multidões que lutaram ativamente pelos seus direitos. Ser honesto, franco e firme são características difíceis e complicadas para uma sociedade cheia de hipocrisia, mas devo afirmar que se não lutamos pelos nossos direitos ninguém o fará por nós. Se nos acostumarmos facilmente a viver mentiras, talvez nunca saibamos qual é o caminho para a verdade.

Para mim fica claro que existem inúmeras personalidades e características relativas, mas o que vai determinar as coisas é a coragem de cada um de assumir isso. O que falta em muitas pessoas é assumir as coisas.


“O homem de palavra fácil e personalidade agradável raras vezes é homem de bem.” (Confúcio)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AH VÁ! TÔ NEM AÍ...


[/ Parar e me entregar à vida no fim é a única coisa que posso fazer depois de ter tentado tudo que eu podia. Já xinguei, briguei, me estressei demais por coisas que não vou compreender. Nem controlar. Quer saber... tô nem aí! rs rs ]


Em alguns momentos na vida você perceberá que algumas coisas não estarão no seu controle, porque simplesmente a vida quis assim. E a única coisa que você poderá fazer é erguer as velas, sem poder ainda escolher a direção do vento, e deixar que a vida o empurre pra algum lugar. Seguir o fluxo... São nessas horas que enfrentamos a força da vida.

Quantas vezes você não se prepara para um compromisso importante e no dia cai o maior "toró" d'água?? É assim mesmo... rs
Ou naquele dia perfeito que você está super preparado para uma apresentação que, na hora H, não vai saber o que falar - e ainda vai gaguejar! Acontece... rs
Porque choveu na praia.
Você passou mal bem no dia da viagem tão esperada.
Porque Aquela pessoa vai te dar o belo "nãO" na cara, e você não estará preparado pra isso...
E vai fazer o quê? Essas coisas acontecem, não dá controlar! Sinto dizer... rs rs

Porque essa é a certeza do caminho incerto.
É a resposta para a pergunta que você ainda não conhecia.
Porque você passará 10 mil vezes por ali até perceber que girou em torno do que queria.
Porque essa benDita vida é assim!! Não tem jeito!!!
Porque entre tantos desencontros, controvérsias e contradições, o que é pior é que você termina se encontrando. Da mesma forma que hoje tudo parece bagunçado, amanhã tudo se encaixa (é só você não esperar).
Então não espere!
Não se prepare!
Não treine!
Não tenha tanto cuidado assim.
Se importar tanto pra quê!? No fim tudo sairá diferente mesmo. As palavras serão outras, o vento soprará na direção oposta, o "sim" será "não", o Sol vai desaparecer e o tempo fechar. Entre as milhões de maneiras certas, você escolherá a errada e vai terminar metendo os pés pelas mãos novamente. Vai dizer que não!? rs rs


[/ Se quer um conselho... Coloca um chinelo havaianas no pé, um óculos na cara, um fone no ouvido com um som muito doido e dane-se o resto. Pode cair o mundo, porque hoje: Ah vá! Eu tô é nem aí!!! rs rs rs ]

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nada muda


[/ Parado, quieto, absorto com meus pensamentos na minha mesa no trabalho, tenho a impressão que nada muda. Que por mais que tudo ao meu redor esteja em constante movimento, em frenética transformação, na cadeira eu continuo o mesmo. Parado. Quieto. Ansioso e com raiva. Nada muda... ]


Não sei se você já percebeu que a vida tem um certo prazer em nos contrariar. Parece até provocação. Quando achamos que já dominamos o jogo a vida muda as regras; quando achamos as respostas a vida muda as perguntas; quando achamos as perguntas a vida muda as respostas; quando nos acostumamos com as pessoas vem a vida e muda todo o cenário novamente. É quase loucura!
No meio de toda essa combinação de interesses aparentemente contrários entre a vida e eu, fico ansioso e com uma tremenda raiva. Nada muda.

Quando a gente está estressado com algo ou triste por alguma coisa, tudo ao redor parece nos irritar. Uma coisinha que antes talvez não daríamos a menor importância pode ser a causa central da nossa ira, do nada. Num momento é paz, noutro é guerra. Vou do céu ao inferno em instantes na minha mesa e percebo como tem sido fácil sentir raiva. Meu computador sem aviso prévio não responde aos comandos, raiva. As pessoas - parecem - não entender o que eu falo, raiva. Eu não entendo o que as pessoas falam, raiva. O maldito relógio na tela do pc não acompanha minha vontade, raiva. Uma tentativa frustrada de controlar toda essa raiva, mais raiva. Por fim, nada muda!

Poderia citar inúmeros outros exemplos que me causam profunda irritação, e tenho certeza que estressam meio mundo também nessas horas, mas o ponto principal sei que não está na raiva. Porque senti-la é fácil; somos humanos, é inerente a nossa condição. O ponto é como lidar com isso no dia a dia... De acordo com Aristóteles: "Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil."

Nesses momentos em que estamos com o "saco cheio", que dá uma vontade de partir pra briga com meio mundo, a única coisa que observo é o mecanismo de vazão, que obviamente tem duas saídas: uma externa e outra interna. Na explosão posso dizer o que no fundo não queria ter dito (ou talvez sim), da forma mais injusta e inadequada possível, no pior momento e muitas vezes pra quem não tinha nada a ver com a história. Na implosão o mais prejudicado sou eu, guardo toda a raiva que obviamente ficará sendo nutrida e curtida com o tempo, até o momento de um futuro "acerto de contas"... aí virá tudo a tona, em dobro.
Em suma, todos perdem quando não somos capazes de nos controlar!

Às vezes fico me perguntando porque tudo não muda, porque tudo não é mais fácil. Porque as pessoas simplesmente não cuidam da própria vida ao invés de gastarem tanta energia e tempo com coisas alheias. Porquê não se preocupam mais com a própria consciência, com seus atos e palavras e facilitam a convivência, ao invés de ficarem umas sendo obstáculos às outras. Juro que às vezes, sentado na minha cadeira, fico me perguntando coisas assim. Por que nada muda?!

Aí no meio desse monte de porquês, é como se a vida me dissesse (em letras garrafais) que sou só um grão de areia na praia. Humilde e insignificante. Que existem milhares de maneiras de existir nesse mundo - não só a minha -, que não somos robôs, que ninguém é perfeito, que não sou o dono da verdade e que os "tais" obstáculos que eu vejo é o que gera a evolução, que o drama e as complicações somos nós que fazemos e que, no fim, eu ainda vou olhar pra trás e rir de tudo isso.

De repente então, é aí que percebo o que insistimos em esquecer: Quando nada muda, quem deve mudar somos nós! A raiva pode ser uma ótima matéria prima para grandes realizações quando canalizada positivamente, porque se transforma em impulso criativo. E do contrário, quando mal administrada se torna um impulso destrutivo. Tudo é uma questão da forma como vamos trabalhá-la.


[/ “Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.” (Buda) ]

domingo, 25 de dezembro de 2011

A diferença entre qualidade e quantidade














[/ Antes de começar esse post quero agradecer de coração todas as pessoas que ajudaram nessa campanha de natal, foi um sucesso. Tanto que não conseguimos contar quantos presentes ao certo conseguimos. Mas certamente foi um novo recorde. Graças a Deus! Obrigado a todos! ]



Nesses últimos dias pra encerrar o ano, a gente tem o costume de parar e refletir o que “ganhamos” durante os meses que passaram. É um costume de todo mundo. E algumas vezes pegamos pesado nesse julgamento que damos a nós mesmos.
Eu particularmente desisti há muito tempo de olhar pra trás o tempo todo e procurar onde foi que errei e o que eu poderia ter feito melhor; vivo um dia após o outro, com consciência e honestidade comigo mesmo.

Mas para ser sincero, mesmo sempre refletindo, se não tomo cuidado me percebo facilmente me julgando por alguma atitude ou pensamento, numa tentativa de compreender a relação dos meus movimentos passados com as suas consequências, para minimizar um sentimento de culpa. Um medo de ter feito algo errado. Pra isso estou sempre em vigia de mim, pra não querer compreender de mais a vida ao invés de apenas vivê-la e entender de mais as pessoas ao invés de apenas me relacionar e aprender com elas. Sem tantas expectativas. Sem tantas cobranças ou julgamentos. Sem tantas regras. Sem fórmulas e menos na teoria. E é difícil assumir isso...
Ao menos posso dizer que hoje melhorei bastante e já não vivo mais me massacrando por analisar a vida e dar o veredito: insatisfatório. Até porque, de verdade, a gente nunca sabe onde acertamos e o que está realmente errado. Muitas vezes o que julgamos ser um erro, um passo em falso, lá na frente pode ter sido isso a grande sacada. É o tempo que vai nos mostrar as coisas...

Hoje as análises para arremate de ano são diferentes pra mim. São mais simples e sem tanto rigor. Primeiro, analiso como estou me sentindo: o meu estado de espirito. Se estou calmo e feliz, em paz comigo mesmo e com os outros, se estou agradecido com a vida e além de outros sentimentos positivos, se carrego também a esperança de um novo ano ainda melhor, é sinal que pouco importa onde acertei ou errei. O saldo final é a paz de espirito. E isso é muito difícil de se alcançar, porque ela dá ao portador a sensação de bem estar independente de qualquer coisa. Não tem preço, não tem como comprar, não se adquiri sem viver. Nem sem cair. É um processo.
Segunda coisa que eu faço é refletir o que o ano quis me ensinar como lição principal. Nesse em particular – 2011 – aprendi a diferença entre qualidade e quantidade. A diferença dessa diferença na vida de uma pessoa.

Na primeira parte do ano pude sentir como é viver colocando nas coisas números. Custos, valores, níveis... E nessa linha senti qual é o preço que a vida cobra quando nos baseamos por: quanto isso custa, quanto tempo isso leva, quanta energia isso gasta, quais as expectativas, quais as consequências, qual o risco, quanto, quanto, quanto...

O preço é um vazio.

Chega um momento que, quem vive apenas lidando com números e valorizando resultados, se perde. Perde-se de si mesmo. Perde a autenticidade. Perde a própria identidade. A pessoa se esquece que é um ser humano de carne, osso e essência e que vive em sociedade, e passa a viver conforme regras, metas e controle. Focando apenas o lado material da vida.
Foi aí que notei que pra Vida nós não somos números de RG e de CPF. Nós não somos números numa empresa. Nós não somos números de uma conta bancária, tampouco o nosso valor é o que ela acusa. Somos pessoas! E não podemos calcular o preço de um abraço, o valor de uma palavra, não podemos quantificar emoções, sensações, percepções. E que isso a gente não ensina, não aprende, a gente desenvolve sozinho.

A partir daí resolvi fazer o movimento contrário. O fluxo inverso. Decidi focar em qualidade na minha vida. Nos meus relacionamentos. Na forma como eu vivenciava as experiências. Nas minhas palavras. Nas minhas atitudes. E resolvi fazer isso de forma mais efetiva, mais na prática e menos na teoria. Percebi que quando o foco de uma pessoa é qualidade e não quantidade, coisas precisam mudar. E mudar nunca é fácil. Mudar exige adaptações às vezes severas e adaptações exigem sacrifícios.
Mudei de emprego. Mudei de amigos. Mudei de ares. De hábitos. De pensamentos. Mudei minhas palavras, minhas ações. Minhas intenções. Quando o foco é a qualidade não importa a quantidade de amigos que você tem ou a quantidade de convites que você recebe por exemplo; como também não importa o quão alto seja o seu salário ou prestigioso seja o seu cargo no trabalho. Desde que todas as relações sejam maduras e saudáveis baseadas em confiança mútua e companheirismo, e que profissionalmente você ganhe um salário justo para desempenhar um cargo que te preencha e te faça feliz. Acredito que a base para uma vida com qualidade seja buscar aprender com as pessoas, amadurecer com os erros e focar em felicidade original, porque no fundo no fundo cada um de nós sabe muito bem o que nos faz feliz.


[/ Busque na sua vida o que realmente te faz feliz e pra descobrir isso pratique auto conhecimento. Eu te desejo do fundo do meu coração um Feliz Natal, um Ano Novo próspero, com muita saúde, paz de espírito e alegrias ao lado das pessoas que você ama! E que venha 2012 repleto de novas conquistas!!! ]


sábado, 3 de dezembro de 2011

ESPIRITUALIDADE

*Estrela de Davi ou Selo de Salomão

[/ “Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião

E disso os loucos sabem

Só os loucos sabem

Disso os loucos sabem

Só os loucos sabem” ...



Já faz um tempo que estou ensaiando como vir aqui falar de um tema tão importante que tem me respondido diversas perguntas. Vejo que estamos entrando numa fase da humanidade que nunca nos deparamos tanto com ele. A espiritualidade. Que não se confunda com religião, unicamente. Espiritualidade é muito mais amplo que uma religião em si ou um Deus supremo. Espiritualidade é a capacidade de crer, ter fé incondicionalmente e orar a nossa maneira. É experimentar a vida sob outra dinâmica, se atentando e valorizando coisas menos materiais. Pra não dizer, nada material. Nada explicável. Nada visível. Porém que nos faz sentido de alguma maneira muito intima e particular.

Mês passado, teve a Semana da Administração na minha faculdade. As palestras dadas pelos convidados vieram reforçar essa ideia de uma consciência espiritual que já vem ganhando força tem tempo. Creio que muita gente também já percebeu isso. Pessoas mais espiritualizadas até. A própria mídia tem divulgado bastante, de diferentes formas, como a espiritualidade tem encontrado as respostas que a ciência deixou a desejar.
Durante as noites de palestras, enquanto os convidados discursaram sobre diversos assuntos, como: o milagre da vida, conceitos filosóficos, finanças, administração de conflitos, volta e meia eles caíram no assunto Espiritualidade de alguma forma e a influência dela em suas vidas. Foi aberto. Nenhum deles usou subterfúgios. Assumiram claramente que tornar-se espiritualizado é cada vez mais necessário para entender uma porção de coisas. Uma porção de sinais...

Durante a vida a gente esbarra nesses sinais importantes e acho engraçado como não nos damos conta disso. Sinais esses que podem ser a resposta pra alguns enigmas, quando não nos programamos pra reproduzir que foi só mais uma coincidência. Manipulando-nos assim, a acreditar no contrário do que estamos sentindo. Talvez isso aconteça porque nos ensinaram desde muito cedo, que nem tudo o que sentimos é de fato o que estamos vendo. Mas será mesmo?

Passamos a vida inteira nos dizendo que os sonhos eram mesmo apenas sonhos, imagens personalizadas por nosso inconsciente tentando nos enganar; que aquela "pulga atrás da orelha" era só uma pulga atrás da orelha e foi melhor deixar as coisas como estão. Não faria sentido correr o risco de sermos taxados de loucos, não é? Afinal a Terra ainda é quadrada!

É mais prático descreditar e julgar as coisas como "não existentes" como resposta final, pra não ter que debater a verdade que ainda não foi de fato explicada como tal. Tudo pra poder deitar a cabecinha no travesseiro à noite e dormir mais seguro, agarrado a crenças que não funcionam.
Diante dessa fuga de coisas "ilusoriamente reais" - sim, reais! - me fica a pergunta: seguros de quê?
Será medo de acreditar que existem perguntas não respondidas, que até hoje o nosso "bom senso" não assume não ser capaz de esclarecer?
Será medo de acreditar que não estamos a sós, num universo infinitamente maior do que o nosso julgamento?
A vida sem espiritualidade faz sentido, também?

Não estou aqui dizendo que cada um não possa ser descrente. Em hipótese alguma. Somos livres para ter ou não crenças, para viver e ver o mundo como julgarmos. Estou apenas levantando questões. A mim, uma coisa é fato: aqueles que transformaram a ciência, a tecnologia e as matérias efêmeras num deus, estão se sentindo sós. Vazios. Falta algo que ninguém está sabendo explicar. Eu não estou vendo a tecnologia da última geração – dos últimos minutos –, alimentar todas as necessidades dos "fieis" – que cada vez mais tem aumentado. Eu estou vendo um ciclo vazio, vicioso, viciante, caro, perigoso, que só tem alimentado o dinheiro – que aliás é atualmente outro deus soberano, não?

Diante desses questionamentos, você tem acreditado em quê? Ou nada disso te faz sentido?
A espiritualidade está ganhando cada vez mais espaço entre a própria ciência e há quem diga – e quem sempre disse! –, que num futuro muito próximo ambas caminharão lado a lado e a ciência encontrará através da espiritualidade, curas, respostas e novos caminhos, sabia?


… “Toda positividade eu desejo a você
Pois precisamos disso nos dias de luta

O medo segue os nossos sonhos

O medo segue os nossos sonhos”


( Charlie Brown Jr. / Composição: Chorão e Thiago Castanho) ]

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Porque eu gosto é de GENTE!


[/ “Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que você vai se focar. Mas não é nada disso. Significa dizer não às centenas de outras boas ideias que existem. Você precisa selecionar cuidadosamente.” (Steve Jobs) ]


Eu utilizo esse título para o post porque dói perceber certas coisas que pra alguns tá passando batido, mas eu vejo! Aliás, não consigo não ver. Numa conversa semana passada – semente desse post –, meu professor chamou essa “dor” de consciência; de acordo com ele quando adquirimos consciência sobre as coisas da vida, não somos mais capazes de tapar o olhos para os acontecimentos, a gente vai pagar um preço por isso eternamente. Aí ele nos disse que nos resta aprender a tolerar as diferenças.


Eu sou tolerante, eu só estou desacorçoado com essa nova modalidade de geração.


Se pararmos um minuto, pelo menos, pra pensar sobre a nossa geração e a que tem vindo e sobre os estilos de vida, vamos perceber diferenças marcantes entre os anos. Nos mais variados setores.

Na educação por exemplo, antigamente havia sacrifícios; para fazer um trabalho de escola não existiam sites de buscas, tínhamos que pesquisar nos livros, revistas e afins para encontrar o conhecimento; além do que, nunca líamos um único livro ou uma única revista, o caminho era trabalhoso e demorado. Porém, o conhecimento adquirido era consistente, aprofundado e além de desenvolvermos um olhar com criticidade para as coisas, acostumávamos nossa mente a questionar e debater o que aprendíamos. Quando precisávamos pesquisar sobre um tema “x”, até o encontrarmos, durante o caminho aprendíamos sobre “y”, “z” etc.

Hoje é possível ir direto, se encontra muito facilmente o que quer – mas sempre de forma muito superficial também –, e todo o resto que poderia ser aprendido é desprezado.

O conhecimento proporcionado pelas atuais instituições de ensino, na minha opinião, propõem a repetição das mesmas ideias e dos mesmos caminhos. Há fórmulas, regras, métodos, tudo certinho, no entanto, se já aprendemos que cada ser humano é diferente, ou seja, aprende também diferente, as instituições de ensino e os “mecanismos de educação” devem promover o debate de ideias e a criticidade nas opiniões. Não respostas prontas. Padrão não encaixa em diferença.


Hoje eu sempre desconfio das referências...


Quando o assunto era paquerar ou fazer amizades era a coisa mais simples do mundo: só sair de casa e puxar assunto com as pessoas! Cara a cara, no olho no olho, assim como quem não quer nada, quando víamos encontrávamos afinidades e tão logo as relações se firmavam. Tudo tinha graça, qualquer lugar era interessante, porque no fundo o que realmente importava era o contato com a pessoa, a simples presença do outro.

Hoje não há contato (físico), é desnecessário sair da frente da tela do computador – ou celular –, existem comunicadores instantâneos e redes sociais das mais variadas e internet ligando todo mundo. Cada um na sua casa, trancado no seu mundo. Bom, até aí tudo bem. Só é questionável ver grandes amigos que conversam sobre tudo, o tempo todo, pela internet, e quando se encontram pessoalmente não passa do "oi". São pessoas íntimas na internet, mas estranhas pessoalmente!(?)

Até que ponto então podemos dizer que todos os amigos/seguidores podem ser realmente amigos? Uma amizade de contato raro, exclusivamente pela internet, onde só o que se sabe um do outro muitas vezes é o que é mostrando no avatar ou no perfil, é real? É saudável? Será interessante ter uma porção de amigos virtuais e nenhum "à moda antiga"?


Eu não estou aqui dizendo que a tecnologia é inútil para a humanidade, nem que deveríamos aboli-la das nossas vidas. Na minha opinião, a tecnologia existe para facilitar a vida, mas, jamais para substituir o contato humano. As relações humanas. Ter um microondas para fazer algo rápido porque não temos muito tempo – de vez em quando –, tudo bem. Utilizar a internet para conversar com alguém que mora muito longe, é necessário. Usar robôs para fazer um trabalho que seria humanamente impossível, por causa de precisão ou peso, eu concordo.

Só precisamos tomar cuidado e refletir para sabermos distinguir o que é necessidade do que não é. Não nos relacionamos com as máquinas.

Trocar uma conversa pessoalmente com outra pessoa por um contato virtual apenas, é estanho pra mim. Ter milhares de amigos numa rede social, mas estar só num fim de semana por não ter com quem sair, não é alta sociabilidade pra mim. Resumir minha vida, minhas experiências e relações a um espaço virtual, não é saudável pra mim.

Eu gosto de internet, mas eu priorizo a realidade. Eu gosto de ler livros, de correr na rua, de andar descalço às vezes, de olhar nos olhos das pessoas enquanto eu converso, de preparar minha própria comida, de sentir a vida como ela é. Eu gosto é de gente!



[/ “Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi.” (Mário de Andrade) ]